Sidewalk

Autora: Allie
Status: Em Andamento
Revisada por: Pam
Categoria: McFLY
Sub-Categoria:Comédia Romântica + Longfic
Comentários:




ONE
“Dreams in a strange town”
(Sonhos em uma cidade estranha)

Ali estava eu, em uma cidade que eu não conhecia, em uma rua deserta. O sol me dizia que deviam ser cinco horas da tarde, mas ninguém estava na rua, ninguém falava nada. Eu não sabia o que fazia ali então eu gritei por alguém e foi aí que todas as janelas das casas se abriram e vários rostos contentes e, devo dizer, medonhos saíram. Eles me viram e gritaram meu nome,saindo imediatamente para fora,em poucos minutos toda aquela cidade estava ao meu redor gritando,tirando fotos e pedindo meu autógrafo. Eu não entendia nada e só pedia para eles me dizerem onde eu estava,mas minha voz foi ficando falha e eu fui engolida pela multidão.

Nossa,o que é isso? De onde vem a Hayley do Paramore cantando? Abri meus olhos lentamente, pois eles estavam pesados. Comecei a enxergar minha parede roxa, meus posters... Enfim, meu quarto. Argh, preciso desligar esse despertador ou a Hayley vai acabar com meus ouvidos. Dei um tapa no botão do despertador e suspirei aliviada. Bom, que dia é hoje? Sábado foi dia 3... então hoje é dia 5, ótimo. O que irei fazer? Pensei um pouco e quase tive um treco quando lembrei que hoje era o meu teste para entrar na companhia de canto! Por que eu achava que eu estava em Londres? Para andar de ônibus? CLARO QUE NÃO, ! É para seguir seu sonho e ser alguém na vida!
Levantei voando, porque correndo era pouco,e quase caí em um bolo de roupas que estavam no chão. Minha cabeça girou,isso que dá beber com a e a , um dia, antes de a minha vida ser decidida, vou falar para elas pararem de querer comemorar coisas antes delas acontecerem! Entrei no banheiro, escovei meus dentes e tomei um banho super rápido. Passei uma escova no cabelo e fui para o quarto colocar uma roupa, depois bebi um copo e água e saí. Sim, eu saí sem comer, pelos seguintes motivos:
1-eu não tinha tempo
2-eu bebi na noite passada,vai que eu passo mal porque comi?Nunca se sabe
3-eu não quero vomitar no teste por causa de nervosismo.

Enfim,motivos idiotas,mas eu não comi e ponto. O elevador colaborou e logo eu já estava na rua pedindo um táxi. Cheguei no estúdio 20 minutos depois, entrei e falei com a recepcionista que eu ia fazer o teste e blábláblá. Ela me mandou esperar a minha vez e assim eu o fiz, esperei uns 15 minutos até que uma garota saiu de uma sala e mandaram entrar o próximo, que era eu.
Na sala havia três pessoas,duas mulheres e dois homens,sentados em uma mesa cumprida de frente para mim. Eles foram simpáticos e fizeram algumas perguntas como meu nome,onde nasci,minha idade,o que eu gostava de cantas etc...
Depois me pediram para fazer alguns exercícios de voz e eu o fiz com a maior concentração possível,tentando impulsionar a minha voz ao máximo. Quando terminei,percebi que tomaram algumas anotações,eu não vou mentir dizendo que não fiquei nervosa,porém eu respirei fundo e tentei não olhar para as expressões deles enquanto anotavam.Após esse período horrível,que foram segundos,a primeira mulher me pediu para cantar uma música de minha escolha,eu escolhi “Homecoming” da banda Hey Monday pois eu a conhecia muito bem e não ia querer impressioná-los com músicas difíceis e acabar me ferrando no final. Quando eu acabei ouvi alguns elogios baixos como “bom”,”interessante” e “ótimo” e fizeram suas anotações. Por fim,o homem se pronunciou e me perguntou:
- Então, , você conhece a banda McFLY?
Eu estanhei a pergunta dele e não entendi o propósito.Como dizer para aquele senhor que eu era louca por McFLY desde que eu morava no Brasil,que eu não conseguia parar de ver fotos deles, que a minha melhor amiga era do Wonderland,que eu passava horas rindo dos vídeos,que eu seguia todos eles no twitter,que eu quase morri quando o e o me aceitaram no facebook, que eu tinha um “canyon” pelo e milhões de outras coisinhas?
- Sim,conheço. - respondi,tentando ignorar as milhões de respostas histéricas que me vinham em mente
- Ótimo,gosta das músicas?
Engoli milhões de respostinhas de fã e respondi:
- Muito,acho que eles conseguiram combinar várias tendências e como resultado tiveram um som único.
As mulheres fizeram anotações e o homem me disse que ia colocar uma música da banda para eu fazer os backing vocals do meu jeito.Então ele tocou “Do Ya” e eu não pude deixar de sorrir, porque eu sabia exatamente o que fazer,ou melhor, sabia o que eles iriam querer que eu fizesse.Vi dando instruções no Dvd de live at Wembley.
Então eu me diverti cantando aquela música como nunca, só havia o McFLY e eu naquela sala, minha voz completando as deles numa sintonia perfeita. Quando abri os olhos, a música terminou e vi sorrisos nos rostos daquelas três pessoas na minha frente. Eles me comunicaram que o teste havia acabado e que o resultado saia amanhã, se eu tivesse conseguido eles me ligariam.
Quando saí da sala, respirei fundo e um sorrisinho estranho brotou em mim. Dei passagem para um garoto gordinho que provavelmente ia fazer o teste também,ele me olhou nervoso e eu tentei passar calma para ele.

TWO
“Wonderful Surprise”
(Surpresa maravilhosa)

Logo eu estava na rua e o vento batia leve, penteando meu cabelo. Resolvi ir andando para casa e fazer um exercício básico, liguei meu iPod e coloquei meu fone de ouvido. Fui ouvindo musica até chegar em casa, abri a porta e fui direto para a cozinha. Coloquei o iPod na bancada e fui ligar o som ouvindo Ke$ha - Tik Tok. Eu não conseguia não dançar com a música.
Então a campainha tocou e eu ouvi uma maluca gritando: Desliga essa música, odeio ela!
Eu ri e fui abri a porta e lá estavam minhas vizinhas e melhores amigas e .
- Há, até parece . - respondi rindo quando ela passou dançando.
- E aí, amiga! Como foi o teste? - perguntou me abraçando.
- Há, acreditam que eles me pediram para cantar McFLY? - respondi rindo.
- Então já sabemos que você arrasou! - gritou ainda dançando no meio da minha sala.
- Mas tinha algum propósito, ? - perguntou pegando alguns sucrilhos do meu potinho sagrado, já disse que odeio dividir comida? Sim, odeio, mas fiquei quieta, eram minhas “irmãs”.
- Achei estranho também, mas não tenho a mínima idéia.
- Don’t stop, make it pop! - gritava.
- Primeiro ela diz que o som ta alto, agora ela grita mais que a música! - disse rindo e se aproximou de e a empurrou.
- EI! - revidou e assim começamos uma guerra de empurra-empurra.
Almoçamos juntas e depois cada uma foi para o seu trabalho chato, porém necessário. trabalhava em uma loja de roupas, em uma de cd’s e eu no Starbucks. O meu trabalho era o menos glamuroso, mas era o mais gostoso, às vezes eu nem pagava pelo muffin.
Não vou relatar minhas horas de trabalho e nem como cheguei em casa e caí morta na cama. Naquela noite eu voltei para aquela cidade deserta e novamente eu gritei por informações, mas dessa vez não veio uma multidão para cima de mim e sim um homem lindo de cabelos castanhos escuros e olhos azuis vibrantes. Ele se aproximou sorrindo sincero e me deu a mão, eu aceitei sem pensar duas vezes.
- The world would be a lonely place, without the one that puts a smile on your face. - ele disse caminhando ao meu lado,segurando minha mão.
- Ãhn? Que? – perguntei.
- So hold me 'til the sun burns out. - ele gritou.
Acordei em um pulo e meu despertador tocava “I’ve got you” do McFLY, claro. Inclusive pude entender meu sonho, aquele homem perfeito era .
Não desliguei meu despertador e cantei junto enquanto vestia uma regata preta e um shorts jeans surrado. Depois fui para a cozinha e bebi um copo de leite com, claro, muito achocolatado.
Voltei para o meu quarto e liguei o notebook e fui direto para o twitter, que fazia meses que eu não entrava por causa das aulas de canto, do trabalho e da preparação para o teste de ontem. Fui lendo todos os tweets até que parei no do que dizia qualquer coisa sobre ele ter visto gravações do teste para backing vocal da turnê deles e que já tinham escolhido três pessoas.
Minha barriga revirou o leite e eu tentei não fantasiar com a idéia de que o teste que eu tinha feito ontem era para viajar com o McFLY. Tá, viajar não, mas ser backing vocal de turnê exige que se viaje junto.
Saí do apartamento e bati no do meu lado, que era o de . Demorou um pouco mas eu ouvi um “JÁÁ VAAI” e logo uma abriu a porta.
- Tá, não sou só eu que não consegue dormir e acorda antes das nove horas. Entra aí, doida.
Entrei no seu lindíssimo e super decorado apartamento. Nas paredes havia cd’s metalizados que faziam uma decoração super diferente, eu adorava seu sofá colorido e sua TV gigante.
- Então, você está estranha, fala logo! - ela me disse sentando no sofá azul.
- , você já viu o que o postou no twitter dele hoje?
- Pera aí, eu tava entrando no twitter, vou pegar meu notebook.
Dizendo isso foi até seu quarto e pegou o notebook prata, sentou-se no sofá e entrou no twitter. Comecei a contar mentalmente e parei no 20 quando ela deu um grito.
- MEU DEUS! VOCÊ FEZ UM TESTE PARA SER BACKVOCAL DO MCFLY! - ela gritou.
- Então, eu não tenho certeza! Para mim era um teste pra entrar para a companhia... – respondi.
- É muita coincidência, amiga! Tem que ser isso que o falou! - ela continuava falando alto.
- Será? Tipo, eu também acho que é muita coincidência, principalmente porque eles me perguntaram sobre a banda!
- Então! Ahhh, você vai ter que me apresentar, entendeu? - agora pulava na minha frente
- , eu nem sei se é isso mesmo e pior, nem sei se passei! – respondi.
- Mas é mais do que obvio que você passou! Eles vão te ligar?
- Aham! Ai, estou super ansiosa. - respondi sentindo meu estômago revirar.
- Ai, ! Imagina eu conhecendo o meu ? - agora estava em outro mundo, provavelmente imaginando o na sua frente.
Aliás, não gostei da parte do ser dela, pois ele também era meu favorito absoluto.Tudo bem que eu facilmente pegaria o e não recusaria o e muito menos o .

- Dá pra dividir o aí? - perguntei rindo.
- Com licença, . Estou brisando.
E assim passamos o tempo rindo, não fomos ao apartamento de porque se ela não dorme tudo o que precisa o mau humor aparece com tudo e aí fica assim o dia inteiro.
Ficamos, então, no meu apartamento esperando a ligação que nunca acontecia e quando deu 2 horas da tarde, saí para o meu trabalho, pelo menos eu me distraia.
Então a tarde passou lenta e cada cliente que entrava eu me sentia mais indisposta para atender. Depois de milênios naquele lugar, deu o meu horário e eu fui embora voando, cheguei em casa e fui tomar banho, pois não havia nada na caixa de mensagens do meu telefone e no banho eu ouviria o toque.
Acabou que eu tomei um banho de meia hora e não ouvi telefone algum. Ok, desista , você não foi escolhida nem para a companhia nem para o McFLY.
Fui para a sala e apaguei todas as luzes. Liguei a TV e fiquei vendo um filme X na TV, só para esquecer um pouco tudo que estava acontecendo, ou tudo que não ia acontecer.
Mas então meus olhos começaram a ficar irritados com uma luzinha verdinha chatinha em algum lugar da sala. Fui até ela e vi que era do telefone,ou melhor,da caixa de mensagens! Minha mão tremia mas apertou rápido o botão e assim, a melhor coisa da minha vida aconteceu devido a essas palavras:
- Srta. ? Aqui é Valéria da “Voice” e eu venho em nome da comissão dizer que a senhorita passou no teste para ser backing vocal da banda McFLY. Venha amanhã às 10 da manhã aqui no estúdio para uma reunião de boas vindas. Parabéns.

THREE
"Today is your day"
(Hoje é o seu dia)

Tipo, eu surtei. Aliás, quem não surtaria? Tudo que eu havia feito na minha vida, até aquele momento, era para aquilo! Era para ser aceita na companhia. O melhor de tudo é que além de eu ter sido aceita eu ia trabalhar com a minha banda favorita!
Eram quase 10:30 da noite quando eu não me agüentei e bati na porta das minhas vizinhas e melhores amigas e depois de irmos ao meu apartamento, eu contei tudo para elas.
- AHMEUDEUSDOCÉU! - gritava .
- Não falei, ? Parabéns! -gritava .
- Nós TEMOS que comemorar! - disse pegando uma garrafa de vinho.
- Uia, com vinho? Que chique! - riu .
- Claro, agora a vai ser pop! - Agora enchia três taças até a boca, quase caindo para fora, enquanto ligava o som.
- Gente, amanhã eu tenho que estar lá de manhã e já é tarde... - eu dizia quase que indo contra ao que eu queria.
- Ah, vá! A gente bebe pouco e coloca o som baixo! Põe “Do ya”, !
Então colocou McFLY para tocar e a gente dançou, cantou, brincou e bebeu até 1 da manhã, quando apagamos a luz da minha sala. Eu, responsável, lembrei de ligar o despertador para não me atrasar no meu grande primeiro dia.

Acordei com “Hawk Nelson” tocando no meu despertador, “Bring ‘Em Out” era uma ótima musica para começar o dia. Eu tinha mais ou menos duas horas para me arrumar e controlar o meu nervoso, que estava me matando. e acordaram comigo e enquanto uma vazia o café da manhã, a outra foi me ajudar a escolher a roupa. Eu coloquei uma calça jeans desbotada, all star preto e uma regata preta, discordou da minha produção, mas eu e achamos que estava bom para não chamar muito atenção. Assim, comemos sucrilhos com leite e após milhares de “boa sorte” eu fui para a tal “reunião de boas vindas”.
Quando cheguei falei com a secretária e ela me mandou entrar em uma sala, que dava para o auditório. Quando entrei, as 8 pessoas que ali estavam olharam para mim e a mulher que fez o teste comigo falou alto:
- Bom, nossa última escolhida chegou! Venha aqui para eu te apresentar.
Então, ela me apresentou para várias pessoas e os meus colegas de trabalho, Lisa e Ian. Lisa me pareceu meio seca (não só de corpo HAHAHA) e totalmente metida, do tipo de pessoa egoísta e autoritária. Ela tinha uma pele de pêssego, olhos chocolate e cabelos da mesma cor que caiam por sobre seus ombros. Era alta e muito magra. Ian era aquele gordinho que veio depois de mim, fiquei feliz que ele passou. Não tive nenhuma opinião formada de Ian logo no primeiro momento, mas ele era muito fofo e tinha uma risada escandalosa.
Depois de uma meia hora, chamaram a gente para sentar e começar a reunião. Então nos explicaram as regras (inclusive me senti no jardim de infância com regrinhas de convivência), os horários dos ensaios sem e com a banda (OMG!), os dias da turnê, as viagens e sobre a festa daquela noite...FESTA?
- Sim, hoje vamos dar uma festa para vocês se conhecerem melhor e para conhecerem a banda. Todo ano fazemos isso e tem dado muito resultado. Acho que todos merecemos, não? - disse Sra. Paloma, uma das responsáveis pelo grupo.
Depois da reunião todos foram dispensados e nos encontraríamos às 8 da noite numa boate famosa de Londres, que eles fecharam para a gente.
- E aí, vocês vão na festa? - perguntei na saída para Lisa e Ian.
- Claro, né? Acha que eu tenho algo melhor para fazer do que ir a uma boate com quatro caras gatos? - respondeu a antipática da Lisa.
- Eu também vou! - respondeu Ian
- Ah, eu perguntei só para ser simpática, também não perderia nunca essa festa. - Eu disse, meio que imitando o jeito dela.
- Então nos vemos lá. - disse Lisa entrando no táxi que havia acabado de chegar, forçando um sorriso.
Me despedi de Ian, que nem respondeu, e fui andando para casa.
Quando cheguei, liguei para o meu trabalho e avisei que não iria. AH QUAL É? Eu tinha que me arrumar para uma festa com a minha banda favorita, desculpa ai! Depois, liguei o PC e entrei no twitter e postei : Tudo que eu mais desejo é que hoje seja a melhor noite de todas!
E depois fui ver o que o postou e, claro, quase caí de costas.Ultimamente os posts do me deixavam em choque. Nesse último ele dizia que acabou de ver as fotos e trechos dos testes de quem foi escolhido (e onde fica a privacidade do meu teste?) e que estava ansioso para conhecer as três pessoas.
Aí eu fiquei apertando atualizar até aparecer o de novo dizendo que ia para a casa do .
A tarde passou lentamente,principalmente porque hoje as minhas amigas voltavam tarde do trabalho, então eu simplesmente fui me arrumar sozinha. Não darei detalhes do processo,direi somente que deixei meu cabelo solto, vesti um vestido preto que ficava na metade da coxa e pouco decotado e um sapato de salto vermelho, lindíssimo, aliás.
Quando saí, grudei um bilhetinho na porta, caso minhas amigas viessem perguntar como foi o primeiro dia, não era justo esconder delas uma ocasião dessas. O bilhete dizia exatamente: O primeiro dia foi melhor do que eu esperava, tão bom que fui convidada para uma festinha de última hora e adivinha quem vai estar lá? Me liguem! Ass:

O elevador demorou séculos e eu comecei a ficar realmente estressada, pois aquilo iria me atrasar horrores! Comecei a andar de lá para cá, como eu sempre fazia quando ficava nervosa, e me controlei muito para não roer todo o esmalte preto das minhas unhas. Depois de alguns séculos o elevador finalmente chegou e fiquei feliz por ele não ter parado em nenhum andar. Porém,quem disse que os táxis iam colaborar com a minha pressa? A festa já havia começado há 20 minutos e eu ainda estava lá gritando por um táxi,que passavam como borrões amarelos por mim.
Logo vi o lugar, pois estava lotado de gente na porta, fiquei em uma fila por uns segundos e fui dar meu nome para a recepcionista que estava na porta, controlando a entrada:
- . - eu disse toda afobada.
Ela procurou e logo achou, por que estava nos nomes de honra! Sim, eu fiquei olhando descaradamente.
- Você está muito atrasada, Srta . - disse a mulher.
- Eu sei, eu sei! Mas você imagina que eu fiquei um tempão esperando o elevador e um táxi? - eu disse, super brava lembrando do que havia passado. - Só faltava eu rezar! Estava quase fazendo isso,,juro!- e então eu fechei as mãos como se estivesse rezando para explicar minha situação.
A recepcionista riu e me pediu calma, logo em seguida me mandou entrar dizendo um: Boa Sorte.
O lugar era simplesmente maravilhoso! Era grande e estava repleto de pessoas lindas, algumas sentadas, outras em pé conversando. Havia um bar super luminoso também, onde um grupo pegava seus drinks coloridos, tudo muito calmo e sofisticado. O lugar tinha um tom de azul deslumbrante.
Eu estava simplesmente perplexa e já estava me esquecendo do horário,quando senti uma mão no meu ombro, seguida de uma voz que eu, apesar de saber que já a havia ouvido, não sabia de quem era.
- Oi!
Assim que me virei, meu estomago fez o mesmo,s ó que mil vezes mais forte. Aquela mão, aquela voz, aquele sorriso e aqueles olhos eram de .

FOUR
"Bad impressions on a good day"
(Impressões ruins em um dia bom)

Ok, para tudo. O que estava fazendo falando comigo? E que sorrisinho era aquele? Ah, senhor , você e sua mania de gatinho da sedução, não sabia que eu fazia seu tipo... se bem que mulher é o tipo dele Aliás, você está muito metida , quem disse que ele estava dando em cima de você? Ri de nervoso por dentro e minha cabeça pensou milhares de outras coisas, parecia que eu estava morrendo e comecei a ver toda a minha vida. Ora, que macabro isso, garota.
Ouvi um pigarro e afastei a tagarelice de minha mente.
- Então, você sabe que essa festa é só para convidados, não? - perguntou ele sorrindo.
Estranha essa frase.
Nesse segundo ouvi anunciarem as pessoas que eles queriam no palco.
- Peço agora que subam no palco os responsáveis por essa noite, os privilegiados!
- Eu não pude deixar de notar que você implorou para a moça da porta que a deixasse entrar. - continuava falando e eu não sabia se começava a rir ou se dizia logo quem eu era. Era engraçado ver que ele, nem por um segundo, pensou na opção de eu ser mesmo uma convidada e não uma groupie.
- Senhorita Elizabeth Krtuh Oniviera, por favor! Aplausos para ela. - e logo ouvi vários aplausos.
- Mas sabe, eu posso te deixar ficar na festa se você prometer ficar comigo... - Agora se aproximava, seu perfume era tão gostoso, melhor do que eu imaginava.
- Senhor Ian Miltcheviski! - e ouvi mais aplausos.
- O que acha? Aliás, qual o seu nome? - ele se aproximou e riu, como se a pergunta fosse irrelevante.
Eu sorri e olhei por cima de seu ombro, vi falando algo para e e em seguida eles começaram a rir muito.
- Hey, estou falando com você! - agora estava impaciente.
Me afastei um pouco e pude ver a confusão em seu rosto, aquilo me deixou estranhamente feliz.
- . - eu gritei indo em direção ao palco que agora anunciava meu nome.
- Senhorita , suba aqui, por favor.
Atrás de mim deixei um se remoendo com a sua gafe e sendo muito zoado pelos guys, provavelmente sabia quem eu era e deixou que o amigo se ferrasse.
Subi no palco, senti minhas pernas vacilarem um pouco e logo depois se fortalecerem, ouvi muitos aplausos e não pude deixar de sorrir. Me posicionei ao lado de meus companheiros de trabalho e fiquei lá, durante meia hora, com meus pés latejando, ouvindo o Senhor Osvald falando sobre a história da companhia e como é gratificante trabalhar com o McFLY. Só depois de meia hora é que ficou interessante.
- Então, peço para que subam no palco os meus amigos,as pessoas que admiro: , , e .
Devo dizer que os aplausos agora foram bem mais fortes e foi lindíssimo ver eles subindo no palco e agradecendo.
- Muito obrigado pelas palavras, ficamos muito contentes com a seleção, Osvald. Confiamos em vocês e não nos decepcionaram. - disse .
- Exatamente. Eu vi partes dos testes de quem foi selecionado e já sabia quem eram, isso foi muito bom, pois eu não correria o risco de confundir. - disse , tentando fazer uma piadinha, que ninguém entendeu, olhando discretamente para , que desviou o olhar.
Depois disso cada um foi cumprimentar a gente.
- Seja bem vinda. - disse apertando minha mão e me dando um beijinho.
- Hey, é a garota do . - esse foi , o engraçadinho. Ele apertou minha mão e me deu beijinho.
- Muito bom seu teste, . Desculpe pelo , mas foi engraçado. - disse para mim quando veio me cumprimentar.
Agora era a vez de , ele meio que demorou, acho que estava tentando me evitar. Mas então, ali estava ele, na minha frente, me olhando nos olhos. Agora o olhar dele era calmo e sincero.
- Bem vinda e desculpa por aquilo. - ele disse sorrindo sem jeito, mas ao invés de apertar minha mão, ele me deu um beijinho seguido de um meio abraço. Foi bom, eu admito, fiquei boba.
- Bom,agora podemos voltar à festa! Muito obrigado! - anunciou o Senhor Osvald, descendo do palco.
Agora eu estava no meio da pista, todos dançavam e só eu estava parada feito idiota. Procurei Lisa e Ian, mas não adiantaria nada, pois acho que eles não foram muito com a minha cara.
Peguei minha bolsa na chapelaria e fui no banheiro, provavelmente haveria milhares de ligações perdidas de duas pessoinhas ansiosas. O banheiro estava vazio, encostei na pia e fui ver meu celular. Era incrível, contando certinho haviam 23 ligações perdidas dos números : cel, cel, home e home. Eu comecei a rir sozinha imaginando o estado delas quando viram meu bilhete e o estado delas agora. Sem mais delongas disquei o numero de , que atendeu no primeiro toque:
- ,ONDE VOCE ESTAVA? - essa era gritando.
- PASSA ESSE TELEFONE PRO AGORA! - agora também gritava e ria.
- Acalmem-se! - eu ria muito.
- ME ACALMAR? CONTA LOGO E PARA DE RIR! - disse .
- Então, primeiro desculpa por não ter avisado, foi muito em cima da hora, gente!
- Tudo bem, desde que você convide a gente para a próxima festa... AGORA CONTA LOGO! - estava surtando e , ao fundo, murmurava qualquer coisa sobre eles serem gostosos.
- Ok. Aconteceu uma coisa muito cômica, o me confundiu com uma fã quando eu cheguei e começou a dar em cima de mim, tudo armação do que não contou que eu era quase o motivo da festa. Nossa, eu queria rir muito quando o veio todo sedução “pegael“.
Pensei que a ligação havia caído porque nenhuma das duas responderam nada - ... gente? – perguntei.
- AH-MEU-DEUS! - Gritou do nada e atrás uns gritos sem noção de
- Pede para ela continuar!
- A pediu para você continuar!
- Aí quando ele perguntou como eu me chamava, coincidentemente anunciaram meu nome para ir ao palco e foi aí que ele percebeu a gafe! Eu sai, absoluta, para o palco e ele ficou lá, com cara de tacho no meio dos amigos que riam muito!
- E aí? E aí? - falaram as duas juntas.
- Aí nada. Desci do palco e vim direto pro banheiro, estou me sentindo meio excluída, acho que vou embor...
- NÃO! - fui drasticamente interrompida por um grito .
- Sério, meus colegas de trabalho não foram com a minha cara - falei meio triste.
- Como se você ligasse, ! - disse . É, eu nunca liguei para essas coisas.
- Volta para lá e trate de fazer amizade com o McFLY, entendeu? ENTENDEU?
- Entendi, , mais alguma coisa? - perguntei irônica.
- Claro, trás um deles, ainda não comi a sobremesa...
- ! - falamos eu e ao mesmo tempo.
- Ah, vá! Vai dizer que vocês não gostar... AI!
- Então, ! Divirta-se! Qualquer coisa liga, beijão! - disse , acho que ela roubou o telefone da . Essa é genial.
Desliguei o telefone e o coloquei na bolsa, depois me olhei no espelho e ajeitei o cabelo e a maquiagem. Saí e coloquei minha bolsa novamente na chapelaria, me virando para encarar todas aquelas pessoas novas.
Realmente eu não me encaixava ali, todos já estavam em grupinhos, parecia aquela coisa chata de primeiro dia de aula, sabe? Que você fica olhando para ver se alguém de “adota” e todo mundo se fecha em “panelinhas” no maior papo. Nada mais frustrante.

FIVE
"You’re on the group, aren’t you?"
(Você está no grupo, não está?)

