The Truth Hurts… And Lies Worse

Autoras: Lary Ritter e Jéssie Novaes
Status: Em Andamento
Revisada por: Lui Caminada
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Romance/Drama - Long Fic
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Capítulo 1 - Broken Strings

Estava um dia frio. Nada muito fora do normal para uma cidade como Londres, onde raros são os dias em que se pode ver a luz do sol por um período longo de tempo. O barulho da chuva caindo do lado de fora era a única coisa que quebrava a atmosfera silenciosa que pairava sobre a sala de estar dos , onde esperava atentamente o homem a sua frente explicar melhor o que ele havia acabado de lhe dizer.
- Então, Senhor... - fechou os olhos tentando se lembrar de como o homem se apresentara para ela, minutos antes.
- Anderson, William Anderson - ele fixou seus profundos olhos azuis aos dela.
- Certo, Senhor Anderson, eu não entendi exatamente o que o senhor quis dizer - ela foi direta.
- Sabe, Senhora , eu acho que a senhora entendeu muito bem o que eu quis dizer - ele sorriu irônico - Seu marido está te traindo.
- Senhor Anderson, nunca me trairia - respirou fundo tentando manter a pouca calma que ainda tinha.
- Tem certeza? Olhe isso. - ele estendeu um envelope para ela, que pegou na hora, apesar de sentir que não deveria dar crédito àquele homem.
- Eu não... não pode... - ainda sem acreditar no que via, sentiu seu coração parar de bater. No envelope haviam fotos. Fotos de beijando uma mulher. Uma mulher que não era ela.
- Está vendo esta mulher, Senhora ? - William perguntou, deixando transparecer em sua voz uma ponta de angústia e dor - Essa mulher que está beijando o seu marido, é a minha mulher... A minha esposa.
deixou as fotos caírem sobre o carpete. Elas estavam queimando suas mãos. Assim como as lágrimas que escorriam por seu rosto, o fazendo formigar. Ela precisava de ar.
- Por que? - ela olhou o homem a sua frente vendo que ele estava sentindo o mesmo que ela - Por que ele fez isso comigo?
- Não sei o porquê senhora , mas...
- - ela o interrompeu - Pode me chamar de .
- Me chame de William, então - ele tentou sorrir. - Eu vim aqui porque... Nós temos que nos vingar.
- Nos vingar?
- Sim, eles tem que passar pelo mesmo que nós estamos passando. Tem que sentir o mesmo que estamos sentindo!
- Não posso fazer isso com o . Talvez seja apenas um caso passageiro, uma coisa boba que logo vai acabar e ele nem vai mais lembrar da existência dela.
- Você diz isso porque não os viu juntos - a voz de William soou baixa - Não viu como tratavam um ao outro, como se beijavam... Eles precisam aprender que não se brinca com os sentimentos dos outros dessa forma.
- E o que você tem em mente? - perguntou começando a aceitar a ideia dele.
- Como eles brincaram com os nossos sentimentos... Vamos brincar com os deles.
- Mas primeiro eu quero vê-los... juntos.
- É claro, eu sei onde eles sempre se encontram depois do trabalho. Se quiser, te levo lá hoje mesmo.
- Certo, eu só preciso me trocar, e passar na revista para... tenho que falar com uma pessoa - ela disse se levantando.
- Trabalha em uma revista?
- Sim, eu cuido da parte de moda, sabe como é? Revistas femininas - ela deu os ombros - Pode me esperar aqui?
- Tudo bem, eu espero. Ainda temos tempo.
- Ok.
Sem pensar muito, colocou logo a primeira roupa que viu em sua frente, uma saia branca com bordados pretos e uma blusa preta simples. Puxou todo o ar que poderia caber em seus pulmões e saiu do quarto.

- ! - exclamou ao ver a amiga saindo da sala do redator chefe.
- ? O que está fazendo aqui? Hoje você devia estar de folga.
- Eu sei, mas... - não sabia por onde começar a contar.
- Vamos pra minha sala.

- O QUE?! - gritou levando a mão ao rosto - ... por acaso você conhece esse cara?
- Não. Eu já disse. Por isso o deixei esperando lá no carro dele enquanto vim pedir um conselho seu.
- Não acho que o seria capaz... Mas sabe como são os homens, né? Melhor não confiar muito.
- Mas o NUNCA faria isso comigo!
- Mas você disse que viu as fotos... - ficou pensativa - Se esse tal de William está disposto a te ajudar vai com ele.
- Será?
- Vai e depois me liga pra contar o que vocês viram. - segurou as mãos da amiga.

William estacionou o carro quase em frente a uma cafeteria. Ele cruzou os braços.
- É aqui.
- Espero que estejamos enganados com essa história toda - suspirou.
- Se você prefere continuar pensando assim do seu "maridinho perfeito"... - William deu de ombros.
- Hey, o que está querendo insinuar? Eu o conheço muito bem!
- Não precisa ficar assim... - disse o rapaz em um tom sério - Você ainda vai me agradecer por isso.
- Eu nem deveria ter vindo! Eu nem te conheço... É melhor eu ir embora agora!
- Está com medo?
- Medo de você? - sorriu irônica - Eu já fiz aula de defesa pessoal e meu professor era o dobro do seu tamanho.
William fechou os olhos encostando a cabeça no banco e começou a rir.
'Sujeitinho irritante', pensou , 'Mas até que ele tem um bom físico', constatou a garota ao olhá-lo enquanto ele mantinha os olhos fechados.
Ficaram em silêncio pelo que pareceram longos minutos, apenas esperando. Por um lado, queria que tudo aquilo fosse uma grande mentira. Mas William falava com tanta convicção, que ela já estava completamente perdida em seus pensamentos.
- Ali está ele. Como pode ver, acabou de descer do carro - William apontou para o homem de paletó que entrava no café. Ponto pro cara de olhos claros!
Ela o reconheceu na mesma hora. Não tinha dúvidas de que era mesmo . Mas ele estava sozinho. Empate!
- Muito bem, o que vamos fazer agora?
- Esperar mais um pouco até... - por um momento William parou de falar, o que fez notar o quanto aquela situação era difícil pra ele também - Até ela chegar.
De onde estavam era possível ver que estava sentado numa mesa perto da janela. Mais um tempo se passou e ele já tinha terminado de tomar o seu provável capuccino.
pegou seu celular do bolso e olhou para ele sem fazer nada. No carro, também não sabia o que fazer. Ele iria ligar para a mulher da foto dizendo que ela estava atrasada? Iria?
William se arrumou no banco, não querendo perder nenhuma ação.
discou um número rapidamente e se levantou, deixando o dinheiro sobre a mesa. Assim que saiu do estabelecimento, ouviu seu celular tocar dentro da bolsa.
William deu um pulo que quase alcançou a cabeça no teto do carro, devido ao susto. finalmente encontrou seu celular e atendeu com impaciência. Isso era hora de ligarem para ela?
- Quem tá falando?
- Hmm, querida, sou eu.
rapidamente apontou para o aparelho que tinha em mãos e para parado do outro lado da rua, antes de se abaixar.
- Não acredito... - William bufou, tentando esconder , já que o carro não tinha vidro escuro.
- ? Algum problema? Alô...?
- , não, tá tudo bem... Pode falar.
Como seria bom ouvir a voz dele sem ter que estar se escondendo.
- Eu vou passar aí em casa pra pegar você pra irmos ao cinema. Vamos?
- É que eu não estou em casa agora, amor. Saí para... devolver uns DVD's.
- Então me diz onde você está que eu vou te buscar - sugeriu.
- Não! Quer dizer, não precisa, estou quase chegando em casa.
- Tudo bem. Vou indo te esperar lá então. Beijo - desligou.
- Pronto, ele já foi - disse William, ao ver o carro de saindo, enquanto se levantava tentando arrumar o cabelo.
- Seu idiota! - ela não se controlou e deu um tapa no rosto de William - Eu sabia que tudo não passava de um engano! E nem pro carro ter vidro escuro! - Que situação que você me colocou!
- Você precisa acreditar em mim! - William disse em sua defesa - Você viu as fotos...
- Montagem, aposto!
- E eu estaria fazendo isso em troca de quê?!
- Pra mim já chega. Vou pra casa, o está me esperando, não vou fazer parte desse seu joguinho bobo.

Já se passavam das três da madrugada e ainda assim o sono de inssistia em não chegar. Ela já havia perdido as contas das xícaras de chá que havia tomado, apesar de não gostar de chá, mas estava desesperada para dormir e esquecer aquele dia horrível.
tivera que sair mais cedo do cinema ao receber uma ligação importante do escritório, e havia chegado à pouco em casa, morrendo de sono. estava sentada na cama, apenas o olhando dormir, invejando a tranquilidade do outro. Ao correr os olhos pelo quarto pela milésima vez, sentiu o coração dar um pulo ao ver o celular do marido em cima da mesinha de cabeceira.
'Isso é errado' dizia para si mesma, mas o impulso foi maior do que a razão, e minutos depois estava sentada no sofá da sala com o celular em mãos. 'Só vou olhar' pensou 'Não é errado olhar, afinal ele é meu marido'.
Ao correr os olhos pelas últimas ligações, levou um leve susto. Última chamada atendida - Rachel Anderson.
Anderson? Aquele não era o sobrenome do maluco que a procurara naquela tarde?
Olhou todas as ligações anteriores, mas naquele dia não havia recebido ligação nenhuma do escritório.
'Então, foi ela quem ligou'. sentiu os olhos marejarem. 'Ele me enganou'.
Ainda com a raiva dominando-a por completo, apertou o botão rediscar do celular, e esperou atentamente com o aparelho sobre o ouvido, pensando no que falaria ao ouvir a voz da mulher que estava tentando tomar seu marido.
- Alô? - levou um susto ao notar que aquela voz não era feminina.
- Alô - respondeu ainda meio confusa.
- ? É você? - ela conhecia aquela voz.
- Co-co-como, você sabe o meu nome?
- Sou eu, William.
- William? Não estou entendendo, eu liguei para...
- Rachel Anderson, é eu sei, esse celular é dela - ele a cortou parecendo nervoso - Minha esposa.
- William - murmurou tentando segurar o choro - Eu acho que você tem razão... está mesmo me traindo.
- Eu sei, . Sinto muito - William respondeu ao notar o quanto parecia estar arrazada - O que faz acordada a essa hora?
- Não conseguia dormir, então peguei o celular do , achei esse número e liguei - tinha a voz vazia de sentimentos - Sabe William, ele saiu do cinema mais cedo alegando que haviam ligado para ele do escritório... Eu sou mesmo idiota por ter acreditado nisso.
- Não, , você não é idiota. Ele é um idiota!
- Por que não está dormindo, William?
- Insônia - disse simplesmente - Estou com isso desde que descobri - eles ficaram em silêncio.
- Isso está doendo mais do que eu achava que iria doer - murmurou de repente - Amanhã mesmo eu peço o divórcio e...
- Não, - William a interrompeu - Você não pode! O que é o divórcio para ele? Nada. Você vai apenas o deixar livre para a vagabunda que eu chamo de esposa.
- Mas Will, o que eu posso fazer? Continuar com ele e sofrer mais toda a vez que ele vier me beijar? Me tocar?
- Não é isso, eu já tenho tudo esquematizado na minha mente, ! Mas eu preciso da sua ajuda.
- Eu não... eu não sei se isso é certo.
- É certo o que ele está fazendo com você?
- Está bem, eu te ajudo - disse depois de um tempo.
- Ótimo, , sabia que uma hora você faria a escolha certa.
- Mas o que eu tenho que fazer?
- Vamos fingir - a voz de Will soou séria - Vamos fingir que está tudo bem. Coloque seu melhor sorriso falso no rosto amanhã ao se despedir dele para trabalhar, e nos encontraremos em frente a revista que você trabalha, tudo bem?
- Tudo bem, nada muito difícil.
- Eu tenho que desligar... sinto muito por acabar com seu faz-de-conta.
- Não sinta.
- Você sabe que a partir de agora, vamos ter que fingir para nós mesmos e para os outros? Está mesmo disposta a isso?
- Estou.
- Então até amanhã.
- Até amanhã, William - desligou o celular. Deitou a cabeça sobre uma almofada do sofá, e chorou, como uma criança, mas promentendo para si mesma que aquela seria a última vez.

- Saindo tão cedo, ?
assustou-se ao ser puxada pela cintura enquanto saía em silêncio de casa. Seria mais fácil não ter que olhar nos olhos de antes de ir se encontrar com outro. Que besteira! 'Quantas vezes ele já não tinha feito a mesma coisa e ainda pior?!'; pois ela estava indo apenas conversar com William.
- Pois é... Isso é o resultado de um dia de folga no meu trabalho. - passou os braços pelo pescoço de e sorriu.
- Eles estão é te escravizando... O mundo da moda te escraviza, como faz com todo o mundo.
'Inclusive com a Rachel. Eu vi muito bem de quem era aquele vestido que ela estava usando quando te beijava!'. virou para a porta e procurou sua chave que devia estar em cima da mesinha.
- Não está esquecendo nada? - balançou as chaves fazendo cara de palhaço.
- , me devolve...!
fez mensão de correr pela casa.
- Vai perder o seu tempo e o meu, porque eu não vou ficar correndo atrás de um chave a essa hora da manhã! - deixou transparecer mais impaciência do que relmente queria.
- Tudo bem, irritadinha! - levou as chaves pra ela mas antes lhe roubou um selinho.
estremeceu por dentro, mas apenas fingiu sorrir e saiu dali o mais rápido que conseguiu.

deixou seu carro no estacionamento da revista e caminhou lentamente até a entrada do prédio. Aquela manhã estava tão gelada que ela sentia que poderia estar congelando por dentro. E esse sentimento só aumentava quando ela pensava em tudo que descobrira com a ajuda de um desconhecido.
As lágrimas estavam vindo novamente. Cada vez mais fortes. Impassíveis. No momento seguinte já corriam livres por sua pele.
'Já chega' - se lembrou do que tinha prometido a si mesma e enxugou os olhos com as costas das mãos.
Lá estava ele. William vestia um casaco marrom e estava parado na frente da portaria. Ao vê-la, acenou, tentando sorrir.
- Bom dia, William - disse ao se aproximar, torcendo para que ele não desconfiasse que ela havia chorado.
Eles tinham feito um trato. Não queria parecer fraca antes mesmo de começarem a falar sobre o assunto.
- Bom dia. Como você está?
- Tudo bem. Podemos ir conversar na minha sala, se preferir.
William ascentiu, mas tinha algo errado. notou que ele também estava com os olhos vermelhos.
- Will, me desculpe por não ter acreditado em você logo. E também... - ficou meio envergonhada - E também por ter batido em você ontem.
- Não tem problema - ele sorriu - Vamos? Temos muito o que resolver.


Capítulo 2 - Keep Holding On

- Sua sala é muito bonita - William comentou tentando distrair um pouco.
- É, ela é - o olhou com um olhar distante - Eu não sei se devo fazer isso.
- Isso o que?
- Esse seu plano... Não posso fazer nada que machuque o , não consigo.
- , olha pra mim - William segurou sua mão - Ele está te traindo, entende? Ele não te ama.
- Ele me ama sim, Will - deu um fraco sorriso - E o pior de tudo, é saber que ele me ama.
- Como assim?
- Se ele não amasse seria mais fácil, aí eu poderia odiá-lo, poderia te ajudar... Mas não posso, porque apesar do que ele está fazendo, eu sei que ele me ama.
- Ele não te ama, , entenda isso - William retrucou perdendo a paciência.
- William, não é porque a vadia da sua mulher não te ama e está te traindo que o meu marido esteja me traindo por não me amar - ela o olhou alterando o tom de voz - Meu marido me ama... E eu o amo. Ele é meu ar.
- Você só pode estar doida.
- Não, não estou.
- Isso quer dizer que você desistiu do plano?
- Eu não... Eu vou te ajudar, mas não pode se machucar.
- Ele não vai, prometo.
- Está bem, o que temos que fazer?
- Vamos à primeira parte do plano ok? Temos que fazer nós quatro nos encontrarmos.
- Eu vou ter que encontrar a sua mulher? - o olhou com nojo.
- Sim, você vai, além é claro de nós dois termos que fingir que somos amigos de infância.
- Como vamos fazer isso?
- Eu ligo pra você depois, marcamos um local, e nos encontramos como se fosse 'coincidência' - Will sorriu triunfante.

parecia inquieto e já havia notado isso há alguns minutos atrás.
- Algum problema? - ela deixou seu copo sobre a mesa e olhou para as pessoas que circulavam pelo restaurante.
- Não... - tomou um longo gole do seu vinho - Pensei que tinha visto um conhecido, mas me enganei.
'Então eles já chegaram' mordeu o lábio inferior. Virando-se lentamente, para parecer natural, ela pode ver o casal que procurava, sentado em uma mesa não muito longe da que eles ocupavam.
William parou o que estava falando e passou a encarar e ambos sorriram, como o combinado.
- , quem é aquele cara?
- Estou tentando me lembrar... - ela voltou a olhar para que encarava a outra mesa meio desconfiado - Tenho a sensação de que o conheço de algum lugar...
- Tem certeza? - insistia.
- Espera um pouco... - ficou pensativa - Será que... NÃO... Não pode ser.
William logo estava parado na frente deles com uma aparente cara de animação.
- Willy? - abriu um enorme sorriso.
- Pitchuquinha...?! - William puxou-a para um abraço apertado - Não posso acreditar que depois de tantos anos nos encontramos novamente.
- Alguém pode me explicar o que está acontecendo? - tentou parecer divertido com a situação, mas podia ver em seus olhos que ele estava nervoso.
Aquele era seu olhar de ciúme. E para ela, uma prova de que ele ainda a amava.
- Willy, esse é meu marido - disse .
- William Anderson.
- - eles se cumprimentaram.
- ? Então... desculpem, eu já volto - Willam se afastou.
sabia o que ele tinha ido fazer. Precisou se segurar na ponta da mesa para não voar e acertar de jeito o rosto daquela mulher que a olhava de cima e parecia confusa ao ver .
- Esta é a minha esposa, Rachel Anderson - disse Will.
levantou-se para cumprimentá-la. Os cabelos castanhos caiam sobre os ombros dela, fazendo-a parecer muito mais alta do que realmente era (é claro que o salto também ajudava).
- Como vai? - disse ao receber o aperto de mão.
- Vocês se conhecem, querido? - perguntou.
- Sim - tentou sorrir para a esposa - Ela é cliente lá do escritório.
- Por que não nos sentamos todos juntos para conversar um pouco? - sugeriu Will.
- Ótima ideia. Vamos pedir um café já que todos já acabaram de almoçar - concordou indicando uma mesa maior.
Depois de alguns segundos todos já estavam sentados em outra mesa, enquanto William e conversavam como os 'melhores amigos que se encontraram' e tentava fazer os dois mudarem para um assunto em que ele também pudesse participar.
- está cuidando para eu receber uma herança de um tio - dizia Rachel ainda um pouco estranha com a situação que estava.
- Sério? Que coincidência... - tentava se mostrar interessada.
- E vocês, de onde se conhecem? - perguntou para William, segurando a mão de .
- Amigos de infância - eles responderam juntos.
estava tão nervosa por estar frente a frente com aquela mulher que nem percebeu que a pergunta não era pra ela.
- Eu morava ao lado da casa da avó dela.
- E eu passava mais tempo na casa da vovó do que na minha - continuou .
Rachel pareceu não achar nada engraçado, apenas mexia seu café sem levantar os olhos para os presentes.
pelo menos estava prestando atenção na conversa dos dois, fazendo uma pergunta de vez em quando enquanto e William conversavam sobre um passado que nunca existiu.
- De onde veio esse apelido: 'Pitchuquinha'?- estava curioso.
- Coisa de criança...
- Foi muito bom reencontrá-la, - disse Will, olhando-a.
Ninguém falou mais nada depois desse comentário, pois ele tinha falado isso com um tom de interesse a mais que todos ali perceberam.
- Hmm, então... Vamos ? - se pronunciou - Você já está atrasada pro trabalho e eu também - ele se levantou.
- Vamos. Ham, Will, vamos marcar um jantar, nós quatro, qualquer dia desses...
- Claro, aqui está o número do meu celular - William lhe entregou um guardanapo em que tinha acabado de rabiscar algo.
- Tchau, Rachel - sorriu pra ela.
Rachel apenas acenou para o casal que saía.

O silêncio dentro do carro de predominava desde que saíram do restaurante. Ele parecia não querer conversar e aceitou isso, ficando em silêncio, apesar de achar que deveria pertubá-lo com o assunto Rachel.
- - ela o olhou mandando continuar - Você e esse tal de William, vocês eram... Apenas... Hum, você sabe - então é isso, pensou feliz.
- O que eu sei, ? - se fez de desentendida.
- Ora, , vocês eram... Eram namorados? - aquilo parecia machucar quando ele falava.
- Nós... Ah, , eu não lembro, faz tanto tempo.
- Esse tipo de coisa não se esquece, - ele tirou os olhos do trânsito por um momento - Eu ainda me lembro do que você usava no nosso primeiro encontro.
- , eu - a garota ficou muda. Ele a pegara totalmente desprevinida.
- Aquele dia foi mágico pra mim, , eu parecia um idiota, porque toda vez que eu olhava você sorrindo me dava vontade de sorrir, e quando você girava os olhos... - ele pareceu ficar sem graça - Eu adoro quando você gira os olhos, parece aquelas crianças, sabe?
- Okay, você me deixou sem graça, seu bobo - ela virou o rosto para a janela, tentando esconder as lágrimas que tentavam rolar.
- Quando eu te beijei pela primeira vez... Seu gosto ficou na minha boca pelo resto do dia - ficou em silêncio por um momento - Eu descobri, naquele dia, que não conseguiria viver sem você.
- Você me ama, ? - ela pode ver que o carro já estava parado em frente a revista, mas não se moveu.
- - segurou as mãos dela olhando-a nos olhos - Eu te amo, mais até que a mim mesmo. Você é o pedaço de mim que estava perdido, entende? Depois que eu encontrei você, foi como se, sei lá, eu me sinto completo... Eu tenho medo de perder você, a minha vida acabaria - a essa altura pode ver lágrimas escorrerem pelo rosto do marido, e ele tentar limpá-las impaciente.
- Por que está me dizendo isso? - ela fez uma voz indiferente, por mais que aquilo doesse.
- Aquele tal de William, eu não gostei de como ele olhava pra você, o modo como ele falava com você ou dizia seu nome.
- - segurou o rosto do marido com as duas mãos e sorriu - Eu amo o jeito que você diz meu nome.

puxou-a para perto até que seus lábios se encostaram e um beijo calmo se deu início. não podia negar que amava aquilo, até com o beijo mais calmo, conseguia despertar algo dentro dela que mais ninguém havia conseguido, e provavelmente ninguém mais conseguiria.
- Eu poderia te amar pro resto da minha vida - ela disse assim que o beijo foi quebrado.
- Poderia? - ele a olhou magoado ao ver o verbo ser conjugado no passado.
- Eu tenho que ir, , até depois - não deu tempo d'ele responder e saiu do carro o mais depressa possível, pois se ficasse mais um segundo ali acabaria falando demais.
'Poderia, se ele desistisse de um vez por todas daquela mulher' pensou. O carro já havia saído, mas continuava parada na janela da sua sala, pensativa, com todo o seu trabalho lhe esperando. Enquanto tirava o casaco algo caiu de seu bolso, chamando-lhe a atenção. Era o bilhete que William lhe dera no retaurante. Nele estava escrito: 'Continue aguentando, '.
- ?
Ela se virou rapidamente quando ouviu lhe chamarem. Era e parecia estar tentando chamar sua atenção há algum tempo.
- Muito bem - agarrou a pasta que tinha em mãos e sorriu feito uma criança curiosa - Pode me contar tudo, moça!
- Eu preferia não ter o que contar.
- Oh, me desculpe amiga. Eu estou aqui pra te ajudar.
- Senta aí, . Você não sabe como foi horrível ter que ficar no mesmo ambiente que aquela mulher!

Rachel estava séria, e isso fez William sorrir por dentro 'O plano estava dando certo'. Assim que chegaram em casa, ela foi direto para o quarto do casal dizendo ter assuntos sérios para tratar, e fechou a porta sem a menor delicadeza, ficando lá por mais de 2 horas.
- Will - ele estava deitado no sofá, assistindo um jogo de futebol qualquer quando ela entrou em sua frente com uma cara estranha.
- Você saiu do quarto - ele sorriu sarcasticamente - Legal vir me avisar, mas agora eu quero ver televisão, se não se importa.
- Eu só queria conversar um pouco - Rachel disse simplesmente e desligou a televisão, fazendo o marido olhá-la nervoso.
- Por que você desligou?
- Eu quero conversar, faz tempo que não conversamos, não é?
- Ok, quer falar do que? De uma nova roupa que você comprou e que vai me custar alguma fortuna?
- Não - ela sentou ao lado dele encostando a cabeça em seu ombro - Hoje quando você encontrou aquela sua amiga de infância... Sabe, queria saber um pouco mais sobre ela.
- E por que quer saber mais sobre a ?
- Ora, Will, você é meu marido, eu tenho cíumes de qualquer outra mulher que se aproxime de você - William a analisou com cuidado, e percebeu que Rachel estava realmente falando a verdade. Ela estava sim com cíumes, mas não dele.
- Certo, vamos ver. Conheci a quando éramos crianças. Ela sempre foi bonita, educada, simpática, carinhosa, gentil, inteligente, carismática... - ele começou a fazer uma lista de elogios direcionados a , baseados no pouco conhecimento sobre a garota que adiquirira - Ela trabalha em uma revista feminina, e é casada. Mais alguma coisa que deseja saber?
- Ela aparentemente é uma mulher perfeita - Rachel comentou.
- Sim, ela é, o marido dela tem realmente muita sorte.
- Hm, eu tenho que sair Will, até mais tarde - Rachel disse apressadamente, se levantando. William deu de ombros e observou-a pegar a bolsa e sair de casa em silêncio.
- Cheque mate - ele riu, enquanto pegava o celular que estava no bolso da calça jeans que usava, e discava o número que mais havia usado em tão pouco tempo.
- Fala, William - disse do outro lado da linha.
- Hey, , só queria saber como está indo nosso plano?
- Hm, aparentemente aqui está tudo ocorrendo como o planejado, e aí?
- Perfeitamente dentro dos planos - ele sorriu - Eu acho que Rachel está sentindo cíumes do seu marido.
- O quê? - a voz soou esganiçada.
- Pois é, ela deve estar gostando mesmo dele - Will suspirou parecendo cansado - Ultimamente eu ando pensando muito nela, em tudo que eu fiz por ela... As coisas mais loucas possíveis.
- Você ainda a ama - afirmou.
- Na verdade não, eu só continuo com ela para devolver tudo o que ela fez por mim, entende?
- Falando assim parece que você quer matá-la.
- Não quero matá-la, mas quando isso tudo terminar, eu queria poder perguntar pra ela... Perguntar se ela pensava em mim enquanto beijava o seu marido, se ela pensava em todos esses anos que eu passei com ela, dando força, ajudando quando ela precisava de alguém, de um ombro para chorar...
- William, não é melhor você descansar um pouco?
- Eu achava que eu a conhecia, , mas ela só me usou - algumas lágrimas escorriam pelo rosto de William enquanto ele falava, mas como não podia ver, ele não se deu ao trabalho de limpá-las - Eu só preciso agora da minha doce vingança, e depois eu quero recuperar tudo o que eu perdi. Ela gastou meu dinheiro, dirigiu meu carro... Mas sabe quem vai rir por último? Eu. Eu vou rir muito quando a vir andando sozinha pelas ruas, sem ter para onde ir, porque eu sei que ela vai acabar sozinha.
- Ah sim, claro , outra hora eu te ligo dando os dados que você precisa - William, achou estranho a mudança na voz de , e o fato de tê-lo chamado de , mas logo compreendeu que alguém devia ter chegado.
- Seu marido esta aí?
- Sim... Hm, mandou um abraço querida, eu tenho que desligar, tudo bem?
- Tudo certo, , não se preocupe, até depois.
- Até, querida - Will pode ouvir o barulho do telefone sendo desligado.
- Ah, Rachel... - ele sorriu olhando um porta retrato que continha uma foto dos dois, abraçados e aparentemente felizes - Você nem imagina o quanto isso dói, mas fique tranquila, tudo vai vir em dobro pra você.

- Mas vai ser interessante... Ah, , por favor - o abraçou com carinho tentando apelar para o lado sentimental do marido.
- Não sei não - olhava pela janela tentando escapar do convite.
Já havia se passado uma semana desde que e William deram início ao tal 'plano'. havia recebido uma ligação de Will enquanto estava no trabalho e agora, conforme lhe mandara, deveria repassar o convite que ele fizera com muito entusiamo para .
- É só um jantar na casa deles, amor! - fingiu gostar da ideia, porem só em lembrar da falsidade estampada na cara de Rachel e pensar em encontrá-la novamente, sentiu vontade de poder gritar como uma criança que faz birra quando quer ter de volta o que é seu.
- Está bem... Mas não reclame se eu não estiver distribuindo sorrisos para o seu amiguinho, pois vou estar cansado. Tenho muitos processos pra revisar hoje.
- Tudo bem, eu te amo querido - pulou em cima dele, dando-lhe um beijo no rosto, o que fez sorrir.

- Que bom que vocês vieram! - William os recebeu na porta do apartamento.
- Como vai? - aceitou o aperto de mão com tanta firmeza que Will chegou a sentir a mão doer.
- Bem - Will deixou que ele passasse - Tudo bem, Pitchuquinha?
recebeu o abraço demorado, e olhou para ela com uma expressão surpresa.
- O que eu posso fazer? - ela sibilou para que balançou a cabeça negativamente e foi olhar uns porta-retratos.
- Oh, aí estão vocês - Rachel foi cumprimentar com um sorriso de orelha à orelha.
deu um passo para frente ao vê-la tão próxima para beijar no rosto, mas William a segurou sem que os outros presentes ali notassem, fazendo-a respirar fundo.
-! - Will murmurou, chamando sua atenção em voz baixa.
sorriu amável se preciptando para abraçar Rachel.
- O jantar já está pronto, podemos ir - disse a morena indicando o caminho.

- Hoje demos entrada para a finalização do seu proceso, Sra. Anderson - quebrou o silêncio que pairava sobre os quatro presentes. Todos já estavam terminando a sobremesa.
- Que bom - ela deu um meio sorriso.
- Vejo que escolheu bem quem devia cuidar do caso da sua herança, querida - William disse sem olhar para a esposa.
não pôde deixar de notar uma pontinha de sarcasmo em seu tom, então tentou amenizar a situação.
- é realmente muito competente - disse tentando se concentrar na conversa, ignorando o olhar rápido de Will.
Ele estava passando dos limites! Já não bastava ter lhe lançado aqueles olhares estranhos durante as conversas sobre o passado que eles não tiveram de verdade? Na primeira oportunidade iria querer uma satisfação dele.
O celular de tocou.
- Desculpem, preciso atender - ele se levantou indo até a sala.
- Já estou satisfeita - Rachel também se levantou levando seu prato até a cozinha.
- William, o que você ta tentando fazer? Você está doido? - murmurou desesperada.
- É o que combinamos, está lembrada? Fazer ciúmes... - Will estava ficando cada vez mais próximo dela - Para os dois... Não esqueça disso...
- Tudo bem... Mas só por enquanto, depois vamos conversar - se sobressaltou ao notar que alguém estava entrando no local - Hmm, ?!
William afundou na cadeira ao notar o olhar do outro sobre si.
- , vamos embora! - a segurou pela mão.
- , eu, eu... O que foi?
- Não temos mais nada pra fazer aqui.
- ?!
- Eu estou cansado, por favor, eu ainda tenho que fazer uns telefonemas internacionais.
Ele estava nervoso, mas não o bastante para começar uma briga com ela e muito menos com Will.
não falou nada no caminho de volta pra casa.

- VOCÊ ESQUECEU UMA COISA IMPORTATE, WILLIAM! - gritou nervosa ao telefone, se sentindo mais segura ao saber que estava no andar de cima, trancado em seu escritório.
- ...! - Will murmurou já meio irritado.
- Você concordou com a minha condição para eu te ajudar, e não cumpriu o que prometeu!
- Mas eu estava apenas conversando com você!
- Eu sei! Mas não foi o que pareceu pro .
- O que ele falou pra você?
- Na verdade, nada. Mas ele está diferente agora. Está meio distante de mim... E a culpa é sua!
- Ah, eu desisto de conversar com você pelo telefone! Amanhã vou ao seu escritório, menina teimosa.
- Teimoso é você que fica teimando comigo!
William riu da discussão, fazendo rir também.
- Ok. Tchau, Pitchuqinha.
- Espera, onde é que você arranjou esse apelido?
- Uma amiga dos tempos de escola. Por que? Gostou? (N/a: Ae Pity, nós te amamos, bjs)
- É ridículo. Tchau, William - ela desligou sem esperar resposta.

- Quer uma carona pro trabalho? - perguntou ao ver entrar na cozinha aparentemente apressada.
- Não, eu vou de carro, tenho uns compromissos depois e vou precisar dele - ela respondeu indiferente.
- Hm, eu pensei que nós poderiamos sair hoje, faz tanto tempo que não saímos juntos em uma sexta.
- Isso porque você sai toda sexta - ela rebateu.
- , meu trabalho toma muito do meu tempo e você sabe disso - se levantou da cadeira onde estava sentado tomando seu café, e parou em frente a esposa, segurando com carinho sua cintura - Está brava comigo, não é?
- Eu? Por que estaria? Só porque você tratou mau um dos meus melhores amigos de infância?
- Pelo amor de Deus, aquele cara estava quase te beijando, queria que eu fizesse o que? Simplesmente ignorasse?
- Quantas vezes eu ignorei aquelas esposas estranhas dos seus sócios que se jogavam em cima de você, pelo simples fato de você me pedir?
- Isso é completamente diferente!
- NÃO - estourou - Não é diferente! Você pode ter amigas mulheres e eu não posso ter amigos homens? E ainda você chegou e se trancou naquele escritório sem nem falar comigo direito, como se fosse minha culpa tudo isso - quando a culpa é sua por estar me traindo, completou em pensamento.
- Eu... Me desculpe, eu exagerei mesmo, mas eu - o barulho do celular de o cortou, ele respirou fundo e saiu do local para atender a chamada, voltando minutos depois - Eu tenho que ir, você vai voltar tarde hoje?
- Sim, por que?
- Eu vou jantar com o Sr. Wilson, ok?
- Ok - ela não o olhou - Tenho que ir, tchau.
saiu apressada de casa, e enquanto entrava dentro do seu carro, uma BMW prateada, ouviu seu celular tocando e depois de procurá-lo dentro da bolsa atendeu.
- Sim?
- , parece que temos trabalho pra hoje - Will disse animado do outro lado da linha.
- O que vai ser?
- Bem, aparentemente Rachel vai se encontrar com uma amiga à noite e suponho que também deve ter algum compromisso, acertei?
- É, acertou - ela respondeu triste - Eles provavelmente vão se encontrar.
- Isso. E você vai ser sequestrada.

Capítulo 3 - Don't hesitate to hate

- O QUÊ? - se assustou ao ouvir aquilo - Como assim você quer me sequestrar, seu doido?
- Hey, , calma, me deixe terminar de falar, sim?
- Fale.
- Certo. Você vai sim ser sequestrada, mas não hoje, não agora, ainda tenho que resolver algumas coisas.
- Sabe, Willliam, estou realmente começando a achar que você tem sérios problemas psicológicos.
- Te encontro hoje, no café que fica em frente ao escritório do seu marido, meia hora antes do horário normal de saída dele - Will continou ignorando o que ela lhe dissera - Vamos segui-los, quero ver aonde eles vão.
- Mas pra quê? Vamos aparecer lá, do nada, e ficar fazendo perguntas bobas do tipo 'Oh, vocês dois juntos aqui?'
- Claro que não, vamos filmá-los.
- Filmar os dois juntos para quê?
- Quando se separar do , vai ser necessário muito mais do que algumas fotos para arrancar tudo o que ele tem, querida.
- Eu não quero arrancar tudo o que ele tem, William - respondeu nervosa - Não quero acabar com a vida dele.
- Em breve você irá mudar de idéia, eu sei. Mas então, te encontro lá?
- Sim - desligou o celular sem se despedir de Will, já estava atrasada demais para o trabalho e aquele assunto realmente conseguia deixá-la irritada.

- Hey, quem é ele? - puxou William de lado ao ver que eles se encaminhavam para uma mesa onde um rapaz parecia esperá-los.
- Fica calma, . Ele é meu amigo. Como vai, ? - Will disse ao se aproximarem.
- Tudo ok, Will. E a senhorita deve ser a ? - o rapaz puxou a mão dela e a tocou de leve com os lábios.
- Sra. . Sou casada - o corrigiu, ainda meio desconfiada.
- Ah, é verdade, me desculpe - ele sorriu maroto - Sou .
Eles se sentaram.
- Como vocês estavam demorando acabei fazendo o meu pedido, mas se quiserem posso chamar a garçonete.
- Não vou querer nada - Will disse meio triste.
- Também não estou com fome - completou imaginando se Will estaria tão nervoso quanto ela naquele momento.
- irá nos ajudar - Will se virou para ela - Vai dirigir para nós, no carro dele, é claro, para que a Rachel não nos reconheça.
- Ok.
- E... Por que você está vestida assim? - olhou para com um sorriso.
- Eu acabei de sair do trabalho - olhou seu sobretudo bege procurando algo de errado - Qual é o problema? Não há nada errado.
- Moça, como você pretende seguir alguém de sobretudo, vestido e salto alto?
William segurou o riso para não deixá-la chateada.
- Mas... - tentou contestar - Ok, vocês venceram. Só não sei como vou me trocar agora. Não tenho nada aqui.
- Vou na loja aqui do lado e já volto com alguma coisa mais adequada, - William se retirou.
- Eu vou com você.
- Nem pensar! Vocês mulheres demoram demais pra escolher roupa - Will parou na porta do estabelecimento - E você deve demorar ainda mais porque trabalha numa revista de moda.
- William!
- Eu já volto.
gargalhou, só parando quando a garçonete chegou com seu pedido. Quando a moça foi anotar o pedido de um casal que tinha ocupado a mesa ao lado da deles, alguns minutos depois, analisou a garçonete demoradamente dos pés a cabeça. queria sumir daquele lugar.
- Qual é o problema com vocês?
- O que? - voltou o olhar para , bebendo seu café.
- Homens! - disse simplesmente.
- Bom... Errrr... - entendeu mas não sabia o que falar.
- Esquece - olhou para fora e viu que William já estava voltando.
- Rápido, né? Pode ir se trocar - Will lhe entregou uma sacola.