- Hey, ! - Hm, alguém tava me chamando ou havia mais uma ? Olhei para a direção da voz e minhas pernas tremeram. Será que esses caras do McFLY podiam parar fazer isso comigo?
- Oi, . - eu respondi indo em direção de , que estava com e . Me pergunto onde o estava... Ok, eu não queria saber.
- Senta aí, garota do . - disse olhando para um espaço vago ao lado dele. Eles estavam sentados em um sofá vermelho escuro de veludo, um luxo.
Sentei e olhei para eles, que me encaravam. Aquilo era tão estranho para mim, estar sentada com três dos meus maiores ídolos! Além disso, eu não fui ao hotel deles ou os segui na rua, nada disso, eles me chamaram! Ok, parei de ser totalmente metida.
- Então... Você canta muito bem, é inglesa mesmo? - perguntou , me pergunto o que tem o “cu com as calças“, mas enfim.
- Obrigada e não, não sou Inglesa, sou brasileira. - respondi.
deu um sorrisinho e soltou um: UOW! Olhei toda confusa para , que reação era aquela? Parece que sou uma espécie de caipirinha para eles.
- Agora explica, . - disse todo envergonhado.
- Gostamos de brasileiras, sabe? Principalmente o ... Você tinha que ser a garota dele mesmo! - falou todo feliz e sorridente no maior estilo .
Tá, qual é a do “garota do ”? Já é a terceira vez que ele cita isso. Não dá mais para ignorar!
- Garota do ? – perguntei.
- Ele vai zoar vocês dois agora pelo resto da vida, . - abriu a boca pela primeira vez.
- Não tenho culpa por aquilo – respondi.
- Mas foi engraçado! - riu .
- Realmente. - eu ri também.
Sabe quando você está no elevador e começa uma conversa sobre o tempo e depois que acaba o assunto, um silêncio horroroso se instala? Bom, aqui está uma situação parecida.
- Cadê o , dude? - perguntou quebrando o silencio.
- Foi se esconder no banheiro depois daquela gafe.- riu .
Tentei rir, mas não ouvi nenhum som saindo da minha boca. Onde estaria o e, melhor, o que ele estaria fazendo? Não era muito difícil deduzir.
- Não sei não. - eu, sem saber como, disse.
Eles olharam para mim, querendo que eu continuasse a expor minhas deduções, mas eu não o fiz.
- Viu! Eu falei para o que essa fama dele já pegou!- disse o meio escandaloso.
Então ficamos conversando por muito tempo, quase que na intimidade já, eles já me chamavam pelo apelido. Os guys eram exatamente o que eu achava que fossem e devo dizer que eu e nos demos muito bem, ele era super engraçado e muito fofo.Estava quase na hora de eu ir embora, quando finalmente aparece, meio bêbado e com o cabelo desgrenhado.
Eu e ,que estávamos rindo alto, paramos e olhamos para ele, como faziam e .
- Que foi? Vamos embora logo? To morto. - disse se jogando ao meu lado, forçando um espaço que quase não existia.
- Onde você estava,dude? - perguntou .
Ele falou algo inaudível e olhou para mim, aquele cheiro de álcool me deixou tonta. Então ele jogou o braço em cima de mim, caindo, pesado, no meu colo.
- Você sabe, né? Tava lá com uma gostosa. - disse soltando aquele bafo de álcool em mim. Ok, nojento. - Mas se quiser - ele continuou, cheirando meu pescoço - eu posso pegar outra, ainda tenho fôlego para mais uma.
Minha reação? Nenhuma. Acho que nem sei explicar o que eu senti, um misto de decepção com nervosismo.
- , de boa, você ta bêbado. - se levantou e começou a puxar o amigo, que não queria desgrudar de mim.
- Ela é muito boa... Eu já tinha percebido. - lambia meu pescoço e eu me arrepiei toda, não sabia o que fazer então fiquei ali, uma estátua sendo abusada. Legal, .
Agora e estavam de pé, ao lado de , puxaram , que levantou com ajuda dos amigos.
- trabalha com a gente agora, .Vê se respeita. - falou levando o amigo para a porta - A gente se vê, ,desculpe de novo por esse idiota.
Eu tentei sorrir, mas acho que pareceu super forçado, e acenei. também disse tchau e acompanhou , só não seguiu imediatamente os amigos.
- Desculpe mesmo pelo , ele não costuma ser assim, viu?- disse ele passando a mão no cabelo meio que em um ato de quem está sem graça.
- Tudo bem...- eu disse tentando parecer calma.
- Bom, foi ótimo te conhecer. A gente se vê, .
Então me deu um beijo na bochecha e seguiu apressado pelo mesmo caminho que os amigos fizeram.
Fiquei mais algum tempo na festa, sentada, sozinha, naquele sofá, até que decidi ir logo para casa pois o dia seguinte seria quinta, ou seja, dia de trabalho.
Pedi um táxi e nem lembro do meu trajeto, só sei que acordei na minha cama ainda vestida como na noite anterior, meu corpo doía.
Gemi alguma coisa que nem eu mesma entendi e desliguei o despertador que tocava P!nk, Sober. Fui ao banheiro e nem me olhei no espelho, sabia que me assustaria. Fiquei mais tempo do que eu precisava no banho e fui para o quarto me trocar, coloquei um shorts jeans, uma camiseta básica preta e uma sapatilha preta. Deixei meu cabelo todo bagunçado mesmo, mas fiz uma maquiagem para ficar pelo menos apresentável.
Saí correndo para o estúdio, na minha cabeça eu ouvi a voz rouca e bêbada do e eu ainda o sentia no meu pescoço, sentia sua respiração quente e seu hálito de vodka. Peguei um ônibus e não vi mais nada, na minha cabeça imagens da noite anterior rodavam, dançavam, foi tudo tão lindo e tão terrível.
Não vi quanto tempo fiquei em meio aos meus pensamentos, mas de repente eu estava na porta do estúdio e eu só me dei conta disso quando meu celular começa a tocar escandalosamente,era a .
- Oi, . - eu disse.
- E AÍ, SORTUDA? TA DE RESSACA? - gritou do outro lado da linha.
Devo dizer que algo latejou na minha cabeça. Mas que droga! Eu nem tinha bebido... Ou tinha?
- Ai... Fala mais baixo? - pedi.
- Opa, foi mal. Então, vai contar tudo? - perguntou , falando baixinho.
- Passa aqui depois que acabar o ensaio? Você a e , tá?
- Combinado! Mal posso esperar!
Eu ri e disse tchau, estava realmente atrasada.
Estávamos ensaiando fazia uma meia hora mais ou menos quando mandam a gente fazer um intervalo, beber uma água, já que estava quente.
Não sei porque, mas eu tive a brilhante idéia de animar meu dia falando com nada mais nada menos que Liza! Sim, a nojentinha que se acha superior a todo mundo.
Ela estava bebendo água, eu cheguei e perguntei se ela havia gostado da festa, do lugar.
- Ah, só vi quando cheguei, depois fiquei muito ocupada. - ela respondeu com um sorriso malicioso e bebeu um gole de água.
Hm, que estranho. Ela pegou alguém na festa, é isso?
- Ocupada? - perguntei como quem não quer nada.
Ela bebeu toda a água e me olhou,aquele ar de superioridade em cima de mim me deixava irritada. Então, antes dela responder algo me avisou que eu não deveria ter feito aquela pergunta, não naquele dia.
- Você sabe que aquela banda... McFLY, tava lá, né? - ela começou, odiei como ela esqueceu o nome da banda que ela ia trabalhar.
- Sei... - respondi.
- Bom, não sei o que ele faz na banda, mas o nome dele era , eu fiquei com ele a festa toda.

SIX
"Surprises"
(Surpresas)

Ótimo, meu fave era um idiota completo agora. Como assim ele ficou com essa ... essa.. insuportável da Liza? Inacreditável.
Tentei forçar um sorriso e consegui, saiu melhor do que eu esperava ,na verdade eu estava com vontade de rir, rir de mim mesma. Mas também nem me atrevi a abrir a boca ou fazer qualquer gesto, apenas saí de perto dela.
Nem preciso dizer como foi o ensaio, errei muita coisa e o pessoal já estava ficando bravo comigo. Por fim, mandaram a gente embora um pouco mais cedo e eu saí correndo para a porta e fiquei lá, esperando as únicas duas pessoas que podiam me ajudar naquela hora.
Liza e Ian passaram por mim e entraram, juntos, em um táxi. Ótimo, vão embora, pensei.
Foi aí que um carro preto com os vidros igualmente pretos parou na minha frente. Fiquei encarando mesmo, vai que saia alguém famoso de lá? Tipo... a Madonna! Já pensou? Isso ia animar meu dia,conhecer a Madonna! Não, Madonna não, podia ser o FOB! Isso,o Pete e o Patrick na minha frente! Ok, foco .
O vidro abaixou e eu saí da minha tagarelice que eu julgava ser normal. Primeiro eu vi uma pessoa loira (que estava dirigindo) ,depois uma morena (no banco ao lado do motorista) e no banco de trás uma de touca cinza,então fui reconhecendo , “ele“ (o qual o nome não pode ser dito) e .
Nem me atrevi a pensar no que eles queriam falar comigo então esperei.
- Tem um tempo? - perguntou .
me encarava e eu me senti incomodada.
- Eu combinei em passar em algum lugar com minhas duas amigas. - respondi meio que dizendo: não, não tenho tempo.
olhou para os amigos e cutucou , que ainda me olhava, depois virou novamente para mim e disse:
- A gente espera suas amigas e vamos todos a um Starbucks, alguém aqui quer falar com você. - e apontou para o .
Bom, eu não era uma idiota completa de recusar um convite desses, aliás isso nem se tratava só de mim, acho que se eu recusasse duas pessoinhas iam me matar se ficassem sabendo.
- Ok, em qual Starbucks? - perguntei.
- Tem um no final da esquina, pode ser esse. - disse .
- Combinado, então a gente se vê lá? Não vai ter lugar no carro para a gente. - eu disse.
- Verdade... Desculpe por isso. - Disse meio envergonhado.
Eu disse que tudo bem e eles partiram, assim eu pude voltar a respirar normalmente. queria falar comigo? Será que ele ia pedir desculpas? Ou melhor, será que eu devia perdoar? Eu não tinha nenhum direito de estar brava com ele, eu teria algum direito se estivesse chateada pelo o que ele fez comigo na festa, mas eu não estava. Eu sempre soube que o era um tipo cafajeste que ficava com todas, mas sabe aquele sonho de romantista em que o cara se apaixona pela menina e muda drasticamente o caráter? Coitadinha de mim, preciso crescer.
- Ae, ali está ela, ! - gritou alguém, tá, eu sabia que era a .
Olhei para o lado e vi as duas correndo feito duas malucas na minha direção, mal sabiam elas que daqui a pouco elas iam cair. Talvez eu devia contar naquele momento... não, vamos pregar uma pegadinha.
- Oi,amores!
- Oi, sortuda! - disse linda e absoluta, tá ,eu sou brega.
- Então, vai contar tudo aqui mesmo? To morta de curiosidade! - disse dando pulinhos.
- Hm, aqui não... Já sei! Vamos no Starbucks que eu trabalho? - mode on.
- Ótimo, assim a toma aquele negócio que ela tanto ama e sossega!
- Tenho certeza que vocês não vão sossegar... - eu disse rindo.
- Porque, posso saber? - perguntou .
- Vamos logo! - disse já na frente.
Elas foram tagarelando o caminho inteiro contando como foi a noite dos horrores delas na ansiedade de que eu contasse tudo e blábláblá, eu ia rindo da minha própria imaginação de ver a reação delas encontrando quase todo o McFLY no Starbucks.
Não demoramos muito a chegar, eu disse que queria entrar primeiro e elas foram logo atrás. Nada de McFLY, comecei a ficar nervosa.
- Vão comprando café e essas outras coisas que vocês amam que eu vou pegando lugar lá no fundo, tá? - eu disse.
- Pega aquele com sofá! - gritou .
Fui andando até o fim da loja, onde ficavam os lugares com sofá, e sem dificuldades vi três homens lindos. foi o primeiro que me viu, ele me olhou por alguns segundos e depois falou alguma coisa pro , que virou, juntamente com .
- E aí, ? - disse .
- Senta aqui! - apontava para o lugar livre ao lado de .
Olhei para onde eles sentavam, era uma mesa de quatro lugares,ou seja: não tinha lugar para as minhas amigas.
- Gente, estou com mais duas pessoas...
- Nesse caso a gente pode ir para aquele lugar com sofás, prefiro lá mas o queria esse aqui. - disse olhando feio para o amigo.
- Não foi muito agradável da ultima vez que estive em um sofá. - falou , finalmente, olhando para mim. Uma indireta?
Então eles levantaram e foram para um lugar onde tinham duas poltronas, uma do lado da outra, um sofá de dois lugares ao lado de uma das poltronas e um outro sofá na frente de tudo, formando praticamente um quadrado.
voou em cima de uma das poltronas e fez um barulho enorme quando se jogou nela, fez um comentário sobre o jeito do e se sentou ao lado do amigo. Eu sentei na frente deles no sofá de dois lugares e adivinha? sentou do meu lado, meu corpo inteiro formigava e minha barriga ficou oca. Reaçãozinha de adolescente? Sim.
- Então... Porque o não veio? - perguntei quebrando o silencio.
- Problemas com a garota dele... - respondeu se ajeitando na cadeira.
- Ah sim... - eu disse sem jeito.
- ? - disse pigarreando.
respirou fundo e disse um “calma aí”, depois se virou para a mim e começou:
- Bom, acho que começamos com o pé esquerdo ontem e eu...
- AH-MEU-DEUS!
- A-L-I-N-E-V-O-C-Ê-E-S-T-A-M-O-R-T-A!
Olhei para frente e lá estavam minhas duas amigas brancas feito fantasmas, ambas paradas. Eu comecei a rir delas e da reação dos meninos de tipo: fãs? amigas da ? malucas?
- Gente, essas são , de azul, e , a que está quase derrubando o café. , , esses são Dou...
- , pode parando com as graçinhas, me lembre de te matar, Ok? - disse se aproximando com dificuldade, seguida por .
- Prazer em conhecer vocês! - disse , sempre simpático, incrível.
- Sentem aí!- disse apontando pro sofá.
Elas sentaram no ultimo sofá de dois lugares e ficaram olhando que nem bobas para eles e me fuzilando de vez em quando.
- , não pense que vai escapar! Continue o que estava dizendo pra ! - disse levantando uma sobrancelha, achei aquilo engraçado.
- Muita gente... Não me levem a mal, meninas, mas não consigo falar na frente de todo mundo. - respondeu passando a mão no cabelo.
- Fala logo, bicha! - agora estava praticamente deitado no sofá.
- Vem cá, !
Então, dizendo isso, levantou e meu coração começou a bater fortão, olhei para as meninas, roia as unhas, típica atitude de quando ela esta nervosa. bufou e disse para eu ir lá falar com ele, então eu levantei e fui atrás de , que parou não tão longe do pessoal, eles podiam ouvir se prestassem bastante atenção.
Ele encostou na parede e começou a dizer, ou melhor,recomeçou:
- Então, continuando, eu sinto muito pelo meu comportamento na festa, desde o começo, eu fui um idiota completo e acredite, eu fui castigado depois, acho que você tem três novos amigos.
Ahh, que fofos! Eles brigaram com o por minha causa? Ok, , FOCO!
- Eu gostaria que você não tivesse só esses três amigos... eu queria ser um deles também... acho que não estou sendo claro, né?
Ele não espere que eu comente alguma coisa, por que mesmo que eu soubesse as palavras, eu não conseguiria dize-las.
- Tá, não estou sendo claro. Eu queria que você esquecesse tudo e que a gente pudesse começar uma amizade, pronto. - me olhava ansioso, observando cada reação minha.
Nessa hora toda a minha raiva pela Lisa e por ele passou e parecia que eu estava dentro de algum sonho meu, só que eu tinha quase certeza que não era sonho,o que era maravilhoso. Eu tinha prometido a mim mesma sempre pensar duas vezes antes de falar qualquer coisa para o , mas dessa vez saiu sem pensar nadinha.
- Eu? Amiga? ? - eu disse tropeçando nas palavras.
Ele riu, aquela risada gostosa que só ele tinha e eu me xinguei mentalmente.
- Os guys gostaram tanto de você e eu to precisando de uma amiga de verdade, quando se é famoso essas coisas ficam difíceis.
- Entendi, bom, se é assim... Prazer, eu sou , mas pode me chamar de . - eu disse sorrindo e estendendo minha mão, tentando parecer mais firme possível.
- Prazer , sou , mas pode me chamar de . - e então ele apertou firme minha mão, choques percorreram todo o meu corpo, mas eu os ignorei.
- AEE! -alguém gritou.
Olhamos na direção onde nossos amigos estavam e rapidamente todos viraram e começaram a conversar, uma tentativa totalmente fajuta de fingirem que não estavam prestando atenção. Nós rimos e voltamos para lá.
- E então, tudo certo? - perguntou cruzando os braços.
- Você ouviu tudo, já sabe a resposta! - respondeu tentando parecer sério.
- O que aconteceu entre vocês?
- Ah, eu nem lembro, meninas!- eu disse rindo e olhando a cara feia de - Ok, conto para vocês quando chegarmos em casa.
- Vocês moram juntas? -perguntou mexendo em uns palitinhos.
- Mais ou menos, somos vizinhas, mora ao lado de , e ao meu lado. - respondeu toda sorridente.
E então começamos uma conversa sobre vizinhos que logo passou para o assunto amizade, depois cachorros, depois lagartos e animais estranhos e acabou em relógios de cozinha.
- MEU DEUS! Falando em relógio, nós estamos atrasadas para o trabalho, !- gritou .
- Verdade, vamos logo então! - respondeu .
- A gente pode dar carona, assim vocês chegam no horário. - disse .
Elas recusaram porque se sentiram muito envergonhadas e eu estou mentindo. Claro que as duas disseram “sim” e ainda em coro.
- E você, ? - perguntou .
- Eu não estou atrasada porque já estou no meu trabalho. - eu respondi.
- Sempre quis trabalhar em um Starbucks! - disse levantando.
- Tem suas vantagens, eu tomo “Peppermint Mocha Frappuccino” com creme todos os dias. - eu falei rindo porque eu sabia que era louco por essa bebida.
Ele disse que então ia explorar a nossa amizade vindo aqui todo dia tomar a bebida de graça. Assim, depois de uns 5 minutos de blábláblá todos entraram no carro, inclusive minhas duas amigas super sorridentes e partiram.

SEVEN
"Best friends"
(Melhores amigos)

O trabalho passou rápido pois minha mente estava em outro lugar, eram tantas novidades em tão pouco tempo que parecia que eu ia enlouquecer. Eu estava tão nas nuvens que nem reclamei quando o cliente ficou uns 20 minutos escolhendo entre muffin de chocolate ou baunilha e acabou levando os dois.
Quando cheguei na frente da minha porta e girei a chave, ouvi dois gritos e duas portas se abrindo e fechando logo em seguida.
- Festinha no apê da ! - gritou uma afobada me abraçando e quase me empurrando para dentro do meu apartamento.
Entramos e sentamos no meu tapete roxo e usamos o meu sofá como apoio para as costas. trouxe uma garrafa de Coca-cola e três copos e eu peguei um pote de sorvete e colheres. ficou com a missão de colocar o Dvd do McFLY e, parabéns , você conseguiu! Brincadeira, amiga.
Colocamos no documentário e começamos a assistir.
- Olha a cara do nessa hora! - ria enquanto tomava um gole de Coca-cola.
- gostoso! gostoso! - eu gritava, sem pensar.
- Gente, por favor, olhem o , olha como ele é forte! - dizia quase tendo um ataque enquanto o da TV fazia flexão com um braço só.
- Como eu vou ver o se o ta fazendo palhaçada? - perguntou rindo - Ele me mata de rir!
- Essa é a minha parte favorita, quando o espanca o ! - eu ria muito.
- , esqueci de te falar, eu ainda vou te matar por não ter contado antes que íamos encontrar os McGuys. - disse parecendo estar falando sério, eu disse parecendo.
- Desculpe ,amores, é que eles me pegaram de surpresa quando eu esperava vocês na rua.
- ELES TE PEGARAM? UI UI UI!
- Ai, , eu sabia que você não ia ficar séria por muito tempo! – falei.
- Tá, você teve sorte que eu estava meio produzida. Passa o sorvete, ? - pegou o pote das mãos de e colocou uma quantidade impossível de sorvete na boca.
- Só te perdôo porque vi o . - se auto-abraçava, acho que imaginava o com aqueles braços fortes, ombros largos...
- Aliás, Dona , qual seu problema com o amor da ? - Ótimo, sabia que a não ia esquecer disso.
- O “amor da ” foi um idiota completo na festa, lembram? Além de ter me confundido com uma groupie, ele ainda ficou bêbado e pegou a vadia da Liza.
- Liza? Aquela lá que você não gosta? - perguntou .
- EU MATO ESSA LIZA! - enforcava o ar, já disse que ela tem mania de fazer mímica?
- Então ,eu estava com os guys e ele chegou todo malucão e começou a falar umas besteiras para mim, aí no dia seguinte eles foram me procurar dizendo que o queria falar comigo.
- Entendi, e o que ele falou exatamente? - perguntou
- Disse para começarmos de novo e sermos amigos. - rolei os olhos, escondendo minha felicidade por aquelas palavras terem voltado em minha cabeça.
- Que lindo! - e disseram ao mesmo tempo.
- Mas gente, vocês viram como o é gostoso? Tipo, ele com aquele jeitinho dele e...MEU DEUS! - eu disse mudando de assunto e roubando o sorvete de .
Começamos uma conversa sobre meninos que não parecem mas são extremamente gostosos e não vou contar o que falamos depois, porque a conversa foi ficando muito obscena. Acho que algumas partes dos guys ficaram meio quentes naquela noite e juro que parei por aqui.

EIGHT
“Do you think the dream is over?”
(Você acha que o sonho acabou?)

Acordei muito bem disposta naquele dia, e pela primeira vez na vida eu senti vontade de me produzir para ir trabalhar, estranho, muito estranho. Saí de casa correndo e cheguei no trabalho na hora, Liza-vadia e Ian ainda não haviam chegado, então eu aproveitei para aquecer minha voz.
O ensaio foi ótimo e eu dei tudo de mim, fui elogiada várias vezes, o dia estava ficando bom. O ensaio terminou e eu corri para a calçada, na esperança de ver de novo aquele carro preto parado ali. Não sei quanto tempo esperei, mas minhas pernas começaram a doer, foi aí que eu percebi que estava sendo idiota, o que havia de especial em mim para achar que poderia ser amiga deles?
Fui andando para casa pensando nisso e logo desanimei totalmente, assim como minhas duas melhores amigas, acho que nós fantasiamos muito.
A sem seguinte foi a mesma coisa e nós começamos a esquecer toda aquela história de amizade com famosos, mesmo sendo quatro caras maravilhosos.
Decidi ligar para os meus pais, que estavam no Brasil, e contar sobre a grande novidade logo, precisava de alguém para melhorar meu humor.
- Alô? - uma voz feminina super conhecida atendeu.
- Mãe? Sou eu!
- Filha! Eu estava quase te ligando,o que aconteceu? Você ficou tanto tempo sem dar noticias!
- Vou explicar tudo, chama o papai!
Demorou alguns instantes e logo meu pai avisou que estava lá e perguntou se estava tudo bem comigo
- Então, eu finalmente passei no teste ,estou numa companhia de canto! - eu gritei.
Meus pais foram a loucura e me elogiaram muito.
- E adivinhem? Vou cantar com o McFLY! - gritei de novo, acho que vou deixar meus pais surdos qualquer dia desses.
Então eu fiquei explicando todos os acontecimentos recentes, até os que eu não queria lembrar. Eles ouviram tudo com cuidado e me deram recomendações como: tome cuidado com esse , minha Filha, esse tipo que bebe não é confiável.
Eu me segurei para não rir e depois de uma hora a gente desligou o telefone, me senti mais aliviada. Meus pais nunca gostaram de garotos de banda e muito menos quando bebiam, às vezes me sentia com sorte por morar em outro pais, assim era quase impossível eles saberem o que minhas amigas me obrigam a fazer, coitadinha de mim.
Na verdade esse negócio de festejar com bebida começou com a e eu passei para a ,que, alias, adorou. Eu, e estudávamos juntas no Brasil, até que veio morar aqui e ficamos só eu e por mais alguns anos, para terminar o colégio. Nunca perdemos o contato e nos falávamos direto por msn, lembro-me muito bem do dia que viu na rua e quase foi atropelada por um ônibus. Enfim, quando terminamos o colégio fomos atrás de e ela saiu de onde estava morando e compramos apartamentos vizinhos.
Era uma sexta feia de um dia qualquer, eu acordei com o despertador tocando uma música que nem me dei ao trabalho de prestar atenção e levantei, meu corpo pesava sobre os pés. Estiquei os braços para me sentir viva e pisquei algumas vezes após bocejar. Estava acordada.
Saí de casa tranquilamente pois não estava nem um pouco atrasada e fui respirando o ar gelado de Londres. O ensaio estava super tranqüilo, eu não falava com Liza e seu cachorrinho Ian e eles não falavam comigo, uma perfeita sintonia.
Era intervalo e minha garganta estava reclamando por água, abri a porta que dava para um imenso corredor e vi o bebedouro com uma gazela bebendo água, ou melhor, Liza bebendo água.
Andei até ela, que fingiu que não me viu, e peguei um copo para encher,f oi aí que a porta do grande corredor se abriu e nós duas olhamos ,Liza estava de costas para mim, bem na frente.
Quase engasguei quando vi atravessando a porta e vindo em nossa direção, ele acenou e Liza acenou de volta, que ótimo, ele lembra dela e provavelmente combinaram de sair !Onde tem uma saída de emergência? Porque não fizeram uma saída de emergência? Se todo esse corredor começar a pegar fogo eles esperam que eu saia por onde? Pela porta do ? Arquitetura falha!
Todos esses pensamentos giravam na minha cabeça e só pararam quando passou reto por Liza, sem ao menos olhar para a cara dela ou cumprimentar. Foi aí que eu comecei a pensar na possibilidade de que o negócio era comigo.
- Hey! - ele disse quando chegou mais perto.
Olhei para trás para ter certeza que era comigo ou se eu não tinha me confundido pateticamente como Liza havia feito, aliás, porque aquela criatura ainda estava lá?
- ? - Ele me chamou sorrindo.
- Oi! - eu tentei dizer o mais firme possível,mas soou como se eu tivesse gaguejando.
- Os caras estão todos passeando por aí e me deixaram sozinho, acredita?
Tadinho de você, hein ? Como se você não tivesse uma agenda cheia de telefones de vadias para qualquer hora do dia
- Eu sei que tenho uma agenda cheia de telefones para esses casos, mas... não me pareciam pessoas divertidas. - Ele disse ,fiquei com medo que eu estivesse pensando alto demais, ele quase falou a mesma frase que eu estava pensando, que horror. Talvez ele seja o contrario de Edward Cullen, que não consegue ler só a mente da Bella, consegue ler só a minha mente! Ok, cala a boca .
- Aí eu pensei em você, sobre a nossa segunda chance, e vim aqui.
Deus, para de sorrir para mim! Assim eu não consigo processar as coisas que você diz, .
- Entendi,você pode almoçar lá em casa, se não se importar. É que hoje é sexta, meu dia de cozinhar para as meninas. - respondi suprimindo minha vontade de tagarelar.
- Nossa, claro que aceito! Vamos ver se você tem dotes culinários! - E dizendo isso ele fez uma cara de malvado que me fez rir muito.
Quando estávamos indo para o auditório novamente, pois meu ensaio ainda não havia acabado, Liza se colocou em nossa frente e disse:
- Oi, lembra de mim?
olhou para mim tipo “É comigo? “ e eu me segurei muito para não rir da cara da Liza
- Hm, não, qual seu nome? - respondeu totalmente honesto, provando que era verdade a fama dele de “depois dessa noite seremos estranhos”.
- Elizabeth,eu estava com você na festa, sou uma das cantoras daqui. - Ok, por que a voz dela mudou da água pro vinho? Onde está aquela pamonha torrada?
- Ah! A garota do bar!
- Sim, e aí tudo bom? - ela ia começar um papinho quando alguém grita lá do auditório que o ensaio ia recomeçar, ou seja, Liza #fail.
não falou mais com Liza, que saiu bem rápido no final do ensaio brigando com Ian.
- E aí, topa ir andando? - eu perguntei quando chegamos na calçada.
- Na verdade eu vim de carro então a pergunta certa seria se você topa uma carona. - Ele respondeu indo na direção de um carro esportivo na cor prata. Quantos anos de salário não seriam necessários para comprar aquilo?
Entrei no carro maravilhada e um cheiro delicioso de invadiu minhas narinas. Ele deu a partida e eu sorri, estava feliz.
- Que foi? - ele perguntou sorrindo enquanto fazia uma curva.
- Nada, é só que não é sempre que se pega uma carona com um McFLY. - eu respondi inspirando mais daquele cheiro inebriante.
riu e respondeu numa cantada que eu iria achar péssima vinda de qualquer um:
- E não é sempre que se dá uma carona para uma garota tão bonita.
O objetivo foi me deixar vermelha e com borboletas no estomago? Parabéns, , você conseguiu.
- Desculpe, esse negocio de amizade com mulher ainda é novo pra mim. - ele respondeu vendo minha reação de “eu não estou confortável”.
-Tudo bem, dessa vez passa. - eu respondi fingindo estar repreendendo ele, mas acho que ele não caiu.
Fomos conversando no caminho e eu estava começando a me sentir à vontade com ele, as palavras iam saindo com mais naturalidade e rolaram várias piadinhas.
Quando chegamos, eu corri na frente dele para arrumar a bagunça que eu havia deixado,como sempre. nem ligou e voou para o sofá, como se tivesse na casa dele, folgado.
- Não precisa se preocupar em limpar, quando você ver a minha casa vai achar a sua super arrumada.- ele disse deitando no meu sofá, que cá entre nós, era um sortudo. Sim, o sofá.
- Ok, folgado, vou lá fazer a comida, fica aí. - larguei as roupas que estavam no chão da minha sala, fruto de uma “noite do pijama” com as meninas e fui para a cozinha, que era no estilo americano, ou seja, quase não tinha divisão entre a sala.
Coloquei água na panela para fazer o macarrão, que era minha especialidade, e fui pegar o molho, que já vinha pronto, adoro essas coisas práticas.
- UAU, tamanho 44?
Me virei para ver de que raios falava e me deparo com meu sutiã de cerejinha e rendas nas mãos dele.
- ! - eu dei um grito e sai correndo na direção dele, não sei quem eu matava primeiro: ele ou eu?
Ele, ainda deitado no sofá, se virou para o lado que tinha encosto e escondeu o sutiã e o rosto, para se proteger e ficar com a peça.
Ignorando toda a minha pseudo timidez, eu pulei em cima dele e tentei, a qualquer custo pegar meu sutiã divo de volta, tudo em vão,já deveria saber como aquele cara era forte, másculo e nossa, olha esses ombros! Bem que a blusa dele podia subir, né? Ok, se concentra.
, numa reação súbita, me pegou de surpresa quando virou, ficando de barriga pra cima, a posição que estávamos era estranhamente perigosa, eu me encontrava sentada em cima dele.
Ele me olhou por alguns segundos e depois se inclinou para sentar, eu, idiota ou não, continuei na mesma posição. Agora que ele estava sentado, estávamos bem perto, eu podia ver muito bem os olhos dele, que eram de todas as cores.Tudo nele me atraia, tudo nele era perfeito pra mim.
colocou meu sutiã nas minhas mãos e continuou me encarando, cada vez mais perto.