- , daqui a pouco o vai sair do serviço! - exclamou Will na hora que saiu do banheiro feminino, já com a roupa que ele comprara - Ah, aí está você!
- Uau... - disse medindo a garota.
Ela usava uma calça jeans escura e um moletom cinza.
- Mas isso aqui eu não uso de jeito nenhum! - aproveitou para jogar o boné que encontrou na sacola em cima de para que ele parasse de olhá-la daquele jeito.
- Hey!
- Você vai usar sim! - William insistiu e colocou o boné azul na cabeça dela.
reparou que ele também estava usando um igual.
- Ta linda! - continuou .
- HA HA! - fingiu gostar do elogio, mas não conseguiu - Estou me sentindo uma estudante!
- Bem vinda de volta ao colegial! - disseram Will e ao mesmo tempo.
- Estou quase desistindo de vocês dois! Vamos logo pro carro que ele já deve estar saindo do prédio.

estacionou em frente à um pub. No carro, os três se entreolharam enquanto aguardavam. Não demorou muito e ele entrou no local, olhando ao redor como se estivesse verificando que não havia ninguém conhecido.
fez menção de se abaixar, mas William bateu o dedo indicador no vidro escuro.
- Dessa vez não precisa se preocupar - ele riu se lembrando da primeira vez em que saíram juntos atrás de .
- Pelo menos isso - se endireitou, emburrada.
- É, e eu não estava querendo apanhar outra vez - disse Will, fazendo rir.
- Vamos entrar ou não? - perguntou abrindo a porta do carro, fazendo os outros dois também saírem atrás dele.
- Trouxe a câmera, Will? - perguntou, lembrando-se do plano maluco dele de filmar tudo.
- Mas é claro, está na mochila - ele apontou para a mochila que carregava nas costas, sorrindo.
Os três entraram juntos no pub, mas William resolveu se separar dos outros dois, para poder ficar mais perto de onde estava. No começo não gostou da ideia de ficar sozinha com o , mas William insistiu que ele sozinho chamaria menos atenção, e seria melhor ela estar longe de quando Rachel aparecesse, então ela e foram para um lado do bar onde se poderia ver tudo sem ser muito notado.
- Hm, o que você faz da vida, ? - puxou o assunto.
- Sou gigôlo - o rapaz riu ao ver a cara de nojo que a outra fez - Trabalho em uma agência de viajens.
- Hm, e gosta do que faz?
- É, acho que sim. Eu ganho bem e não faço praticamente nada - os dois riram, e ficaram em silêncio novamente.
- Will estava certo - falou de repente, olhando para onde estava e tomando outro gole do drink azul que havia pedido - Ela chegou... Acho melhor não olhar.
- E por que não? - perguntou curioso.
- Bem, eu não quero me sentir - abaixou os olhos - Não quero sentir raiva dele. Não dele.
- Sabe garota, não faça isso.
- Isso?
- É, não hesite em odiá-lo.
- Nós já passamos tantas coisas juntos, não quero guardar isso, quero somente as coisas boas. Entende, ?
- Você que não está entendendo, . Se você não o odiar, - pareceu lembrar algo - quando tudo isso acabar... Você não vai esquecê-lo, vai acabar perdoando tudo o que ele fez, e irá fazer de tudo para tê-lo de volta.
- Você já foi traído, ?
- Eu, bem... Sim, eu já fui traído - ele sorriu tristemente - Papai Noel roubou minha namorada.
- Papai Noel? Como assim?
- Bem, ela se apaixonou pelo bom velhinho e me deixou bem no dia de natal - fez uma cara estranha.
- Oh, eu sinto muito.
- Não sinta, ela que fique com aquele gordo desgraçado.
- Bem, ela que saiu perdendo - comentou olhando o outro de cima a baixo. Como alguém poderia sequer pensar em trocar aquele homem por outro?
- Quando eu era pequeno ele nunca me deu nada do que eu pedia na minha lista de natal... E quando eu cresci, tudo o que ele me deu foi um coração partido.
- Se ele pudesse realizar qualquer pedido seu, , o que pediria? Que ela voltasse pra você?
- Não, não a quero de volta.
- Hm.
- Mas eu pediria que minha velha garota, nunca tivesse beijado o Papai Noel - sorriu derrotado - É, muito humilhante ser trocado por um gordo velho que destrói infâncias alheias com promessas falsas.
- É uma droga - William apareceu de repente, resmungando com a câmera na mão.
- O que aconteceu cara? - perguntou ao notar o estado do outro.
- Eles foram embora, vocês não viram? - perguntou vendo a troca de olhares que ocorreu - Ah, claro, estavam conversando e não viram os dois saindo.
- Desculpe, William - falou envergonhada.
- Ok, eu vou atrás deles, devem estar saindo, vocês vem?
- Não, eu vou ficar - apontou para sua bebida.
- Eu vou - falou prontamente e se levantou. Will apenas acenou com a cabeça e foi andando em direção à saída.
- Espera - segurou o braço da garota a impedindo de ir atrás do outro - Cuidado com o Will.
- Cuidado?
- É. Olha, ele é meu amigo, e eu sei que ele não é uma pessoa ruim mas, , ele está cego de ódio da Rachel, e se o que você me disse é verdade, se você não quer realmente que seu marido sofra sérias consequências, não faça tudo o que o Will manda.
- Hm, ok, obrigada pela dica, .
- Se precisar, estou a disposição - ele gritou quando ela já estava longe.

Capítulo 4 - Let me be the one

não pode deixar de soltar um suspiro assim que pôs os pés dentro de casa, sentindo o calor gostoso que fazia lá.
Se jogou sobre o sofá sem o menor cuidado, lançando a bolsa por cima da cabeça. Olhou no relógio e viu que já havia passado das 5:00 da madrugada e logo o sol surgiria no horizonte.
Pensou em como sua noite tinha sido agitada e confusa, mas tentando afastar tudo que se relacionava a 'Will - carro quebrado - e perdidos no meio do nada' fechou os olhos e resolveu dormir ali mesmo.
- ! - ela abriu os olhos preguiçosamente, vendo seu marido parado ao seu lado com uma expressão nada amigável.
- Hey, - ela respondeu com a voz embargada pelo sono.
- Pelo amor de Deus, onde você estava, eu não aguentava mais de tanta angústia, quase coloquei a polícia atrás de você, sabia? - falou nervoso deixando transparecer a preocupação e a raiva em cada sílaba.
- Desculpa amor, eu estava com... uma amiga e hm... o carro quebrou, nós ficamos meio que perdidas, e - pensou em como era grata por ter encontrado um táxi, indo ajudá-los no mesmo momento em que William ligara para ele e falou sobre o carro ter quebrado, e mais ainda por ele conhecer tão bem Londres e achá-los em tão pouco tempo.
- Por que não atendeu o celular, ? - se ajoelhou ao lado do sofá, passando as mãos pelo rosto da esposa, como que para ter certeza que ela estava bem.
- Estava sem bateria - respondeu simplesmente.
- Por que não me ligou pra avisar? Ou mesmo para que eu fosse buscar você! Caramba, eu não consegui fechar o olho nem um segundo pensando que podia ter acontecido algo de mau com você!
- Você estava ocupado na sua reunião de negócios ou sei lá o que, apenas não quis atrapalhar - só ela mesma poderia notar a ironia naquela frase, já que fez uma cara engraçada e a abraçou ternamente ao ouvir aquilo.
- Se você me ligasse dizendo que estava perdida e com o carro quebrado, eu iria na mesma hora te buscar, nem que eu tivessse que rodar Londres inteira atrás de você - selou os lábios aos dela - Nunca mais faça isso, ok? Poderia ter acontecido algo com você, e sinceramente eu não sei o que faria - sussurrou próximo ao ouvido dela - Eu te amo.
- Hm, ... - tentou falar enquanto ele beijava seu pescoço - Eu estou muito cansada. Vou tomar um banho, ok?
- Tudo bem... vou preparar algo pra você comer - disse ele seguindo para a cozinha.

- ... para de olhar esse celular... - tirou o aparelho da mão dela e o deixou sobre o braço da poltrona.
que havia deitado no sofá depois do banho e do café que tinha feito pra ela, estava esperando a ligação de Will. Ele disse que iria ligar para ver se estava tudo bem, se tinha desconfiado do horário que ela chegou em casa, e do jeito que era ansioso, já deveria ter ligado. Dando de ombros, observou o marido tirar algo de trás da poltrona em que estava sentado.
- Deus, não acredito...
- O que foi? - gargalhou ao ver a expressão surpresa que ela fez levando as mãos ao rosto.
olhava do violão para ele, alternadamente.
- Faz tanto tempo que você não toca pra mim... - ela sussurrou.
- É verdade... me desculpe por essa falta de tempo. Eu... vou cantar pra você a nossa música, lembra?
- Mas é claro que eu lembro!
- ", não temos uma música! Acho que eu vou escolher uma... " - tentou imitá-la - Você nem perguntou se eu concordava...! Mas tudo bem, se você gosta dessa eu também gosto.

Give me more love than I've ever had,
(Me dê mais amor do que eu já tive,)
Make it all better when I'm feeling sad,
(Faça tudo melhor quando eu estiver me sentindo triste,)
Tell me that I'm special even when I know I'm not.
(Diga-me que sou especial até mesmo quando eu sei que não sou)

Make it feel good when I hurt so bad,
(Faça isso parecer bom quando eu magôo demais,)
Barely gettin' mad,
(Raramente ficando chateada,)
I'm so glad I found you.
(Eu estou tão contente que te encontrei)
I love being around you.
(Eu amo estar perto de você)

não esperava por aquilo. Não naquela hora. Não conseguia se sentir muito à vontade com aquela situação. Ele estava lindo, como sempre, é claro. Mas ela sabia que algo estava errado. Dos dois lados; do dele e do dela também. Ele tinha outra. E ela sabia que seguir Will em seus planos talvez não deixasse de machucar . Mas de uma coisa ela sabia: não deixaria aquilo acabar com eles.

You make it easy,
(Você torna isso fácil,)
As easy as 1, 2... 1, 2, 3, 4
(Tão fácil quanto 1, 2, 1, 2, 3, 4)

There's only 1 thing,
(Há apenas uma coisa)
2 do, 3 words,
(A fazer, três palavras,)
4 you.
(Para você)
I love you (I love you)
(Eu te amo (eu te amo)
There's only 1 way,
(Há apenas uma maneira,)
2 say those 3 words
(De dizer aquelas três palavras)
That's what I'll do.
(É isso que vou fazer)
I love you (I love you)
(Eu te amo (eu te amo)

O toque irritante do celular de começou a tocar. soltou o violão no mesmo instante e encarou se apressando para pegar o parelho antes dela. De onde estava, conseguiu distinguir que o nome William, no visor do celular, fazendo seu corpo gelar na hora. 'Não, não agora, por favor Will, desliga... ', pensava a garota sem saber como deveria agir.
- Alô? - a voz de soou fria.
se encolheu onde estava. Seu coração estava acelerado, torcia para que não percebesse sua tensão.
Não deixando Will terminar de falar foi logo dizendo:
- O que você quer com a minha esposa, afinal?! - deixou o violão de lado e levantou rápido.
- ! - tentou impedir um novo escândalo, mesmo que fosse pelo telefone.
indicou com a mão para ela ficar onde estava. Ele andava de um lado a outro da sala.
- Olha cara, não adianta você tentar explicar seja lá o que for... Eu não quero mais você perto da . Está me ouvindo?! - desligou. Seu rosto estava vermelho.
se aproximou e estendeu a mão para tocá-lo, mas como estava de costas, não viu o gesto e foi para o quarto sem um aviso.

William olhou para o celular, sem saber o que fazer, não esperava que atendesse, muito menos que ele lhe falasse aquelas coisas.
- Will, você já foi pegar as minhas roupas na lavanderia? - Rachel apareceu tão de repente que ele ficou se perguntando de onde ela havia saído.
- Hm? Que roupas?
- Aquelas que eu nunca deixo que a empregada lave - Will continuava em silêncio - As de festa, William!
- Aaaah... Não - ele a olhou fingindo estar triste por ter esquecido algo tão bobo.
Rachel respirou fundo e saiu de casa batendo a porta.
William ficou observando pela janela enquanto ela entrava no carro. Ela e eram tão diferentes...
Desde que a conhecera, Rachel sempre tinha sido um pouco mandona e meio arrogante às vezes. Sempre quis as coisas do seu jeito e nunca levou desaforo pra casa.
não. Ela tinha um jeito cativante que talvez nem ela própria soubesse. William não conseguia esconder o sorriso toda vez que estava perto dela.
Mas Rachel também tinha o seu lado divertido e descontraído. Ainda lembrava do dia em que a conheceu.

~ Flashback on ~
- Quem é ela, Mark? - William puxou o amigo para um canto do estúdio de onde pudesse ver com mais clareza a moça que entrava timidamente no local.
- Não sei, deve ser a nova modelo do Adam. Ele disse que ia mandá-la hoje aqui para você ver se ela realmente serve pra nova campanha.
- Ela é muito bonita.
- Sim, mas o que importa mesmo é ela ser muito fotogênica. Já acabou com a outra? - Mark perguntou, vendo que havia outra menina sentada à espera dos dois.
- Sim, ela é realmente muito boa.
- Acha que qual das duas consegue a vaga?
- Vamos ver - Will sorriu, caminhando na direção da jovem que entrara no estúdio minutos antes - Boa tarde.
- Ah, boa tarde - disse tímida - Sou Rachel Dawson, Adam me mandou aqui, para as fotos.
- Ok, Rachel. Você pode ir ali com a Anny, ela vai ajudar você a se trocar - ele indicou a ruiva com o dedo e Rachel seguiu na direção que ele mandara com um sorriso enorme estampado no rosto.
Fotos e mais fotos depois, William já tinha a completa certeza de que havia achado sua modelo. Rachel era bonita, simpática, educada e aparentava uma certa tímidez que o encantou logo que a vira.
- Então, Sr. Anderson, como eu fui? - Will estava tão entretido olhando as fotos em sua máquina que não notou a jovem se aproximando.
- Me chame de William - ele tentou sorrir, apesar de achar não ter tido sucesso - Não posso te dizer se você foi a melhor ou não, mas posso dizer que suas fotos ficaram incríveis. Você escolheu a carreira certa.
- Obrigada, eu estava muito nervosa quando cheguei aqui, mas por mais incrível que possa parecer, você conseguiu me deixar mais calma, William - ela frisou o nome do outro.
- Bem, você - Will tentou encontrar as palavras certas para dizer aquilo - Vai fazer algo agora?
- Fazer algo?
- Sim, tem algum compromisso? - ele reformulou a pergunta.
- Não, na verdade, eu estava indo pra casa. Por que? - Rachel perguntou de uma forma inocente.
- Se você não tem nada para fazer, podíamos tomar um café, o que acha? - Will sabia que não deveria fazer aquilo. Sair com modelos era um risco e podia comprometer a sua sobriedade na hora de escolher uma delas, mas esse era um risco que ele estava disposto a correr.
- Claro - Rachel respondeu feliz o fazendo se perder por um momento.
~ Flashback of ~

fechou os olhos irritado e se jogou sobre a cama, fazendo um barulho tão grande que ele pensou até que poderia ter quebrado.
Raiva. Cíumes. Sentimentos misturados.
Ele não sabia o que pensar. Será que estava tendo algo com aquele tal de William? Mas, e quanto a ele? Ela o estava traindo? Ele podia julga-lá se estivesse?
Não. Concluiu.
Ele não podia julgar ninguém depois de tudo o que havia feito e ainda estava fazendo. Ele sabia que era errado, sabia que se descobrisse nunca o perdoaria, e sempre que essa simples possibilidade passava por sua cabeça ele sentia o coração apertar dentro do peito. amava , mais até do que a si próprio.
Então por que à estava traindo?
Bem, ele não sabia ao certo como tudo começou. estava trabalhando demais, não lhe dava atenção, ele estava carente, Rachel apareceu em sua vida, mostrou interesse por ele, que de pronto lhe disse ser casado, ao que ela respondeu também ser. , como advogado, estava cuidando do caso de Rachel, e ela como cliente dele, estava sempre em seu escritório, se oferecendo descaradamente, praticamente implorando por aquilo que sua esposa recusava por trabalhar demais.
A carne é fraca, e um dia ele acabou cedendo à luxúria, mas só Deus sabia como estava arrependido. Por todas as vezes que mentiu para , que se encontrou com Rachel, por tudo o que estava fazendo nos últimos meses, por ao invés de tentar se abrir com a esposa lhe contando o que o aborrecia, ter a enganado daquela forma tão absurda.
Não foram poucas as vezes que tentou terminar tudo com Rachel, mas ela simplesmente não deixava. Rachel o seduzia, chorava dizendo que o amava e não poderia mais viver sem ele, que iria contar tudo para a esposa dele se a abandonasse daquela forma. Rachel dizia que não o amava de verdade, o que ele nunca acreditou.
Agora, com o surgimento de William (que por ironia do destino era marido de Rachel) ele já não tinha mais tanta certeza do amor de , já estava começando a achar que ela estava vivendo algo com seu velho amigo de infância e uma hora ou outra iria abandoná-lo para ficar com outro. tinha apenas uma certeza em meio a toda essa confusão: sua vida acabaria se ela o deixasse.

Sentados no sofá da sala, e olhavam atentamente para a televisão. O que estava passando nem eles próprios sabiam, a tensão entre os dois já estava ficando insuportável desde o fato que ocorrera naquela tarde. havia subido para o quarto e voltado horas depois como se nada houvesse acontecido, e preferiu não tocar mais no assunto, vendo que o marido mesmo tentando manter a calma ainda estava muito nervoso.
Depois de mais algum tempo sem que nada mudasse, olhou para o relógio e constatou que seria melhor e mais produtivo ir dormir, já que trabalhava no dia seguinte, do que ficar ali olhando para a televisão, fingindo estar interessada em qualquer coisa que estivesse passando naquele momento.
- , eu - começou, mas não conseguiu continuar. Ele virou o rosto quando ela o chamou, e em seus olhos pode notar algo que nunca havia visto em tantos anos juntos.
Medo.
Mas medo de que?
manteve o contato visual com , e sem perceber eles foram se aproximando, como se houvesse um ímã que puxasse um de encontro ao outro. E mesmo que a mente de gritasse 'NÃO' ela não podia voltar, não podia recuar pois estaria traindo seu coração.
- Me deixe ser o único que pode te chamar de amor - sussurou próximo de sua orelha, dando um beijo tão leve em seu lábio que fez todo o corpo de se arrepiar - Todo momento.
A distância que havia entre as bocas acabou. Pressionada contra o sofá pelo corpo do marido, soltou um gemido alto.
Ela estava sentindo saudades daquilo, mas só naquele momento em que a raiva dera uma trégua pode notar. As mãos de , grandes e rápidas percorreram o corpo pequeno e bem moldado de . A intensidade do beijo foi aumentando à medida que as carícias entre os dois foram ficando mais íntimas. As línguas brincavam, enquanto os dois já estavam ofegantes, os lábios amortecidos pela força do beijo, os corpos colados sem a mínima vontade de se separarem. Podia-se sentir a paixão entre os dois. Mais do que isso, as roupas que aos poucos eram jogadas para longe, eram o sinal de que aquela noite não terminaria ali.

Capítulo 5 - And it goes down hard, for me

Fim de tarde. Assim que chegou em casa, não pensou duas vezes antes de seguir até o banheiro mais próximo onde poderia tomar um longo banho, sem se preocupar com o valor da conta de água no final do mês. Uma hora em baixo da água ou talvez uma hora e meia, até perdeu as contas. Mas enfim, se sentia bem para poder sentar em seu confortável sofá e assistir uma maratona de Friends, acompanhada apenas de uma taça de vinho e um pacote gigante de Doritos.
estava simplesmente tão distraída com a televisão que não ouviu quando a porta da entrada foi aberta, e tomando o cuidado para não ser visto, entrou sorrateiramente na casa indo, ainda sem fazer barulho, na direção do sofá onde a esposa assistia concentrada uma de suas séries favoritas.
- Amor - ele disse em um tom de voz calmo enquanto a abraçava por trás.
A reação de não foi a esperada por ele, já que a mesma levou um susto tão grande ao sentir os braços de a rodeando que acabou derrubando todo o conteúdo que estava no copo que segurava no tapete da sala, fazendo-a dar um pulo na direção do mesmo, extremamente irritada.
- NÃO ACREDITO, - gritou exasperada, olhando o estrago que a própria havia feito em seu tão amado tapete italiano - Olha o que você me fez fazer! Sabe como é difícil tirar uma mancha de vinho?
- Eu não fiz nada - a olhou indignado - Você está bêbada – constatou rindo.
- Como não? Você não viu que eu estava com uma taça na mão? Não podia me assustar uma outra hora? E eu NÃO estou bêbada - se jogou no sofá, com uma cara emburrada - Aliás, você não tinha uma reunião hoje? Achei que fosse ficar até mais tarde no trabalho.
- Eu cancelei - respondeu com uma careta, ao lembrar que a tal reunião que ele cancelou seria na verdade uma noite em um quarto de hotel com Rachel - Tinha uma surpresa pra você, mas eu mal chego em casa e sou recebido com gritos.
- Você estragou meu tapete.
- Foi sem querer, juro que não vi que você estava segurando uma taça.
fingiu não ouvir, olhando de novo para a televisão. Uma atitude infantil? Sim. Mas ela realmente gostava daquele tapete para perdoá-lo tão facilmente.
- - foi se aproximando dela lentamente, enquanto tentava faze-la olhar em seus olhos - Me perdoa, eu juro que compro outro tapete pra você.
- Não sei, não.
- Se eu te mostrar uma surpresa que eu trouxe para você, me perdoa?
- Vai depender da tal surpresa.
- Vem comigo!
Ele puxou a esposa pela mão, guiando-a para fora da casa e tampando com uma das mãos os olhos dela.
- Ai, meu Deus - sibilou sem saber o que falar, assim que seus olhos ficaram livres das mãos do marido e ela pode ver estacionado em frente a casa do casal um belo Porshe vermelho - Você comprou? - ele apenas fez que sim com a cabeça, esperando a reação dela.
- Lembra que logo quando nos casamos e fomos comprar nosso primeiro carro, nós dois de cara nos apaixonamos por esse?
- Mas não tínhamos dinheiro para comprar.
- Eu comprei ele pra nós, .
- Eu te amo - disse antes de puxá-lo pela gravata para perto de si, cobrindo o rosto de de beijos.

Sozinho em casa. Will não conseguia parar de pensar no que estaria fazendo no momento. Ela estaria sozinha também? Num salto, levantou da cama onde estava deitado vendo um filme qualquer na televisão e resolveu revirar as coisas de Rachel, pelo simples fato de arranjar uma distração para sua noite tediosa.
Abriu uma das gavetas da cômoda que ficava ao lado da cama e sorriu ao ver a agenda cor de rosa da esposa. Rachel era realmente muito idiota por deixá-la ali, ele pensou, mas não se surpreendeu. Ela nunca fora muito esperta.
- Vamos ver o que temos aqui - William disse, sentando na cama e abrindo a agenda.
Folheou algumas páginas para se decepcionar. Não havia nada mais do que nomes de outras modelos e seus telefones, datas e horários de festas, nomes de salões de beleza, lojas de roupa... Apenas coisas fúteis, nada que realmente o interessasse. Talvez Rachel fosse mais esperta do que pensava.
- Ou não - sorriu ao notar que havia algo marcado para o dia seguinte. Não havia nome, nem falava do que se tratava, apenas um endereço, dia e horário. Mas aquilo chamou a atenção de Will, no seu íntimo algo lhe dizia que aquilo envolvia , e precisava saber daquilo.

O celular de tocava insistentemente. Mas ela não iria atender, pois sabia quem era. Queria se afastar de William, principalmente depois do que ele os tinha feito passar. Não queria continuar com aquele plano, pois algo lhe dizia que o que sentia por ela não havia acabado. Era só uma questão de tempo até ele esquecer Rachel, o que, para , estava acontecendo cada dia mais. Um dos motivos era o fato de tanta atenção que ele estava tendo com ela, quase nunca saindo para outro lugar se não o escritório e até trazendo trabalho para casa. Além disso, ele havia comprado o carro que eles sonharam em ter juntos há alguns anos atrás.
Fazia alguns dias que não falava com Will e talvez por esse motivo conseguisse pensar direito sobre suas ações. William, querendo ou não, tinha uma grande influência sobre ela, e somente depois de ficar aquele tempo sem vê-lo que ela notou, talvez estivesse certo sobre o amigo. Ele não pensava em nada que não fosse sua vingança.
É claro que ela não podia esquecer o fato de que William a havia ajudado muito. Pois foi depois que eles começaram a se encontrar que percebeu como a estava deixando de lado, e que estava correndo o risco de perdê-la.
Mas isso não era o suficiente para que ela quisesse continuar com os planos de Will. Estava realmente disposta a esquecer tudo o que estava fazendo. Não por covardia ou por ser fraca. Mas por amor.
- Querida, não vai atender? – ouviu a voz de , meio abafada pelas paredes do escritório onde ele analisava uns papéis.
- Não, deve ser da revista - ela mentiu, enquanto verificava a quantidade de sal para o molho que preparava e olhava o celular que tocava sobre a mesa da cozinha - Não acho que seja algo importante.

Mais uma vez o barulho do celular voltou a importunar . Ela já havia desligado milhares de vezes, mas tornava a ligá-lo segundos depois. Talvez Will tivesse descoberto algo... Não, ela não podia pensar naquilo, não podia falar com ele, não podia.
- Alô? – falou, se sentindo fraca por não haver aguentado e ter atendido a chamada.
- Nossa! Até que enfim atendeu o celular! Não sabia que ele foi feito para facilitar a comunicação entre as pessoas?
- Oi para você também, William... - respirou fundo, tentando parecer calma - O que você quer?
- Falar com você. Aliás, desde ontem à noite estou tentando fazer isso.
- Sério? Que coisa, meu celular deve estar com algum problema. Não tem nenhuma ligação sua registrada aqui – tentou não rir, fazendo sua melhor voz de inocente.
Pegando a xícara de café que estava sobre sua mesa, observou o painel que acabara de montar. Eram as matérias da revista da edição daquele mês. Estava ficando perfeito, mas ainda levaria algum tempo para terminar.
- Olha, , é o seguinte... – Will começou, falando depressa - Eu encontrei um endereço marcado na agenda da Rachel ontem. Tem um encontro marcado para hoje, daqui a mais ou menos meia hora. Como não está marcado nenhum nome, apenas o número do apartamento... Bem, eu pensei que seria um encontro com o .
- Não acho que seja - fingiu não ligar, mas a desconfiança brotou em sua mente enquanto torcia para que Will estivesse errado – Qual endereço?
William leu o endereço que havia copiado da agenda de Rachel, e enquanto ouvia, sentiu seu fôlego faltar, deixando a xícara que segurava cair no chão, se desfazendo em pedaços.
- Não pode ser... Ele não faria isso! Não no nosso apartamento... Moramos lá quando nos casamos e... Droga, William!
- , eu não poderei ir com você até lá. Estou muito enrolado aqui no trabalho. Mas eu ligo pro e ele vai te buscar, hoje é dia de folga dele.

Olhava de um lado para outro e nada de aparecer. largara seu trabalho pela metade e estava esperando-o na porta do prédio da redação. Ele estava demorando demais.
- !
Ao ouvir seu nome, ela se virou e deu de encontro com que corria em sua direção.
Ele não disse nada enquanto se aproximava, mas pode notar o nervosismo expresso nos olhos de . Ela estava preocupada. Por um momento viu que ela o fitava como que em busca de respostas. Respostas que ele nunca poderia lhe dar, por mais que quisesse.
- Fica calma, garota - Ele a abraçou por um instante, como que para tentar tirar o mundo que ela segurava sozinha sobre os ombros, e que claramente já estava começando a pesar.
- Está tudo bem - ela começou a andar na direção do carro - Vamos logo, é um pouco longe.
- Certo.
não conhecia há muito tempo, mas já sentia como se fosse. Observou-a sentar no banco do passageiro completamente em silêncio, ficando o resto do trajeto na mesma posição sem proferir palavra alguma. O que se passaria em sua mente? Ele queria saber, muito mesmo. Queria tanto poder ajudá-lá, poder dizer que tudo ficaria bem, mas ele não sabia se aquilo seria uma verdade. Pobre . Se ele pudesse não estaria levando-a para aquele lugar. Só aceitou ir por ela. William estava tão cego que não via que ele não era o único com sentimentos, não era o único que estava sofrendo.
- É aqui - olhava avidamente para o prédio branco. preferiu estacionar o carro do outro lado da rua.
- Você tem certeza que vai fazer isso? - ele perguntou ao ver que ela iria abrir a porta.
- Eu não queria, mas preciso fazer isso.
não disse mais nada e ela saiu do carro indo em direção ao lugar que um dia já fora seu lar.

"Por favor, lá não"
pedia em pensamento, enquanto subia correndo as escadas que davam ao 5° andar. Não havia conseguido esperar o elevador chegar e com certeza estava mais rápida do que ele.
- Coragem - murmurou para si mesma, parada olhando para a porta do apartamento. Pegou a chave que estava no bolso de trás da calça jeans. Fazia muito tempo que não entrava ali. Até haviam pensado em vender o apartamento há um tempo atrás.
Com cuidado abriu a porta, tentando não fazer barulho. Entrou. Aparentemente vazio.
Olhou o relógio no pulso. 20 minutos após o horário que, segundo Will, eles haviam marcado. Deveriam estar ali. Por um momento se sentiu feliz, talvez ela estivesse certa, não chegaria àquele ponto.
pensou em ir embora, mas antes era melhor dar uma olhada nos outros cômodos, só para garantir, claro.
Olhou tudo: cozinha, banheiro, lavanderia, sala. Vazio. Olhando para a porta do quarto, sentiu as mãos suarem. Havia o deixado por último, não sabia exatamente porque, mas não deveria se preocupar já que não se ouvia nenhum barulho do lado de fora.
Abriu apenas uma fresta, para fechá-la logo em seguida. O ar faltou, o sangue subiu, precisava sair dali urgentemente, antes que fizesse algo que fosse se arrepender depois. Se preocupando em não fazer barulho, saiu apressadamente do apartamento e correu a escada em direção a garagem. Ela estava sem rumo.
Ele estava lá, deitado, ao lado dela, dormindo, enquanto ela lhe fazia carinho nos cabelos. Por que ? Por que justo naquele quarto? Naquele apartamento? Apenas, por que? Na hora a vontade de foi jogar tudo pro ar, sair gritando, acabar tudo o que tivera com naquele momento. Bater tanto em Rachel que ela tivesse que fazer um cirurgia plástica pra corrigir os estragos. Largar tudo o que tinha em Londres e voltar para o interior, voltar para a casa de seus pais, de onde nunca deveria ter saído.
Por que não havia feito nada? Bem, William tinha razão. Ela não iria deixar sair impune daquilo. não podia deixar seus sentimentos lhe comandarem os atos, chegando ao ponto de estragar todos os planos de Will. Quando se deu conta já estava na garagem sozinha no meio de milhares de carros caros, enquanto a dor e o ódio a consumiam por inteiro. Ela viu o Porshe vermelho. Aquele carro que representava tanto para os dois, e que deveria representar o amor que eles sentiam. Mas se não existe amor, pra quê existir o carro?
Jogada em um canto perto de , havia uma barra de metal. Não pensou duas vezes, pegou a barra e sem conseguir controlar a si mesma juntou todas as suas forças e deu o primeiro golpe contra os vidros do carro novo do marido traidor. Não foi apenas um, mas vários golpes, todos com força, uma força que nem a própria sabia que tinha. Olhou os braços e pode ver sangue escorrendo pelos mesmos. Estava cortada, mas simplesmente não ligava. As dores dos cortes não eram tão fortes quanto a dor em seu peito. Mesmo tendo consciência das cicatrizes horríveis que iriam ficar depois, só pensava no coração partido, que mesmo vendo o estrago material que estava causando não iria se juntar tão fácil.
Quando percebeu que o alarme estava tocando, correu, correu e correu, sem olhar para trás, sem se importar se esbarrara em alguém e quando viu, já estava entrando no carro de , enquanto o mesmo dava a partida saindo dali o mais rápido que podia.
- O que aconteceu com você? - perguntou preocupado, intercalando olhares entre o trânsito e os braços ensanguentados de .
- Eu não aguentei, - ela disse simplesmente olhando para o nada.
- , quem fez isso com você? Você viu os dois? Foi o seu marido que fez isso? Responde, merda!
- Eu os vi, . Eu vi... Eles estavam lá, deitados na cama que um dia foi minha!
- Vocês brigaram?
- Eles não me viram. estava dormindo e Rachel estava distraída demais a afagar-lhe os cabelos - o olhou demonstrando todo o nojo que sentia da cena - Eu saí sem fazer barulho.
- Mas e os seus braços, por que estão cortados?
- Eu quebrei o carro dele.
- Você fez o quê?! – a olhou assustado.
- Quebrei os vidros do carro novo do , o carro que ele tanto amava, que representava tanto. Eu quebrei, eu... – parou de falar, enquanto lágrimas escorriam por todo seu rosto e ela nem tentou impedir.
- Como você está se sentindo? - perguntou após um momento em silêncio, pensando sobre o assunto.
- Bem, eu acho... Ele tinha que aprender certo? Não se brinca com os sentimentos dos outros como ele está fazendo com os meus. Não se diz 'eu te amo' quando não é verdade.
- Quebrar os vidros do carro foi meio infantil, você não acha?
- Talvez. Mas meu coração vibra ao pensar no que ele vai sentir quando ver aquilo, foi realmente um grande estrago.
- Diminuiu a dor?
sabia que ele não estava falando da dor física.
- Achei que me faria sentir menos dor, mas isso, sabe quebrar os vidros do carro... Não traz muito conforto... A dor que ele está me causando é muito maior que a de um vidro quebrado.
- Vou te levar a um hospital, seus braços estão banhados de sangue - disse por fim.

Capítulo 6 - A hand to hold, or hell to pay

desceu do carro e fechou a porta fazendo um estrondo. Todos aqueles acontecimentos pareciam tão distantes. Ficou parada onde estava, ao lado do carro, apenas olhando para sua casa, mas não sentia vontade de entrar. As luzes estavam apagadas, ainda não chegara do trabalho. Claro, como se ele tivesse ido trabalhar.
Riu de si mesma.
Ela fechou os olhos por um instante, ou alguns minutos. Ao abrí-los, percebeu que ainda estava ali, parado à sua frente, olhando-a diretamente nos olhos. não pôde encará-lo, por mais que sentisse vontade. Afinal, há apenas algumas semanas eles nem se conheciam e agora ele estava junto dela naquele momento, talvez um dos mais difíceis de sua vida. O momento em que estava mais frágil. Sentia um pouco de vergonha dele, isso não podia negar.
- Tem certeza de que não quer que eu fique aqui com você?
demorou um tempo para entender a pergunta, pois ainda estava meio perdida em seus pensamentos. segurou seu queixo, fazendo com que ela olhasse para ele e repetiu a pergunta.
- Desculpa, ... Eu fiz você perder esse tempo todo comigo e eu realmente não sei como agradecer... Por favor, me desculpe, ! Eu...
- Hey... O que é isso? - ele puxou o rosto dela novamente para chamar sua atenção - Você não pode se culpar por algo que não fez! E você não foi uma perda de tempo pra mim. Fico triste pelo que você está enfrentando, mas estou feliz em poder te ajudar. Só é uma pena a situação em que estávamos. Mas mesmo assim... , pode ficar calma... Não precisa ter vergonha de mim.
Ela sorriu ao ver que ele também fazia o mesmo.
- No meio de tanta coisa... - sorriu olhando para longe - Parece que consegui um novo amigo...
- Pode ter certeza que sim.
Eles se abraçaram com força. acariciava os cabelos dela enquanto a mesma enxugava algumas lágrimas que insistiam em cair.
- , não quero ver você chorando - disse ao se afastar dela.
não respondeu, apenas sorriu tentando parecer bem.
- Se você quiser, posso ficar com você até ele chegar...
- Obrigada, mas não. Eu preciso ficar um pouco sozinha e pensar.
- Você que sabe. Qualquer coisa pode me ligar, eu já te passei meu telefone - beijou-a na testa antes de entrar no carro.

Depois que saiu com o carro, ela ainda ficou parada na frente de casa por um tempo tomando forças para entrar. Então se deu conta de que esquecera uma coisa muito importante. O que diria para quando ele chegasse e visse seu braço todo enfaixado?
Talvez ele estivesse tão preocupado com o estrago do carro que nem notaria. Seria melhor não tentar enganar a si mesma. Ela podia não ser observadora, mas sim, e isso era um fato. Nunca conseguiria enganá-lo se não inventasse logo uma boa desculpa.
Precisava fazer algo, mas o quê? Sua mente não estava funcionando direito. O choque que sofrera mais cedo ainda fora muito forte, doloroso. Mas não havia mais tempo de procurar uma solução, logo iria chegar.
correu até o outro lado da rua procurando uma pedra, depois voltou até a uma distância suficiente que desse para ver o seu alvo e atirou-a. O cachorro do vizinho começou a latir e notou alguém andando no quintal ao lado. O barulho tinha sido maior do que esperava. Ela foi para dentro de casa o mais rápido possível e continuou no escuro por mais um tempo. Olhando pela janela, percebeu que ninguém veio saber o motivo do barulho.
Melhor assim.
Quando acendeu a luz, notou que tinha acertado muito além da janela. Havia acertado também um vaso. Sua mira estava melhor do que pensava. Os cacos de vidro haviam se espalhado por toda sala. Seria com certeza muito mais fácil de explicar assim.

ouviu um barulho de carro, mas não ousou se mexer. Continuou deitada no sofá, enquanto ouvia o barulho da chave sendo virada.
- O QUE ACONTECEU AQUI? - um desesperado gritou, segundos depois. Ele correu até onde a esposa estava deitada, tentando desviar dos milhares de cacos de vidro - , o que aconteceu?
- Alguém jogou uma pedra, alguma criança, sei lá - ela respondeu com a voz fraca, enquanto se sentava com cuidado, os braços estavam doendo mais do que esperava.
- E você... oh Deus, você está bem? - sentiu o olhar do marido sendo intercalado por seus braços enfaixados e rosto, o olhar aflito procurando por respostas.
- Estou, quer dizer, dói um pouco - ela fez uma careta, tentando não mostrar os seus verdadeiros sentimentos. A vontade que sentia de lhe dar um tapa na cara acabando com aquela mentira.
- Como aconteceu?
- Bem, quando a pedra acertou a janela eu cobri meu rosto com os braços e alguns estilhaços me acertaram. Liguei pra e ela veio me levar para o hospital, já que não estava em condições de ir sozinha ou dirigindo. Mas agora estou bem, pode ficar tranquilo.
- Como quer que eu fique tranquilo? Seus braços estão completamente enfaixados, nossa sala está coberta de cacos de vidro - ele se levantou dando uma olhada ao seu redor - Quebraram o vaso que minha mãe nos deu, !
- Sério? - ela fingiu espanto - Não acredito nisso, querido! Ele era tão importante pra você.
- É, ele era - a voz de se perdeu na tristeza - Mas você está bem mesmo?
- Sim, estou - ela se aproximou dele devagar - Você que não parece bem.
- Não estou, porque... - pareceu pensar por um momento em como falar o que pretendia - Meu carro, quebraram todos os vidros do meu carro... Ainda não consigo acreditar, . Ele era novo!
- Como aconteceu?
- Não sei, estava em uma loja e o deixei estacionado em frente. Quando voltei já havia acontecido.
Mentiroso!
gritava por dentro, enquanto observava os olhos vermelhos de tentando não a encarar.
- É uma pena - usou um tom sarcástico, sem ao menos notar, mas notou. Ele levantou os olhos e a encarou confuso. Por que ela estava agindo daquela forma?
- Onde está o carro? - percebeu seu deslize e tentou concertar.
- Na oficina, vim pra casa de táxi.
- Bem, acho que seria melhor você tomar um banho querido, está cansado, não é?
Ele concordou com um leve aceno de cabeça, ainda confuso. subiu em direção ao banheiro, deixando sozinha no andar de baixo.