NINE
"You’re a really good friend"
(Você é mesmo uma ótima amiga)

Nem nos meus melhores sonhos eu não cheguei naquele ponto com o ! Lê-sê: melhores sonhos, não sonhos para maiores de 18.
Então,eu ouvi um barulho e olhei rapidamente para a panela no fogão, que transbordava a água que fervia, saí rapidamente do paraíso e corri para a cozinha. Enquanto eu salvava meu fogão de se afogar, a campainha tocou, eram elas.
- TÁ ABERTA! - eu gritei - , abre lá, acho que elas não ouviram. - eu respondi enquanto abaixava o fogo,não só o da panela,se é que me entendem,e colocava o macarrão na água.
Ouvi a porta se abrindo e um silencio de alguns segundos, depois ouvi e cumprimentando . Podia ouvir de longe as perguntas mentais delas e fiquei morta de vergonha.
veio me ajudar a fazer os pratos, pois ela tinha uma mania estranha de decorar tudo, inclusive comida. Enquanto enfeitávamos o macarrão com o molho vermelho, queijo ralado e manjericão, conversava animadamente com o no sofá. Dei graças a Deus que eu tive a idéia de jogar meu sutiã atrás do sofá, se não eu não ia ter sossego por uns bons meses.
Discretamente ,eu olhei para trás e pude comprovar que eles estavam se dando muito bem, mais até do que deveria. Eu podia sentir daquela distancia a felicidade que emanava da minha amiga e, apesar do ciúmes que eu sentia do meu fave, fiquei muito feliz por ela, acho que não se pode ter tudo na vida. Eu tinha Londres, o trabalho dos meus sonhos e conheci o Mcfly, o que mais eu queria? Que o mudasse e ficasse comigo? Eu tinha que manter meus pés no chão e dividir tudo isso com quem realmente se importava comigo e era o que eu ia fazer.
- ? Pensando em que?
Levei um susto e rapidamente todos os meus pensamentos se dissolveram e eu pude perceber uma olhando para mim,com um sorrisinho malicioso.
- Em nada, . - eu disse indo pegar os talheres na gaveta
- Eles estão se dando bem, né? - Droga, esconder coisas da nunca foi meu forte, ela sabia o que se passava comigo só de olhar.
- Sim. - eu respondi, já com os talheres na mão, apertando-os.
- E tudo bem pra você?
- Claro, ela é minha melhor amiga e ele é o homem da vida dela, você sabe. - Aquela conversa estava me incomodando
- Estranho, pensei que ele também fosse o homem da sua vida.
- Não se pode ter tudo, . - eu respondi e tratei logo de fugir daquela conversa - Está pronto, gente! - eu gritei chamando os dois pombinhos, muito folgados, alias.
levantou rapidamente,sendo seguido por uma sorridente, ela olhou para e piscou.Resolvemos sentar na sala, e no meu bendito sofá e eu e no chão, idéia de .
Conversamos muito e rimos muito também, deixou bem claro para o interesse dela no e apesar de ser mundialmente conhecido o namoro dele, prometeu apresentá-los o mais breve possível.
Sorte minha que era sexta feira e eu tinha um dia de folga,apesar de ter sido meio torturante, foi bom. Eu, obviamente, não estava apaixonada por ele e não pretendia me apaixonar, era um perigo.
Depois que ele foi embora, disse para fazermos uma noite das meninas e comemorar, eu aceitei, mesmo não tendo a mínima vontade de beber.
Já estávamos altas e não parávamos de falar de , principalmente eu e , as interessadas. Então, como elas iam dormir no meu apartamento, achou melhor arrastar o sofá para o canto da sala, para haver mais espaço para os colchões.
- ! O que é esse sutiã atrás do sofá? - gritou , sei que ela estava farejando uma bomba e, merda, eu tinha esquecido aquele sutiã lá.
- Devo ter esquecido aí. - eu respondi meio tonta
- ,você transou com alguém? - ria enquanto tentava dizer essa pergunta.
Revirei os olhos e respondi indiferente:
- Ah, claro.
Elas riram, gritaram e começaram a cantar “La loba”, da Shakira, porque segundo elas eu era perigosa com esse meu jeitinho de inocente. Não entendi.
- Meu, o é uma delicia, hein? - disse tomando um gole de caipirinha,minha especialidade.
- Desculpe , mas ele é mesmo, eu pegava! - não tinha modos
- Em todas as direções? - eu perguntei para ela
- Claro!Apesar do que dizem dele - E ela fez um gesto querendo dizer que o dele era pequeno - eu acho que é grande.
- Tira o olho, ,isso eu que vou conferir - Disse rindo e dando uns tapinhas em
- safada mode: ON! - eu gritei ,ignorando meus pensamentos depressivos.
Elas riram e continuamos a falar besteira por muito tempo, até que dormiu e eu também, não vi , mas ela deve ter caído logo depois de mim.

TEN
"Meet your next Best friend"
(Conheça seu novo melhor amigo)

Acordei com o rosto totalmente amassado, não muito diferente das minhas duas amigas, que ainda dormiam. Quando eu estava no banheiro, tentando fazer com que o espelho não quebrasse quando eu olhasse para ele, o telefone tocou. Após o terceiro toque, como ninguém teve a coragem de acordar e atender, eu corri até a sala e atendi.
- Alô? - eu disse, ofegante após quase cair.
- ? - perguntou uma voz feminina.
- Eu?
- Oi, aqui é Liza!
PIADA! Cadê o Faustão? Liza me ligando? Aliás, como ela tinha meu número?
- Sei, oi. - eu respondi confusa.
- Oi, tudo bom? - ela tentava parecer simpática, mas me parecia impaciente.
- Tudo e você?
- Bem... escuta, você tem o telefone do ?
Agora tudo ficou claro, finalmente. Acho que até o ar ficou mais puro depois que as coisas voltaram ao seus lugares.
- Não. – “E mesmo se tivesse não ia te passar, sua vadia da pamonha” eu tive vontade de completar.
- Que pena, pede pra ele e depois me passa?
- Vou tentar, Liza. - eu respondi - Bom, agora eu tenho que desligar, tchau.
Eu não costumava ser grossa ao telefone, mas desliguei mesmo, que idiota! Odeio gente interesseira, ODEIO!
Resolvi entrar na internet para ver se eu me acalmava, aquela ligação tinha me deixado energeticamente irritada. Primeiro eu entrei no Orkut e depois, claro,no Twitter. Não tinha muita gente acordada twittando, mas claro, o bom e velho estava lá.
@mcfly: Passei a noite vendo “Senhor dos Anéis”, sim todos eles! Nunca me canso, muito bom!
Típico do .
@mcfly: Ontem brigamos com o Sr. por ter ido na casa de uma amiga e não ter nos convidado, ele rebateu dizendo que a gente o abandonou, tão sentimental!
Será que era sobre mim esse post? Ou o foi pra casa de outra pessoa depois disso?
@mcfly: Será que Ovos com Peixe fica bom?
Fazia sentido, as pessoas comem Bacon com ovos, nada mais nojento.
@mcfly: foi na casa da ontem e além de ter comido de graça, ainda molestou o sutiã dela.
JURO QUE MATO O ! Não acredito que ele já foi fofocar sobre o incidente do sutiã! Estou ferrada se minhas amigas lerem isso. Decidi tentar escrever para ele, apesar de eu já ter feito isso milhões de vezes e nunca tive nenhuma resposta.
@mcfly: apaga esse ultimo tweet agora!
Fiquei apertando F5 milhões de vezes até que apareceu:
@mcfly: 44?HAHAH vou te seguir.
Argh, engraçadinho! Eu estava suando de nervoso, acho que as pessoas estavam tentando testar minha paciência.
@mcfly: Apaga isso, por favor , juro que foi um acidente!
Enquanto esperava a resposta dele, vi que ganhei mais um follower e era mesmo ! Quase caí da cadeira, sem exagero.
@mcfly: Ok, ok. Apaguei. Hey, o ta louco pra conhecer sua amiga, sabia?
Antes de qualquer coisa eu fui me certificar que havia apagado o que ele escreveu e, após constatar que ele dizia a verdade, fui ler realmente o que ele havia dito: queria conhecer a !
@mcfly: O não tem limites mesmo.
Eu era totalmente contra apresentar pessoas que já namoram, como é o caso do , que namora firme há algum tempo, apesar das chifradas.
@mcfly: ele é um idiota! Me passa seu telefone?
Credo, que...inesperado. Mas é claro que eu não ia dar uma de garota difícil, aquela não era uma situação normal, então eu passei por DM.
@mcfly: Gente, a é só uma amiga nossa, relaxem. Agora vou sair, tchau.
E assim, eu ganhei mais 200 followers, só nesse meio tempo de conversa com o e ninguém deixou passar a história do sutiã.
- ?
Alguém me chamava na sala, fechei o notebook e corri para lá.
- Você tem uma péssima mania de acordar cedo, sabia? - disse se espreguiçando.
- Não consegui dormir. - eu respondi,me sentando no colchão.
- Quem era no telefone? - perguntou .
- Você ouviu? Porque não atendeu? - eu perguntei levantando uma sobrancelha.
- Eu ouvi de leve, voltei a dormir logo em seguida.Quem era?
- Vou dar três dicas: É vadia, é vadia e rima com vadia.
riu e fechou a cara.
- O que a Liza queria? - perguntou , respondendo minha charada nada difícil.
- Saber o telefone do seu BIG . - eu respondi,olhando para , lembrando dela falando dos atributos dele.
- E você não deu, né? - perguntou , que nem havia rido da minha piada tão boa.
- Nem se eu tivesse, amiga. - respondi rindo.
- Aquela vadia interesseira. - levantou, pegou um travesseiro e jogou em mim.
- Ai! Você e essa mania de jogar coisas fofas nas pessoas! - eu reclamei enquanto pegava o meu e saia correndo atrás dela.
O telefone começou a tocar quando eu tentava abrir a porta do banheiro e tirar de lá para revidar, então a senhorita atendeu e ficou em silencio por alguns segundos, depois, gaguejando ela me passou o aparelho.
- Alô?
- Oi, é o !
Olhei para , que implorava para eu colocar no viva voz.
- Hey, ! Escuta, posso colocar no viva voz? Tem gente aqui querendo falar também. - eu perguntei.
riu e respondeu que podia, então eu liguei.
- Oi ! - elas falaram em coro.
- Oii, gentee! - ele tentou imita-las e foi realmente muito engraçado.
- Então, qual é a emergência, ? - eu perguntei.
- Eu e vamos ao parque daqui a pouco e queríamos saber se voc...
- CLARO QUE VAMOS! - gritou uma em sua típica reação quando o nome “” é citado.
Ouvimos duas risadas, uma de e outra que não identificamos, resolver chutar quem era:
- Oi pra você também, !
A risada parou automaticamente e ouvimos um:
- Caramba, dude,elas me reconheceram.
- manda “Oi” também, mas então, às 3h no parque? - perguntou .
Perguntamos onde ficava aquele Parque e ele nos deu todas as informações, estávamos realmente muito animadas.
- Não acredito que vamos ao parque com dois Mcguys! - gritou enquanto abria a porta do meu apartamento para ir para o dela, onde, obviamente, ficava seu guarda-roupa.
- , hoje você não me escapa. - fez a mesma coisa que e saiu pela minha porta rumo as suas roupas de sedução.
Em segundos fiquei sozinha, olhando para a bagunça que as duas deixaram na sala. Voltei para meu quarto e abri o notebook, depois apertei F5 e adivinhem? Eu tinha mais 300 pessoas me seguindo e umas 100 perguntando coisas para mim.Devo dizer que fiquei irritada com o que recebia, começaram a tirar conclusões precipitadas sobre tudo. Eu já estava com vontade de fechar, quando resolvi escrever:
Gente, não falem o que não sabem. Eu não sou nada de nenhum deles, só a backvocal da turnê.
Não esperando nenhuma resposta, eu me dirigi ao meu guarda-roupas e fiquei olhando para ele por um bom tempo, até resolver com que roupa eu ia para o Parque. Depois de separar um shorts preto e uma regata verde, eu fui tomar banho e preparar o almoço.
Era mais ou menos duas da tarde quando saímos de casa, vestia um shorts azul marinho e uma regata larga que mostrava seu top azul claro. foi vestida para matar, uma legging preta e uma regata branca super justa.
- tem namorada, . - eu disse olhando para a produção dela, eu era meio contra tudo isso.
- ta vivo, . - respondeu dando pulinhos e entrando no elevador.
- Não no twitter. - respondeu rindo da própria piada.
Desisti de falar qualquer coisa, ela não iria me ouvir.
Claro que no caminho nós fomos gritando e rindo alto, atraindo todas as atenções. Chegamos no parque meia hora antes do combinado, mas como eu tinha trazido a câmera ficamos tirando fotos para passar o tempo rapidamente.
Depois de esperarmos mais alguns minutos e nada de e ,começamos a ficar nervosas e claro, impacientes.
- Eles não vão vir. - disse roendo as unhas.
- Calma... - eu disse para ela, mas tive a impressão que era para mim.
não disse nada e eu achei isso estranho, então olhei para ela, que observava alguma coisa.
- Que foi, ? - eu perguntei.
- Hm, o que é aquela multidão ali? - apontou para umas 20 meninas que formavam uma bola gigante envolta de alguma coisa.
Decidi ir verificar e as meninas foram comigo, no caminho fomos empurradas por várias meninas, aquilo era um tumulto dos bons.
abordou, nada sutilmente, uma menina que corria e a coitada quase caiu, mas pelo menos nos disse o que era: “ME SOLTA RETARDADA! SÃO E !”
olhou para mim, eu olhei para e ela olhou para frente e saiu em disparada pela multidão empurrando todo mundo, xingando, gritando e, por incrível que pareça, conseguindo chegar neles. Sabe, nada como ter uma amiga decidida e totalmente maluca.
Depois de um tempo, o tumulto ficou maior e com alguma dificuldade os meninos saíram no meio daquelas histéricas e pasmem: com a .
- , graças a deus! - gritou correndo em minha direção.
É importante dizer que nenhuma das meninas foi embora, todas ficaram lá olhando para a gente com cara de poucos amigos.
Olhei para ,que estava se aproximando ao lado de , eles faziam um casal indescritível! Ficavam realmente lindos juntos, tinham a altura e a combinação perfeita.
- Oi, ! - eu respondi quando fui abraçada por ele, impressão minha ou ouvi uns murmurinhos?
- , Olá!
deu um abraço em e eu senti uma segunda intenção dele nesse abraço.
- Não ganho um “oi”, ? - Eu disse toda intima dele.
devia estar pensando em alguma coisa bem interessante, pois demorou uns segundos para acordar, pensar no que eu disse, processar e responder:
- Ah, claro, ! -ele se aproximou e me deu beijinho, depois fez a mesma coisa com .
- Então, essas são e . -eu disse apontando para elas na ordem.
olhou para e deu um “Oi” e eu percebi que ele engrossou um pouco a voz e tive que me conter muito para não rir.
De repente, não sei de onde, surgiu uma criatura lá do meio da “multidão” que estava nos observando e começou a gritar:
- Aquela é a do twitter, gente! A groupie que mostrou os peitos pro !
Imagina o meu choque, né ?Eu sabia que aquele tweet do senhor me daria problemas futuros, agora estava sendo chamada de groupie e vadia em um lugar publico para todo mundo ouvir. O pior de tudo é que não era verdade.
- Verdade, ? - me perguntou de boca aberta.
- Essa é a minha amiga! - disse rindo - Então o cara que você tinha transado era o ? - ela perguntou fazendo com que a frase “Tudo pode ficar pior do que já está” ficasse clara para mim.
Em poucos segundos o caos estava feito e a criatura parecia Napoleão Bonaparte preparando seus soldados para a guerra, ela gritava e andava de um lado para o outro e as meninas não paravam de falar.
- Gente! - eu gritei - isso é ridículo! Nunca encostei no !
ria muito, ela adorava uma desgraça e tenho certeza que falou a frase “bomba” de propósito, bela amiga. começou a ficar preocupado com a rebelião que ele havia criado e após pedir silencio, concertou tudo explicando o que aconteceu.
Depois de tudo parcialmente resolvido, fomos para uma parte mais reservada do parque, eu ainda estava suando frio, mas acho que escapei do meu primeiro ataque de fãs do McFLY. Era estranho, se fosse outra garota no meu lugar, como eu reagiria sabendo que supostamente ela teria transado com o meu favorito?Acho que eu não teria feito um escândalo nem nada, óbvio que ia rolar uma inveja básica, mas eu veria o lado dos dois. não é um menino virgem de 12 anos e muito menos tem vocação para ser padre, não mesmo. Ou seja, não é da conta das fãs com quem ele transa e.... posso saber porque eu estou debatendo comigo mesma sobre a vida sexual de outra pessoa? Juro que um dia desses vou marcar um psicólogo.
Sentamos todos embaixo de uma árvore, em roda, eu ao lado de , que estava ao lado de , que se sentou próximo a , que por sua vez estava ao lado de , fechando o circulo.
No começo a conversa estava meio parada, como se todos estivessem meio envergonhados, é nessa hora que o assunto acaba. tratou logo de acabar com essa situação terrível:
- E aí, , por que você não foi no Starbucks com a gente outro dia?
Meu deus, como a minha amiga é espertinha e adora situações constrangedoras! Mas pelo menos, pela resposta do ela saberia se o namoro dele é coisa séria mesmo.
- Ele estava com... - começou e foi interrompido por , que falou bem rápido
- Eu estava com problemas na família, sabe como é, né?
Me contive tanto para não rir, na verdade acho que deixei escapar um quase riso, porque me deu um cutucão.
- Entendo sim, quer dizer, faz tempo que não passo por isso, desde que me mudei para cá. -respondeu , ignorando todo mundo, menos o .
Então começamos uma conversa animada sobre outros países e depois de pouquíssimo tempo todo mundo já estava bastante intimo, ria alto com e às vezes ele a abraçava, estava deitado no meu colo e as vezes jogava folhas e grama nele.
Nunca na minha vida eu me imaginei assim com os guys. Sempre achei o o mais fofo de todos, aquela cara de criança dele acho que jamais desapareceria, e agora ele estava lá, rindo que nem bobo no meu colo, enquanto eu passava as mãos no cabelo dele, bagunçando.
Estávamos lá, nos divertindo, quando fomos interrompidos por um barulho terrível.
- Trovão? - perguntou .
- Acho que não... vem do . - Eu respondi olhando para ele.
começou a rir alto e mandou ele calar a boca e completou:
- Nada disso do que vocês estão pensando, é só minha barriga gritando de fome. Eu estava na casa do , prefiro morrer a ter que comer a comidinha dele.
- Não reclama que a sua é pior! - disse chutando e quase me acertando.
- Vamos comer então! - disse levantando animada - Confesso que estou com fome!
- Muito obrigado por compreender meu lado, - disse saindo do meu colo e correndo para , para abraça-la. Interessante, muito interessante.

ELEVEN
"Tweet, tweet"
(Tweet, tweet)

Estávamos indo para o carro do , quando o telefone de começou a tocar:
- Hm, é uma bicha chamada ! - disse com voz de Drag Queen.
Eu dei risada e sorriu sozinha.
- Alô? Não,não preciso dos seus serviços hoje, amor. Obrigado. - atendeu, falou isso e desligou na cara do . Sério, eu ri muito.
Depois de uns 4 segundos o celular de toca e ele decide atender sem fazer maldade com o amigo, eles ficaram uns 2 minutos conversando.
- Então, ele ta chamando a gente para ir na casa do . - disse depois de ficar alguns segundos em meio aos seus pensamentos.
- Vamos lá, as meninas vem com a gente, não? - perguntou me puxando pela mão até o carro.
- Como dizer não, ? - eu disse.
No caminho fomos rindo alto e cantando, claro. fazia imitações muito boas e engraçadas e nós já estávamos tipo melhores amigos.
Claro que eu e as meninas ficamos de boca aberta quando vimos as casas dos guys, que e foram apontando para a gente. Estacionamos na frente da casa de , que era maravilhosa.
Eu, e demoramos um pouco para voltarmos à realidade, pois aquilo só podia ser um sonho.
Quando entramos na casa estávamos super tímidas e nem sabíamos o que fazer, principalmente depois de e terem disparado na frente. Eles nos chamaram em um cômodo e nós seguimos as vozes, pois nem vimos para onde eles tinham ido. Ali estavam todos o guys, estava em cima de em um puff, estava no PC (provavelmente twittando) e encostado na parede ao lado da orgia e .
- Oi... - eu disse, pois parecia que eles ainda não haviam percebido nosso presença.
Ao ouvir uma voz feminina jogou longe e se arrumou no puff e virou a cadeira e sorriu.
- ? ? ? - perguntou um confuso.
Eu sorri e respondi:
- Nós estávamos com e no parque.
- E nem chamaram a gente? - perguntou , fechando a cara logo em seguida.
- Falem com o , ele é o culpado! - disse rindo.
levantou e foi dar uns tapas em , que saiu correndo e se escondeu atrás de .
- E você que foi na casa da e nem chamou? - dizia ele se defendendo.
- Eu tava passando pelo trabalho dela e decidi dar um “oi”!
, e riram e reviraram os olhos, então tratei logo de mudar de assunto antes que aquele clima continuasse, apesar de ser interessante.
- O que você está fazendo no PC, ?
Olhei para as minhas amigas, que sorriam, era obvio que ele estava no twitter! Não tinha coisa mais emocionante do que ver o animal no seu habitat natural. Certo, vou parar por aqui.
- Eu? Ah, só estou no Twi....- não conseguiu terminar sua frase, pois nós três demos um grito de vitória nada normal.
Eles só ficaram nos olhando, esperando por uma explicação.
- A gente tinha certeza que ele estava no twitter, só isso. - disse tentando corrigir a gafe;
- Bom, vou pegar um café, alguém quer? - perguntou , sorridente como sempre.
Todo mundo recusou e ele foi sozinho, ou seja, o twitter dele estava aberto e indefeso.
Sem pensar duas vezes nós voamos no computador,os guys não disseram nada e até se aproximou.Eu fui a primeira a twittar:
“Eu amo o Brasil! Cadê os brasileiros nesse twitter? #Brasilianpower!”
morreu de rir e não gostou muito, ela não apoiava muito essa idéia de rixa com as inglesas, na verdade eu também não era muito a favor, mas não resisti. deu uma risadinha abafada e disse para continuarmos, então foi a vez de :
“Depois que eu vi o pelado, virei gay.”
Pronto, parecia que não ia passar daquele dia de tanto que ria! não resistiu e se aproximou do computador para ler.
- Certo, minha vez! - disse digitando.
“É que o dele é tãão maior que o meu, sabe? Tão sedutor”.
Essa foi demais, todos tivemos um ataque de riso muito forte, principalmente o , que adorava esse tipo de brincadeira. Em segundos milhões de pessoas deram RT e mandaram tweets, muitas achavam que era o no twitter do , o que era melhor ainda. Nada como um crime perfeito!
“Gente, não é o .” escrevi isso e rapidamente segui o meu twitter e os das minhas amigas.
Quando chegou, com o seu café, nós estávamos espalhados pela sala, falando com , com e eu com bebezinho no meu colo.Todos muito inocentes.
, calmamente passou pela gente e sentou na sua cadeira de frente para o Pc, tomou um gole do café e ficou mais um minuto quieto.
- Quero saber por que estão achando que hackearam meu twitter. - disse sem ao menos virar.
olhou para mim rindo baixinho e eu o abracei, tentou ficar atrás de sem parecer suspeita e continuou conversando com fingindo não ter ouvido.
- Eu virei gay? QUE? - agora lia o que supostamente ele havia escrito - E desde quando o do é maior que o meu?
Sério, aí eu não agüentei e ri alto, fazendo levar um susto enorme.
- Eu sabia que não podia deixar meu Pc sozinho, isso é coisa sua ! - levantou e foi até , segundos depois eles começaram aquela brincadeira saudável de brigar no chão, gritar e rir.
- Não fui eu, não fui eu! - gritava.
- Que feio, ! - eu disse, nada como uma boa vingança.