Na manhã seguinte, pegou seu carro antigo para ir ao trabalho. Ele pensou que ainda estava dormindo, mas ela estava apenas tentando evitar uma discussão. Ele estava desconfiado sobre o que realmente havia acontecido na noite anterior. não iria se satisfazer tão facilmente com aquela explicação sobre a janela quebrada. Enquanto deixava sua xícara de café na pia, se perguntava se ele já não teria ligado um acontecimento ao outro.
Alguém tocou a campainha. olhou para o relógio. teria esquecido alguma coisa? Foi atender o mais depressa que pôde pois a pessoa continuava apertando a campainha com insistência.
- !
William a encarava de onde estava.
- Entra, Will.
- Não consegui acreditar quando o me contou!
- Entra logo, William! Não faz muito tempo que o saiu, o que os vizinhos vão pensar? - Se seus braços não estivessem tão doloridos ela teria puxado Will pra dentro de casa. Já estava esperando pelo escândalo que ele iria fazer e não queria que a rua inteira fosse testemunha.
- Eu só não vim ontem porque imaginei que seu marido estivesse aqui. Me conte o que aconteceu pra você ter perdido tanto o controle - Will olhava pra ela ainda meio em choque com o que tinha acontecido. Se culparia muito se tivesse acontecido algo mais grave com ela.
- Tá, eu vou contar! Sente-se e se acalme, por favor.
contou detalhadamente o que tinha visto no apartamento, no dia anterior. A cada palavra dita era como se pudesse ver os dois juntos outra vez. Quando acabou de falar, William ficou alguns minutos em silêncio andando do sofá até à janela sem vidro. Os cacos não estavam mais lá, a diarista tinha limpado mais cedo.
- ... Você tem noção do que fez?
- Will... Eu...
- Você quase colocou tudo a perder!
- Eu tive que fazer algo! Você não sabe como...
- Se é que o não está desconfiando de tudo! Carro quebrado, seus braços nesse estado, janela quebrada...
- Ah! Pode até ter desconfiado! Estou cansada de tudo isso! - gritou, tentando fazer Will se calar.
Os dois ficaram em silêncio pelo que pareceu ser um longo tempo. Will olhava fixamente para a rua. Sentia-se envergonhado pela sua reação. Voltou-se para e sentou ao seu lado.
- , me desculpe por ter gritado com você. Eu realmente perdi o controle agora, por favor, me desculpe - ele pedia enquanto segurava as mãos dela entre as suas.
- Está desculpado - tentou sorrir - Tivemos nossos motivos para reagir dessa forma com essa situação.
- Você está certa. E eu nem perguntei como você está... Está se cuidando direito? - Perguntou olhando para os braços enfaixados da garota.
- Estou.
- Me desculpe, . Eu devia ter ido com você... - William a abraçou com carinho.
Surpresa com aquele gesto, não sabia como reagir. Apenas levou as mãos aos ombros dele, pois seus braços ainda doíam um pouco.
Como tivera coragem de deixá-la sozinha naquele momento? não teria dado todo o apoio que ele queria dar quando ela mais precisava. Acolhendo-a em seus braços, o quanto era possível para não machucar ainda mais os ferimentos, William aspirava o perfume dela com calma. Não podia negar que sempre foi uma mulher muito bonita a seus olhos desde o dia em que entrara por aquela mesma porta. E naquele momento o que mais queria era poder cuidar dela.
- Hm, William... - disse ela depois de um tempo - Você vai ter que me soltar algum dia, não acha? - ela riu do próprio comentário.
- Eu sei, mas não ainda.
tentou se afastar dele, discretamente.
- Ok - ele disse sorrindo, voltando ao seu lugar.
- Ok.
- Acho melhor eu ir embora. Já estou atrasado para o trabalho. Qualquer coisa pode me chamar ou até mesmo o , está bem?
- Pode deixar - acompanhou-o até a porta.
Já do lado de fora, William não pôde deixar de olhar para ela mais uma vez e sorrir.

Se Will já tinha reagido com tanta aspereza com a hipótese de ter desconfiado de algo, pensou , imagina se ele soubesse do deslize que tinha cometido com um comentário meio sarcástico sobre o carro quebrado! foi assistir um pouco de TV depois que Will saiu. Precisava daquele momento para se distrair, mas nem conseguia prestar atenção no programa que estava passando. Alcançou o celular na mesinha e deixou no viva-voz. Precisava contar para o que tinha acontecido. A amiga já devia estar preocupada sem notícias dela.

Capítulo 6 - Tied together with smile

Contas, contas e mais contas.
Enquanto olhava com um pouco de pressa a correspondência que chegara a pouco, no meio de tantos outros, um envelope lhe chamou a atenção.
Bolton.
Como aquele nome lhe dava arrepios. Resolveu abrir o envelope para ver do que se tratava mas, antes que conseguisse, entrou na sala ainda terminando de se arrumar para ir trabalhar.
- O que houve, ? - perguntou enquanto tentava arrumar o colarinho da camisa, percebendo o rosto tenso da esposa.
- Essa carta... é de Bolton. - estendeu o envelope.
deu um largo sorriso ao apanhar o envelope da mão da esposa.
- Arrume as nossas malas, - Daniel disse após ler minuciosamente cada sílaba escrita - É aniversário do vovô e eles insistem a nossa presença. Vamos para Bolton.
- Viajar? Para Bolton? Quando? - olhou surpresa para ele.
- Agora. Algum problema?
- Não, nenhum problema - ela tentou sorrir, achando que havia se saído bem, quando viu ainda sorridente ir em direção à cozinha.

Quando subiu até o quarto para arrumar suas coisas, parou em frente ao espelho e observou seu reflexo. Estava tão mudada... olheiras profundas, o cabelo não brilhava como antes, ela não sentia nem vontade de se arrumar, a todo momento colocava um sorriso nos lábios fingindo estar feliz. Fazia parte do plano de William. Mas aquilo estava a matando aos poucos. Ela não conseguia mais ver a beleza que via antes quando se olhava no espelho.
Não podia acreditar que estava realmente indo arrumar suas malas para ir para Bolton. Ela não odiava a cidade, muito menos a família do marido, pelo menos não toda a família. Havia alguém em questão que havia feito fugir daquela cidade durante todos os anos que estava junto com . Desde o noivado, desde que conhecera Julie, a prima mais nova e amada de .
Claro que é estranho o fato de que uma mulher adulta como ela odiar tanto uma criança, que pelas contas de deveria estar com 11 anos. Mas era a mais pura verdade.
havia se privado completamente da companhia da família do marido por simplesmente não aguentar aquela criança. Todos os anos passava pelo menos uma semana em Bolton com sua família e sempre arranjava uma desculpa nova para não ir com ele.
Os parentes que via com mais frequência eram os sogros que regularmente iam visitá-los, mas apesar de se sentir mau por privar o marido da companhia da família, já que ele acabava não indo mais vezes à cidade natal por ela, aguentar Julie era demais para .
Apesar disso, dessa vez não havia escapatória. Não poderia dar a desculpa da revista, pois estava de licença médica devido aos cortes que foram profundos em seus braços. Poderia tentar fingir um resfriado forte, mas algo lhe dizia que não iria adiantar. Quando disse "Vamos para Bolton", ele não estava pedindo. Pelo jeito, teria de enfrentar Julie, mas pensaria nela mais tarde, no momento tinha que falar com Will e avisar sobre a viagem.

Nenhum dos dois tinha tocado no assunto do carro quebrado ou do acidente com , dois dias depois. Mas ela sabia que ele continuava desconfiado. Ela não se sentia bem naquela situação, ao contrário dele que sempre agia normalmente mesmo com as indiretas que ela dava. Mordendo o lábio inferior ela se aproximou de , ajudando-o a ajeitar a camisa.
- Eu já pretendia pegar uns dias de folga mesmo...
Foi o jeito que ela encontrou para não falar que tinha pego um atestado com o médico. Estava tentando desviar o máximo do assunto para não voltarem a falar o que lhe causara o machucado nos braços.
- E nós precisamos de um tempo fora daqui - murmurou.
- Pronto. Se não fosse eu, você iria trabalhar todos os dias com a camisa de qualquer jeito - mudou o rumo da conversa, terminando de arrumar o colarinho que ele havia deixado incompleto.
puxou-a mais para perto. Arrepiada, sorriu. Ele sempre a surpreendia de um jeito diferente. Não deixaria aquela mulher levá-lo tão facilmente. Apesar de ainda estar magoada com o que vira no apartamento, não lhe daria novos motivos para que ele desconfiasse dela. Correspondendo o beijo dele com a mesma intensidade, chegou a uma conclusão. Pelo menos em Bolton eles estariam bem longe de Rachel. Quão bipolar eu posso ser? Perguntou-se a si mesma. Em um minuto queria se ver livre de e suas traições, já no segundo seguinte sentia que sua vida dependia dele e não podia deixá-lo ir.

- Não dá pra acreditar! Olhem só quem está aqui!
murchou o sorriso ao ver quem se aproximava, sentindo as mãos suarem. Calma, dizia para si mesma, é uma criança.
- Ei, Julie! Vai com calma - riu quando ela pulou nos seus braços quase o derrubando para trás.
tentou sorrir para ela mas a mesma apenas encarou-a por cima dos óculos.
- Não vai falar com a , Julie? Seja gentil - disse a tia de , Laura, enquanto cumprimentava - Como está, querida?
- Muito bem, obrigada.
- Oi - disse Julie após desgrudar de , olhando aquela que considerava uma inimiga.
- Olá - se aproximou para beijá-la, mas a menina saiu correndo atrás do cachorro que passou por eles no hall de entrada, deixando-a com mais raiva do que já estava.
- Vamos entrar - disse Laura.
- Não se incomode com a Julie - murmurou de um jeito que só pudesse ouvir. - Ela não se acostuma com a ideia do primo ser casado.
- Tenho mais coisas com o que me preocupar, querido - sorriu em resposta, tentando afastar a lembrança de Rachel acariciando os cabelos dele. O que uma menina de 11 anos realmente poderia fazer-lhe comparada a Rachel?

- Mas então, , como aconteceu isso? - Perguntou David, primo de . Eles tinham quase a mesma idade, porém, este parecia preferir um estilo mais jovem de se vestir.
Assustada, olhou para os braços, assim como todos que estavam na mesa fizeram. Sentindo o rosto esquentar com tamanha atenção, ela tentou lembrar como contara a história para e contou a todos que estavam reunidos na sala de jantar. Depois de exagerar em detalhes, ela ouviu o comentário de David:
- Ah, tá... Pensei que tinha sido o .
- Cala a boca, David! - Julie olhou zangada para ele. Claro que o primo nunca faria algo daquilo com uma mulher, mesmo sendo a bruxa da esposa dele.
- E você fica quieta pirralha - o outro retrucou.
- David, olhe como fala com sua irmã! - gritou a mãe dos dois.
apenas ria, segurando a mão de debaixo da mesa, como para lhe dar confiança.
- Esperem, esperem... - disse o avô, tentando acalmar a situação - A Julie tem razão. Nenhum homem da nossa família jamais faria algo assim ou parecido com uma mulher. Sabemos valorizar a quem nos valoriza.
Por debaixo da mesa, sentiu apertar sua mão um pouco mais forte, apoiando-a em cima da perna dele.
Voltando o olhar para ele, não conseguiu decifrar o que seus olhos queriam dizer.

Parado na varanda da casa onde passara a maioria de suas férias na infância, os olhos fechados, ele podia ouvir o farfalhar das folhas das árvores e o som do vento.
O que estava fazendo consigo mesmo? Como podia se enganar daquela maneira? Ou ainda pior... Como teve coragem de enganar ? não conseguia encontrar palavras para expressar o quanto estava confuso naquele momento. Mas de uma coisa tinha certeza: precisava tomar alguma decisão.
Depois de mais alguns minutos, subiu as escadas tentando não fazer barulho. Àquela hora todos já deviam estar dormindo.
Antes de entrar no quarto que dividia com a esposa, ele ouviu um barulho vindo do fim do corredor, e olhos curiosos o observavam pela fresta da porta.
- Ainda acordada, pequena?
Julie foi até ele e sentou no chão, encarando-o. sentou ao lado dela.
- Ela está dormindo? - sussurou a menina apontando para a porta.
- A ? Acho que está sim. Por que?
- Nada. Eu apenas queria conversar com você um pouco. Sem que... ela... esteja perto.
- Pode falar - sorriu - Mas acho que você devia conhecê-la melhor antes de julgá-la.
- É disso que quero falar com você. Quero saber mais sobre ela... Como vocês se conheceram? - Julie afastou uma mecha de cabelo dos olhos, olhando para o primo pensativo.
- Bom, nós nos encontramos pela primeira vez na festa de aniversário de um amigo meu da faculdade. Nunca gostei de festas e não via a hora de ir embora, mas aí ela chegou. Foi como se a noite tivesse começado pra mim no momento em que coloquei os olhos nela. Eu já tinha a visto antes, mas o que eu senti quando a vi naquela noite... Não sei como explicar. Num momento de coragem resolvi falar com ela e estamos juntos desde então.
- Hm.
Silêncio.
Julie levantou e, devagar, abriu um pouco a porta. a acompahnou e ficaram os dois observando de longe enquanto dormia serenamente.
- O que mais você quer saber sobre ela? - disse ele em voz baixa.
- Você a ama. Não é mesmo?
olhou mais uma vez para sua esposa.
- Sim, e muito - disse ele abaixando para olhar para Julie.
- Então tá - ela riu baixinho.
- O que?
- Então eu já posso gostar dela - Julie abriu um enorme sorriso e abraçou .
- Ah, Julie, que bom.
Ela esfregou os olhos assim que o soltou.
- Agora é hora de ir dormir, está bem?
- Tudo bem. Boa noite.
- Boa noite - ele lhe deu um beijo na testa e esperou que ela voltasse pro quarto antes de entrar.
continuava do mesmo jeito que ele a deixara antes de sair. Como se percebesse o momento em que deitara ao seu lado, ela passou o braço por cima dele, apoiando a cabeça em seu ombro.

acordou assustada com o barulho de um celular tocando em algum lugar do quarto. Provavelmente estava debaixo de alguma coisa, pois o som estava abafado. Tateou a procura dele na cômoda ao lado mas não conseguiu encontrá-lo. Torcendo para que não acordasse, ela se levantou e olhou para o relógio na parede. Quem estaria ligando para ela às três horas da madrugada?
Finalmente encontrou o celular embaixo de algumas roupas, dentro da mala, e a primeira coisa que fez foi desligá-lo. Ela caminhou até a metade do corredor, onde parou para conferir quem era a pessoa incoveniente que ligara para ela naquele horário.
Não podia ser.
discou o número rapidamente.
- Oi, ...
- William, isso é hora de me ligar? - Ela tentou sussurrar - Você não pensou que o poderia acordar primeiro e antender antes que...
- Não costumo olhar as horas quando quero falar com você. Sério que já é tão tarde?
- Fala logo o que você quer.
- Ótimo. Vou ser bem objetivo com você. - notou a mudança no tom da voz dele - Quero que venha para Londres, o mais rápido possível.
- O quê? William, eu estou em Bolton, na casa da família do , esqueceu?
- Não. Mas faça o que estou falando. Tem aonde anotar o endereço? - continuou Will, falando com mais pressa.
- O que você está planejando? - ela perguntou.
- Posso falar onde você deve me encontrar?
- Hm, fala. Eu anoto no celular - ela disse, ainda desconfiada.
William falou o endereço. Ela repetiu para ele para ter certeza de que tinha entendido direito.
- Ok, era só isso.
- William, espera! Eu não posso sair daqui. Não assim, de repente, sem nehuma explicação. Eu anotei o endereço mas não estou dizendo que vou.
- Só posso dizer uma coisa. O assunto é do seu interesse.
- Mas...
- Boa noite, .
Confusa com a convesa que tiveram, voltou para o quarto sem perceber o movimento dentro do quarto bem em frente aonde estava parada.
Julie abriu a porta para ter certeza de que não estava mais ali. Sorrindo, ela se perguntou quem era esse tal de William e porque estava tão nervosa ao anotar um endereço no celular. Alguma coisa ela estava escondendo, e Julie queria muito descobrir.

Capítulo 8 - Was I invading in on your secrets?