TWELVE
“Lucky girl”
(Garota sortuda)

Os dias passavam e nós, meninas em um sonho de fadas, e os mcguys estávamos ainda mais amigos, saíamos sempre que dava. Contávamos vários segredos para eles e, consequentemente, eles nos contavam também, claro que a gente não dizia que morríamos de vontade de pega-los, pois esse tipo de coisa teria que acontecer naturalmente, sem assustar nenhuma das partes.
Era uma sexta feira, dia oficial de ir na casa de um dos guys, eu estava me vestindo quando alguém bate na minha porta.
- ? - perguntei ao abrir a porta e ver minha amiga.
- ligou, disse que não podem ver a gente hoje. - ela me disse toda desanimada
- Ué, e porque?
- Não sei,ele não contou. Bom, vou tirar essa roupa de festa.- disse se virando - E eu já avisei a .
Fechei a porta e fiquei pensando, as preocupações começaram a me deixar com dor de cabeça e eu já me sentia meio paranóica. Minhas mãos simplesmente não me obedeceram e logo eu estava ligando para alguém.
- Alô? - a pessoa atendeu.
- Er...? - Eu perguntei, era o que me restava depois de ter ligado para , justo o .
- ?
- Sim, eu só estou ligando porque fiquei preocupada.
- Ah, não esquenta, teve um problema com a namorada dele.
- Nada grave, né? – perguntei.
- Eles terminaram. A gente ligou cancelando porque ela estava fazendo um barraco na casa dele e não sabíamos quanto tempo ia durar. - ele respondeu rindo.
- Não ria. - eu o repreendi.
- Eu não deveria te contar o motivo, mas eu não me agüento. Ele estava...er...dando uns amassos nela e chamou-a de “”. - E dizendo isso ele caiu na gargalhada.
Eu fiquei paralisada, juro. Talvez a minha amiga tenho conseguido o que tanto queria, conquistar um mcguy, e melhor ainda, o preferido dela.
- Como assim? - eu perguntei querendo saber os detalhes.
- Ele já havia chamado ela de “” algumas vezes, mas nunca em um momento tão... íntimo.
- Pode dizer que eles estavam transando, . - eu disse seca, odiava quando ele me tratava feito criança. Qual é?
- Você não entende dessas coisas ainda. - Agora ele estava sério.
- Você que pensa. - Eu disse dando uma de A experiente, que vamos combinar, eu era.
- ! Pode me contando isso! - deu um grito engraçado.
- Bom, melhoras para o , certo?
Nem esperei ele falar nada e desliguei. Adorava fazer isso com o , ele era divertido. Pensando bem eu não entendia porque ele me tratava diferente de todas as outras meninas, mesmo com a e com a ele era todo safadinho e comigo sempre com um pé atrás. Não sei o que eu preferia, o bêbado de quando eu conheci ou o “paizão”.
Me joguei no sofá e comecei a pensar em como a minha vida mudou de uma hora para a outra. O que aconteceria a partir daquele dia? Eu não sabia e sinceramente não estava com medo.
Será que eu deveria contar para a sobre a história engraçadinha do ? Não, eu ia fazer melhor! Acho que a vida fica mais emocionante quando se planeja “planinhos malignos”, e era isso que eu ia fazer.
Pulei do sofá e bati na porta de , que abriu rapidinho. Terminei de contar toda a história em alguns minutos e ela se animou muito.
- Essa é uma sortuda! - ela falava sorrindo - Vamos contar para ela!
- Não! - eu falei quando ela se levantou.
- Ué, porque? - ela perguntou, sentando de novo.
- Então, eu pensei da gente se juntar com os meninos e fazer uma coisa bonitinha para eles... tipo uma surpresa de que os dois têm seus sentimentos correspondidos, entende?
- Hm, isso pode ser interessante.
- Vou ligar pro ! - saí saltitando até o telefone de e disquei o número. Depois de explicar tudo, combinamos de ir na casa de , mas nem e nem poderiam saber disso.
Saímos sem fazer o menor barulho e logo estávamos entrando no condomínio de casas gigantes e lindas, nosso sonho.
Pouco tempo depois já estávamos na sala de estar de , não pode ir na nossa reuniãozinha porque estava com medo que aparecesse, então ficou vigiando o amigo na casa dele, ainda acho que os dois tem um caso, mas tudo bem.
- Alguma idéia, ? - perguntou , que estava deitado no chão de madeira.
- Eu tava pensando em deixá-los sozinhos em algum lugar...
- Mas quem garante que eles vão se declarar e se pegar? - perguntou sorrindo maliciosamente.
É, ele tinha razão,apesar de a minha amiga ser super maluca, ela era tímida quando tinha que se declarar e expor seus sentimentos.
- JÁ SEI! - gritou que até aquele momento estava calada.
- Conta aí, gênio. - disse .
- Vamos ter muito trabalho, hein? Mas vai ficar coisa de profissional, galera!- Ela parecia muito animada e com uma certeza enorme que ia dar certo.
- Certo, conta logo, amiga! - eu disse.
- Assim, eu e você vamos gravar a dizendo o que sente pelo , vamos ter que fazer ela falar isso, o que não é difícil. e vão fazer a mesma coisa com . Essa é a primeira parte, depois a gente marca um jantar na casa dele e dá um jeito deles ficarem sozinhos e trancados em algum lugar, e é aí que entram as gravações deles se declarando, que nós vamos dar “play” na hora certa!
Quando ela terminou ficamos em silencio por algum tempo, até que voou em cima de gritando que era genial a idéia dela.
- Nossa, eu super topo! - exclamou pulando em cima de , que estava em cima de .
- Acho que pode dar certo mesmo. - eu disse sorrindo. - Dono da casa, posso pegar alguma coisa para beber lá na cozinha? - eu perguntei pro .
- Claro,eu vou lá com você,preciso conversar com a senhorita.
Certo, fiquei com medo, sério querendo conversar? A coisa estava feia para o meu lado.
Abri a geladeira, fingindo estar calma, e peguei uma coca, quando me virei estava encostado na bancada com dois copos na mão.
Depois de encher os copos, colocamos eles na bancada e nos olhamos, ambos sérios.
- O que foi, Daniel? - eu perguntei. Já disse que odeio quando me encaram?
- Precisamos terminar aquela conversa do telefone. - Ok, não acredito que ele ainda estava pensando naquilo.
- Ah, qual é, ?-eu disse revirando os olhos - Você é meu pai? Você sabe quantos anos eu tenho?
- Não, não sou seu pai e você deve ter uns 19.
Droga, ele acertou ainda por cima, incrível.
- Ta, agora me explica qual o seu problema.
Ele sorriu de lado e deu um passo em minha direção, meu coração deu um pulo e eu senti meu sangue ferver. Sua mão deslizou sobre a bancada e tocou levemente na minha, que começou a formigar. Ele foi percorrendo o caminho dos meus braços, deixando uma trilha de arrepios, e quando chegou no meu rosto as minhas bochechas já estavam quentes.
se abaixou um pouco, ficando centímetros do meu pescoço, eu podia sentir sua respiração quente acariciando a minha pele. Ele tocou meu pescoço com seus lábios macios e eu simplesmente não conseguia me mexer, não entendia o que estava acontecendo, além do obvio. O que raios estava fazendo?
- Quer dizer que você é toda entendida do assunto? - Ele sussurrou no meu ouvido e depois mordeu minha orelha, fazendo com que eu uma mistura de sensações me atingissem, aquilo era golpe baixo.
Minhas mãos automaticamente foram para o peito dele, eu não queria, mas não podia mais resistir aquilo.
- Hey,! Nós queremos beber também! - gritou da sala, fazendo com que pulasse para um lado da cozinha e eu para o outro.
Olhei para ele, que já havia se recomposto e agora pegava outros dois copos e enchia, como se nada tivesse acontecido ele me chamou para voltar para a sala.
Meu coração ainda estava acelerado e eu podia sentir as mãos dele no meu braço e no meu rosto enquanto seus lábios brincavam na minha nuca. Mas eu não podia e não ia me render a ele, o que eu estava pensando? Todos conheciam a fama dele, todas sabiam que ele não levava nenhuma mulher a sério. Além disso, como ficaria? Eu tinha que ser forte e me manter centrada nos meus objetivos, e eles não incluíam nenhuma paixão besta.
Voltamos para a sala e eu corri para me sentar perto de .Passamos a tarde inteira combinando os detalhes do plano e só fomos embora porque ligou para o meu celular querendo saber onde estávamos.

Thirteen
"Action!"
(Ação!)

Nós tínhamos uma semana para fazer as duas gravações,pois na outra sexta seria o grande dia,todos estavam muito animados.
Era uma quarta feira, já havia conseguido um gravador e nós fomos dormir na casa de .
- Nossa, faz muito tempo que eu não vejo os meninos. - comentou enquanto pegava a pipoca do microondas.
- É... A gente também - eu respondi.Claro que era mentira, pois eu e sempre os víamos para comentar os avanços do plano.
Olhei para e ela piscou para mim e mostrou o gravador na mão dela, querendo dizer que ela estava começando a gravar a conversa.
- Mas e aí, ,ainda quer dar o bote no ? - eu fui direto no assunto logo.
- Eu não sei qual é a dele. - ela respondeu
- Como assim? - perguntou olhando para mim,sorrindo.
- Às vezes eu acho que ele está afim e depois ele faz alguma coisa para essa certeza desmoronar,entendem?
- Mas e você? Gosta dele? -perguntei.
sorriu abobalhada e colocou a pipoca em uma bacia vermelha.
- Eu sempre gostei dele,vocês sabem. Mas não sei, eu pensei que essa minha paixão ia deixar de ser platônica agora que eu o conheço, mas nada acontece.
O plano estava dando certo,mas ainda precisávamos de mais declarações da .
- Porque não fala para ele? - perguntou .
- E falar o que? Que eu o amo desde o começo da banda e pensei justamente em vir para Londres por causa dele? Que eu tinha uma colagem nossa no meu quarto? Que quando eu o vejo meu estômago fica vazio e uma multidão de borboletas surgem e não param quietas? Que o nome para mim produz o som perfeito? - falava enquanto colocava muito sal na nossa pipoca, acho que estava nervosa.
- Menos sal, amiga, menos. - eu disse, rindo.
- Sei lá gente,porque ele gostaria de uma garota simples como eu? O que eu posso oferecer? - ela perguntou,agora seu olhar estava meio vazio.
Eu pensei nessa pergunta e ela me parecia tão familiar. Essa era a pergunta que eu sempre me fazia quando viajava sobre e eu.
- Para com isso, . Você é uma mulher linda,independente e a pessoa mais divertida que eu conheço! seria um retardado se não visse isso. Além disso, ele é igual a você, tirando as partes que diferem os sexos. - disse , pegando a bacia de pipoca da frente de .
- É, vocês tem dois olhos,uma boca... um coração. - eu disse tentando ser romântica.
riu e concordou com o que falamos.
- O que importa é que ele vai ter sempre o meu coração, sabendo disso ou não.
E pronto! Com essa frase de impacto terminamos a nossa primeira parte do plano, sorriu para mim super vitoriosa e eu devolvi.
No dia seguinte eu liguei para , só para variar um pouco e ele me disse que não conseguiram nenhuma declaração de .
- Ele não fala! Só diz que ela é legal. - disse no telefone
- Não acredito nisso! Ele não gosta dela?
- Sim, é a típica reação do quando gosta de uma mulher.
Respirei aliviada e até achei bonitinho,apesar de que isso estava atrapalhando nossa missão.
- O que faremos então?
- disse que vai apelar. Hoje ele vai meio que invadir a casa do e ver se acha algum bilhete ou alguma coisa sobre ela.
Tive que concordar, podia ser nossa única chance. Desliguei o telefone e corri para contar para o problema que tínhamos. tinha que conseguir até amanhã de manhã, ou estávamos ferrados.
Aquela noite eu quase não dormi, estava preocupada e feliz pela minha melhor amiga. Ela era tão batalhadora, sempre foi assim.
De repente senti um arrepio na minha mão, a mesma mão que havia tocado, e depois o arrepio subiu pelo meu braço. Levantei da cama meio tonta e aquela sensação passou, eu precisava parar de pensar naquilo.
Quando passei pela sala, vi meu celular aceso, havia uma mensagem nele:
“Quem é O cara? Consegui muito mais do que precisávamos! Tudo certo para amanhã.”
Quem mais podia me mandar uma mensagem idiota assim? Só mesmo. Decidi responder:
“Parabéns para o nosso amigo , ele é O cara mesmo! A gente se vê amanhã então!”
Não esperei a resposta e voltei para a minha cama, onde dormi profundamente, sem nenhum sonho.
Acordei tarde, o que era raro, então tive que ir correndo para o trabalho, onde não aconteceu nada de mais (em nenhum dos dois).
Voltei para casa umas 5 da tarde e fui correndo me arrumar. Tomei um banho, sequei e fiz chapinha no meu cabelo, depois peguei uma saia preta linda e uma blusa vermelha justinha, nos pés um sandália salto agulha.
Bati na porta de , que já estava pronta, blusa azul frente única, uma calça skinny preta e uma sandália salto agulha também.
- Nossa, que chique! - ela me disse quando abriu a porta.
- Hoje é um dia especial, amiga! E você ta arrasando! - eu disse rindo - Tudo pronto?
- Mais que pronto! Dei uma editada linda! -ela respondeu dando pulinhos - Vamos chamar a !
estava perfeita! Seus cabelos estavam lisos e formavam cachos nas pontas, que dançavam sobre seus ombros. Ela vestia um vestido preto justo, que modelava o seu corpo perfeitamente, não havia nela um defeito. Nos pés ela calçou uma sandália vermelha com pequenos laços de strass.
- Nossa, . - eu e dissemos juntas
- Hoje é noite de caçar. - ela respondeu rindo - Vamos logo suas bobas.
Eu estava tão animada que quase não conseguia controlar os sorrisos bestas que invadiam meu rosto, me olhava me repreendendo, mas eu sabia que ela estava no mesmo estado que eu, a felicidade da era a nossa felicidade.

Chegando na casa de , que não entendeu o porque da casa dele ter sido escolhida para a reunião daquela noite, fomos direto para a sala onde sentamos no grande sofá branco que havia ali.
Olhei para , que ao entender meu recado fez sinal de “ok”, ou seja, o plano estava dando certo, eles tinham a prova do .
- , qual aquele filme que você queria emprestado mesmo? -perguntou , enquanto , e conversavam animados sobre os melhores shows que eles já haviam ido.
- Aquele daquela capa com várias mulheres formando uma caveira, . - respondeu .
- Ah, sei lá, quer me ajudar a pegar? - ele perguntou se levantando - Vem você também, , já que está excluída aí.
- Valeu, hein? - eu respondi
Subimos para o quarto do , e lá ele explicou que chamou a gente para acertar os últimos detalhes, disse que duas caixas de som tinham sido instaladas na cozinha, escondidas, claro, e que o problema seria deixá-los sozinhos.
- Isso não é problema, podemos fazer como fizemos agora. - sugeriu .
- De cada um arranjar o que fazer? - perguntei.
- Isso! Aí a gente fecha a porta, liga o som e vaza. - ela respondeu.
- Ótimo! E então,quem está com fome? - Disse sorrindo.
Descemos para a sala e perguntamos para o pessoal se já podíamos ir para a cozinha, pois estava morto de fome. Todos concordaram, lógico.
Chegando lá, , , e sentaram e eu, e ficamos de pegar copos, pratos e talheres.
- , onde estão mesmo aqueles copos bonitos que você usa para ocasiões especiais? -perguntou .
- Lá no armário de vidro, na sala. -respondeu , voltando a conversar com .
- Me ajuda, ? -perguntou piscando.
Chegando na sala começamos a rir abobalhadamente, eu tentava fazer parar, mas estava rindo mais que ele, só paramos quando chegou e mandou a gente calar a boca. Depois de uns 3 minutos vieram e .
- Fecharam a porta? - perguntei
- Sim, eles nem perceberam! - respondeu
Então, foi até o aparelho de som e deu “Play”, as caixas de som começaram a reproduzir a gravação de conversando com a gente. Estava tão emocionante que decidimos ficar um pouco mais para ouvir.
“Eu sempre gostei dele, vocês sabem. Mas não sei, eu pensei que essa minha paixão ia deixar de ser platônica agora que eu o conheço, mas nada acontece.”
“Porque não fala para ele?”
“E falar o que? Que eu o amo desde o começo da banda e pensei justamente em vir para Londres por causa dele? Que eu tinha uma colagem nossa no meu quarto? Que quando eu o vejo meu estômago fica vazio e uma multidão de borboletas surgem e não param quietas? Que o nome para mim produz o som perfeito?”

- Caramba, que declaração, hein? - disse baixinho.
Olhei para e ele olhava para ,confesso que senti uma pontada em algum lugar do meu corpo, mas ela não me perturbou a ponto de causar qualquer manifestação em meu corpo. Então, começou a tocar uma música apenas com batuques, identifiquei rapidamente a voz de .

“Hey, little BIRD
(Hey,passarinho)
Do you know what you make me feel?
(Sabe o que você me faz sentir?)
Do you know what I want to steal?
(Sabe o que eu quero roubar?)
When I'm with you life seems to be easy
(Quando estou com você,a vida parece fácil)
And when I look in your eyes
(E quando eu olho em seus olhos)
I can see two fireflies
(Posso ver dois vagalumes)
You're so alive
(Você é tão viva)
I can't belive you're not mine”
(Não acredito que não seja minha)

A voz de saia rouca e lenta,mas a musica passava exatamente o que ele devia sentir,era lindo ouvir aquilo, ouvir em estrofes os batimentos cardíacos dele.

“Hey,
(Hey,)
This world is big enough for us
(Esse mundo é grande o suficiente para a gente)
And small for our Love
(E pequeno para o nosso amor)
You know,i have to say
(Você sabe,tenho que falar)
I'm feeling so alone
(Eu me sinto sozinho)
Do I have to explain?
(Tenho que explicar?)
Without listen to your voice
(Sem ouvir a sua voz)
I can't sleep
(Eu não consigo dormir)
I can't sleep anymore”
(Eu nunca mais conseguirei dormir)

Sentei no sofá,junto a ,que sorria, orgulhoso e emocionado pelo amigo. Eu queria tanto ver a expressão da naquele momento, queria tanto abraça-la e lembrar de todas as vezes que falamos do amor platônico dela. Qual seria a sensação de amar e ser amada?

“And why I have all those things
(E porque eu tenho tudo isso,)
If you're my destiny?
(Se é você o meu destino?)
You have all I need
(Você tem tudo que eu preciso)
I don't want anything
(Eu não quero mais nada)
You know what it's means
(Você sabe o que isso significa)
Be my girl
(Seja minha garota)
Be my girl”
(Seja minha garota)

[*Ps: Ao traduzir a música para português, não consegui rimar bonitinho, desculpe. A música foi completamente escrita por mim.]

Agora os batuques pararam e ouvimos bufando e depois dizendo”Não, não está bom o suficiente para ela” e, então, a gravação acaba.
Sem dizer uma palavra, nós cinco saímos da casa de e fomos para a de .
- Nossa missão está completa! - disse dando pulinhos e depois se jogando no sofá.
- Agora é só eles fazerem a parte deles . -eu disse me jogando em cima de , que deu um gritinho.
- Nossa, a parte deles é tão sacrificante . - Ironizou indo até a cozinha.
- Quem quer jogar vídeo game? - perguntou surgindo de não sei aonde com vários jogos.
Como foi a única que respondeu, foram os dois jogar Mario Kart, eu fiquei fazendo cócegas em e ele em mim, ambos gritávamos muito ele conseguia ser mais criança que eu.
- Quem está com sede? - perguntou voltando da cozinha com vários copos cheios.
- O que é isso? -perguntei.
- Um gostinho do Brasil. - ele respondeu sorrindo meio malvado.
se levantou e pegou um copo, cheirou, sorriu e o virou, tomando tudo em um gole só. Já disse que minhas amigas adoram beber?
- Caipirinha, ! - ela disse pulando e ignorando os pedidos de para que ela voltasse a jogar com ele.
Nem deu tempo de eu levantar e todo mundo já tinha atacado as caipirinhas, a única que sobrou foi a que estava na mão de . Quando me aproximei para pega-la, ele recuou, se divertindo as custas do meu sofrimento.
- Me dá! - eu disse, fazendo biquinho.
- Vem pegar! - ele riu
Assim que eu me aproximei e estiquei o braço em uma tentativa rápida de pegar o copo da mão de , ele me prendeu junto ao seu peito com o braço, me imobilizando. Imediatamente, o cheiro dele entrou em minhas narinas, envenenando todo o meu corpo. Quando me dei conta, aquela sensação de formigamento voltou. Aqueles cinco segundos,para mim duraram minutos, um momento em que só existia nós dois.
- Me solta, garoto! - eu disse,voltando a realidade.
me soltou e me deu o copo, ele estava com um sorrisinho bobo no rosto, quando olhei para trás, todos estavam com esse mesmo sorriso, menos .

Fourteen
"One night in a Mcguy house"
(Uma noite na casa de um Mcguy)
(Nota: coloquem “Your Love Is My Drug” da Ke$ha para entrar no clima desse capítulo)

Em menos de uma hora, todos estavam meio bêbados, inclusive eu. já se encontrava só de calça, dormia, dançava alguma coisa que ele havia acabado de inventar e o aplaudia com risadas histéricas.
O bom de quando eu ficava bêbada era que eu não cometia nenhuma loucura, eu ficava com sono, só isso. Decidi ir dormir, obviamente esqueci que nem tinha sido convidada para ficar, e perguntei para onde eu podia descansar sem aquele barulho irritante.
- Sobe a escada, segunda porta a esquerda. - Disse meio lerdo, porém consciente. Acho que a bebida nem o afetava mais.
Os degraus pareciam que não acabariam nunca e meus joelhos doíam, me sentia muito pesada. Quando finalmente cheguei no quarto, fui pega por aquele cheiro tão familiar, não reparei muito no lugar, só me joguei na cama e afundei no travesseiro que ali se encontrava, logo fiquei em um estado em que eu não sabia se estava dormindo ou não.
Não sei quanto tempo passou, nem sei se estava imaginando, mas ouvi a porta se abrindo e passos em minha direção. Nem me atrevi a me mexer para ver quem era, continuei deitada de lado com os olhos fechados.
Depois de alguns segundos de pleno silencio, ouvindo só a respiração da minha ilusão, seus dedos tocaram o meu tornozelo e foram subindo como se tocassem piano. Meus músculos se contraiam quase que imperceptivelmente a cada toque, a aspereza daqueles dedos faziam com que eu me sentisse tão confortável que era quase uma cantiga de ninar para mim.
Seus dedos pararam em meu rosto e o acariciaram devagar, senti um ar quente muito próximo de mim e não agüentei a curiosidade de abrir meus olhos.
Fitei aqueles olhos coloridos por um bom tempo, tentando distinguir sonho de realidade, mas a bebida e o sono não colaboraram e eu logo mergulhei na escuridão, murmurando apenas o nome dele.

Acordei com o clarão que vinha da janela e demorei uns bons minutos até lembrar de tudo que havia acontecido, quando levantei, minha cabeça girou e eu caí de novo na cama. Virei para o outro lado e tombei no chão gelado, o que foi bom porque eu comecei a ficar mais lúcida.
Quando finalmente consegui me levantar, fui arrastando minhas pernas até a porta e ao abri-la, encontrei um sem camisa deitado no chão, apoiei meu corpo pesado na porta e fiquei olhando cada pedaço do seu corpo. Apesar de todas as coisas que gritavam para que eu saísse de lá e parasse de pensar no , eu não conseguia me mover, não conseguia ficar longe dele. Fiquei olhando, porque olhar não é pecado, certo? Talvez seja um pecado subliminar ou...
- Quanto tempo mais você vai me secar? Assim vou virar um palito!
Saí, assustada, de meus pensamentos nada normais e me deparei com um com os olhos bem abertos. Rapidamente tive que pensar em uma boa desculpa, mas acho que minha resposta não deve ter convencido, porque nem eu mesma acreditei.
- Estava só me certificando de que você não estava morto.
sorriu ironicamente e se levantou, ficando na minha frente.
- Estou bem vivo, . - disse ele bem perto do meu rosto, minhas narinas foram invadidas por um cheiro forte de álcool e eu, ao ficar tonta, caí no chão. Foi uma cena patética. não parava de rir e a risada dele me parecia alta demais.
- Cala a boca... ... - eu disse gemendo.
Ele bufou e de um jeito totalmente sexy levou as mãos no cabelo e o bagunçou, ficando melhor do que estava. Olhei para o outro lado tentando me concentrar em fazer minha dor de cabeça passar, coisa que o ,definitivamente, não estava colaborando.
- Vem, eu te ajudo a levantar! - ele falou, ficando na minha frente e me dando as mãos.
Eu as peguei sem pensar muito e ele, automaticamente, me puxou para si, assim, além de levantar, eu estava envolta por seus braços.
- Ok, , obrigada. - eu disse, tentando sair do abraço dele, o que só seria possível se ele deixasse.
Ele deu uns passos para frente, o que fez com que eu fizesse o mesmo movimento, senti uma coisa gelada em minhas costas e depois fui descobrir que estava encostada na parede .Suas mãos apertaram minha cintura e sua barriga pressionou meu corpo. Devo dizer que todo o ar que eu precisava para aquele momento já tinha ido embora e agora eu respirava com dificuldade.
Seu rosto estava mergulhado no meu cabelo e eu podia sentir sua respiração quente no meu pescoço, minhas mãos não obedeceram meu cérebro e envolveram o pescoço de .
- Acho que ainda estou bêbado... - disse ele me soltando, acho que finalmente tinha caído em si.
Aquilo me deixou meio triste, mas eu coloquei toda a culpa em mim, que não fui forte o bastante.
Descemos para tomar café da manhã, e já estavam lá.
- Bom dia...- eu disse.
- Dormiram juntos? - perguntou séria.
- Claro que não, encontrei esse aí jogado no corredor. - eu respondi sorrindo.
- Só você mesmo, . - ela disse indo na direção de e o abraçando.
retribuiu o abraço na mesma intensidade de e aquilo se converteu em uma careta em minha face.
- está dormindo ainda.
Olhei pro lado e vi que falava comigo, olhei para ele e senti que tentava, por alguma razão, me tirar daquela situação.
Quando entrei na sala, me deparei com um sem camisa e só de cueca deitado de barriga para baixo no sofá,aquele não era meu dia, definitivamente. Mas, diferente de , era livre para mim, não? Pelo o que eu saiba nenhuma das minhas amigas gosta dele, então porque eu não conseguia sentir nada de mais por ele? Eu só conseguia comparar seu corpo com o de .
Balancei a cabeça tentando escapar de meus próprios pensamentos e deitei em cima de , que resmungou qualquer coisa e, em um movimento rápido, se virou.
- Bom dia, ! - Eu disse sorrindo, olhando para aqueles olhos lindos.
abriu lentamente os olhos e deu um sorriso lindo ao me responder:
- Bom dia, linda.
Achei tão bonitinho que o abracei, me aninhando em seu peito e ali perdi a noção dos segundos e dos minutos, a única coisa que eu queria era ficar forte para resistir ao .
Quando abri meus olhos, estava sozinha no sofá e pelas vozes, todos estavam na cozinha. Me senti meio insignificante, como se a minha presença não fizesse diferença alguma e decidi sair daquela casa.
Como o condomínio era grande, só ele já bastaria para a minha caminhada “esfria cabeça”. Fui olhando para cada casa e pensando quando na minha vida eu conseguiria um lugar assim para mim, quantos frapuccinos e muffins eu teria que vender ? Foi aí que eu lembrei da minha amiga , e ela sim era sortuda! Não precisou sofrer tanto por amor, pois o a escolheu também. Sim, ela havia sido escolhida por um McFLY, o que podia ser melhor do que isso?
Avistei um campo verdíssimo, acho que o usavam para jogar golfe. Andei um pouco e deitei na grama macia,aquilo sim que era relaxante!
Comecei a lembrar do Brasil, da minha vida antiga em que meus maiores problemas se resumiam ao colégio. Quando eu resolvi mudar de país e tentar a vida na Inglaterra, virei as costas para muitas coisas e até pessoas, mas pensei que tudo iria valer a pena e é isso que ainda me motiva.

FIVETEEN
"Confuse"
(Confusa)

Começou a ficar frio e meu corpo, de vez em quando, tremia. Me sentei, meio tonta, e passei as mãos no cabelo, bagunçando-os. Às vezes eu tinha esses momentos bipolares em que eu mudava bruscamente de humor, era comum para mim, eu só precisava ficar sozinha e pensar.
Olhei para o lado, ao perceber uma movimentação na grama e avistei se aproximando, dei um meio sorriso quando ele se sentou na minha frente.
- O que houve, ? Ninguém entendeu porque você sumiu. - disse usando um tom fraternal, o que me fez lembrar da minha mãe.
- Precisava pensar um pouco... esfriar a cabeça.
- O que a está incomodado? - Ele perguntou abraçando as pernas.
- Saudades de casa. - Claro que não era só isso, mas ultimamente a saudade estava apertando.
- E...? - perguntou como se soubesse que tinha mais alguma coisa.
- E o que? -perguntei.
- Vai, , pode ser sincera comigo.
- Estou sendo.
- Sim, mas está ocultando problemas.
- E quais seriam eles?
- Vamos começar pelo . - disse sorrindo calmamente.
- ? - bufei revirando os olhos.
- Sim,eu sei que você sente algo por ele.
Olhar para me deixava nervosa, ele era calmo demais. Desviei meu olhar para o lado, tentando ignorar sua presença e o assunto.
- O que te impede?
Olhei de volta para ele, que por sua vez não ia desistir daquilo tudo.
- Tudo! Ele, o trabalho, vocês e a ! Eu não posso gostar dele, , e eu não vou gostar dele. - respondi firme.
- Ok, vamos com calma! Porque ele atrapalharia?
- Você conhece o melhor do que as revistas, sabe o que falam dele.
- Entendo, próxima razão!
- Não quero misturar as coisas, ele trabalha comigo e tem que ser só isso. - eu disse - Tá, e a amizade, lógico.
- Hmm... próximo.
- Vocês são amigos, nós estamos ficando amigos... eu não quero estragar isso, .
- Certo, agora vem o mais intrigante.
- A é apaixonada por ele desde quando morávamos no Brasil e eu não quero estragar o sonho dela.
- Que é o seu também, certo? - ele tentou completar.
- Não, o meu sonho é o meu trabalho.
- , acho que está exagerando, não pode se privar da felicidade assim.
- Só não conte para ninguém, , por favor! - eu olhei bem nos olhos dele, implorando.
- Claro que não! Olha, me considere além de amigo, um confidente, Ok? - ele me disse, se aproximando e me abraçando, aquilo foi muito reconfortante.
Depois de alguns minutos, voltamos para a casa e eu não dei explicações para ninguém, simplesmente guardei todos os meus pensamentos para um outro momento.

SIXTEEN – Part One
"Happy couple"
(Casal feliz)

Como já passava das 3 horas, e segunda feira a vida de todo mundo voltava ao normal, decidimos “invadir” a casa de . A porta não estava trancada, então entramos quase não fazendo nenhum barulho.
Na cozinha, vimos os pratos e copos da noite anterior ainda sujos sobre a mesinha que preparamos, sinal de que eles ainda não haviam acordado.
- A noite deve ter sido boa, estão exaustos. - sussurrou dando uma risadinha depois.
- Aposto que sim... - respondeu , só que um volume mais alto.
- Silêncio, . - eu disse.
me olhou, meio confuso, mas calou-se. Fomos para a sala de estar, onde encontramos os sapatos dos dois, aquilo estava ficando interessante. Subimos as escadas e paramos na frente do quarto de , que estava com a porta fechada.
- Certo, devemos abrir? - perguntou .
- Não sei se seria correto invadir a privacidade deles e...
foi interrompido por um abrindo a porta lentamente,todos estavam curiosos demais para pensar em alguma coisa. Quando abrimos tudo, nos deparamos com a coisa mais óbvia e esperada: e em uma cama de casal GIGANTE.
O que a gente não esperava é que só estivesse coberta e em uma reação normal de garotas, eu e demos um grito seguido por risadinhas e uma fechada brusca na porta.
- NÃO! VOCÊS DEVEM TER ACORDADO ELES! - gritou .
- Isso, , muito bem! Agora eles acordaram mesmo! - eu respondi irônica.
- Vocês nunca viram um homem pelado? - ele perguntou.
- Isso não vem ao caso. - eu respondi encerrando a conversa.
De repente a porta se abriu e aparece só de cueca:
- Bom dia. - ele disse bocejando.
- Acordou, princesa? - perguntou .
- Claro, algum idiota gritou “não”... impossível não acordar. - ele respondeu.
Olhei para e sorri vitoriosa.
Assim, ficamos o resto da tarde na casa de , jogando cartas e conversando, até que tivemos que ir embora.
- Ok, amiga, pode contando tudo! - disse assim que pisamos no apartamento dela.
- Exatamente, detalhes! - eu completei.

SIXTEEN – Part Two
"Happy couple"
(Casal feliz)

deu algumas voltas em círculo e depois de alguns segundos olhou fixamente para nós duas, que ficamos esperando. Por fim ela disse:
- Só vou contar porque o planinho de vocês deu certo.
- Foi genial, não? – disse se orgulhando de tudo.
- Não vou nem comentar. – respondeu .
- Ok, conte logo. – eu disse, desesperada.
- Bom, depois das gravações, que eu nem quero comentar, nós ficamos um pouco em silêncio até que perguntou se eu havia gostado da música. Claro que eu disse que achei linda e voltamos a ficar em silêncio.
- E...? – perguntou , quando percebemos que tinha parado de contar.
Ela sentou no sofá e continuou:
- Aí a gente comeu conversando algumas besteiras, tentando evitar ao máximo o assunto ‘declaração’ ou só esperando que o outro o fizesse. Aí fomos para a sala e terminamos a garrafa de vinho, de repente pegou numa mecha de cabelo minha e se aproximou dizendo uma parte da música dele ‘Be my girl’.
- Aí ele te beijou? - eu perguntei.
- Claro que não,eu comecei a chorar! - ela disse revirando os olhos.
- Tá, e como vocês foram parar na cama gigante? – perguntou , me fazendo rir.
- Caladas. Aí eu meio que deitei no peito dele e ele ficou acariciando meu cabelo e falando o quando gostava de mim e que isso fazia um tempo. Então, enfim ele perguntou se eu me sentia da mesma forma, pois eu não estava respondendo nada,e u disse que sim e quando olhei para ele, seu rosto estava próximo demais e só pude ver um sorriso e depois fechei os olhos.
- E então? – perguntei.
- Ué, aí a gente se beijou.
- AHHHHH! – eu e gritamos ao mesmo tempo, fazendo rir e ficar vermelha.
- Vai, conta a parte pornô! - eu disse
- ! Que horror – disse –, mas eu super apoio – e completou.
- Ok. Depois de um bom tempo de beijos, a coisa foi ficando mais forte e aquele sofá é pequeno demais, então ele disse para a gente ir pro quarto dele, mas que não estava forçando nada.
- , a coitadinha sendo forçada. - eu comecei a rir.
- Mal sabe ele que ela já estava implorando mentalmente. - completou .
- Fiquem quietas! Como eu ia dizendo... a gente foi pro quarto dele, começamos a nos beijar de novo e quando eu vi, já estava só de calcinha. E o resto vocês já sabem...
- É grande? – perguntou , o que me fez rir alto.
- Suas palhaças, estou indo embora! – foi até a porta e a abriu – E é grande sim. – e fechou, indo embora.
Não vou nem dizer o quanto eu e rimos aquela noite, claro que iríamos tirar sarro da pelo resto da vida dela por causa daquela resposta.

SEVENTEEN
Best friend, not Boyfriend.
(Melhor amigo,não namorado)

Naquela mesma semana, fomos à casa de de novo, pois agora ele e estavam namorando e claro que não íamos deixar ela ir até a casa dos guys sem ir junto. O fato foi que estava meio distante de mim e cada vez mais próximo de , o que me deixava feliz e triste ao mesmo tempo. Naquele dia, havia saído com a namorada e e foram sei lá pra onde, então, ficamos só eu, , e .
A conversa não fluía de jeito nenhum e de repente vi duas duplas de conversa surgirem, pois estava me evitando e só via o dito cujo na frente dela. deu um longo suspiro e me perguntou se eu queria ir na casa dele, eu aceitei e saímos daquele inferno.
A casa dele era tão lindinha, tudo nela lembrava ! Era como se aqueles objetos tivessem sido feitos pensando no que ele gosta, no jeito dele... era muito lindo!
Depois de vermos toda a casa, comido pão com nutella e bebido umas cervejas (combinação que eu nunca teria sugerido), fomos para o quarto dele. Eu logo liguei o Pc e entrei na net (net lê-se ‘twitter’) e entrou automaticamente no twitter dele! Lógico que eu zuei muito, até que ele percebeu.
- Hey, o que você está twittando? - ele perguntou largando uma revista e vindo em minha direção. - Esse é o MEU twitter? – ele perguntou de novo.
- Claro, . – eu respondi rindo.
- Você está me difamando! Que amiga ruim! –ele disse fazendo uma voz de coitadinho.
- Olha, eu sempre te acompanho no twitter e você mesmo se difama, desculpe. -Eu respondi séria.
- Nossa! Agora pegou pesado! - ele respondeu me abraçando, com cadeira e tudo, e me puxando para trás. Cai lentamente, pois ele não ia deixar que eu me machucasse. Mas ele pulou em cima de mim e ficou fazendo cócegas e me apertando. Típica brincadeiras que homens curtem fazer com mulheres.
- FILHO DA MÃÃE! - eu gritava e apertava ele também.
- VOU TE MORDER!RAWWWR! –e le gritou e começou a morder minhas bochechas, eu empurrava ele em vão. Não parece, mas ele é fortinho... Hmmm... parei.
Logo eu cansei e desisti,deixando ele morder e babar em mim, talvez assim ele saísse de cima de mim. Mas aí as coisas ficaram extremamente estranhas, repetindo, EXTREMAMENTE estranhas. Antes, ele mordia minhas bochechas de brincadeira,mas aí ele parou e desceu o rosto para o meu pescoço e as mordidas ficaram provocativas.
Automaticamente meu corpo todo se arrepiou e eu fiquei indecisa sobre empurrá-lo ou agarrá-lo, porque, caramba! Era ali em cima de mim. Eu decidi brincar e ver se podia sair daquela situação sem ficar constrangedor consegui sair de seus braços, e da cadeira, e rastejar para ‘longe’. fez o mesmo e segurou minha perna, me puxando de volta.
- Te assustei? – ele fez uma cara bonitinha.
- Por que teria assustado? – Ok, eu não consigo medir o que eu falo.
- Você é durona, hein? - ele deu risada. - Esse negócio da está me deixando meio pra baixo. - ele disse sentando na cama.
- Por que? – eu perguntei, me sentando também.
- Porque eu to afim dela, e ela nem aí, só tem olhos para o . O que? Eu não faço o tipo dela? Ela não curte loiros? – ele disse, me fazendo rir. – Por que está rindo?
- Você faz o tipo de qualquer uma, . – Mais uma vez, eu não controlo o que eu falo.
- Isso é um xaveco, ? – ele perguntou, sedutor.
- Você está carente hoje? Meu deus. – eu disse revirando os olhos.
riu e quando eu vi, ele estava tirando a camisa. Juro, que quase infartei! O que estava acontecendo com ele aquele dia?
- Ok, coloque essa camisa. – eu disse, tentando olhar para o outro lado.
- Nós somos amigos, ,não tem problema. – ele disse.
- Do que está falando, ?
- Que não tem problema você me ver sem camisa.
- Ah tá.
- Já tava pensando besteira! Que horror! – ele disse com voz de mulher.
- Nossa, você é tão machão. – eu respondi e me arrependi.

SEVENTEEN – Part Two

pulou em cima de mim, ou melhor,voou em cima de mim,e ao invés de fazer qualquer coisa, simplesmente me abraçou, acho que no fundo ele só estava carente mesmo. Passei a mão gentilmente por seus cabelos, que aliás conseguiam ser mais sedosos do que de qualquer garota.
- , você é tão sujo, como seu cabelo é tão gostoso? – não resisti em perguntar e tirar uma com a cara dele.
- Eu só sou sujo quando estou em turnê. E se toda a obra é gostosa, por que com o cabelo seria diferente? -ele respondeu dando risada.
- Nossa, hein? Isso que é autoconfiança.
- Por que você acha que ela não gosta de mim? – perguntou após um longo suspiro, mudando de assunto.
- Não acho que seja isso, simplesmente ela não consegue te ver porque está cega.
- Pelo ?
- Sim, você tem que entender que ela vive um amor platônico por ele faz muito tempo e agora, é normal ela querer transformar esse amor impossível em real.
- E se ela conseguir?
- Ah, , aí você não poderá fazer nada. – eu suspirei, não gostava daquela situação, queria ver os dois felizes.
Então, ele afundou sua cabeça no meu cabelo e ficou por alguns minutos imóvel, eu podia sentir sua respiração quente no meu pescoço e não sabia quanto tempo mais eu agüentaria. Minha sorte foi que “What’s my age again” começou a tocar e sentou na cama para atender seu celular, depois de alguns “ta” e “ok”, ele desligou e olhou para mim, que também já estava sentada.
- É o perguntando onde a gente está e blábláblá. - Ele disse, por fim.
- Então é melhor irmos,você não vai querer deixar a sozinha com ele por mais tempo, vai?- eu disse me levantando e abrindo a porta do quarto. Quando olhei para trás, ele já me seguia.

EIGHTEEN
"Trying to get you and to escape"
(Tentando ter você e escapar)

Quando chegamos na casa de , o encontramos e sentados no sofá assistindo TV,por incrível que pareça. me olhou com um olhar urgente e eu logo entendi que ela queria conversar comigo, o que era tudo que eu precisava naquele momento. Ironia, claro.
Então ela levantou e me chamou para ir ao banheiro com ela,chegando lá ela começou:
- Eu não tenho assunto com o . –ela disse desesperada.
- Como assim?
- Não sei, eu não consigo pensar em nada inteligente para falar com ele.
- Ele não puxa assunto? - perguntei
- Puxa um pouco, mas logo acaba. Não sei o que fazer.
Foi aí que eu decidi sair um pouco do lado dela e ser legal com o , coitado. Eu sei que foi totalmente egoísta de minha parte, mas eu também sou humana.
- Tenta ficar um pouco com o . – eu disse,controlando o anjinho e o diabinho do meu lado tagarelando.
- Você diz para tentar fazer ciúmes? - ela perguntou se animando.
- Exatamente. é um conquistador, quando ele ver que você está saindo da dele, vai querer de volta. - Acho que depois dessa ficou claro qual dos dois lados ganhou.
super aceitou minha idéia idiota e voltamos para a sala, automaticamente ela foi cumprimentar e eles começaram a conversar animadamente. Eu, que não tinha nada para fazer, sentei ao lado de .
- Onde vocês estavam? – ele perguntou sem olhar para mim.
- Na casa de . - eu respondi meio insegura.
- Ah tá. – ele disse monotonamente
Após uns dez minutos de silêncio total entre mim e , somente ouvindo ao som da televisão e as gargalhadas de e , resolveu falar alguma coisa:
- Hey, semana que vem vamos a uma festa muito legal, vocês querem ir também?
Ok, fiquei muito surpresa e extremamente animada com o convite.
- Claro, é no sábado? - perguntei. - , quer ir na festa dos guys?
Automaticamente respondeu que sim e então marcamos de nos encontrar no local da tal festa.

Voltando a realidade, já era segunda feira novamente e eu,pobre mortal, tinha que ir trabalhar. Quando cheguei no estúdio percebi que Ian estava sozinho, o que eu realmente achei estranho. Me aproximei e dei um “oi”do tipo mamãe-me-deu-educação.
- Oi, tudo bem ? – Ian sorriu simpático ao responder.
- Sim e você? - eu respondi surpresa.
- Tudo certo. –ele disse e se virou para a frente.
- A Liza não chegou ainda? –perguntei puxando assunto.
- Não,estranho,ela nunca se atrasa.
Interessante,o que será que havia acontecido com a tal da Elizabeth-vadia?Algo revirou dentro de mim, típica reação quando eu sentia que alguma coisa não muito boa ia acontecer. Respirei fundo e lentamente a sensação desapareceu. O ensaio começou,obviamente sem Liza,e,modéstia a parte,minha voz estava muito melhor.Eu conseguia atingir níveis altíssimos e estava bem afinada.
Tudo estava muito bem,quando a porta da frente do auditório se abriu e eu vi Liza e logo atrás dela vinha . Sim,vou repetir para aqueles que tiveram que processar a informação novamente como eu: estava entrando com Liza. Ela ria e olhava para trás e ele repetia as risadas, todo viadão. Nossa, que raiva que eu fiquei, meu corpo todo se estremeceu e meus olhos arderam. O que eu podia esperar do ? Absolutamente nada.
Ele sentou em uma poltrona e começou a assistir o ensaio, olhando para todo mundo que ali se encontrava menos para mim, que teoricamente era amiga dele. Não me deixei afetar por aquela atitude estranha dele e dei o melhor de mim, não podia mostrar para a Liza que o fato dela ter saído com o me afetou, não, eu era melhor que isso.
Terminado o ensaio, saí rapidamente, quase que correndo. Só consegui respirar quando abri a porta principal e me encontrei na rua, fechei os olhos por um instante e quando os abri tomei coragem para seguir para casa. No caminho fui pensando a razão de tudo aquilo, por que o estava tão estranho comigo? Talvez eu o considere mais amigo do que ele me considera, afinal ele é meu ídolo e eu sou só uma fã que ganhou mais do que uma promoção para ficar perto dele. Patético.
Quando cheguei em casa, rastejei para meu quarto e caí na minha cama macia. Meus olhos não se fechavam e minha respiração estava muito lenta. “Não se pode ter tudo, ”, eu repetia para mim, mas se eu pudesse escolher a música e o amor iria preferir dar esse amor para a , era ela que deveria ficar com o , não eu e muito menos Liza.
Em meio a esses pensamentos a campainha tocou e eu tive que levantar,coisa que meu corpo não queria, pois estava muito pesado,me forçando a ficar na cama. Porém eu fui até a porta e a abri, me deparando com uma calça jeans escura, uma camiseta branca gola V e um vestindo-as.
- O que você quer? – perguntei, deixando claro o meu tom de voz totalmente desprezando a visita dele.
- Posso entrar? – ele perguntou inseguro.
- Não.
- Por quê? –ele perguntou surpreso, porém eu sentia que ele estava se divertindo com aquilo tudo.
- Porque eu sei que errou de endereço, a Liza não mora aqui.
riu,aquela risada que eu adorava ouvir,e respondeu:
- Ora, ,deixa de crise de ciúmes. – e falando isso forçou sua entrada e eu acabei deixando.
Fechei a porta quando ele entrou e bufei ao me virar para olhá-lo
- Na verdade eu fui te ver hoje, mas a tal da Elizabeth chegou junto comigo e a gente ficou conversando, ela é bem bonita, sabia? - ele disse se divertindo.
- O que você quer, ? Mostrar o quanto você pode com todas as mulheres? Sabe, eu sou sua amiga, mas não sou um menino que você pode contar como trata suas namoradas. Eu sou mulher, . - eu respondi, atropelando-me nas palavras.
parou por um segundo e ficou me encarando sério, depois, de repente, me pegou pela mão e me puxou até meu quarto, parando de frente para mim. Ele se aproximou devagar e foi nesse instante que meu coração começou a disparar, me dando a impressão que abria caminho para sair pela boca. Suas mãos deslizaram delicadamente pela minha cintura e em um movimento repentino me puxou para junto de seu corpo, eu não conseguia desviar da profundidade de seus olhos, que me prendiam tão bem quanto suas mãos. Então, seu rosto foi se aproximando do meu e a proximidade me fez fechar os olhos para, finalmente, sentir a maciez de seus lábios. No começo nossas bocas se tocavam delicadamente e minimamente, como se estivessem se conhecendo, porém nenhum de nós estava agüentando aquela demora, pois o desejo era maior do que qualquer formalidade. Foi quando eu envolvi o pescoço de com meus braços e ele apertou ainda mais minha cintura, colando nossos corpos de modo que eu podia sentir cada músculo de seu corpo se contraindo, que o beijo ficou intenso e eu tive que dobrar minha atenção no modo de respirar, aquilo era emoção demais.
Imagina você, adolescente, brasileira e olhando seus ídolos na TV, sonhando com aquele cara inglês de sorriso sincero. Quantas vezes eu não gritei ao vê-los em qualquer programa ou enquanto tomava banho no banheiro e a música deles começavam? E qual foi a minha sensação ao pisar em solo inglês? A primeira coisa que eu pensei foi que talvez um dia ele podia ter pisado ali, porém foi que conseguiu dizer isso, me lembro até hoje dela ter dito “Ai meu deus,e se já tiver pisado nesse pedaço de chão? Vocês já pararam para pensar que agora a chance de respirarmos o mesmo ar que eles é bem maior?” Na hora eu fiquei emocionada, apesar de ter sido uma bobagem ela dizer aquilo, mas o que eu queria? Éramos bem jovens, bobas e vivíamos um amor platônico.
“Não se pode ter tudo, .” A frase me veio no meio desse turbilhão de lembranças e sensações no mesmo instante que me deitava na cama e beijava com mais vontade a minha boca. Por que eu não podia ter as duas coisas? Aliás, o que era mais importante, a minha carreira musical e ser leal com a minha melhor amiga ou viver um amor adolescente com um astro da musica? Então eu lembrei do dia em que falei com , naquela festa de inauguração,que ele achou que eu fosse uma groupie e já estava querendo me pegar... como eu não dei bola para ele, provavelmente ele transou com Liza no banheiro da festa após os dois se encherem de álcool.
- Para, ! – eu exclamei sem pensar muito, partindo o beijo e fazendo-o se distanciar de mim muito surpreso.
- Estou indo rápido demais? – ele perguntou enquanto arrumava o cabelo. Meu deus, como ele era lindo! Ok, foco .
- Não...eu...não posso, . – eu disse com alguma dificuldade. Na verdade, eu não sabia o que seria certo fazer, mas naquele momento não dava para fazer mais nada e eu já havia feito minha escolha. Se era certa ou não, eu não poderia saber.
- Por que? Você não sente o mesmo que eu? – ele disse meio abalado.
- E o que você sente, ? Tesão? Meu deus, isso você pode ter com qualquer garota! Pensei que eu não fosse qualquer uma para você. – Tá, totalmente clichê isso que eu falei, acho que estou perdendo o foco.
- Claro que você não é qualquer uma! Do que está falando, ?
- Estou falando que não posso continuar. – droga, isso estava mais difícil para mim do que eu pensava, algo dentro de mim dizia que era errado, que era um grande sacrifício.
- Eu sabia! Sabia que você era afim do ! – ele disse levantando da minha cama e dando voltas pelo quarto, totalmente irritado.
- Do que está falando? - agora eu estava surpresa.
- Vocês vivem grudados, ele te faz rir, você o abraça... passam horas conversando! Eu tentei me afastar, mas você se aproximou mais dele!
Meu coração doeu tanto quando ele disse isso ,agora eu sabia o real motivo dele se afastar. A dor tomou conta do meu interior e transbordou em forma de lágrimas, que escorreram quentes pelo meu rosto.
- Eu não gosto do , não dessa maneira. - eu disse com dificuldade.
Ele bufou e passou a mão pelo cabelo,de novo,depois sentou na cama de frente para mim
- Se não é isso, o que te impede de ficar comigo?
- Tudo,! Primeiro que você nem quer ficar comigo!Ou você está dizendo que quer compromisso? Nós dois sabemos como você é e eu não te culpo, afinal você é famoso e meninas do mundo todo dão em cima de você. Além disso, eu não posso me envolver com alguém do trabalho... eu não vim até aqui para me dispersar na primeira oportunidade.
Ele nada disse, só levantou e se direcionou até a porta do meu quarto,depois se virou e me deu uma ultima olhada, dessa vez cheia de tristeza, antes de ir até a porta principal e batê-la.
Quanto eu ouvi que ele foi embora não agüentei e chorei feio uma criança. Chorei tanto que fiquei sem ar diversas vezes. Eu havia acabado de ter o melhor momento da minha vida, havia acabado de viver o que eu sonhei muitas vezes e havia acabado de jogar tudo isso no lixo. Eu me encolhi, de modo a me abraçar, eu queria sentir seus braços em mim novamente,queria me sentir segura e desejada. Mas ao invés disso senti uma imensa solidão e sensação de perda profunda que não passaria com rapidez.

NINETEEN
"Broken hearts"
(Corações partidos)

O dia da tal festa que fomos convidadas chegou, já havíamos nos arrumado e agora esperávamos nos buscar, pois havia tido um contra-tempo e iria no encontrar já na festa. Como se eu fosse acreditar nisso. Durante todo aquela semana eu nem tive notícias de e só de ouvir o nome dele meu corpo doía e meus olhos ardiam, mas eu tinha feito minha escolha.
Quando chegamos na festa, e foram na frente, de mãos dadas, cumprimentar , sua namorada e .
- Oi. – eu disse ao chegar na minha vez de cumprimentá-lo.
- Oi. –ele respondeu e após olhar nos meus olhos alguns segundos, sorriu para e a chamou para dançar, me deixando ali.
Olhei para , buscando um ombro amigo, mas ele já havia desaparecido com a sua namorada. Procurei então e , mas eles também não estavam mais lá.
Sentei no bar e me recusei até de tomar um drink maravilhoso que o garçom me ofereceu, tudo que eu conseguia ver na minha frente era o e, conseqüentemente, a dançando. Dava para sentir o clima e o tesão deles de longe, eles dançavam grudados e insinuantes.
- Bela cena, não?
Olhei para o lado e vi um tão arrasado quando eu.
- O que eu faço? – ele perguntou.
- Vá até lá e puxa ela para dançar. - eu respondi ao ver que saiu de perto dela e agora ela se encontrava sozinha no meio da pista.
- Certo, vou aproveitar e falar tudo, ! – se distanciou de mim feliz da vida e super confiante e eu assisti uma cena de cortar qualquer coração.
Eu vi tudo em câmera lenta. Imagine um “V”,na primeira ponta da letra se encontra ,que caminha até o meio, onde está . Porém nesse mesmo instante, está chegando da outra ponta até o meio também. Infelizmente chegou mais rápido e em um movimento ligeiro puxou para si e começou a beijá-la de uma forma extremamente provocante. estava a uns cinco passos do casal e eu vi, de onde eu me encontrava, seu coração sair do peito e se rasgar em milhões de pedacinhos, que automaticamente se transformaram e pó.
Assisti a pegação do casal até eles sumirem na multidão, depois daí não sei para onde foram. Então decidi procurar , mas não o achei, foi quando uma pessoa sem equilíbrio nenhum se jogou em cima de mim e falou, com seu bafo de vodka:
- ... Leva-me pra caixa...
Nem precisei me virar para saber que era totalmente bêbado e arrasado.
- Você quer dizer “casa”.
- Foda-se. - ele retrucou.
Avisei que levaria para casa dele e fomos embora, no caminho ele me pediu para dormir na minha casa e eu, como estava precisando também de um ombro amigo, decidi deixar.
Quando entramos, já comecei a preparar o lugar dele no meu sofá, porém quando fui chamá-lo para deitar na sala, encontrei ele na minha cama em um sono profundo. Suspirei e fui tomar um banho, era tudo que eu precisava. Deixei com que a água levasse todas as minhas responsabilidades, problemas e lembranças ruins, eu não precisava daquilo. Coloquei um pijama masculino bem largão e me deitei ao lado de , sem fazer nenhum barulho.
Não consegui dormir de imediato, por isso senti a mão de acariciando minha barriga, só o que me faltava era ele ficar tarado quando bebe.
- ,vai dormir. – eu disse.
Ele se virou para mim e me olhou bem nos olhos, não parecia bêbado.
- Eu não bebi tanto para não ter consciência do que estou fazendo, .
- Então pare e vá dormir. – eu retruquei.
- Eu sei que não sou o único aqui com o coração despedaçado. Só não quero ficar sozinho essa noite e sei que você também não quer. Por favor, faça essa dor parar só por algumas horas.
A intensidade com que ele falou e a necessidade do meu corpo de se sentir acolhido falou mais alto do que qualquer sinal de sanidade que havia em mim.
Começamos a nos beijar, no começo foi bem estranho, mas não vou negar que o era gostoso demais para se ignorar. Nós éramos bem amigos, mas não estávamos apaixonados, então seria algo totalmente físico.
mordia meu lábio inferior enquanto suas mãos procuravam se desfazer da minha calça gigante,logo sua boca já estava no meu pescoço e eu gemia baixinho em alguns momentos quando ele tocava na minha intimidade ainda coberta pela calcinha. Então ele parou e, olhando para mim, tirou sua camisa e depois a calça. Sorri satisfeita com o que estava vendo e troquei de lugar com ele, ficando por cima, enquanto ele apertava minhas coxas eu tirei a blusa e o sutiã e então,ele começou a tirar a minha calcinha, que só saiu com a minha ajuda, aliás essa peça consegue ser irritante nessas horas. Eu conseguia sentir a excitação de em baixo de mim, tocando bem no meio das minhas pernas, me deixando ainda mais cheia de tesão.
- Abre a gaveta do móvel ao lado da cama. – eu pedi com pressa.
abriu e tateou a gaveta até achar uma camisinha, que ele colocou rapidamente. Eu me ajeitei em cima dele e desci devagar, arrancando um longo gemido dele quando penetrou em mim na primeira vez. Aquele seria o primeiro gemido de muitos da noite, pois nenhum de nós queria sentir a solidão que pairava em cima da gente.