Crianças correndo por todos os lados, pessoas falando alto, rindo... Sorrisos falsos sendo distribuídos por ela à todas as pessoas. não sabia por quanto tempo mais iria aguentar aquilo. Não se lembrava que a família de fosse tão grande.
- O senhor me dá licença? Estão me ligando - nunca havia se sentido tão feliz ao sentir o celular vibrar no bolso. Há um bom tempo estava tentando arranjar uma desculpa para se livrar do tio chato e cheirando a tabaco, que sempre comentava ser um dos seus favoritos. Sentiu-se mal por um momento. Em um passado não muito distante, aquele homem lhe fora tão amável... Agora tudo que lhe dizia parecia chato e tedioso, assim como todos da família do marido. Era como se estivesse descontando neles sua raiva e frustração por sua vida estar desmoronando.
- Alô?! - entrou em um dos quartos para ter mais privacidade, sem sequer se preocupar de quem era. Estavam todos no andar inferior, comemorando o aniversário do vovô.
- , sou eu.
- Will? Pelo amor de Deus, já disse pra não me ligar enquanto estiver em Bolton!
- O que você ainda está fazendo em Bolton? Já disse que preciso falar com você urgente e ainda hoje.
- Não posso sair daqui, ok? Esqueça isso! Quando eu voltar nos encontramos. Aliás, William, estou cansada disso tudo, não quero mais isso. Não estou aguentando, me entende?
- Você sempre diz a mesma coisa, . Venha pra cá o mais depressa possível, está me ouvindo? O mais depressa possível.
William desligou, deixando uma completamente irritada. O que era aquilo? Agora ele se achava no direito de mandar nela? Respirou fundo e resolveu voltar para a sala, apesar de achar que ninguém havia sentido sua falta, tirando é claro, o tio com cheiro de tabaco, já que havia a abandonado sozinha enquanto revia os velhos amigos e amigas.
Se escondendo em um dos cômodos da casa, observou o marido de longe. Estava com uma mulher pendurada em seu braço. Já haviam sido apresentadas, era uma amiga de infância de , só não lembrava o nome dela. Tudo o que via era como aquela mulher lhe lembrava Rachel.
não sabia quanto tempo ficara vendo aquela cena, os dois juntos rindo como se nada mais importasse. Um coro de parabéns se fez ouvir, palmas, mais risadas. Por Deus, será que era a única pessoa naquela sala que não aguentava mais aquela confusão?
Alguém lhe entregou um copo que ela pegou apenas por educação, já que não pretendia beber nada. Foi então que tudo aconteceu muito rápido. Num segundo alguém passou correndo por ela e no outro sua roupa estava completamente encharcada com um líquido que havia dentro do copo.
não se importaria com aquilo, não fosse por quem havia a feito virar aquele copo. Julie a olhava como que se estivesse decidindo se iria pedir desculpas ou não. Mas aquilo foi a gota d'água para .
- VOCÊ TEM ALGUMA NOÇÃO DO QUE ACABOU DE FAZER? - gritou para a menina, chamando toda a atenção para si - ESSE VESTIDO! EU PAGUEI MUITO CARO NESSE VESTIDO E VOCÊ ACABOU DE DESTRUÍ-LO!
- Mas eu - Julie tentou falar, mas a interrompeu.
- Não aguento mais você, sua PESTE. Me diz, por favor! Me diz o que eu te fiz pra você me odiar tanto? Eu sempre te tratei da melhor forma possível, mas nunca adiantou.
- , para com isso - se postou ao lado de Julie ainda com a amiga ao seu lado - Você está gritando com uma criança! Ela não fez por querer - ele não gritou, mas seu tom de voz era áspero, mostrando o quanto não estava gostando daquilo.
- Uma criança? Ela não fez por querer? Aposto que ela está desde o começo dessa festa planejando o que faria comigo - apontou para a menina, acusadora.
- , vamos conversar lá em cima - pegou pelo braço e a arrastou da sala até o quarto que estavam hospedados, fechando a porta em seguida - Você ficou doida? O que te deu pra fazer aquilo? Gritar com a Julie? Você viu como ela ficou assustada?
- Não me importo com o que a Julie sentiu, eu ODEIO aquela garota!
- Como é que... - parecia transtornado e segurando o braço dela com mais força gritou - VOCÊ VAI DESCER COMIGO AGORA E VAI SE DESCULPAR COM A JULIE.
- NUNCA - o encarou - Eu vou arrumar minhas malas agora e vou embora desse lugar.
- Não, você não vai! - ele a segurou pelo braço de uma forma agressiva.
- Sim, eu vou! CANSEI de você, . Cansei dessa mentira que estamos vivendo, cansei de fingir que não sei de nada. Eu cansei!
- Do que está falando? - sentiu o coração apertar dentro do peito.
- Não se faça de idiota. Você a ama? Fique com ela.
- Você não está falando da Catherine, não é? Querida, já te expliquei que somos amigos de infância. Só amigos. Eu amo você - ele se embolava nas palavras enquanto tentava se explicar.
- Fica quieto, fica quieto, por favor! Não aguento mais te ouvir! Sai desse quarto, me deixe sozinha - empurrou para fora do quarto, que ainda tentou relutar, mas logo acabou cedendo e saindo.
Com todas as forças que possuía, fechou a porta, com um estrondo que até quem estivesse no andar inferior deveria ter ouvido. Girou a chave algumas vezes e se encostou contra a porta para verificar se ainda estava ali. Silêncio.
A cama pareceu gritar pelo seu nome, fazendo-a se jogar sobre ela. Uma cama macia, mas que no momento se comparava a uma cama de pregos. deixou as lágrimas inundarem os olhos e logo os soluços já haviam tomado conta de todo quarto.

"Ela só está nervosa. Pessoas falam besteiras quando estão nervosas." dizia para si mesmo.
Ele estava sentado na cozinha, enquanto sua avó bondosamente preparava um pouco de chá para que pudesse levar para , quando ela já estivesse mais calma.
- Você parece angustiado, querido - ele ouviu a avó dizer, enquanto se sentava em uma cadeira à sua frente.
- Sim, vovó, estou um pouco. Depois dessa confusão que a aprontou na festa de aniversário do vovô, e bem, depois ela me disse umas coisas sobre a Julie.
- Querido - a doce senhora o olhou de uma forma carinhosa - Tem certeza que é só isso?
- Como só isso, vovó? Ela ofendeu a Julie, gritou com a menina pelo simples fato de ter esbarrado nela.
- Sim, eu vi, todos nós vimos, mas eu... - ela pareceu pensar um pouco antes de falar - Eu notei que sua esposa estava diferente desde que chegou aqui. Ela foi sempre uma pessoa tão animada, falava bastante, e apesar de tudo o que a Julie fazia para importuná-la, e você sabe que ela fazia - os dois riram com aquela afirmação - sempre a tratou tão bem.
- O que quer dizer, vovó?
- Ela estava estranha, . Não falou quase nada desde que vocês chegaram. Sempre que olhava pra você trazia um olhar triste... Na maior parte do tempo ela estava apenas em corpo presente.
- Ela me mandou ir embora - sentiu os olhos marejarem, mas não deixou as lágrimas escaparem - Não apenas do quarto, mas da vida dela.
A velha senhora colocou a mão sobre o punho fechado do neto, acariciando a pele com cuidado, a raiva era nítida nos olhos do mais jovem.
- Por que não me contou antes, meu bem?
- Ela vai mudar de ideia. Estava nervosa. Só precisa ficar um pouco sozinha pra entender que acabou de fazer uma grande besteira. Nós nos amamos, vovó - disse parecendo seguro no que dizia.
O barulho da chaleira soou alto. A senhora sorriu para o neto em tom de compreensão e levantou-se indo em direção ao fogão.
- DANNY, DANNY - Julie entrou correndo na cozinha gritando o nome do primo - a nãoestánoquartoelafoiembora - a menina disse rápido.
- Julie, por favor, repita devagar, não consegui entender nem uma palavra do que você disse - passou a mão pela cabeça da criança.
- A foi embora!
- O quê? - Ele se levantou derrubando a cadeira que estava sentado.
- Ela não estava no quarto quando fui me desculpar. Perguntei ao vovô e ele disse que ela havia ido embora.
não esperou nem mais um segundo, saiu correndo até o quarto onde a esposa deveria estar, mas não a encontrou, nem suas coisas. Desesperado, começou a olhar por todo quarto, procurando um bilhete ou qualquer coisa que tivesse deixado avisando que havia apenas ido esfriar a cabeça e voltaria em breve.
Encontrou então sob a mesinha de cabeceira algo que provavelmente ela não havia deixado propositalmente. O celular preto estava do lado de um papel. colocou o celular no bolso, enquanto Julie, que já estava ao seu lado, lia o que estava escrito no papel em voz alta: Quero a separação. Me desculpe, eu tentei..
- Vá atrás dela, querido - ainda em choque pelo que Julie havia acabado de ler olhou a avó encostada no batente da porta, encarando-o.
- Ela deve ter levado o carro, e o meu está no concerto - disse simplesmente.
- Eu a ouvi conversando no celular com um homem - Julie olhou o primo.
- Julie, não tenho tempo pra ouvir você tentar fazer intrigas entre ela e eu. Meu casamento já acabou, está satisfeita? - a garota fechou os olhos chateada. nunca havia falado daquela forma com ela, mas daquela vez, Julie não estava tentando fazer intrigas.
- O nome dele era William. Pelo que ouvi, ela parecia nervosa ao falar com ele. Só achei que você deveria saber - Julie saiu do quarto.
- William - repetiu o nome em voz alta - Vovó, chame um táxi, preciso ir para Londres o mais rápido possível - a senhora concordou com a cabeça e saiu - Se ele pensa que vai ser tão fácil roubar minha, esposa está muito enganado.

Londres. pensou que se sentiria um pouco melhor ao voltar para sua amada cidade, mas sua angústia só aumentava a cada segundo. Sentia-se completamente perdida e muito frustrada. Os olhos já ardiam por ter chorado tanto. Ela nunca pensou que um dia realmente teria coragem de terminar seu casamento com , nem mesmo quando descobriu que tudo o que um estranho lhe contara sobre seu marido era verdade, que ele realmente a traía e não sentia nem um pingo de dor na consciência. Todo o tempo, tentava evitar esse tipo de pensamentos, mas havia chegado ao seu limite.
Todos os segredos dele já haviam sido desvendados por ela e, no final, tudo o que pode constatar era que realmente não conhecia mais o marido, o homem que a jurara amar um dia. Será que ele havia mudado tanto desde o casamento? Ou desde o começo aquilo era uma mentira? Teriam havido outras Rachel's? A que ponto aquela situação havia chegado. se perguntava se não notara o que estava fazendo com ela.
Tentando enxugar as lágrimas, que ainda insistiam em cair, com a manga da blusa, resolveu estacionar o carro perto de uma praça logo adiante e descer para respirar um pouco de ar fresco.
Os pensamentos se misturavam em sua mente. Nada parecia concreto. Apenas sua conversa com William e o que havia pedido a ele: ' não pode se machucar'.
Como era idiota. Ele a estava traindo e ela não queria machucá-lo. William estava certo por ficar bravo com ela. nunca pensara em seus sentimentos, e agora ela pensava em como iria se recuperar do tapa que havia levado. Não pode deixar de pensar no que ele estaria fazendo naquele momento. Será que sentia o mesmo que ela? Não, claro que não. Provavelmente estaria com Catherine, Rachel ou qualquer outra mulher por aí.
Estava com raiva, muita raiva, e em um gesto instintivo, colocou a mão no bolso de traz para pegar o celular e ligar para William, mas viu que ele não estava lá. Voltou para o carro, achando que provavelmente o havia esquecido lá, mas o celular não estava em lugar algum. Deixara o celular na casa dos avós de .
Se recriminando pela falha, saiu do carro novamente e atravessou a rua em direção ao telefone público que estava ali. Sua sorte foi o fato de que por tanto discar o número de William, já havia o decorado.
- William, sou eu - disse assim que ouviu a voz dele soar pelo aparelho. Sabia que não precisaria se identificar.
- Estava esperando você me ligar já que não apareceu - ele reconheceu a voz, como ela já suspeitava que faria.
- Não estou a fim de discutir, ok? Você queria conversar comigo, e é o que vamos fazer - deu um leve suspiro - Terminei meu casamento. já sabe que sei de tudo. Não quero mais me vingar. Quero uma separação tranquila, se é que existe uma. Seu plano termina aqui, Will, pelo menos a parte que me envolvia.
- Eu tenho algo pra lhe dizer - William começou depois de um tempo assimilando o que ela lhe disse - Mas ao contrário de você, prefiro conversar pessoalmente. Será que pode me encontrar naquele endereço que dei pra você?
- Quando? - perguntou, surpresa por ele aparentar estar calmo mesmo depois de tudo o que ela falara.
- Agora, se possível.
- Estou cansada, William, acho melhor amanhã.
- Amanhã é muito tempo, . Por que está adiando tanto se encontrar comigo?
- Já disse que é porque estou cansada. Mas, já que insiste, eu vou. É melhor acabar com isso logo de uma vez, certo?
- Me senti um peso pra você agora.
- Você é um peso pra mim, William - ela disse seca e desligou.
, colocou a mão no bolso da blusa de frio e tirou um papel onde estava escrito o endereço que Will havia lhe passado outro dia. Sorte a dela que havia copiado em um papel e guardado consigo. Pensou em ir logo para o carro, mas se lembrou de mais alguém para quem deveria ligar.
- ? É a .
- ? Sua voz está estranha, aconteceu alguma coisa?
- Aconteceu, mas podemos falar disso mais tarde? Queria saber se posso ficar na sua casa essa noite.
- Mas é claro que pode, você pode ficar quanto tempo quiser.
- Obrigada, . Eu tenho que resolver algo, mas mais tarde eu estarei aí.
- Vou te esperar. Se cuida!

Bastou tocar a campainha uma vez para em seguida a porta ser aberta.
- Estava me esperando do lado da porta? - ela perguntou em tom irônico.
- Seu humor hoje está divino, querida - William se afastou para que ela pudesse entrar.
- Bonita casa - comentou, enquanto ele fechava a porta.
- Era dos meus pais. Gosto de vir pra cá quando preciso pensar - Ele sorriu - A sala é logo ali, pode ir se sentar, eu vou pegar um chá que fiz há pouco.
- Certo.
Minutos depois os dois estavam sentados no sofá, um em cada ponta do mesmo. tomou um leve gole do conteúdo em sua xícara, gostou e acabou tomando mais um pouco.
- Acho que temos alguns assuntos pendentes - ela foi a primeira a falar.
- Sim, como eu já havia lhe dito, tenho algo pra contar.
- Sou toda ouvidos, William.
- Eu saí de casa.
- Você, você não... - tentou organizar as informações que recebera - Quando isso aconteceu?
- Bem, faz uns dois dias. Estou te ligando e pedindo pra vir me ver desde então, mas é claro que estava muito ocupada na festa de aniversário de um velho.
- Por que não contou pelo telefone?
- Preferi pessoalmente - ele sorriu como se nada estivesse acontecendo - Os planos mudaram, querida.
- Não existem mais planos, William, já disse. Estou fora.
- Não, você não está.
- Quem você acha que é para querer mandar em mim? - disse nervosa.
- Eu sou a única pessoa que realmente se importa com você, . Se meu plano der certo, e ele vai dar, vou nos poupar de muitos problemas.
- O que você quer dizer? - ela ficou confusa.
- Em breve você vai saber.
começou a sentir sua cabeça pesada, pensou que deveria ser o nervoso que os acontecimentos do dia haviam lhe causado, mas logo a xícara que estava segurando começou a pesar demais e ela não conseguiu impedir que a mesma caísse no tapete de William, derrubando todo o conteúdo.
- Não estou me sentindo bem - disse para ele.
- Logo vai passar, querida - William disse calmo.
- É sério, William, estou tonta - ela tentou gritar, mas as palavras já saíam confusas de seus lábios - Foi você - murmurou - O que você fez?
A última imagem que teve foi de William sorrindo para ela, enquanto perdia completamente todos os sentidos, e tudo o que lhe restara foi a escuridão.

Capítulo 9 - Just The Price I Pay

- , finalmente! - com a cabeça latejando muito, tentou focar os olhos na pessoa que a chamava, apesar de apenas pela voz já ter certeza de quem era - Estava na hora de você acordar.
William.
Mas o que ele fazia ali? Ela tentou colocar as mãos sobre os olhos, mas não conseguiu pois, ao tentar levantá-las, percebeu que estavam amarradas, cada qual em uma das laterais da cama onde não se lembrava de ter se deitado.
Alguns flashes passaram pela cabeça dela e se lembrou do chá que William lhe oferecera, e de depois de tomá-lo tudo ter ficado escuro. Agora estava ali, amarrada em uma cama, com William a fitando de uma maneira estranha.
- Não me olhe assim, querida - William continuou, enquanto se aproximava dela - Tudo que estou fazendo é para o seu bem.
- Meu bem? O que havia naquele chá, William? - ela gritou, querendo poder pular no pescoço dele.
- Sonífero, nada demais - deu de ombros - Foi o único modo que encontrei de fazê-la me ouvir.
- Como assim? Eu vim aqui justamente para isso. Nós estávamos conversando, não havia motivos para você me dar um sonífero e logo depois me amarrar nesta cama.
- , querida, tente entender.
- Pare de me chamar de querida, William!
- Querida, tenho algo pra lhe dizer - ele continuou, sem se importar com o que ela disse - Se lembra de quando eu disse que você seria sequestrada?
- É claro que eu me lembro! Sempre achei isso absurdamente idiota de sua parte, mas pensei que havia desistido. Quer dizer então que você me sequestrou pra dar uma lição no ? Bem, acho que seus planos foram por água a baixo pois, como eu já lhe disse, nós estamos separados. não se importa comigo!
- Sim, dar uma lição no seu ex-marido era o plano inicial - William frizou o ex - Mas agora que tanto eu quanto você estamos separados... Bem, , pensei em dar uma chance a nós.
- Uma chance a nós? Como assim?
- Eu te amo - William disse sem rodeios, olhando-a dentro dos olhos.
- Você me ama? - perguntou, indignada - Você me sequestra e depois diz que me ama?
- , tente entender! O que você faria se eu lhe dissesse isso lá em baixo quando estávamos conversando na sala?
- Eu teria ido embora.
- E é por isso que você está aí - ele deu os ombros - Sabe, ... Nesse tempo que nós passamos juntos, tentando destruir aqueles dois, eu pude ver o quão maravilhosa você é.
- Tão maravilhosa que o meu marido me trai com a sua esposa - uma sombra passou pelos olhos de .
- Seu ex-marido é um idiota. Ele nunca te amou. Essa é a única razão que eu vejo para ele te trair com a vadia da Rachel. Há algum tempo que você não sai dos meus pensamentos. Durmo e acordo pensando em você, . Me dá uma chance, por favor? - William se ajoelhou diante da cama.
- Will - tentou controlar o tom de voz, para não mostrar o desespero que sentia por dentro - Eu queria te dar uma chance, eu realmente queria. Mas não posso.
- NÃO PODE POR QUÊ? - Will gritou dando um soco na cama, a fazendo tremer - ME DIGA, , POR QUÊ?
- Porque... - ela murmurou, mais para si mesma do que pra ele, enquanto as lágrimas traiçoeiras escapavam de seus olhos - Eu ainda amo o .
- Como você pode amar alguém que te traiu de uma forma tão vil? Que te enganou. Cadê o seu amor próprio, ? - Will se sentou na cama, secando as lágrimas dela com o dedo.
- Eu tenho amor próprio. Se não tivesse, ainda estaria com ele. Mas meu amor não segue uma lógica, William. Acredite, se eu pudesse controlar meus sentimentos, seria a última pessoa a quem eu iria amar.