TWENTIE - Parte 1
"The other day"
(O outro dia)

Quando meus olhos abriram de manhã estavam cansados e pesados, meu corpo todo doía. Sentei na cama e passei a mão no meu cabelo, depois olhei para o lado e vi dormindo espalhado pelo meu colchão. Levantei com dificuldade, pois estava exausta, e entrei no chuveiro para tentar acordar direito e absorver tudo que eu havia feito. Enquanto a água escorria pelo meu corpo, quente e aconchegante, eu deixei que minhas lágrimas se juntassem a ela e descessem direto para o ralo.
Assim que cheguei no quarto, acordou, parecia que ele só estava esperando que eu voltasse.
- Bom dia. – ele disse sentando na cama.
- Bom dia. - eu respondi desviando seu olhar.
passou a mão pelo cabelo empastado e levantou após um longo suspiro, parando na minha frente.
- Quero que saiba que não me arrependo de nada de ontem a noite.
- Eu também não... É só que ...
- É eu sei, você pensou no , não foi?
Eu não precisava responder, ele sabia bem a resposta e acho que eu também tinha conhecimento de que ele havia pensado em em todos os segundos. Então ele me abraçou e disse que nada ia mudar, nossa amizade era muito maior do que tudo aquilo e que a consideração e o respeito que ele tinha por mim eram maiores do que qualquer coisa.
- Tá, agora vai vestir alguma coisa, . – eu disse rindo, quebrando o gelo daquela conversa.
- Vou tomar um banho antes, posso? – ele perguntou já se dirigindo para o banheiro.
Quando ele saiu do banheiro eu já havia preparado todo o café da manhã, claro que demorou uns bons minutos para a gente começar a agir normal, mas acabou acontecendo.
- Obrigado por tudo, . A gente se fala mais tarde? – ele perguntou enquanto eu abria a porta para ele ir embora.
- Obrigada você e claro que a gente se fala mais tarde. – Dei um beijo no rosto de e assim que ele pegou o elevador, eu fechei e tranquei a porta.
Não senti o dia passar, mas fiquei o tempo todo deitada na minha cama olhando os adesivos do teto, minha cabeça estava vazia. Por mim eu ficaria vários dias naquela posição, naquele estado, porém a campainha tocou e mesmo parecendo um zumbi eu fui atender a porta.
- Oi, . – eu disse ao me deparar com minha amiga toda preocupada.
- Hm, posso entrar? – Estranho, ela nunca havia perguntado isso antes.
Dei as costas, deixando claro o quanto aquela pergunta era estúpida e fui andando até o sofá, onde me sentei. veio logo atrás, fechando a porta e me olhando muito estranha.
- Eu vim aqui saber como você está com tudo isso. - finalmente abriu a pouco, parecendo um pouco relutante na escolha das palavras.
- Com tudo isso o que?
- Festa, , , beijo. – ela respondeu revirando os olhos.
- Estou de boa. – Droga, ela realmente queria que eu falasse sobre aquilo? Doía demais.
- Você sabe que eu te conheço e eu sei quando você está em um estado totalmente depressivo, .
Suspirei fundo e olhei para a janela, eu sabia que ia me fazer tirar tudo aquilo de dentro de mim mais cedo ou mais tarde.
- veio aqui antes da festa e me beijou, mas eu simplesmente o recusei.
Ela fez uma cara de espanto e indignação, expressões que ficaram em seu rosto durante o tempo que eu contei toda a história.
- Quem você está culpando por tudo isso? - Ela me perguntou, muito séria.
- Eu mesma. – respondi pausadamente.
- Exatamente, ! Meu deus, às vezes você tem que pensar em você primeiro, sabia? - ela disse.
- Isso é egoísmo.
- Sabe o que vai acontecer? Você vai magoar três pessoas: o , a e você.
- Como? – eu perguntei enquanto passava as mãos por meu cabelo, típico gesto de quando eu estou impaciente.
- O fez um esforço e se declarou para você, quando alguém poderia esperar um gesto desse de alguém como ele? É raro isso acontecer e sinto te dizer, mas você magoou os sentimentos dele e agora, ficando com a , ele vai magoar os sentimentos dela. Você não vê, ? É uma bola de neve.
Eu sabia disso, mas preferia acreditar que faria feliz e que o tempo me faria esquece-lo.
- , eu... Quero ficar sozinha. – eu disse olhando firme para ela e depois para as minhas mãos. Segundos depois eu ouvi a porta batendo.

TWENTIE - Parte 2

Os dias passaram rápidos e lentos, parecia que eu estava vivendo em câmera lenta, mas que essa câmera lenta de repente sumia e já era noite. A única coisa que eu me orgulhava e que me fazia feliz era o trabalho, porém foi tudo que eu deixei com que me restasse. nunca mais havia feito uma visita para mim e raramente agia com naturalidade comigo quando saíamos em grupo, ele se fechava totalmente para . começou a se conformar com o fato de ser só um amigo para , mas eu ainda via que essa atitude era só uma brecha para se tornar um porto seguro para quando desse o fora nela.
Minha amizade com a também não estava das melhores, isso porque eu simplesmente não conseguia ouvir ela falando do , coisa que ela não parava de falar. A verdade é que às vezes eu morria de vontade de gritar para ela que o só ficou com ela porque eu não o quis, mas isso seria extremamente cruel de minha parte. Eu estava com ciúmes. Eu estava com inveja.
Porém segredos tão grandes quanto esse parecem que gostam de aparecer de algum jeito, eu estava no meu apartamento e era um domingo a noite, típico dia deprê para ficar em casa. Obviamente era o que eu estava fazendo. A campainha tocou, me levantei e atendi na porta com atrás.
- Oi! - eu disse tentando parecer o mais animada possível.
- , chega – disse entrando no meu apartamento.
- Do que está falando? – Perguntei, fechando a porta depois que entrou.
- Dessa sua atitude totalmente idiota de se afastar de todo mundo! - disse jogando as mãos pro alto, nervosa.
- Não me afastei de ninguém, só não estou muito animada para sair, ir a festas...
- Você nunca foi assim, o que está acontecendo? – perguntou . só nos olhava, aflita.
- Nada. – eu respondi seca.
- Nada? Pois eu vou te dizer: Você está assim desde que o ficou comigo pela primeira vez. - O tom da voz dela começou a me parecer muito superior.
Desviei o olhar e me sentei no sofá, cansada de toda aquela situação, desejando o antigo silêncio que pairava ao meu redor.
- É realmente isso, não é? Você não consegue pensar na minha felicidade? Por que não fica feliz por mim? - Ela começou a aumentar o tom da voz.
- Não tem nada a ver – eu respondi.
- Tem tudo a ver! Você está assim porque ele me escolheu e você não teve chance alguma. Qual o seu problema em perder uma vez na vida? -Suas palavras não paravam de sair e elas me atingiam em cheio.
- , acho que já chega. – levantou a voz e caminhou até a amiga.
- Não! Ela se diz tão minha amiga, mas no fundo é só uma egoísta!
E então eu não agüentei, acho que guardar tudo aquilo no meu peito tinha criado fungos,tudo dentro de mim estava podre.
- Você ainda me acharia egoísta se soubesse que EU recusei o antes da festinha que ele te beijou? Você me acharia egoísta se soubesse que ele se declarou para mim,me beijou e eu simplesmente o coloquei para fora de casa? E você sabia que o ia se declarar para você naquele dia? - eu gritei tudo o que estava dentro de mim. Estava realmente exausta.
não conseguiu nem responder, somente me fitou por alguns segundos e quando viu que não poderia controlar o choro, deu as costas e saiu de minha casa batendo a porta.
- Satisfeita? – perguntou me olhando da porta, pronta para sair.
- Ela tinha que saber... - eu respondi arrasada.
- Mas não assim, . – ela disse indo embora.

Depois de alguns minutos pensando resolvi ligar para e contar sobre a minha explosão, ele tinha o direito de saber.
- Oi, . – eu disse assim que ele falou ‘alô’.
- Hey , tudo bom?
- Não, fiz besteira e não espero que me perdoe.
- Foi tão ruim? – ele disse em um tom compreensível.
- Eu explodi e contei tudo para .
- Tudo mesmo? - ele parecia angustiado, achando que eu contei o nosso segredo.
- Não, ela não sabe sobre aquela noite.
- Bom, eu acho então que você fez o certo. - ele respondeu depois de um suspiro de alívio.
- Eu não agüento mais, sério – eu disse desligando o telefone.

O telefone tocou mais algumas vezes e o mesmo aconteceu com o meu celular, nunca me deixaria em paz, ele era um bom amigo, era o único que eu tinha. Claro que eu não deveria estar me sentindo assim, mas aquilo era muito para que eu agüentasse.
Uma hora depois estava na frente da minha porta e depois, claro, sentado no sofá comigo, me ouvindo reclamar, chorar... enfim, desabafar.
- Você não pode mais ficar assim, está sendo muito fraca, .
- Eu sei, vou superar...já estou superando - eu respondi enquanto me aninhava em seus braços.
- Suas amigas estão preocupadas, só isso.
- Eu sei, eu só preciso de um tempo sem que ninguém me questione.
- Entendo - ele me abraçou forte e eu me senti segura em seus braços.
Quando eu o olhei, pude finalmente enxergar . Naquele momento meus olhos brilhavam como se ele fosse o pôster no meu quarto quando eu estava no Brasil. Ele me olhou, todo fraternal, seu rosto estava a centímetros do meu e talvez por reflexo eu acabei com essa pequena distância, unindo nossos lábios de novo. retribuiu muito bem e dessa vez eu pude sentir que o nosso beijo ficou um pouco menos físico.
Me afastei quando meus pensamentos voltaram para o lugar e o olhei assustada, comigo mesma, claro.
- Relaxa, não tem problema - ele disse como se entendesse a vergonha que eu estava sentindo.
- Sou patética, pode falar - saí de seus braços e comecei a caminhar pela sala.
Antes que ele pudesse responder qualquer coisa para me animar a campainha tocou e lógico que quando o dia está péssimo sempre dá para piorar, não é mesmo? estava na porta de meu apartamento.
- Oi - eu disse.
- Posso entrar? - ele perguntou seco.
- Pode – eu respondi dando espaço para que ele passasse.
se levantou ao ver entrando e o clima ficou meio tenso, podia ouvir os pensamentos embaralhados de , alguns certos e outros errados, muitos errados. Eles se cumprimentaram e logo foi embora, para nos deixar conversar. Droga.
- Vai dizer que eu não estava certo? – disse depois de dar uma risadinha sarcástica.
- Sobre o que? – eu disse tentando desviar de seus olhos.
- Sobre o – ele respondeu bufando.
- Não vou repetir para você, - eu andei até a janela de minha sala, tentando respirar um pouco de ar puro.
- Não vim aqui falar sobre isso, o que você faz ou deixa de fazer com o não me diz respeito - ele soou muito frio nessa frase, eu pude até sentir uma pontada no meu coração, pois eu queria que ele tivesse tudo a ver com a minha vida.
- Que bom que você sabe disso, . Agora me diz logo o que veio fazer. – Eu, orgulhosa desde pequena nunca deixaria ele perceber o quanto aquela frase me afetou, ao invés disso eu joguei as palavras para atingi-lo em cheio.
- Você sabe que estou com a , não? - ele perguntou depois de uma breve pausa em que ajeitou o cabelo.
- Sim.
- Então, por favor, pare de contar coisas que, agora ,não fazem mais nenhum sentido.
Olhei fixamente para ele, segurando para não explodir ali bem na sua frente. Sua frase foi como um nocaute e eu não consegui responder nada, não imediatamente. Eu não queria conversar, não queria olhar para o , só queria sentar e chorar. Mas ele não iria me ver naquele estado, ele nunca saberia o quanto eu me importava com ele, o quanto eu queria abraçá-lo e dizer que na verdade eu era dele e ele era totalmente meu.
Quando olhei para ele, pude ver por alguns segundos o que havia se declarado para mim, um homem totalmente desarmado e sincero. Seus olhos me diziam que ele não queria nada daquilo e me perguntaram diversas vezes porque eu estava agindo daquela forma.
- Desculpe. – Foi só o que eu consegui dizer.
Ele respirou fundo e voltou a parecer controlado e frio.
- Dessa vez tudo bem, mas não faça isso de novo. Aliás, finja que eu nunca te disse nada, ok? Vai ser melhor - eu concordei com a cabeça e ele continuou. - , nós somos melhores como amigos, você mesma me mostrou isso. Não quero que nada fique acima da nossa amizade, pois eu não quero estragá-la.
- Tá - eu respondi fraca.
Ele sorriu para mim, um sorriso forçado de quem se vê obrigado a fazer alguma coisa e depois foi embora. Provavelmente passou na , pois eu ouvi a campainha de um dos apartamentos do lado tocando e barulho de porta abrindo e fechando.

TWENTY-ONE
“The window”
(A janela)

Segundas feiras, como eu as odeio. É um dia inútil que você simplesmente implora para que algo de bom aconteça e nada acontece.
Cheguei no trabalho pontualmente, ainda tomando um café que eu comprei no caminho. Liza e Ian estavam lá, sentados no auditório, devo dizer que seus rostos estavam um pouco abatidos, mas eu nem me preocupei. Depois de uns 10 minutos, o diretor aparece na porta e nos chama para uma conversa particular em uma sala.
- Não te disse, Liza? Estamos ferrados - disse Ian no caminho.
- Cala a boca! Eu nunca me ferro. Nunca. - Ela respondeu empinando ainda mais o nariz.
- O que está acontecendo, gente? – eu perguntei, obviamente não resistindo.
- Parece que aconteceram algumas mudanças na seleção. – respondeu Ian
- Como assim? – eu não estava entendendo nada.
- Você é muito burra. - respondeu Liza.
Logo estávamos na sala de reunião e cada um escolheu um lugar para sentar. Meus pensamentos estavam a mil por hora! O que aconteceria?
- Bom, acho que vocês já devem saber dos rumores, não é? Tivemos algumas mudanças e infelizmente só vamos efetivar um de vocês.
- Que? – pensei alto demais, mas aquilo era ridículo! Dois de nós ficariam sem emprego.
- Isso que a senhorita ouviu, só poderemos ficar com um de vocês. Só um será backvocal oficial. - respondeu o diretor.
- Mas e a turnê? – eu perguntei desesperada.
- A turnê vai acontecer para vocês três, isso é certeza. Essa decisão só será feita quando vocês voltarem. Aliás, vim aqui hoje também para decidir essa questão.
Então o diretor explicou que a turnê aconteceria daqui dois meses e começaria nos Estados Unidos, passando por 8 cidades americs para terminar em Londres. Viajaríamos com a banda e quando voltarmos, somente um de nós iria ficar.
Voltei para a casa arrasada, com medo e aflita. Esquentei um pedaço de pizza do dia anterior e fui para o computador, coisa que ultimamente eu fazia com certa raridade. Foi aí que eu fiquei chocada! Eu tinha mais de 10.000 followers, como assim? Será que haviam hackeado o meu twitter? Fui olhar as replys que eu tinha recebido e quase chorei lendo os recados que as fãs da banda tinham mandado para mim, todas super fofas dizendo que me apoiavam e tudo mais. Claro que sempre tinha alguém xingando, mas nem assim eu fiquei chateada.
Foi aí que eu me dei conta de que mesmo se eu perdesse minha chance na Voice, eu sempre teria o apoio do Mcfly e das fãs deles, não? Eu batalharia tudo de novo e conseguiria um emprego melhor, o importante era que eu seguisse com o meu sonho.
Saí correndo de meu apartamento e toquei a campainha dos dois lados, que logo se abriram e lá estavam minhas duas melhores amigas, ambas com um ponto de interrogação enorme em seus rostos.
- Eu não sei como começar, nunca fui muito boa em pedir desculpa. Você sabe , desde que a gente se conhece o quanto eu sonhei por um dia estar com , ele sempre foi nosso favorito. Eu não achei justo roubar ele de você, não achei justo ter tudo, não dá certo. Mas mesmo assim eu não consegui agüentar o peso da minha própria decisão e desculpe se eu deixei isso afetar a nossa amizade. Homem nenhum, mesmo se for o Obama –elas me interromperam para dar uma risadinha - tá, mesmo se for o Johnny Depp, vai estragar essa amizade. É isso. – eu terminei meio que sem fôlego e olhei para elas.
- Eu sei disso tudo e eu te entendo. No seu lugar eu também ficaria perdida. Eu gosto do , mas não sinto que ele goste de mim o suficiente, sabe? É como se eu fosse só mais uma... Claro que ser mais uma que o pega está muito bom. - riu – E me desculpe também. - ela completou e me deu um abraço.
- Estamos todas bem? Aleluia! - gritou e se juntou ao abraço.
- Senti a falta de vocês! – eu disse quase chorando.
- Nós sentimos a sua. – elas responderam juntas.

TWENTY-TWO
‘Two months later’
(‘Dois meses depois”)

Faltavam dois dias para a minha grande viagem, finalmente sairia em turnê com a minha banda favorita para fazer aquilo que eu amo. Acordei bem feliz, desejando que o dia passasse rapidamente, apesar de que de tarde eu encontraria e para irmos as compras. Fiz meu café da manhã, ou melhor, abri um pacote de Sucrilhos e coloquei o leite por cima, e fui me sentar no sofá para ver o que passava na TV. A manhã passou rapidamente, pois se resumiu a ficar na frente do televisor vendo filmes e mais filmes, fugindo dos românticos, claro, porém era incrível como até nos filmes de terror mais bizarros havia um casalzinho infeliz.
Já eram quase duas da tarde quando bateram na minha porta, era com uma cara de preocupação que me gelou todo o corpo.
- Anda, me fala logo – eu pedi assim que ela entrou no meu apartamento e eu fechei a porta.
- Acho que não vai mais rolar nosso passeio hoje... - ela me disse.
- E porque não?
- está no telefone com o e acho que daqui a pouco teremos que levar sorvete para ela.
- Que? Como você sabe? - eu perguntei meio confusa.
- Sou uma péssima amiga, ! O me disse ontem que achava que o ia dar um fora nela porque a turnê ia começar e, bem, o não é muito fiel e não está levando a a sério. Eu fui hoje ao apartamento dela conversar sobre isso, mas antes que eu pudesse falar o telefone tocou e era ele! - ela contou andando de um lado para o outro, começando a me deixar tonta.
- E aí? O que ele disse? – eu perguntei super curiosa.
- Eu vou lá saber, ? Saí de lá correndo e vim para cá! – estava super nervosa.
- Esse só me dá dor de cabeça... - eu pensei alto.
- O que vamos fazer?
- Nada, esperar a vir nos contar e fazer de tudo para que ela se sinta melhor. É tudo o que podemos fazer.
- Vou ligar pro , me empresta o telefone?
- Claro - eu respondi sem ao menos ter prestado atenção na pergunta dela. Minha mente viajava em imaginar o que estava acontecendo na conversa entre e . Ele estaria fazendo isso para não magoá-la? E qual será o tamanho da importância que ele dá para a minha amiga? Será maior do que a que um dia ele me deu? Mas que inferno! Eu tinha que parar de pensar em tantas besteiras.
- ...então vai ouvir a conversa, amor! – dizia uma ao telefone, o que me acordou do meu diálogo comigo mesma.
- O é patético mesmo! Ele desligou? Sai daí, ! – ela continuava. –Tá, ok! Boa sorte! Beijos.... também te amo.
- E então? – eu perguntei quando vi que ela havia desligado.
- Parece que ele terminou mesmo com ela, usou aquele discurso do ‘Gosto muito de você, te acho muito linda, mas não quero te magoar’ - ela me respondeu com um sorriso fraco.
- Típico de caras como ele.
- Acho que você escapou de uma boa, – ela me disse sentando-se no sofá.
- Como assim?
- É, se você estivesse com ele, provavelmente essas palavras teriam sido ditas à você.
Não vou negar que aquela frase me machucou profundamente, mesmo sendo ditas com a maior das inocências. Eu queria acreditar que o realmente gostava de mim e que eu não teria sido só mais uma ficante para ele se divertir enquanto não estavam em turnê, mesmo porque eu entraria em turnê com eles. Mas se ele fez isso com a minha melhor amiga é porque, com certeza, faria isso comigo também. Certos tipos de homem nunca mudam.
- Sim, você tem razão - eu respondi.
Aquele dia foi terrível, chorou muito e ficamos a tarde, a noite e a madrugada toda consolando-a, o pior era ouvir ela repetindo inúmeras vezes ‘Eu já sabia’.
Quando eu acordei, quer dizer, resolvi me levantar, pois não havia dormido aquele dia, sabia o que devia fazer. Me vesti correndo e saí sem acordar e , parei pelo caminho para tomar um café e logo peguei um táxi.
Toquei a campainha daquela casa que era só mais uma entre as outras três, só o que mudava era o seu interior. Segundos depois o dono da casa abre a porta resmungando algo como ‘Tá com sangria desatada?’
- – eu murmurei assim que o vi.
- Oi – ele disse meio sem ânimo. – Não estou num bom dia .
- É, aposto que não é só você - eu rebati.
- Entre – ele disse meio que ignorando a minha frase anterior.
Fomos direto para a sala, onde tinha um grande sofá branco de couro sintético. Ele se esparramou pelo móvel, esperando que eu me sentasse para falar qualquer coisa.
- O que te trás aqui? - ele perguntou assim que eu me sentei e olhei para ele.
- Porque você fez isso com ela?
bufou e revirou os olhos, como se estivesse levando sermão de sua mãe.
- Não podia levar aquilo adiante - enfim ele respondeu.
- Então porque começou? - eu perguntei séria.
- Não é da sua conta – ele respondeu bem mesquinho.
- A é minha melhor amiga por anos, pode apostar que o que a magoa é sim da minha conta, – respondi tão mesquinha quanto ele, segurando seu olhar bravo.
- Eu precisava esfriar minha cabeça...
Eu sabia do que ele estava falando, eu era o motivo pelo qual ele magoou minha melhor amiga. Aquela bola de neve que tinha previsto estava realmente acontecendo.
- Eu preciso saber de uma coisa. – Por fim eu disse, com a voz meio baixa rezando para que ele não tivesse ouvido.
- O que? – ele perguntou me olhando fundo para mim.
- Teria sido a mesma coisa comigo? Aquele telefonema que você deu para ela, terminando tudo, teria sido para mim? - As palavras brotaram e eu me arrependi de tê-las dito um segundo depois.
demorou séculos para responder, percebi que ele estava em uma batalha interna de palavras, sentimentos e orgulho, principalmente orgulho. Por fim ele respondeu e o meu coração se retalhou em mais pedaços quando ele disse um simples ‘Sim’ enquanto desviava do meu olhar.
- Então eu não estava errada ao te rejeitar – ao dizer isso eu simplesmente levantei e torci para que aquelas palavras tenham atingido ele também.

Quando cheguei em casa meu apartamento estava vazio, chamei pelas meninas mas nenhuma me atendeu, tinham ido embora. Bati no apartamento de e não tinha ninguém, a mesma coisa no apartamento da .
- Alô? - disse do outro lado da linha quando eu liguei para ela.
- ! Onde estão vocês? - eu falei quase gritando.
- Eu é que te pergunto, saiu sem falar nada, sua louca – ela rebateu.
- Tinha um assunto para resolver. Onde vocês estão?
- Na casa de , ele chamou a para vir para cá e eu aproveitei para ver meu namorado.
- Como o ficou sabendo? - eu perguntei.
- Parece que o foi procurá-lo e pediu para ele ficar do lado da ...
- Ah...e porque ninguém me convidou? – eu cobrei, mudando de assunto.
- Porque seu celular só dá na caixa postal! -Ela respondeu rindo. -Vem pra cá.
- Esqueci de carregar ontem à noite. - eu disse para mim mesma.
- Então,você vem?
- Não... vou ficar por aqui, tenho muito o que arrumar.
- Ah, sério? - ela disse com aquela voz manhosa.
- Sério, beijos - eu disse desligando o telefone.
- Beijão - ela respondeu e eu desliguei.

Deitei na minha cama e fiquei pensando, talvez o não seja um cafajeste completo, se ele fosse nem teria se importado em pedir ao amigo que fosse amparar a . era um ser humano e tinha vários defeitos, mas tinha um coração. Aliás, ele não tinha só um coração, tinha dois, pois o meu já era dele há muito tempo.

TWENTY-THREE
Flying
(“Voando”)

estava rindo com o sobre a aeromoça ter mandado ele desligar o celular, logo eles iriam começar a se socar e iam levar outra bronca. conversava com Ian e outros responsáveis pelo show e papeava com Liza e nessa conversa eu não quis prestar atenção.
Sentei no meu lugar e respirei fundo, sempre foi meu sonho ir para os Estados Unidos! Fechei meus olhos e me deixei levar pela exaustão, dormindo profundamente por toda viagem.
- ! , acorda... Dude, ela morreu! – dizia uma voz irritante.
- Estou viva, – eu respondi ainda de olhos fechados, odiava ser acordada com alguém gritando meu nome.
Abri meus olhos e me deparei com um todo sorridente, um igualmente feliz, um pegando sua bagagem de mão e o ... Saindo do banheiro do avião com uma Liza nem um pouco discreta atrás.
Bufei e peguei minha mala de mão também, não queria passar mais um segundo naquele avião infectado .
- A vida é tão linda! - cantarolou enquanto íamos para os carros.
- Você é tão gay, - eu respondi ‘naquele’ humor.
Ele deu uma risadinha do tipo ‘Você sabe muito bem que eu não sou gay’e mudou de assunto:
- Você vai no nosso carro, né?
- Não, vou no carro com os outros da produção.
- Você tem que ir com a gente! ! - sempre chamava o quando queria reforçar seu argumento.
- Que foi, dude? - se aproximou digitando no celular, provavelmente estava no twitter.
- A não quer vir com a gente no carro - ele disse como se me dedurasse.
- E..? – respondeu indiferente.
- , a tem que vir com a gente, ela é uma de nós, você sabe. Além do mais tem espaço para mais uma pessoa e eu não gosto de ter que ir perto do ou do , porque eles sempre tentam me molestar e coisas do tipo. Você é hermafrodita, ? - tagarelou.
- Aham... - respondeu sem nem ouvir direito e só caiu em si quando e eu começamos a gargalhar.
- Quer dizer, CLARO QUE NÃO SOU! - ele consertou rapidamente - ,você vem conosco!
No fim acabei indo no carro deles e passando por aquele tumulto de fãs com eles, foi muito bom porque algumas me reconheceram! Fiquei tão feliz, ganhei meu dia com aquilo.
O hotel era a coisa mais linda do mundo, todo decorado com branco, o que fazia a diferença era as várias cores nos detalhes. Depois de pegarmos nossas chaves subimos, de elevador, até o décimo andar e lá nos deparamos com um corredor cheio de portas brancas, sendo que cada uma tinha um detalhe de uma cor. Por ironia do destino a ordem dos quartos ficou assim: , , , , eu, Ian, pessoa X, Liza e mais alguns.
- Vai ter festinha no seu quarto, – disse o , que estava ao meu lado.
- Não,v ão sujar o quarto do ! – eu retruquei.
- Não tenho tempo para isso, vou ligar para a falou enquanto abria rapidamente a porta do seu quarto.
- Ah, ele está apaixonado! – eu exclamei achando aquilo muito bonitinho.
olhou para mim, parecendo indiferente, abriu a porta do quarto dele e entrou, fechando a porta atrás.
- Não se preocupe, ele logo volta ao normal com você - disse chegando do meu lado, era incrível como ele conseguia ler meus pensamentos.
- O é muito burro – exclamou .
- Bom, acho que vou descansar um pouco, gente! Nos vemos logo mais? – Eu perguntei, abrindo a porta do meu quarto e sorrindo para eles.
- Claro! – disse indo em direção a porta dele.
sorriu para mim e fez o mesmo.
Nem prestei muita atenção na decoração do quarto, só vi que era tudo nas cores branco e roxo. Joguei minhas malas ao lado da cama e pulei nela, deitando confortavelmente, meus ossos estralaram de cansaço quando eu me estiquei. Estava tão exausta que nem me lembrei de ligar para os meus pais e para as minhas amigas para avisar que estava tudo bem comigo, meus olhos pesaram e eu dormi profundamente.
Acordei com o toque do meu celular, uma banda brasileira que vinha fazendo muito sucesso por lá chamada Shüffle (sente a propaganda), olhei no visor, era me ligando.
- Alô? – atendi com aquela voz de sono.
- ?! Porque você não ligou? - perguntou do outro lado da linha.
- Porque eu morri assim que entrei no meu quarto – eu respondi entre os bocejos de cansaço.
- Ah, o ligou, sabia? Ele é melhor amigo que você – Ela retrucou.
- Isso porque eu não sou lésbica... - eu respondi sem ao menos pensar.
- Que? Não entendi - ela disse pausadamente como se quisesse processar.
- Estou dizendo que eu não sou afim de você e o está.
- Que bobagem. Bom, vou te deixar dormir. Até amanhã e vê se dá notícia - me mandou beijos e desligou o celular, enquanto eu voltei a dormir.
Acordei com batidas na minha porta, eu realmente precisava descobrir qual o problema das pessoas com o meu bem estar. Porque raios ninguém me deixava dormir?
- , anda logo – Uma voz irritante disse do outro lado.
- Me deixa dormir! - eu gritei.
- São 11 da manhã e precisamos descer para tomar café,idiota. Vem logo. – Liza gritou de volta.
- Odeio fuso horário... – eu murmurei.

TWENTY FOUR
‘Do ya’

Enquanto os guys estavam em um evento com fãs e jornalistas, nós da produção demos início aos preparativos na arena onde o show aconteceria no dia seguinte. Começamos com um aquecimento de voz e depois repassamos toda a setlist, no final acabamos ajudando a equipe de luz e dos outros efeitos especiais, foi um dia muito cansativo.
Cheguei no hotel e fui logo para o meu quarto, ignorando uma pequena discussão entre Ian e Liza, eu não estava com paciência para prestar atenção. Depois de tomar banho eu sentei em minha cama e peguei meu violão, fazia tempo que eu não cantava alguma coisa para mim, aquilo sempre me deixava mais calma. Comecei a cantar Therapy da banda All Time Low, aquela música realmente me agradava, apesar de que, na minha opinião, era triste. Parei na metade quando ouvi a porta do meu quarto abrindo, nem percebi que não a havia trancado. Era .
- Pensei que tivesse trancado – eu disse quando ele entrou e fechou a porta.
- Imaginei que não tivesse ou tivesse feito e tentei a sorte – ele disse em um meio sorriso.
- O que você quer? – eu perguntei sem mais delongas.
- Continuar ouvindo você cantar. - respondeu sentando em uma cadeira que, para mim, estava longe demais.
Ele pegou uma câmera e apertou o botão para ligar, eu não estava com saco para brigar com o , principalmente quando ele resolve voltar a ser legal comigo. Continuei cantando Therapy, dando ênfase na parte em que dizia ”Therapy,you were never a friend to me” e depois a parte “Arrogant boy”,como se eu quisesse que ele percebesse as minhas indiretas. Quando eu terminei, olhei para ele, que continuava gravando mas, o que me fez perder o ar, foi a beleza de seu sorriso.
- Pare de gravar, – eu disse levantando.
- Não vai tocar mais? - ele perguntou desligando a câmera e guardando, como se achasse que eu fosse pegar e apagar o vídeo.
- Estou cansada - eu respondi.
- Ok, vou te deixar descansar, – ele disse se aproximando e me dando um abraço que, apesar de ter sido longo, durou muito pouco para o que eu necessitava. Eu queria ficar com ele para sempre.
- Boa noite, – eu falei enquanto ele se dirigia para a porta.
- Boa noite, , durma bem – ele respondeu indo embora.
Suspirei e me deitei, apagando a luz e, por fim, dormindo muito bem.

- ! Eu não vou conseguir! - eu dizia aflita.
- Claro que vai, você é ótima. – respondeu enquanto batucava em uma mesa que tinha no camarim.
Faltavam 10 minutos para o primeiro show da turnê e o meu coração ia sair pela boca, era muita emoção. Conforme andávamos para perto da coxia, que ficava ao lado do palco, conseguíamos ouvir o coro da platéia mais forte, mais alto, mais vibrante!
Ian aquecia a voz e Liza andava de um lado para o outro, cheguei perto dos dois, para definir a ordem da entrada de cada um.
- Eu entro primeiro - exclamou Liza.
Ian revirou os olhos e disse que podia ser o segundo.
- Então serei a terceira! - conclui.
- Boa sorte para nós, vai dar tudo certo. – Ian me disse, era a primeira vez que ele demonstrava simpatia.
- Só o que me interessa é ficar na Voice e logo estar fazendo o meu próprio show! Serei a nova Britney Spears.
- Ah claro, só se for a versão careca da Britney. – Ian respondeu e eu me surpreendi muito, acho que a briga deles de ontem tinha sido para valer.
Liza olhou para ele furiosa e ele logo ficou quieto, como se tivesse medo dela.
- Hey ! – disse chegando ao meu lado.
- Oi! - eu exclamei.
- Me deseje boa sorte, vamos entrar agora!
- Boa sorte McFly! – eu respondi abraçando ele e acenando para os outros.
- Boa sorte para vocês, gente – respondeu olhando para mim e depois para Liza e Ian, que sorriram.
Era a nossa vez de entrar, pois tínhamos que estar no palco antes da banda principal, logicamente. Liza foi a primeira, entrou, acenou para a platéia e se posicionou no seu microfone. Ian fez a mesma coisa,s ó que mais timidamente. Quando eu entrei,meu coração estava a mil por hora e acelerou mais ainda quando boa parte dos fãs gritaram para mim, eu acenei e logo estava no meu lugar, esperando para que o momento mais emocionante da minha vida começasse.
Quando a banda entrou no palco, a arena quase caiu, os fãs gritavam tanto e tiravam tantas fotos que mereciam uma saudação da equipe de efeitos especiais, pois aquilo sim era bonito de se ver. Os meninos cumprimentaram a platéia e logo abriram o show com ‘One for the radio’. A conexão foi total, eu acertei todos os tempos e todos os tons! Aquilo não tinha explicação, ver o show daquele ângulo não tem preço algum!
Foi na metade do show, quando eu sabia que a próxima música ia ser ‘Do Ya’, que me aconteceu o inesperado. Durante aquelas paradas no show em que a banda conversa com o público, começou a falar:
- Bom, todos aqui sabem que temos uma amiga muito especial com a gente essa noite.
- Não sei se todos a conhecem, mas ela canta muito bem - continuou .
- E queremos que ela comece a nossa próxima música – completou virando para mim, enquanto todos faziam o mesmo.
- , vai lá na frente! – Concluiu .
Eu juro que não sabia o que fazer, toda aquela gente gritando o meu nome e eu estava morrendo de medo. Eu sabia que mais cedo ou mais tarde teria que passar por aquilo se quisesse ser uma cantora de verdade e, por isso, fui até o microfone de e disse, timidamente, um ‘Oi gente,como estão?’.
Esperei a deixa de na bateria, mas ela não veio, foi que começou a tocar o que seria de uma ‘Do ya’ acústica. Comecei a cantar, acompanhando perfeitamente o violão de , numa perfeita sintonia, e então ele começou a cantar comigo, fazendo a parte da ponte entre os refrões. No final, a voz dele se misturava com a minha, originando um som que para mim era perfeito. Aquela música era realmente para a gente.
Sempre quando eu ia a um show do McFly eu sonhava com eles me chamando no palco e me fazendo cantar com eles, era o meu maior desejo. Quando acabei de cantar, olhei para a platéia e logo veio uma chuva de aplausos e gritos, seguidos de ‘uau’ da parte dos guys e um sorriso lindo do .
- Obrigada, gente! Vocês são ótimos! - eu disse na direção daquela massa de gente.
O resto do show foi maravilhoso e tudo correu muito bem, eu não tinha nem palavras para aquela noite.

- O que foi aquilo? – perguntou Liza enquanto tirava a maquiagem, após o show.
- Aquilo o que? – perguntei.
- Você é muito esperta, - ela disse enquanto sorria amarelo.
- Como assim, Liza? – acho que minha felicidade não me deixava raciocinar direito o que aquela maluca dizia.
- Sei o seu jogo, ficar amiguinha da banda para conseguir o emprego.
Eu olhei para ela perplexa, pois nunca tinha me passado pela cabeça uma armação suja dessas.
- Minha amizade com eles começou bem antes de toda essa história de competição. Eu nunca teria pensado em um golpe baixo como esse que você pensou.
- Você não vai ficar na Voice, - ela disse, terminando de tirar a maquiagem e saindo do banheiro onde a gente estava.
Respirei fundo, aquele projeto de mulher não ia acabar com a minha noite, não mesmo. Quando terminei de me vestir e tirar a minha maquiagem, encontrei o no corredor.
- Hey! - eu disse.
- ! Você mandou muito bem! - disse me abraçando.
- De quem foi a idéia de fazer aquilo comigo? Eu podia não ter agüentado tanta emoção, sabia?
- Ontem a noite o veio falar com a gente e deu essa idéia.
- Você acha que as fãs gostaram? – perguntei, tentando manter meus pensamentos longe de .
- Acho que sim, elas vibraram muito, você viu?
- Sim!
- Se a resposta delas for positiva, estamos pensando em fazer isso em todos os shows da turnê.
- Sério? Tem certeza? - perguntei assustada.
- Claro, acho que todos gostam de você e podemos dar uma diferenciada.
Eu sorri para como uma criança sorri para os pais quando eles contam que compraram um presente para ela.
- Vamos para a after party? – perguntou enquanto me puxava pela mão.

TWENTIE FIVE
“After Party”

Chegamos no hotel, onde seria a After Party, festa que acontece depois dos shows, eu subi correndo para o meu quarto para me arrumar e os guys ficaram no bar. Coloquei um sapato de salto roxo e um vestido tubinho preto com alguns detalhes em cristal na lateral da peça. Minha maquiagem era a de sempre: preto nos olhos, destacando bem o que eu mais gostava no meu corpo.
Quando desci já havia música no local e parecia que a festa já tinha esquentado, pois muitas pessoas já estavam ali se divertindo.
- Hey! -eu exclamei quando encontrei , bebendo um copo de whisky.
- Grande show, hein? - ele disse sorrindo.
- Pois é... eu tive uma grande surpresa - respondi devolvendo o sorriso.
- Tive essa idéia depois de te ver cantando, fiquei com muita vontade de cantar com você.
- Esse sempre foi meu sonho - eu murmurei baixinho.
me olhou por alguns segundos e parecia querer me dizer alguma coisa, mas ele pensou melhor e me respondeu:
- Bom, acho que vamos voltar a sermos grandes amigos então!
Com isso ele apertou minha mão. Sim, apertou minha mão como se eu fosse um velho gordo que acabou de fechar um negócio. Então ele bebeu o ultimo gole do Whisky, pediu licença e foi falar com e um outro cara.
Suspirei e fui aproveitar a festa, que foi excelente, acho que tudo estava voltando ao normal e eu estava superando .
Resolvi me recolher mais cedo e quando voltava para o meu quarto ouvi uma discussão, novamente entre Ian e Liza.
- Não te suporto mais, eu juro! - dizia Ian, parecendo bastante frustrado.
- Sério? E quem mais você tem aqui? - Liza perguntou sínica.
- Eu não quero mais fazer todas as suas vontades, cansei, Liza. - Ian agora começava a se exaltar.
- Você não é obrigado, mas sabe o que vai acontecer, é só eu abrir a boca um pouquinho - ela ria enquanto ele ficava vermelho de raiva.
Liza olhou para ele e abriu um sorriso cheio de maldade, depois se virou e voltou para a festa, como se nada tivesse acontecido. Eu esperei um pouco e me aproximei, não sabendo se era o certo ou não.
- Oi, Ian! Por que não está na festa?
- Não estou afim - ele respondeu super seco,virando o rosto.
- Sinto muito, eu ouvi a discussão... - eu disse, por fim.
Ian me olhou, com lágrimas nos olhos, e bateu as mãos na perna exclamando:
- Ótimo! Agora estou ferrado mesmo, adeus trabalho na Voice.
- Como assim? - eu perguntei.
Ian começou a chorar descontroladamente e eu sugeri que ele fosse até o meu quarto para a gente conversar melhor.
- Quer desabafar? - perguntei assim que a gente entrou no meu quarto e sentamos na cama, um de frente para o outro.
- Quando eu conheci a Liza, éramos da mesma escola de canto e ambos sonhávamos com um emprego na Voice. Porém, eu comecei a sair com uma pessoa de lá e quando todos descobriram me fizeram ir embora dessa escola, assim como a pessoa que eu saia. Depois disso eu fui para outra escola e nunca mais falei com a Liza, até aquele dia em que nos selecionaram – ele explicou, pausando algumas vezes para assoar o nariz.
- Era proibido sair com colegas? - eu perguntei meio confusa.
- Não, mas eu sofri preconceito porque esse colega era outro homem.
- Você está querendo dizer que é gay, Ian? - Eu não acreditava! Ele não parecia nem um pouco gay.
- Sou, mas escondo isso de todos, pois a maioria não nos respeita e coloca nossa opção sexual acima dos nossos talentos. Liza sabe que eu sou gay e me disse que os guys nunca me aceitariam se soubessem. Eu até compreendo, quem iria querer um homossexual trabalhando com uma banda só de homens?
- Isso não tem nada a ver, Ian! Você é igual a todo mundo, tem os mesmos direitos.
- Eu sei, mas as outras pessoas não pensam assim. Liza me faz ser o cachorrinho dela porque sabe desse segredo e pode contar para todo mundo – ele contou cabisbaixo.
- Isso é um absurdo! Os guys não são preconceituosos, Ian. Eles nunca te mandariam embora porque você é gay, nunca - eu estava irritadíssima com a atitude da vaca da Liza.
- Como você pode ter certeza disso? – Ian perguntou,fungando.
- Porque eu tive a oportunidade de conhecê-los de perto, cada qualidade e cada defeito. Eu sei que eles são muito humanos, todos tem o caráter muito bom e jamais seriam preconceituosos.
- Espero.
- Porque você não conversa com eles? - sugeri, sorrindo.
- Eu nem saberia como começar...
- Fale com o , eu sei que ele é o que mais passa tranqüilidade.
- Eu vou tentar - ele sorriu.
- Me prometa que não vai mais deixar aquela despeitada da Liza controlar a sua vida.
- Eu vou dar um jeito nisso amanhã mesmo - Ian respondeu e se levantou - Obrigada mesmo, . Não sei o que seria de mim agora sem essa conversa, estou me sentindo 30kg mais magro.
- Magina, foi muito bom poder ajudar – eu respondi e ele saiu do meu quarto.
Respirei fundo e, lembrando da conversa, senti uma raiva enorme daquela Liza. Manipular uma pessoa daquela maneira era cruel demais. Levantei-me e fui para a festa, procurando aquele projeto de Britney falida.
Quando passei por ele me cumprimentou, mas eu o ignorei, pois havia acabado de ver meu alvo bem ali na minha frente se esfregando com na pista de dança.perfeito. Cheguei nos dois e os separei com as minhas mãos, deixando Liza de um lado e do outro.
- Mas o que você pensa que está fazendo? - disse Liza meio irritada.
- Nós temos que conversar - eu disse igualmente irritada.
- Eu não tenho nada para conversar com você, garota. Estou acompanhada você não está vendo? - ela perguntou, grudando em novamente.
Aquilo me ferveu em todo o corpo e eu a puxei pelos cabelos, afastando-a dele.
- , o que deu em você? – perguntou , protegendo Liza de mim e me fazendo soltá-la.
- Não se meta - eu respondi.
- Claro que me meto! Você vem aqui e, sem motivo algum, agride a Liza! - também começava a ficar irritado.
- Eu tenho meus motivos, - respondi,encarando-o.
- Ela está é com inveja de nós dois, – Liza me disse, sorrindo igual tinha feito para Ian momentos atrás.
- Eu estou é com dó do por ter se rebaixado ao pegar uma despeitada como você - respondi, ouvindo a risada de atrás de mim. Foi aí que eu percebi que a festa toda parou e estava assistindo todo aquele barraco.
- Só quero te dizer que eu sei tudo sobre o Ian e como você o estava manipulando - eu completei.
- Sabe tudo o que sobre o Ian? – perguntou .
- Ah querido, eu ia te contar isso agora, acho que o Ian não vai poder continuar entre nós - Liza fingiu uma tristeza ao dizer aquelas palavras.
- E porque não? – perguntou , chegando do meu lado.
- Acho que não seria muito bem visto vocês trabalhando com alguém que... poderia agarrar vocês a qualquer momento - ela respondeu.
- Como assim? – perguntou , que estava ao lado de .
- Ian é gay, rapazes – disse, por fim,Liza.
O silêncio foi completo e, por um segundo, eu pensei que Liza estava certa sobre os guys e que eles não iriam aceitar o fato de Ian ser homosexual. Se esse fosse o caso, eu mesma saia da Voice, não poderia ficar num lugar que não tem respeito pelas pessoas.
- E daí? – disse .
Liza o olhou assustada, como se o que ele estivesse dizendo fosse totalmente obsceno.
- Liza, nós não somos preconceituosos, estamos procurando alguém com talento, só isso - disse em alto e bom tom.
- Você tem algum problema com isso? - perguntou bem sério.
- Obviamente que não, adoro o Ian – respondeu Liza forçando uma risadinha. - Fico feliz que aceitem ele. Bom, acho que vou me recolher. Boa noite - dizendo isso ela foi embora da festa.
- Meu deus, me lembre de nunca brigar com você – disse me abraçando por trás.
- Odeio injustiças, – eu respondi sorrindo.
- E eu odeio barraco – disse virando as costas e indo embora.
Fiquei bem triste com aquilo, pensei que já estivesse tudo bem entre nós dois, mas havia ficado do lado de Liza contra mim e agora parecia bastante chateado.
- Ele fala de boca para fora, – disse , colocando a mão no meu ombro.
, e me prometeram que iriam tranqüilizar o Ian no dia seguinte, eu dei um meio sorriso e voltei para o meu quarto, precisava mesmo dormir.

TWENTY SIX
“Success”
(Sucesso)

O dia seguinte foi tranqüilo, apesar de meio frio. Os guys conversaram com Ian e ele ficou super aliviado em saber que todos aceitaram ele do jeito que ele era, sem problema nenhum. Liza perdeu seu escravo e a credibilidade com a banda, o que eu adorei. O show daquela noite foi muito bom, o público cantou alto todas as músicas e vibrou bastante. Dessa vez não cantamos a ‘minha’ versão de Do Ya, não havia muito clima entre mim e o Jones e eu pedi para os meninos não me chamarem para cantar.
De noite, ao invés de ir em outra After Party, resolvi ligar meu notebook para saber as novidades, respondi algumas pessoas no twitter e falei com as minhas amigas no MSN. A grande surpresa que me deixou totalmente boba foi a de um vídeo meu que estava rolando no Youtube e que era um sucesso. Meu vídeo cantando ‘Therapy’ para Jones, no canal dele.
Havia muitos comentários dizendo que eu era talentosa e que me adoravam, outros perguntavam o que eu era do , que eram os mais negativos. Quando fui procurar os vídeos relacionados, havia vários do show do dia anterior, aquele em que eu cantei ‘Do Ya’! Pelo o que eu vi as fãs amaram e pediam para que a gente continuasse cantando essa versão nos outros shows. Fiquei tão emocionada que chorei por um bom tempo, aquilo era lindo demais, acolhedor demais.
Desliguei o notebook e fui correndo procurar para contar tudo para ele e dizer que queria voltar a cantar ‘Do Ya’, ele aceitou e ficou tudo certo. Agora só havia uma coisa a se fazer: falar com Jones.

TWENTY SEVEN
“Messing with our heads”
(Bagunçando com as nossas cabeças)

O caminho que eu fiz até o quarto de foi muito difícil, eu ficava pensando em todas as frases que eu diria e em todas que ele responderia. Eu sabia que ele estava em seu quarto pois havia me dito, achei muito estranho e cheguei a perguntar se ele estava acompanhado, mas Fletcher me garantiu de que ele tinha ido sozinho e para dormir.
Parei em frente a sua porta e só conseguia ouvir a minha respiração misturada com as batidas do meu coração, tudo rápido demais. Respirei fundo, mas saiu mais como um suspiro de quem sabe que é impossível se acalmar. Bati em sua porta e, depois de alguns segundos, ele a abriu.
- Oi... - disse , que estava com a camisa apertada e uma cara super amassada.
- Desculpe, precisava falar com você.
- Entra.
Ele me deu as costas e entrou no quarto, eu o segui e fechei a porta, esperando que ele dissesse alguma coisa, qualquer coisa. se virou e me encarou, depois sentou na cama e fez um gesto para que eu fizesse o mesmo, obedeci na hora.
- Então, o que você quer falar comigo? – ele perguntou.
- Eu vi agora a pouco o vídeo... - respondi sem jeito.
Ele sorriu e respondeu:
- Tá fazendo sucesso, eu sempre soube que você era talentosa.
- Obrigada, . Fiquei muito feliz. – disse sorrindo de volta para ele.
Ele me olhou por alguns instantes e eu realmente pensei que ele fosse dizer alguma coisa para me fazer sorrir mais ainda, ou talvez ele quisesse me beijar, mas ele desviou o olhar.
- Estou meio cansado, ... - disse como se quisesse que eu fosse embora.
Eu estava cansada dessa indecisão dele, cansada de criar falsas expectativas, cansada de reprimir tanto desejo, tanta vontade. Não esperava que ele ficasse comigo por mais de um dia, mas não estava mais suportando aquele clima e não estava mais me suportando, sempre pensando em como seria beijar outra vez.
Eu o olhei bem séria e me ajeitei para mais perto, depois envolvi o pescoço dele em meus braços. arregalou os olhos, como se não acreditasse no que eu estava fazendo,como se quisesse provar para si mesmo que aquilo era um sonho. Me aproximei dele bem devagar e, ainda de olhos abertos, pude vê-lo olhar para meus lábios e depois morder sua própria boca. Não esperava que ele fosse tomar alguma atitude, mas acabou com a distância que nos separava e me beijou com muita urgência, com extrema vontade. Logo suas mãos estavam na minha cintura e, conforme o beijo ia ficando mais intenso, ele me apertava mais, fazendo com que eu me sentisse anestesiada. Me inclinei para trás e ele entendeu como uma brecha para me deitar na cama, ficando por cima de mim, olhei para ele e fiquei maravilhada com o seu rosto, com seus olhos, sua boca... ele era perfeito. A expressão que ele me olhava cheio de desejo era tão linda, tão provocante, que me fez perder o fôlego. Eu não podia mais negar que amava Jones e que o queria acima de todas as coisas.
Suas mãos percorriam meu corpo sem nenhuma pressa enquanto sua língua fazia exatamente o contrário em minha boca, eu o abraçava forte enquanto nos beijávamos e às vezes sentia minha respiração falhar. Quando começou a abrir os botões do meu vestido eu procurei clareza nos meus pensamentos, mas só achei uma bagunça sem fim, na verdade eu nem sabia porque estava querendo achar algum sentido no que estava acontecendo.
- No que está pensando? – perguntou me tirando desse blábláblá mental.
- Que isso não faz sentido algum. – eu respondi sorrindo.
- Não precisa fazer sentido. – respondeu e sorriu de volta.
Ele estava apoiado sobre mim e meu vestido estava todo aberto, deixando a minha lingerie preta de renda aparecendo, eu olhei para ele e sorri maliciosamente enquanto tirava todo o meu vestido, me olhava com urgência. Quando estava só de calcinha e sutiã eu sentei na cama e fiz ele fazer o mesmo, então o beijei delicadamente e tirei sua camisa, que já estava aberta, depois abri o zíper de sua calça, mas não me deixou tirá-la e me deitou na cama de novo, me beijando furiosamente.
Não tive tempo de ver muita coisa do , nem vi a cor de sua boxer ou fiquei babando na sua barriga linda, pois assim que nossas peles se tocaram sem nenhuma barreira eu não tive como pensar em outra coisa, em outro momento. Nunca me senti daquela maneira, era como se eu finalmente tivesse achado aquilo que me completava e não precisava de mais nada para ser feliz.
sussurrava palavras que eu não entendia e eu o abraçava forte e chegava até a arranhá-lo, mas ele parecia não se importar e, talvez,até estivesse gostando. Quando terminamos ambos estávamos exaustos e deitamos um do lado do outro, eu estava tão ofegante quanto .
- Está ansioso para o show de amanhã? – Eu perguntei após alguns segundos intermináveis de silencio que pairou sobre o quarto. Eu precisava de qualquer assunto só para fazer aquele silêncio morrer.
- Por que essa pergunta agora? - perguntou rindo.
- Ah...sei lá.
- O show nem me passou pela cabeça,não estou conseguindo pensar em muitas coisas nesse momento. - Ele respondeu sincero enquanto olhava fixamente para o teto do quarto.
- E quais são as poucas coisas que está conseguindo pensar? - eu perguntei, me virando para olhá-lo.
demorou um pouco para responder e eu já estava quase enfartando quando ele se vira de lado, ficando com o rosto bem próximo do meu e me responde:
- A única coisa que eu consigo pensar agora é em você.