As batidas fortes na porta fizeram Rachel se levantar em um pulo do sofá. Correu até lá enquanto as batidas ficavam cada vez mais insistentes.
- - ela o olhou, sorrindo.
Ele apenas entrou sem esboçar nenhum traço de sentimento no rosto, esperou ela fechar a porta e tentar se aproximar dele, que a empurrou de imediato.
- Quero falar com seu marido - disse, sério.
- Ele não está aqui. Nós nos separamos - a voz de Rachel soou amarga ao pronunciar a última frase, mas logo seu rosto se iluminou novamente - Agora nós podemos ficar juntos, meu amor. - outra tentativa de aproximação frustrada, já que ele a empurrou novamente.
- Rachel, entenda uma coisa. Eu nunca disse que ficaria com você.
- Sim, mas eu pensei que... - ela ficou muda, o encarando.
- Pensou errado, Rachel! Agora me diga: você tem alguma ideia de onde está seu marido? - ele estava muito nervoso, Rachel notou, engolindo em seco.
- Bem, não. Ele não me disse pra onde iria.
começou a andar de um lado para o outro, dava socos na parede, passava as mãos desesperadas pelo cabelo. Aquilo já estava começando a assustar Rachel, quando ela se lembrou de algo que poderia ajudar.
- Espera, eu sei de alguém que pode saber onde ele está - parou, a encarando - Eu posso ligar pra ele e pedir pra vir aqui. Mas antes quero saber o que você quer com o William!
- Nada que realmente importe pra você - ele deu de ombros.
- Se não me disser, não vou te ajudar, – ela ameaçou.
- me deixou e - ele respirou fundo - acho que talvez ela possa estar com seu marido.
A risada de Rachel ecoou pelo apartamento, fazendo ficar ainda mais irritado, enquanto ela sem conseguir parar de rir, secava os olhos cheios de lágrimas.
- Quer dizer então que sua esposa te trocou pelo William? Quem diria não é, ? Eu e você, no final das contas, é que fomos os trocados.
- Eu não fui TROCADO - ele levantou as mãos exasperado, e Rachel deu um passo para trás com medo de que ele a acertasse - me AMA, entende Rachel? Ela me AMA.
- Se ela te amasse não teria te trocado pelo Will. Ela não te merece, ! Você sabe que eu e você somos perfeitos juntos. Por que não desiste de procurá-los e se convence de que sou a mulher da sua vida?
- é a mulher da minha vida! E quando eu achá-la vou fazâ-la ver que está se enganando. Aquele canalha do seu marido fez a cabeça dela. nunca seria capaz de me abandonar.
- Ela não tem cara de ser do tipo de mulher que aceita traição numa boa.
- Ela não sabe do nosso caso. Que, aliás, a partir de agora, não existe mais! - a olhou, ameaçador.
- Não sabe? Você tem certeza disso, meu amor? Porque quando o William saiu de casa ele me falou claramente que sabia do nosso caso. E se ela está com ele, provavelmente deve saber.
- Ele sabia? - olhou Rachel confirmar com um aceno de cabeça - Ela sabe. Ela me deixou porque sabia. Isso explica muita coisa! - ele ficou um tempo em silêncio olhando para o nada, depois voltou os olhos para Rachel e disse firme - Chame a pessoa que você diz saber onde eles estão. Eu não posso deixar tudo acabar assim.

Com os olhos fechados, sentindo a mão de William deslizar por seus cabelos, tentava manter a calma. Estava muito assustada, mas não deixaria ele perceber isso.
- , você precisa entender que acabou. não faz mais parte da sua vida. Agora você precisa aceitar as escolhas que fez.
Ela permaneceu calada, ainda sem abrir os olhos, não querendo olhar para seu sequestrador, vendo que pelo menos em uma coisa ele estava certo. não fazia mais parte de sua vida. Ela teria que aprender a viver sem ele.
"Eu vou ficar bem", mentiu pra si mesma.
- É comigo que você tem que ficar agora - continuou Will deitando-se ao seu lado, a fazendo olhá-lo, com os olhos fixos nos dela, acariciando-lhe o rosto com cuidado. - Vou te fazer a mulher mais feliz do mundo. Eu posso te dar todo o amor que seu ex-marido recusou-se a lhe dar.
- NUNCA ME DEIXOU FALTAR AMOR! - gritou, irritada.
- Ah, não? E todas as vezes que ele se deitou com a Rachel? Não foi uma maneira de recusar amor a você? - William não gritou, mas suas palavras foram mais cortantes do que uma faca. Porque diziam a verdade.
tentou se encolher para longe dele o máximo possível. Não obtendo muito sucesso, pois as cordas estavam tão apertadas que qualquer movimento mais brusco faria seus pulsos queimarem.
- Pode ter certeza que eu nunca farei isso com você, - Will continuou, ainda mais calmo. Percorria com os dedos cada traço do rosto dela, ficando cada vez mais perto.
podia sentir a respiração dele. Mas apenas sentia, pois havia fechado os olhos novamente e não tinha coragem de abrí-los. O medo a estava paralisando. Tentava escapar de cada toque, tentando se esquivar das mãos que percorriam seu pescoço, descendo cada vez mais. Aquilo estava ficando insuportável.
- William, por favor - implorou, com a voz rouca por desespero e medo das coisas saírem do controle - Me deixa ir embora. Eu já disse que não quero nada com você! - sentiu a mão dele deslizando para dentro do seu decote - Sai de cima de mim. Me solta!
- Mas, , foi eu quem estive do seu lado esse tempo todo. Será que só você não consegue perceber? Nós temos que ficar juntos...
Ela abriu os olhos quando sentiu os lábios dele tocarem os seus com força. Aquilo já era demais. começou a fazer movimentos bruscos com o corpo, tentando tirar William de cima de si, mas de nada adiantou. Ele invadiu mais e mais sua boca com a língua e já estava começando a achar que seria melhor desistir. As mãos dele começaram a descer urgentes pelo seu corpo, e em uma última alternativa, agiu por impulso e mordeu com toda a força que ainda tinha a língua dele.
William se levantou com um movimento brusco com as mãos sobre a boca. Seus olhos estavam vermelhos. Ele tirou as mãos da boca e cuspiu o líquido vermelho e viscoso no carpete, soltando um gemido de dor.
Com os olhos imitando sua raiva, caminhou até , olhou-a por um segundo e virou-se, empurrando todos os objetos que estavam em cima da cômoda ao lado da cama. Ficou ali parado durante cerca de dois minutos, no mesmo lugar, como que tentando se acalmar, e saiu do quarto. Mas não sem antes lançar à um olhar irritante de desaprovação e murmurar algo como ‘você não deveria ter feito isso’.
Quando se viu sozinha, respirou fundo. O que tinha acontecido com William? Nunca o tinha visto agir daquela forma. Ele estava completamente obcecado pela ideia dos dois ficarem juntos. Mas por quê? Será que William realmente a amava como dizia? Mas ela não se importava com a resposta daquela questão. Tudo o que mais queria era escapar daquele lugar. Mas como? A única janela parecia estar bem trancada e até isolada, para que os vizinhos não ouvissem nenhum som. E pra começo de conversa, ela estava presa àquela cama.
Mas antes que conseguisse completar qualquer possível plano de fuga, William estava de volta, trazendo consigo embaixo do braço uma caixa de tamanho médio.
- Não precisa se assustar - disse ele, ao vê-la tentando se encolher na cama.
estava se sentindo indefesa estando no mesmo lugar que William, e ainda mais naquelas condições.
- Eu não quero te fazer nenhum mal. Muito pelo contrário... Você já conhece todos os meus sentimentos por você, querida.
"Claro que conheço, seu psicopata, obsessivo, canalha!", pensou .
- Por que não dá um sorriso? Sinto falta do seu sorriso, - Will sentou ao lado de , estendendo a mão para os cabelos dela.
- NÃO TOQUE EM MIM! - gritou, exasperada.
- Tudo bem, você merece ter um tempo pra se acostumar com isso - comentou ele, abrindo a caixa - O que tenho aqui com certeza vai nos trazer o seu belo sorriso.
Will começou a tirar várias fotos de dentro da caixa. Fotos que por um momento não se importou em olhar, até reconhecer quem era a pessoa em todas as fotos.
Ela.
Em todas.
Cada uma de um dia diferente. Mas todas haviam sido tiradas em momentos que jamais havia pensado que William estaria por perto. Indo ao mercado, saindo de casa, chegando no trabalho, numa lanchonete com , e muitas outras.
Espantada com aquela situação, perdeu completamente as palavras, e ficou com um grito preso em sua garganta.
- Estão lindas, não é?
- Lindas? O que significa isso? Há quanto tempo você anda me perseguindo?
- Desde quando percebi a linda pessoa que você é - ele sorriu docemente - E que estávamos perdendo nosso tempo seguindo e Rachel.
- Isso é loucura. Já chega! - virou o rosto.
- Calma, querida, vamos continuar vendo as fotos - William puxou o rosto dela para a posição anterior - Vou te mostrar as minhas preferidas.

começou a mexer as mãos impaciente. À sua frente estava um homem com um semblante irritado que parecia disposto a partir para a agressão física se não lhe dissesse o que queria saber. E sentada ao seu lado, Rachel, completamente entediada e com o olhar fixo no homem.
- Não sei onde ele está - disse com convicção. Realmente não sabia onde William estava.
- Não adianta enrolar, . Você é o melhor amigo dele. É claro que sabe onde ele está! - Rachel resmungou.
- Não estou mentindo, Rachel. Faz uns dias que não vejo seu marido - ele deu de ombros - E, aliás, o marido é seu. Você deveria saber onde ele está.
- Ele não é mais meu marido.
- O quê? - se virou pra ela, agitado.
- Por isso queremos saber onde ele está, senhor - o homem falou, tentando manter a voz controlada - Achamos que ele está com a minha esposa.
- Sua esposa? - levou um segundo para juntar os fatos - ? Você é , marido da ?
- Sim, sou eu - os olhos de faiscaram de raiva - Como me conhece?
- Bem, sou amigo da sua esposa e... Espera! O que realmente está acontecendo?
- sumiu. Provavelmente fugida com o Will. E o idiota do aqui está querendo ir atrás dos dois. Fim. - Rachel disse, debochadamente.
- Estão querendo me dizer que e William fugiram juntos? - viu os dois concordarem, ainda sem acreditar - Isso é impossível! Ela não iria fugir com o Will. Não faz sentido.
- Já a procurei em todos os lugarem imagináveis. Fui na casa da melhor amiga dela, no trabalho, liguei para os pais dela, ninguém sabe onde ela está - deixava transparecer o desespero que sentia em cada palavra - disse que havia ligado dizendo que iria para a sua casa, mas não apareceu.
- Ela pode ter resolvido ir embora com o William e acabou se esquecendo de ligar para a amiga - Rachel deu os ombros.
- Como eu já disse, tem algo muito errado nessa história - olhou concordar com ele - Talvez ela esteja mesmo com o Will, mas não por vontade própria.
- O que está querendo dizer? - Rachel elevou o tom de voz - Acha que William sequestraria essa mulher? Ele não faria mal nem a uma barata, quem dirá sequestrar alguém! Parem de tentar fazer com que ela pareça inocente nessa história toda.
- Você realmente acha que ele pode tê-la sequestrado? - perguntou ignorando Rachel, que bufou irritada.
- Sim, eu acho. Ele tinha isso em mente há algum tempo. Disse que era questão de tempo convencer a . Ela dizia que isso era uma idiotice e... - notou os olhares confusos de e Rachel - Certo, vocês não sabem da vingança. Claro que não.
- Vingança? Que tipo de vingança? - Rachel perguntou.
- Uma vingança, contra... vocês.
Os rostos pálidos de Rachel e entregaram o quanto ficaram assustados com aquela descoberta. Por um momento, se perguntou se deveria ter contado mesmo. Talvez o sumiço de fizesse parte de algum plano. Mas algo dentro dele dizia que estava fazendo o certo. Aquilo, fazendo ou não parte dos planos de William, já havia passado dos limites.

Capítulo 10 - Undisclosed desires in your heart

mantinha os olhos longe da cena à sua frente. Tentava ignorar tudo o que William lhe falava, enquanto insistia que ela olhasse aquelas fotos. Aquilo era tão doentio que a estava deixando enjoada. Sentia o impulso de agir, fazer algo para se livrar dele. Mas o quê? Estava muito bem presa naquela cama, e William não a deixava sozinha nem por um segundo. Precisava arranjar alguma desculpa para conseguir no mínimo sair daquele cômodo. Tudo estava ficando insuportável demais. O toque dele sobre sua pele lhe causava um frio na barriga, como se até seu corpo pudesse constatar o perigo que William representava.
- Will - chamou-o carinhosamente, forçando a voz a sair da maneira mais doce possível - Eu preciso ir ao banheiro - o olhar de seu sequestrador pousou sobre ela - Por favor. - pediu, devolvendo seu olhar.
Will apenas a observou por um tempo, olhos nos olhos, como se tentasse ler a mente de , saber a verdade por trás da voz melodiosamente calma de sua prisioneira. Mas aquela batalha havia sido ganha no momento em que ela pronunciara o nome dele de maneira tão íntima, e William sabia disso.
- Tudo bem, querida - disse por fim, recolhendo as fotos e colocando-as de volta na caixa.
tentou não transparecer a surpresa enquanto ele desamarrava seus braços. Ao se ver livre, ela massageou os pulsos que ardiam por causa das cordas apertadas. Queria ter força suficiente para derrubar William e sair correndo dali, mas não tinha. Sabia que mesmo que tentasse correr, não daria dois passos e ele já a teria pegado.
William estendeu a mão para ela como se fosse uma criança. Ela aceitou sem relutar, pois tudo o que não queria era deixá-lo nervoso.
- Espero que não tente nenhuma gracinha. - William disse, sorrindo, assim que entrou no banheiro. Ela assentiu com aceno de cabeça e fechou a porta.
se pôs a examinar o lugar assim que teve chance. Pensou que sua única maneira de escapar seria a janela, mas assim que olhou para onde deveriam estar as janelas, percebeu o porquê daquele tom de riso de William, quando dissera 'Não tente nenhuma gracinha'. As janelas estavam completamente fechadas com madeira. Era impossível tirar aqueles pregos da madeira com as próprias mãos, mas mesmo assim, ela tentou puxar as placas. Apenas mais uma tentativa frustrada. Não podia fazer muito barulho, nem demorar muito. A porta do banheiro estava apenas encostada e William poderia entrar a qualquer momento se visse que havia algo errado.
Foi até à pia e colocou os pulsos de baixo d'água para aliviar um pouco a dor que as cordas haviam lhe causado. Aproveitou e lavou o rosto para não deixar as lágrimas traiçoeiras fazerem caminho pelo seu rosto mais uma vez. Precisava ser forte, só assim conseguiria pensar no que faria.
Olhando seu reflexo no espelho, uma ideia surgiu de repente. Não podendo evitar um gemido ao concluir que aquele talvez fosse o único jeito de sair daquela prisão, e se fosse preciso ela o faria.

sentiu seu mundo desabando. Sempre quando se acha que está no fundo do posso, algo acontece para te provar que não. Vingança, ela queria se vingar dele, era o que sua mente gritava.
- Então quer dizer que eles tinham um plano? - ele disse, lentamente, ainda tentando assimilar - Como não percebi antes? Como pude ser tão cego e deixar isso passar despercebido? estava muito diferente. É claro que ela sabia de tudo, não acredito que fui deixar isso acontecer.
- Você ficar se culpando agora não vai adiantar nada! - gritou , levantando e encarando - Isso não estaria acontecendo se vocês dois não tivessem dado motivos à eles! Quer saber de uma coisa? Eu vou procurar a , enquanto vocês ficam pensando no que levou duas pessoas pacíficas como a e o Will fazerem o que fizeram.
- Esse William é um maluco! - gritou , levantando- se também - pode estar em perigo nesse momento, por culpa dele!
- Deixa de ser cego! - Rachel entrou na discussão - Está na cara que sua mulherzinha fugiu por conta própria. Como o próprio disse, Will é uma pessoa pacífica. Eu o conheço há anos, ele nunca faria mal à ela!
- William é meu amigo - interrompeu Rachel - Mas tenho quase certeza que ele está envolvido nesse sumiço. Ele já foi pacífico, Rachel. Hoje já não sei mais. Tudo o que sei é que cada minuto que passamos aqui discutindo se torna uma chance a menos de encontrar a .
passou as mãos pelos cabelos. Por mais que não quisesse concordar com aquele homem, ele estava certo. Estava anoitecendo e quanto mais demorassem para sair, William poderia estar levando para mais longe dele.
- Ah, que ótimo, vai bancar o super herói agora, ? - riu Rachel.
- Se você não calar a boca! - se segurou para não enfiar a mão na cara dela. Como podia ter se deixado levar por uma pessoa como ela? Só agora via quem Rachel realmente era.
- Olha, chega de perder tempo, eu vou procurar a agora mesmo - disse .
- Espere, eu vou com você!
disse enquanto corria atrás do outro, sentindo o ciúmes lhe corroer. demonstrava muita preocupação com sua esposa. Uma preocupação até fora do normal para alguém a conhecia há tão pouco tempo, como ele já havia dito.

As mãos de tremiam enquanto ela girava a maçaneta, mas aquele era o único sinal de seu nervosismo. Se olhou no espelho mais uma vez. Aparentava estar calma. Os rastros das lágrimas já haviam sido retirados, talvez qualquer um que a visse poderia achar até que ela estava feliz. Lentamente, ela abriu a porta.
- Will - ela o chamou pelo apelido carinhosamente - Eu queria ver um pouco de televisão - tentava deixar a voz o mais doce possível, o nojo pelo que iria fazer deveria ficar apenas para ela.
Mas tinha que ser assim. William estava tendo um comportamento totalmente desequilibrado, o que tinha que fazer era jogar esse jogo dele do jeito mais convincente possível. E se ele se dizia mesmo "apaixonado" por ela, aquilo iria funcionar.
- Não acho que seja uma boa ideia.
- Por que não? Estou cansada de ficar naquele quarto... - ela olhou para os pulsos ainda vermelhos pelas cordas, demoradamente, torcendo para ele sentir ao menos um pouco de culpa pelo que estava fazendo. - Podemos assistir algum filme ou qualquer coisa que esteja passando na televisão. - ela pegou a mão dele, tentando guiá-lo para a escada que dava acesso à sala.
- , me acompanhe de volta ao quarto, sim? - disse William, seu tom de voz era áspero e seco.
- Mas, Will, pensei que poderíamos nos distrair um pouco. Vamos assistir um filme juntos - abriu um sorriso um pouco forçado, torcendo que fosse o suficiente para convencê-lo.
Por alguns minutos que pareceram horas, ele a estudou com o olhar. sentiu naquele momento que tudo ia dar errado, ele não estava acreditando nela. Mas aquela não havia sido sua última tentativa antes de ser jogada naquele quarto escuro mais uma vez. Com cuidado, ela levou a mão dele que ainda segurava de encontro aos lábios, dando um leve beijo na palma. William fechou os olhos respirando fundo e quando os abriu novamente, disse:
- Certo, acho que tenho alguns filmes aqui.

Já estava ficando tarde e eles não tinham encontrado nem um sinal de , e a cada tentativa frustrada, podia ver a esperança desaparecendo do rosto de .
- E então? - perguntou , assim que viu o outro sair da casa de um conhecido dele e William.
Sentiu os olhos se encherem de lágrimas ao ver a expressão de , mas não as deixou escorrer. A sensação de estar perdendo aumentava a cada lugar que iam, sem notícias que ajudassem a encontrá-la.
- Nós vamos encontrá-la - disse , tentando encorajá-lo. Entrou no carro e esperou até fazer o mesmo.
- Nós precisamos encontrá-la - respirou fundo - Não posso viver sem ela.
O silêncio se instalou entre os dois. Ambos sabiam que as atitudes de Daniel no passado foram as únicas culpadas por aquela situação.
- Como você conheceu a ? - perguntou de repente - Você não mencionou como você entrou nessa história toda de vingança, já que eu suponho que não tem motivos para se vingar de mim ou até mesmo da Rachel.
sentiu muito mais que curiosidade naquela pergunta. Os ciúmes por ele saber coisas da esposa do outro que o próprio não sabia devia estar o levando a loucura. Reprimiu o impulso de mandar e seus ciúmes para o inferno, pois depois de tudo que ele havia feito para ainda agia como se fosse um inocente naquela história toda.
- Como você já sabe, William é meu amigo, e ele me apresentou a . - hesitou por um segundo - No dia em que seguimos você e a Rachel até um pub.
- Vocês nos seguiram? - ficava mais perplexo a cada informação recebida.
- Sim, a nossa intenção era filmá-los, mas não nos saímos muito bem. Acabamos nos distraindo e vocês foram embora muito rápido, provavelmente tinham algo melhor pra fazer, certo? - falou , com naturalidade. Não tinha porque continuar escondendo aquilo. Aliás, não tinha porque esconder mais nada - E fui eu que socorri a quando ela cortou os braços com o carro.
- O meu carro! - ficou imóvel, vendo concordar com um aceno - Eu já havia desconfiado, mas não tinha provas e ela não teria me contado se a tivesse pressionado. Como ela conseguiu esconder tudo isso de mim? Ela sempre foi uma das pessoas mais transparentes que conheço.
- Como pode ver, sua esposa é uma boa atriz - sorriu sarcástico - Cada vez que ela sorria pra você, ela morria um pouco por dentro. Não existe nada pior que saber que a pessoa em que mais confia o traiu.
soltou tudo sem pensar muito bem. A dor de se misturando a sua própria.
- Como William te convenceu a participar disso tudo?
ficou em silêncio, enquanto parava o carro no acostamento. Ele não desviou os olhos do trânsito enquanto pensava se responderia ou não a pergunta.
- Também já fui traído - disse, enfim.
Vendo que havia entendido seu motivo, respirou lentamente. Tentou manter a calma, e olhando rápido em sua lista de contatos do celular, para enfim ver qual seria a próximo lugar que deveriam ir.

A seleção de filmes que William tinha em casa com toda certeza não agradava a em nada. Não que ela realmente fosse ver qualquer coisa, mas não conseguiu deixar de reparar que o tema morte estava em todos os filmes. Se juntassem todos os DVD's e espremessem sairia sangue, e muito. Claro que gostar de filmes violentos não era uma característica apenas dele. amava esse tipo de filme, e com certeza muitos outros homens também. Mas em William, em especial, aquilo lhe assustava.
- Qual o nome do filme? - perguntou, um pouco tensa, um tempo depois que William havia colocado o DVD.
- Violência gratuita - ele disse, dando um breve sorriso.
apenas concordou com a cabeça, mas nos minutos decorrentes se aproximou cada vez mais de seu sequestrador. Por um lado porque isso fazia parte de seu plano, por outro porque aquele filme realmente a estava assustando. A história de uma família que estava sendo feita refém por dois psicopatas, que começam a fazer um jogo com a família, apostando que nenhum deles estaria vivo em 24 horas. As cenas torturantes fizeram sentir náuseas, enquanto se aproximava mais e mais de William.
Não poderia deixar de pensar que estava na mesma situação que aquela família do filme, com a diferença que seu torturador ainda não havia tentado a tortura física.
Ele teria essa coragem? se perguntou enquanto o olhava pelo canto dos olhos. Não, William não chegaria a esse ponto. Ele dizia que a amava. Quando se deu conta sua cabeça já estava encostada no ombro dele e de alguma forma, aquilo lhe dava um certo conforto muito estranho. O fato de ele estar tão concentrado no filme a deixava desconfiada, desde o começo ele só olhara para ela uma única vez.
Ela sabia que para tudo dar certo deveria ter calma, agir com naturalidade... Mas como? Era a questão.
Tomando coragem, colocou a mão sobre a coxa de William, apertando-a de leve.
Pode senti-lo prender a respiração por um segundo, mas não a olhou. repetiu o gesto com um pouco mais de força, e dessa vez não houve reação alguma da parte dele, o que a deixou muito irritada. Por que ele estava agindo daquela forma? Horas atrás ele havia a beijado com tanto desejo que se não tivesse conseguido o parar, quem sabe o que William poderia ter feito.
Decidida, levantou a mão puxando com carinho o rosto de William de encontro ao seu. As respirações ficaram pesadas. O brilho da luxúria presente no olhar dele, a fez esquecer os motivos de estar fazendo aquilo. Por um momento, o errado parecia certo. O calor subindo por seu corpo, a mão que William colocou em sua cintura a fez desejar um contato mais íntimo. O sorriso irônico no rosto dele enquanto ela encarava seus lábios não conseguiram levá-la de volta à sua sanidade. Os lábios se encontraram em um beijo, misto de raiva, desejo, batimentos acelerados, roupas arrancadas sem respeito a botões, ou qualquer outro fecho que prendesse suas roupas ao corpo.
Abrindo os olhos em um momento de puro prazer, sentiu sua mente a traindo da forma mais cruel que poderia. Ao invés de seu sequestrador, ela se viu beijando Daniel.

Capítulo 11 - I can live without you, but without you I’ll be miserable at best

Coloquem pra carregar e deem play quando eu mandar, ok?

William olhou para o relógio. Ainda demoraria umas duas horas para amanhecer.
Pegou um pouco de café que havia acabado de fazer e encostando-se contra o balcão atrás de si. Tentou relaxar com o gosto amargo do líquido escuro que não havia sido adoçado, enquanto lembrava do que havia acontecido poucas horas atrás. Ele havia perdido completamente sua consciência, a névoa do desejo o havia cegado. E mesmo quando tentava pensar com clareza, nada fazia sentido.
Sentiu o corpo reagir ao lembrar-se dos lugares que havia tocado, os suspiros que arrancou de , os lábios dela contra a curva de seu pescoço, murmurando que precisava dele mais que tudo. As marcas que havia deixado por todo o corpo dela. Não que também não tivesse lhe deixado marcas... Suas costas ainda estavam ardendo pela paixão com que ela o atacara.
Riu de seu próprio devaneio. Teria sido mesmo paixão? Em uma cama paixão e ódio poderiam ser tão facilmente confundidos...
se entregara a ele, mas algo estava muito errado. Não, ele não estava duvidando que ela tinha aproveitado o momento, mas havia algo por trás disso, por trás de tanta entrega depois de o haver rejeitado. Doía pensar assim. William se sentia cada dia mais encantado por ela. Porém, ainda amava e ele sabia disso, o que não queria dizer que ela não pudesse deixar de amá-lo.
Caminhou vagarosamente até o quarto onde estava dormindo, tão serena. Um feixe de luz havia passado por entre as madeiras que tampavam a janela por dentro refletindo em seu rosto. Ele parou para admirá-la.
- Vai ficar me olhando da porta por quanto tempo? – Will ouviu a voz sonolenta de , apesar de ela ainda estar com os olhos fechados.
- Sabia que quando você está dormindo parece aquelas princesas dos contos bobos de fada que os pais costumam contar pros filhos? – ele perguntou, deitando-se ao lado dela e envolvendo-a com os braços. virou-se para ele, rindo.
- Histórias bobas? Um dia quando tiver filhos você será obrigado a contar uma dessas todas as noites antes de dormir, acho melhor começar a gostar de contos de fada. – os braços de William ficaram tensos ao redor dela e se perguntou o que havia dito de errado.
- Sempre quis ter filhos – ele disse, sem precisar que qualquer pergunta fosse verbalizada – Mas esse era um daqueles assuntos proibidos.
- Como assim assunto proibido? – teve que perguntar quando viu que ele estava perdido demais em seus pensamentos para continuar.
- Rachel é modelo, dizia que não iria ficar gorda e feia, e por conta disso perder trabalhos, para dar a luz a uma criança que nos faria gastar todo o dinheiro que sequer tínhamos, para que um dia ela se rebelasse contra nós e morresse de aids aos vinte anos.
- Deus, essa mulher é muito pior do que eu sequer pensava – disse, horrorizada com o que ouviu. Após um minuto de silêncio, que tipo de pessoa poderia seguir tal linha de raciocínio?
- Você é tão perfeita – William debruçou-se sobre , sem deixar chance para ela falar mais nada, e a beijou. E depois que ele lhe dava o primeiro beijo, ficava quase impossível conseguir parar.
O sol começou a despontar no horizonte, mas os olhos de William não haviam se fechado por sequer um segundo. já estava dormindo há algum tempo, e vê-la daquela maneira, com o semblante tão plácido, inocente, o fazia querer acreditar que tudo havia sido real, que aquilo havia sido mais que um momento. Mas quando se é enganado da primeira vez se torna difícil confiar.
Houve um tempo em que confiara demais nas pessoas, e foi traído. William já não era o homem que costumava ser.
Os avisos do amigo, , voltaram à sua mente, agora mais fracos e nebulosos em sua lembrança.

~ meses antes ~

- Vingança? – perguntou novamente, para ver se realmente havia ouvido bem – Você quer se vingar da Rachel porque ela está te traindo? Hora, Will, peça logo o divórcio, isso é loucura!
- , eu já tenho um plano arquitetado dentro da minha cabeça. Não tente me fazer desistir, será completa perda do seu tempo.
- Will, não acho que você esteja em seu juízo perfeito - disse, analisando o amigo com cuidado.
William o encarou irritado e continuou.
- Eu preciso da sua ajuda!
- Minha ajuda pra quê? Estragar sua vida? Não, acho que você vai conseguir fazer isso sozinho se planeja continuar com essa maluquice!
- Pelo amor de Deus, ! Você sabe como estou me sentindo! Você já passou por isso, e quem foi que te ajudou? Eu estive do seu lado todo o tempo quando você dizia não ver mais motivos para viver.
- Nossas situações são completamente diferentes, Will – falou baixo, tentando não ser levado pelas más lembranças que ele havia bloqueado de sua mente desde que decidira continuar a viver como se nada daquilo houvesse acontecido – Não quero discutir com você, eu vou embora – ele se levantou para sair, mas William o segurou pelo braço.
- , você conhece a sensação. Quando sua vida é uma mentira e a pessoa que você mais amou te trai da forma mais suja possível, eu quero que ela pague. Quero que a Rachel sinta o que estou sentido, que ela veja o mundo cor de rosa em que vive desmoronando também – os olhos desesperados por ajuda de William estavam vermelhos e com olheiras. Era fácil notar que ele passara noites sem dormir.
- Vou te ajudar – respondeu enfim, sentando-se novamente – Mas porque sou seu amigo, e não quero que você se machuque. O que vai acontecer se te deixar sozinho no estado em que está.
- Obrigado, – Will sorriu e tirou algo do bolço da calça, que entregou para , que olhou desconfiado – Quem é essa mulher?
- A esposa traída, ela irá nos ajudar.
- Você já falou com ela? – o outro negou – Então como sabe que ela irá te ajudar?
- irá nos ajudar, eu sei que irá.

Voltando à realidade, Will levou novamente os olhos a , que estava deitada a centímetros de si, o peito subindo e descendo conforme o ritmo de sua respiração. Ela exalava um cheiro doce de rosas, tão gostoso que ele já sentia que não poderia viver sem senti-lo todas as manhãs. Com todo o cuidado possível, William levantou-se da cama, tentando não acordar , apesar de saber que ela provavelmente ainda iria levar algumas horas para levantar depois do calmante que ele havia lhe dado dissolvido em um copo de café, há meia hora. Caminhou até o canto do quarto, pegou a corda que estava jogada. Com mais uns segundos olhando-a, já havia decidido: precisava de muito mais do que uma noite para saber se poderia realmente confiar nela. O melhor é sempre prevenir.

Com a cabeça doendo como se tivesse levado uma pancada, abriu os olhos devagar, se deparando apenas com a escuridão. Tentou levantar, mas algo a impediu. Seus braços estavam presos com cordas. William a havia amarrado novamente. Puxou os braços com mais força com a esperança de que ao menos ele tivesse deixado a corda mais frouxa, mas foi em vão. Tudo havia sido em vão. Seu plano falhou, e suas esperanças começaram a desvanecer.
Ao se lembrar do que havia feito na noite anterior, sentiu o estômago contraiu-se em repulsa e vergonha pelo o que havia acontecido. E tudo aquilo para quê? Não havia conseguido resultados, pois estava de volta às mesmas condições, completamente incapaz de fugir ou pedir socorro. Sentiu os olhos lacrimejarem, mas antes que pudesse soltar uma lágrima viu a figura de William entrar no quart. Ele não fez barulho ou acendeu a luz, ele devia pensar que ela ainda estava dormindo.
respirou fundo vendo mais uma chance de se libertar. Precisava ser forte e continuar tentando ganhar a confiança de William. Sua liberdade dependia disso.
- Você me prendeu – acusou-o quando viu que ele notara que estava desperta.
- Não diga nada, por favor – ele disse baixo, acendendo o abajur ao lado da cama e encarando-a de forma fria.
ficou calada, analisando-o, tentando descobrir o que ele faria. William apenas a olhava analisando seu rosto, como se estivesse procurando algo, alguma pista de suas verdadeiras intenções, qualquer coisa que pudesse condená-la. Ele era mais esperto do que havia imaginado, admitiu para si mesma em silêncio.
- Depois do que aconteceu entre nós, pensei que você... – ela tentou falar, mas se interrompeu ao ver William se aproximar, calmamente, experimentando cada passo. Ele se ajoelhou no chão ao lado da cama.
- E o que aconteceu entre nós ontem à noite? – William sussurrou de forma inquisitória.
- Você sabe o que aconteceu, Will – respondeu, desviando o olhar.
- Eu sei o que aconteceu pra mim – ele sorriu de lado, um sorriso triste e cansado – Mas o que foi pra você?
voltou seus olhos para seu sequestrador. Ele estava abatido, os olhos denunciando seus sentimentos, suplicantes para que ela correspondesse, mas pedindo pela verdade acima de tudo. O que havia acontecido naquela noite? No começo era apenas uma forma de se libertar, ganhar sua confiança e enfim sair daquele lugar. Mas e depois? Ela começou a se lembrar da breve conversa que tiveram sobre filhos, e daquele estranho frio na barriga que sentiu ao ouvir seu desejo de ser pai. Nas entrelinhas: ser amado.
- Real – disse enfim a verdade, que havia tentado esconder de si mesma – Por que não nos conhecemos antes?
- Como assim? – William perguntou, pensativo com a resposta que havia recebido.
- Seria tudo tão simples – sorriu – Eu teria me apaixonado por você, teríamos tido uma família, e nada disso estaria acontecendo.
- Você ainda pode se apaixonar por mim – William murmurou, olhando pro chão.
- roubou meu coração – uma lágrima traiçoeira ameaçou cair – E por mais que eu o odeie e nunca mais o queira ver na minha frente, me sinto presa a ele, de uma forma estranha, surreal. Não sou capaz de amar qualquer outra pessoa, por mais que deseje isso com todas as minhas forças.
Por alguns instantes os dois ficaram apenas se olhando, no mais completo silêncio, talvez apenas desejando que tudo fosse diferente. William foi o primeiro a quebrar o contato visual, soltando um alto suspiro. Ele passou as mãos pelo rosto, se levantou e saiu do quarto sem olhar para trás.
- Vou fazer seu café da manhã – ouviu-o dizer, já do corredor.

Havia sido um longo dia de buscas.
havia perdido a conta de quantas casas haviam visitado. Provavelmente foram atrás de todos os amigos de William, conhecidos, amigos de conhecidos... Chegaram até a ir à casa de uma tia idosa que, segundo Rachel, ele visitava todos os domingos, mas ninguém tinha ideia de onde ele pudesse estar. Chegar em casa e saber que não estaria lá era a sensação mais lancinante que jamais sentira. Era um pedaço de si próprio que não estava ali. Sem ela, algo sempre iria faltar.
Subiu com pressa as escadas que ligavam ao andar superior, mas parou na porta do quarto. Seu olhar preso na cama de casal vazia, aquela angústia que parecia fazer parte de si o engolindo por completo. O relógio na cabeceira da cama marcava vinte horas. Já estava escuro do lado de fora, mas se não fosse pela insistência de ele provavelmente ainda estaria lá, andando pelas ruas de Londres procurando por alguma pista do paradeiro de sua esposa. Tentando não pensar em mais nada, entrou no quarto e jogou-se na cama. O celular começou a vibrar novamente no bolso da calça, mas não se deu ao trabalho de olhar quem era. Provavelmente era sua família querendo saber se tinham resolvido as coisas depois do aniversário desastroso de seu avô. (N/A: coloquem a música pra tocar)
Seu corpo doía, mas não tanto quanto a cabeça. Sentando-se na cama, tirou a blusa que usava jogando-a no meio quarto, o retrato de que ficava ao lado do relógio parecia estar encarando , acusando-o por seus pecados. E foi nesse momento que ele não aguentou mais, quando sentiu suas forças desaparecerem.
- Me desculpe - puxou o retrato para si, apertando-o contra o peito, levando-o aos lábios – É tudo minha culpa.

Now you say you're lonely (Agora você diz que está sozinho)
You cried the long night through (Você chorou durante toda noite)
Well, you can cry me a river (Bem, você pode chorar um rio)
Cry me a river (Chore um rio)
I cried a river over you (Eu chorei um rio por você)

Now you say you're sorry (Agora você diz que sente muito)
For being so untrue (Por ser tão falso)
Well, you can cry me a river (Bem, você pode chorar um rio)
Cry me a river (Chore um rio)
I cried a river over you (Eu chorei um rio por você)

Lágrimas.
não se lembrava da última vez em que havia chorado daquela forma. Provavelmente quando criança, na época em que chorar era apenas uma forma de demonstrar seus sentimentos. Mas quando se torna adulto, o choro é sinônimo de fraqueza. Homens nunca choram, mesmo que estejam morrendo por dentro. Só que naquele momento era a única coisa que conseguia fazer.

You drove me, nearly drove me, out of my head (Você me deixou louco, perto da loucura, fora de mim)
While you’d never shed a tear (Enquanto você nunca derramou uma lágrima)
Remember, I remember all that you said (Lembre-se, eu lembro de tudo o que você disse)
You told me love is too plebeian (Você me disse que o amor era plebeu demais)
Told me you were trought with me and (Disse que estava aqui comigo e)

Ele se arrastou até o banheiro, ainda segurando o porta-retrato junto ao peito, chorando, soluçando, em uma cena digna de pena. Tirou o resto da roupa que restava e entrando embaixo do chuveiro, esperou que a água levasse a dor.
Porque era sua culpa.
não estava ali porque ele havia a traído, porque ela não confiava mais nele e por isso se envolveu com um psicopata. Agora ela havia sumido. E se estivesse machucada? E se William tivesse feito algo a ela por pura vingança? Deus, ele não iria suportar! Preferia morrer a viver sem , e quando a encontrasse faria de tudo para que ela acreditasse.
Apenas mais uma chance, era tudo o que precisa. Mais uma chance de ter de volta em seus braços, poder abraçá-la forte e lhe dizer o quanto a amava, pedir desculpas por tudo o que havia feito, por todas as lágrimas que ela derramou, por todo sofrimento que ele a fez passar.
Mas e se...
- E se ela não me perdoar? – murmurou, pondo seus pensamentos em palavras.

Now you say you love (Agora você diz que me ama)
Well, just prove that you do (Bem, apenas prove isso)
Come on, and cry me a river (Venha e chore um rio por mim)
Cry me a river (Chore um rio)
I cried a river over you (Eu chorei um rio por você)

bateu a cabeça contra o azulejo frio e por alguns segundos ficou imóvel, apenas deliciando a sensação da dor que veio forte em sua cabeça. Quando se afastou e levou a mão à testa, percebeu que estava sangrando. Mas não se importou, pois estava miseravelmente perdido e a única coisa que estava clara em sua mente era que não importava o que tivesse que fazer para conseguir, ele encontraria . E quando enfim pudesse colocar as mãos em William, o faria sofrer em dobro o que estava sentindo naquele momento.




CONTINUA


N/A: Heeeey pessoal! Tudo bom ae? Nos desculpem pela demora, estávamos muito enroladas mesmo, mas afinal, quem não fica meio desorganizada com vestibulares pra fazer e afins? Vamos tentar atualizar mais rápido ok? ;) Esperamos que gostem e nos digam o que estão achando tá? Bjs, Jessie

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