TWENTY EIGHT
The smell of a dream
(“O cheiro de um sonho”)

Quando disse aquelas palavras o meu mundo parou por alguns instantes pois eu nunca poderia imaginar que um dia ouviria tal coisa daquela boca. Aliás quem poderia imaginar que um dia eu estaria no lugar onde eu estava e com a pessoa que eu estava? Surreal demais.
- Er... Vou tomar banho,. – Eu disse numa atitude totalmente covarde.
riu, sabendo que havia me deixado envergonhada, e me abraçou.
- Posso ir com você? – ele disse enquanto mordia a minha orelha.
Eu ri, respondi que voltaria rapidinho e saí correndo para o banheiro, fechando a porta atrás de mim.
“Meu Deus”, disse baixinho para que só eu pudesse escutar. A água quente escorria pelo meu corpo, mas meus pensamentos não conseguiam se dissipar, eles continuavam rodando na minha cabeça, eram tantas dúvidas e tantas certezas. Quando eu desliguei o chuveiro, conseguia ouvir nitidamente as batidas do meu coração, que estavam exageradamente rápidas e altas desde a primeira batida no quarto do .
Saí do banho e espiei dentro do quarto, estava virado para o lado de dentro da cama e parecia estar dormindo. Deitei ao lado dele, que logo abriu os olhos e sorrio abertamente para mim, mostrando aqueles dentes perfeitos. Eu o abracei forte,pois parecia que a qualquer segundo sua figura iria virar pó e desaparecer totalmente.
- Você está cheirosa. – Ele disse em meio aos meus braços.
- Fiquei com medo que a água tirasse seu cheiro de mim, mas eu ainda posso senti-lo – eu respondi.
se desprendeu de mim e me beijou, mas dessa vez foi um beijo diferente. Dessa vez eu pude sentir, sem precisar ouvir nenhuma palavra, o quanto ele gostava de mim.
No final, ambos caímos no sono e dormimos um de frente para o outro, como eu sempre sonhei.

TWENTY NINE
So good to hear ‘no’
(“Tão bom ouvir ‘não’ ”)

Acordei com o barulho de uma porta batendo, custei para conseguir abrir meus olhos e minha visão estava meio embaçada, o que acontecia sempre quando eu acordava.
- Bom dia. – Disse saindo do banheiro, ele cheirava a sabonete e colônia, uma delícia.
- Bom dia. – Eu respondi enquanto saia da cama.
- veio aqui, disse para a gente se encontrar com eles daqui a 15 minutos no restaurante, todos estarão lá.
- esteve AQUI? – eu perguntei dando ênfase ao local.
riu, entendendo meu nervosismo.
- Não deixei ele entrar. Aliás, ele pensa que você está dormindo profundamente no seu quarto,pois ele bateu e você não atendeu.
- Ah bom. – Suspirei aliviada.
- Não quer falar para eles agora? – Ele perguntou enquanto calçava seu sapato.
- Acho melhor a gente esperar um pouco, . Tudo bem?
- Se você quer assim por mim tá tudo bem. – Ele respondeu e depois fez uma cara meio suspeita.
- Que foi? – eu perguntei rindo.
- Vai ser divertido fazer coisas escondidas. – Ele respondeu se aproximando de mim, fazendo uma cara de safado.
- Sai pra lá, ! – Eu disse me afastando e rindo.
me abraçou e, como eu gritei, ele começou a fazer cócegas em mim. Meia hora depois estávamos fechando a porta do quarto e indo em direção ao elevador para poder, finalmente, tomar café da manhã com a produção. O dia seria longo e emocionante.
Quando a porta abriu e eu, viramos, novamente, só amigos e logo avistamos todos tomando café da manhã e conversando animados.
- Vieram para o jantar? – perguntou rindo da situação.
Eu sorri sem graça e me sentei junto com os outros guys, numa cadeira ao lado de , sentou na cadeira ao meu lado.
- Vocês não sabem quantos minutos fiquei batendo na porta da ! O sono dela é muito pesado. – Disse rindo.
Eu me agitei na cadeira e sorri nervosa para ,aquilo seria mais difícil do que eu pensava. Olhei para as mesas ao lado e vi Ian conversando alegremente com algumas pessoas da equipe de som,fiquei feliz por ele, parecia tudo bem.
- Oi, !
Aquela voz me tirou do meu momento “felicidade pelos outros” e me fez olhar para o projeto de boneca falsificada que estava parada na frente de nossa mesa e, pasmem, olhando para o .
- Oi, Liza. – Ele respondeu, mas sem grande animação.
- Desculpa por ontem, acabei estragando nosso ‘programinha’, né? Mas pode deixar que hoje eu compenso – disse Liza com um sorrisinho malicioso.
Fechei meus punhos em baixo da mesa e quase furei as palmas das minhas mãos com a pressão que fiz com as minhas unhas.
- Acho que não vai dar, desculpe – respondeu .
- Então a gente marca para amanhã? – Liza não se tocava e nem desistia.
- Acho que você não entendeu, não vou poder nem hoje, nem amanhã e nem nunca, Liza. – agora olhava fixo nos olhos dela e depois se concentrou na sua torrada. Liza ficou roxa, vermelha, verde, azul e laranja, depois tentou dizer alguma coisa, mas engoliu e foi se sentar em uma mesa ao lado, furiosa.
- WOW! – disse , parecendo muito surpreso.
- dando um fora em uma garota? – perguntou .
não disse nada, só deu um sorrisinho e continuou tomando seu café da manhã como se nada tivesse acontecido. Meu coração estava se recuperando do momento anterior e aí que eu percebi que estava segurando a respiração, mas, agora, podia finalmente respirar aliviada.

FORTY
Keeping and telling a secret
(“Guardando e contando um segredo”)

O dia se resumiu a se preparar par a o show que começaria de noite, todos estavam muito agitados. Quando chegamos à arena onde o McFly tocaria, havia uma fila enorme de fãs e algumas cantavam em coro músicas da banda. Me lembrei de quantas vezes eu fiquei horas na fila esperando para ver , , e e senti uma saudade enorme das minhas companheiras de show.
- ta aí? – disse antes mesmo de dizer ‘alô’.
- Oi para você também, eu estou bem também, obrigada por perguntar. – Eu respondi fazendo um tom irônico.
- Saí daí, ! Oi, , tudo bom? – perguntou , tirando o telefone da psicopata da .
- Tudo ótimo! Acabamos de chegar no local do show e logo vamos começar a passagem de som. – eu disse animada.
- Cara, que sonho, sério! – disse .
- Queria que vocês estivessem aqui,vi umas fãs e lembrei muito da gente!

- Você acha que a gente vai poder, um dia, quem sabe, entrar vip que nem você? – perguntou , se fazendo de inocente.
- Ei, eu não sou vip! – respondi me fazendo de ofendida.
- Claro que é, e agora você está famosa, sabia? Todos os sites de McFly estão falando do vídeo.
- Sério mesmo?
- Sim, estão achando que você é a nova namorada do ! – Gritou lá no fundo.
- Mas e as nossas entradas Vips, ? – mudou de assunto.
- Claro, vou ver aqui e aviso vocês, tá? – respondi,tentando não parecer culpada pela minha voz.
- Obrigada! – deu um gritinho. – Ah, você pode passar o telefone para o agora, então?A está louca.
- Nos falamos depois então. Beijos! – respondi e passei para o , que estava ao meu lado louco para falar com a namorada.

A passagem de som foi sensacional e os meninos estavam muito empolgados para começar o show e eu estava super nervosa, pois iria cantar ‘Do Ya’ novamente. McFly pronto, backvocals prontos, equipe de som pronta, iluminação pronta, público terminando de entrar, agora só faltava o show começar.
Quando a banda entrou no palco e o tocou na guitarra pela primeira vez foi uma explosão de energia e o público delirou.
Segundo a minha setlist ‘Do Ya’ seria a próxima música a ser tocada e eu já sabia exatamente o que fazer, pois havia conversado com os meninos e acertado tudo com o . pegou o violão e começou a introdução de Do ya somente com o instrumento, depois de alguns segundos eu comecei a cantar o começo da música, começou a cantar depois da ponte entre os refrões e, assim, começamos a cantar juntos. A nossa versão foi breve, tinha um minuto mais ou menos, mas o publico pareceu gostar e todos cantaram junto e aplaudiram quando acabou. Depois da versão acústica, pegou a guitarra e eles começaram a tocar ‘Do Ya’ de verdade,continuando o show.

- Muito cansado, ? – perguntou Liza enquanto se preparava para ir para o hotel, como todo mundo. Eu estava perto e ouvindo tudo, infelizmente.
- Sim. – Ele respondeu enquanto vestia sua jaqueta de couro.
- Não quer passar no meu quarto para relaxar? – perguntou Liza,bem vadia.
- Não, obrigado. Todos prontos para irmos? – perguntou virando e deixando Liza sem ter o que falar.
No caminho vim de van com os meninos, quase dormindo ao lado de , que toda hora falava comigo para me manter acordada.
- Você fez um ótimo trabalho hoje. – disse ele.
- Obrigada... - respondi lentamente.
- Eu a levo para a cama. – Disse quando a van estacionou e eu estava mole demais para entender que deveria levantar.
Quando percebi já estava sendo levantada e inundada por um perfume tão aconchegante e tão familiar. Envolvi meus braços no pescoço do e me aninhei no seu peito, fechando os olhos.
- Você não está disfarçando muito bem. – resmunguei.
- Não tem nada de suspeito no que eu estou fazendo. – ele disse rindo.
- Onde estão os outros?
- Ficaram lá embaixo para beber. – respondeu . - Chegamos.
Assim, conseguiu abrir a porta comigo em seu colo, entrou no quarto, fechou a porta e me colocou na cama, ficando por cima.
- Você é um sonho. - eu disse, fixando meu olhar naqueles olhos profundos.
- E você é o meu sonho.
se aproximou devagar e tocou a ponta do meu nariz com a dele, me olhando cheio de cumplicidade. Toquei os lábios dele com os meus bem delicadamente, como se ele fosse se desmanchar se eu fosse mais violenta. me beijou com muito carinho, mas logo aprofundou nosso beijo que, agora, era cheio de urgência.
- Você não estava muito cansado? – brinquei tentando imitar a Liza-vadia quando começou a tirar a minha roupa.
- Estou cansado para todo mundo, menos para você. – ele respondeu, me fazendo derreter nos seus braços a noite toda.

Os dias foram passando e fizemos mais quatro shows, eram 8 cidades, sendo que às vezes tinha uns 2 shows por cidade, um atrás do outro. Em todos os shows eu cantava com e o pessoal já estava se acostumando, tanto que todos já sabiam o momento exato que eu ia participar mais diretamente. O público gritava meu nome, aquilo me emocionava todas às vezes.
Era uma quinta feira e os guys tinham entrevista marcada para uma revista teen americana, eu não achei muito certo ir junto, mas e insistiram muito, então eu acabei indo. Ok, vamos falar a verdade, eu estava morrendo de vontade de ir e saber como são feitas essas entrevistas.
Quando chegamos na editora da revista primeiro tivemos que passar por várias fãs que, não sei como, ficaram sabendo do dia da entrevista. O McFly foi muito atencioso e atendeu a maioria das fãs, eu não fiquei junto com eles e entrei direto no prédio, dentro de meia hora os meninos entraram também. Logo que os meninos chegaram fomos direto para uma sala, onde havia um sofá, uma poltrona, luzes,câmeras e, claro, várias doces. Os guys sentaram no sofá e a repórter na poltrona , logo ligaram as luzes e começaram a filmar, pois a entrevista também iria para o site da revista. Eu me sentei atrás do pessoal que estava filmando e tratei de pegar uma barra de chocolate para comer enquanto assistia tudo. Preciso dizer que eles estavam lindos?
- Prontos? – perguntou a repórter
- Sempre! – respondeu rindo
- Estamos aqui com a banda inglesa McFly que está em turnê pelos Estados Unidos. Como estão sendo os shows, meninos? -perguntou a repórter sorrindo para a câmera e depois para os guys.
- Estão sendo ótimos, o publico aqui tem uma grande energia! – respondeu todo feliz.
- As fãs comparecem em peso aos shows, cantam nossas músicas... é mágico. – respondeu .
- Falando em fãs, o que vocês acham das fãs americanas? – perguntou a repórter com um sorrisinho divertido.
Os meninos riram e respondeu:
- São loucas, no bom sentido,claro! – ele respondeu rindo
- Antes de a gente vir pra cá tinham várias fãs lá embaixo, elas sempre nos acompanham. – completou .
- Tinham muitas pessoas lá embaixo mesmo. – disse a repórter
- Mas a gente adora, estar com elas é a melhor coisa. – disse , todo fofo.
- Receberam muitos presentes? – perguntou a repórter.
- Sim, várias cartas, desenhos... – respondeu pensativo.
- Sutiã, calcinha... – completou rindo.
- É, principalmente isso! – disse .
A repórter riu e continuou a entrevista:
- Muitas meninas mandaram perguntas e a grande maioria quer saber se vocês ficariam com alguma fã daqui.
- Claro! – respondeu .
- Vai trair sua namorada, ? – perguntou
- Opa, desculpa ! – disse com uma carinha de bebê.
- Tudo bem, eu te traio todos os dias com o . – Disse rindo.
- Vocês estão namorando? – perguntou a repórter, tentando cortar a discussão que começou.
- Sim, eles vivem se pegando em turnê. – respondeu normalmente.
e fingiram que se beijaram e começou a rir escandalosamente.
- Mas de verdade, vocês estão namorando alguma menina? – especificou a repórter.
- Desculpe dizer, , mas eu estou. – disse .
Sério, nessa hora eu quase engasguei com meu terceiro chocolate, o havia revelado que estava namorando (e essa namorada era minha amiga). A ia morrer de felicidade quando soubesse disso, pois o não havia revelado publicamente o relacionamento deles.
- E quem é a sortuda? – perguntou a repórter que não estava esperando por essa revelação.
- Uma amiga nossa. – respondeu bem tranqüilo.
- Qual o nome dela?
- Vocês ainda vão ter que descobrir! – disse rindo.
A repórter ainda insistiu um pouco, mas vendo que nada arrancaria de continuou as perguntas para os resto da banda,tirando o , que todos sabiam que namorava.
- Eu estou solteiro! – respondeu .
- E você, ? Está tão quieto. – disse a repórter. Na verdade estava bem quieto mesmo. – Está com alguém? – continuou ela.
Nessa hora, meu olhar cruzou com o de e eu senti que ele queria muito falar que estava comigo, mas seria muita mancada revelar assim tão publicamente antes de contar para os amigos.
- Talvez sim, talvez não. – respondeu, por fim.
, , e a repórter olharam surpresos para ele, principalmente os meninos.
- Que foi? – riu , meio nervoso.
A entrevista seguiu normalmente, até que outra pergunta foi feita, dessa vez era sobre mim.
- Por que convidam a backvocal de vocês para cantar uma de suas canções?
- A tem muito talento e acabou se tornando uma ótima amiga. Foi o que viu o teste dela e ela cantou ‘Do ya’ de um jeito totalmente único. – respondeu
- As nossas fãs gostam muito dela e resolvemos que ela deveria cantar um pedaço da nossa música. -completou .
- Estamos recebendo respostas positivas até agora. -Disse .
- Mas qual é o relacionamento dela com vocês? – perguntou a repórter.
- Ela trabalha com a gente e é muito amiga nossa. – respondeu .
- Mas parece que ela é bem próxima do . – alfinetou a repórter.
- Ela é próxima de todos nós. – respondeu .
- Muitas pessoas andam comentando da conexão dos dois quando cantam. – disse a repórter.
- Quando se canta deve-se cantar com paixão. Os dois amam cantar e colocam todo o seu amor na música. - respondeu ,pondo em fim a discussão.
- Para encerrar: Vocês pretendem voltar ano que vem? Já estamos sentindo falta!
- Claro, a gente sempre se diverte muito aqui! Amamos os Estados Unidos. - disse .
A repórter agradeceu e a entrevista acabou, finalmente, não agüentava mais o nervosismo.

FORTY ONE
Telling the truth
(‘Contando a verdade’)

Na van, de volta para o hotel, todos estavam muito quietos. olhava para a janela, para as suas mãos, mexia na sua camisa e estava de olhos fechados.
- , quando a entrevista vai sair? – perguntei, fazendo ele abrir os olhos e olhar para mim.
- Acho que semana que vem. – respondeu
- Sei de uma pessoa que vai surtar quando ver. - respondi sorrindo.
- Eu sei, não vejo a hora de voltar para Londres e oficializar tudo publicamente. – disse ele sorrindo.
- Falando em oficializar publicamente, que história é essa de ‘talvez sim, talvez não’, ? - perguntou , como se aquilo estivesse engasgado na sua garganta.
- Era só para causar uma polemica. – respondeu sem ao menos olhar para o colega.
- Desde quando a gente responde algo nada a ver só para causar polemica? – perguntou , meio chateado.
bufou e ignorou o amigo. O trajeto continuou em silêncio.
Quando chegamos ao hotel, foi direto para o quarto sem falar com ninguém. Eu não consegui fazer nada, queria deixar ele um pouco sozinho, mas eu não queria ficar sozinha.
Bati na porta do quarto do , ele abriu e eu entrei.
- Quer conversar? – perguntou ele sentando na cama.
- Quero. – respondi me sentando ao lado dele.
Eu precisava desabafar sobre esse meu relacionamento escondido com o e ouviu com muita atenção tudo que eu contei. Na verdade, eu sabia o porque de ter ficado chateado, ele queria oficializar nosso relacionamento publicamente como o havia feito.
- , eu acho que você deveria parar com essa besteira de segredo. – Aconselhou .
- Mas vão falar um monte de coisas, ! Vão dizer que é por interesse e tudo mais. - comecei a lembrar do que a Liza me disse.
- E daí? Nós sabemos que não é. Eu aprendi que não posso agradar o mundo todo, .
- Você acha? – perguntei insegura.
- Claro! Você ama o e tenho certeza que ele também te ama muito.
- Ele é tudo que eu sempre quis! - sorri
- Então pronto, mostra para todo mundo como vocês foram feitos um para o outro, .Vocês já sofreram muito para ficarem juntos, lembra?
- Lembro...
- Vai fazer o que eu disse? – perguntou .
- Vou. - respondi confiante.
- Agora tudo faz sentido... – disse ele pensativo.
- O que? – perguntei.
- Você nunca estar no seu quarto, a resposta do na entrevista...
Dei risada e agradeci muito ao , ele era o amigo que eu sempre pedi. Saí do quarto dele muito confiante e fui direto para o de conversar com ele.
- Oi. – eu disse sorrindo quando ele abriu a porta. sorriu fraco e me deixou entrar,me cumprimentando com um selinho e fechando a porta atrás de mim.
- Eu andei pensando sobre a gente... – eu comecei.
, que estava virado para a janela, virou-se rapidamente em minha direção, como se as minhas palavras o tivessem atingido de alguma forma.
- Que foi? – eu perguntei, interrompendo o que eu estava dizendo.
- Não gosto desse tipo de frase, só isso. – ele disse, meio triste.
Eu comecei a rir e ele me olhou espantado e até mesmo inconformado com a minha reação.
- Não estou vendo graça, .
- Não vou terminar com você, . - eu disse, em meio as risadas.
parou por alguns segundos e se recompôs, depois disse, todo confiante:
- Até parece que eu pensei nisso.
- Enfim, eu não quero mais esconder de ninguém que estamos juntos. – Eu disse me atropelando nas palavras.
Quando consegui, finalmente, encarar os grandes olhos de , ele me parecia sem fôlego, mas era como se uma luz tivesse acessa sobre sua cabeça.
- Isso é um sim? – perguntei, meio aflita.
Ele veio rapidamente em minha direção e me abraçou forte, depois me beijou, tirando todo o meu ar.
- Queria ter dito que estávamos juntos na entrevista. – disse ele, quando parou de me beijar.
- Eu sei, mas não seria justo com os meninos. – respondi.
- ficou meio chateado, não é? – ele me perguntou.
- Acho que sim, mas ele vai entender se a gente explicar. – eu respondi sorrindo.
sorriu de volta e me beijou de novo, me apertando forte. Naquele momento eu percebi que não havia outro lugar no mundo em que eu me encaixasse tão perfeitamente.

Nós achamos que seria melhor contar logo para os guys e acabar com esse segredo de uma vez,por isso chamamos os meninos para irem até o meu quarto. Juro que não sei por que escolhemos o meu quarto, acho que foi porque ele estava sendo meio inútil ultimamente.
- Pra que tudo isso, posso saber? – perguntou se apoiando na parede.
- Eles querem falar com a gente. – disse me olhando e sorrindo.
- Sim, é isso mesmo. – Falei. – , você quer contar? – perguntei para , que olhava para .
- Eu sei que vocês acharam estranha a minha resposta hoje na entrevista. – começou , olhando para , que o encarava sério. – Mas o fato é que eu não disse aquilo para causar polêmica, eu disse porque não sabia se podia contar que estava com alguém.
- Como assim? – perguntou , mudando de expressão.
- Eu estou com a . – disse de uma vez só.
A reação do e do foi muito engraçada, eles não sabiam o que falar.
- Eu disse para o que queria esperar um pouco para contar e por isso ele ficou meio confuso naquela hora. – eu expliquei.
- Sim, eu queria contar ali, mas seria mancada com vocês saber daquele jeito. – concluiu.
- Nossa, finalmente, hein? Tava demorando para vocês ficarem juntos e assumir. – foi o primeiro a se manifestar, ele levantou os braços para o alto.
- É que eu me fiz de difícil. – disse rindo.
- Agora vamos poder fazer programinha de casal. – veio me abraçar e depois abraçou o .
- Tudo faz sentido agora! Mas por que vocês quiseram esconder? – perguntou , ainda meio confuso.
- Na verdade fui eu. Eu estava com um pouco de medo da reação das pessoas, do que iriam pensar de mim. - eu disse bem sincera.
- Você tem que se preocupar menos com o que os outros pensam ou vão pensar de você, . – disse .
- Eu sei... estou tentando trabalhar nisso. – eu disse e depois suspirei.
- Você sabe que eu adoro você, né? Tem certeza que quer ficar com esse idiota aí? – veio e me deu um abraço, todos respiraram aliviados, estava tudo bem.

- Quero marcar uma entrevista. – Disse assim que entramos no quarto dele e fechamos a porta, já passava das duas da manhã.
- Para que? – perguntei, me jogando na cama. Meus pés doíam.
- Quero contar para todo mundo quem é minha namorada. – Disse todo sorridente.
- Muito bonitinho, , mas vamos dormir antes.
Os meninos quiseram comemorar o nosso relacionamento e levaram a gente em um bar, dançamos, bebemos e rimos muito. Eu estava morta.
- Está cansada? – perguntou deitando do meu lado.
- Muito. – respondi fechando os olhos.
- A namorada de tem que agüentar festejar por no mínimo quatro dias seguidos, sabia? – Disse com um tom de brincadeira em sua voz.
- Então porque você não vai lá festejar com essa tal de ‘namorada de ’? – respondi, virando de costas para ele.
riu, mas quase não fez nenhum som, depois ele passou seus braços na minha cintura e me abraçou.

Quando abri os olhos já era de manhã, mas eu ainda me sentia muito cansada e pesada. Murmurei algo que nem eu mesma consegui entender e me ajeitei na cama, curiosamente eu estava na mesma posição de quando me virei para fingir que estava brava com o . ... Sentei na cama e olhei ao meu redor, nenhum sinal dele.

FORTY TWO
I Love You
“Eu te amo”

Tomei um banho bem gostoso e pude sentir a água quente relaxando meus músculos e trazendo uma sensação muito gostosa no meu corpo. Sequei o cabelo, passei maquiagem e coloquei um vestido azul marinho lindo que eu ainda não havia tido a oportunidade de usar. Passei uma mensagem para os meus pais, habito que eu cultivava todos os dias desde que pisara em Londres pela primeira vez. Aliás, eu queria tanto apresentar os meninos para os meus pais, o que será que eles achariam do ?
Procurei os guys por todo o hotel e não consegui achar, até os funcionários não sabiam me dizer onde eles estavam. A equipe já tinha tomado café da manhã e resolveram tirar o dia para passear, ou seja, eu estava completamente sozinha e abandonada no hotel, muito legal.
Resolvi tomar café da manhã, mesmo sendo quase hora do almoço, e depois fui explorar o que o hotel tinha a oferecer, era meio chato fazer isso sem ninguém. Voltei de novo para o quarto totalmente entediada e tentei ligar para as minhas amigas,nada. O que estava acontecendo com todo mundo? Por acaso eu estava naqueles filmes que no final você descobre que está sonhando? Ou pior, naqueles que tudo não passou de armação do governo americano! Ok, sem exageros, .
Deitei na minha cama e fiquei olhando para o teto até que comecei a lembrar de quando eu era pequena e ia nas férias para a praia e todos os finais de semana para a piscina,era tão bom. De repente me levantei decidida que iria dar um mergulho e relembrar tudo isso. Procurei na minha mala um biquíni e um chinelo e saí correndo para a área descoberta do hotel,onde ficavam as piscinas.
Quando pulei na água fui inundada por uma sensação bem familiar, acontece que eu praticava natação quando era menor e morava no Brasil, eu me sentia muito bem na água. A piscina era mais bonita do que eficiente para praticar o nado e então, depois de alguns minutos, resolvi ficar na borda da piscina escrevendo uma música nova e pensando na vida. Comecei a pensar na fase que eu estava vivendo e minha mão simplesmente começou a dançar com o lápis na folha de papel, as rimas saiam facilmente e a letra parecia sincera.
- Ela está ali! – gritou alguém.
Fechei meu caderno rapidamente, saindo do transe criativo em que eu me encontrava, e olhei para trás, na direção da porta que dava para a piscina descoberta, onde eu me encontrava. Era , vindo em minha direção, seguido de , e , detalhe que estavam todos de traje de banho.
- Procuramos você em toda parte! – Disse meio aflito.
- Essa frase é minha, pois EU acordei sozinha, EU tomei café da manhã sozinha e EU procurei vocês por horas. – rebati.
Eles se entreolharam e ficaram calados, depois quebrou o silêncio:
- A água ta boa, ?
- Muito! Porque vocês não entram? - perguntei.
nem esperou eu terminar de falar e pulou na piscina com tudo, espirrando água em todo mundo, menos que previu aquilo e se afastou. gritou alguma coisa e pulou também, menos escandaloso. resolveu tomar um sol na cadeira e ouvir uma música.
- Não vai entrar? – perguntei para , que agora estava na borda da piscina, sentado.
- O cloro costuma machucar meus olhos. – ele disse com voz de criança.
Revirei os olhos e depois tive uma brilhante idéia.
- Ah, tadinho do . – eu disse, imitando a voz dele e fazendo biquinho
O pobre achou que eu estivesse falando sério e se inclinou para me beijar, eu retribui e o envolvi com meus braços, para depois puxá-lo para dentro da piscina. caiu com tudo pois estava super despreparado, todos começaram a rir muito com a cena, principalmente eu.
Quando emergiu na água ele fez uma cara muito estranha para mim e começou a se aproximar, eu, ainda rindo fui indo para trás, mas logo a borda da piscina me impediu de continuar fugindo. Ele estava quase me prendendo quando eu afundei e fugi por entre as pernas dele, o era tão lerdo! Mas, de repente, uma mão segurou no meu tornozelo e eu não pude mais continuar nadando, forcei meu olhar para trás e vi uma figura borrada, que logo me soltou. Fui para superfície e o estava rindo.
- Você acha que é mais rápida do que eu? – perguntou.
- Óbvio que sou. – respondi, em tom de desafio.
- Aqui do lado tem a piscina aquecida e ela é olímpica. Topa o desafio? – perguntou com aquele olhar de superior.
- Claro, mas você vai perder, querido. – respondi.
- Vocês querem ir junto? – perguntou com indiferença, virando para os meninos.
Eles olharam para e depois falaram para mim que iam ficar por lá mesmo, dando várias desculpas. Estranho.
Mergulhamos na piscina quentinha e eu sorri com a temperatura da água, depois olhei para e ele já estava preparado para a nossa competição.
- Vou contar até três, ta? – disse ele com um sorriso vitorioso no rosto.
- Certo. – concordei, me preparando também.
- 1,2...
Ouvi um barulho de água e quando olhei para o lado já tinha começado a nadar, ou seja, ele não esperou até o 3 e já foi antes de mim. Sem perder mais tempo eu parti atrás dele com toda a minha energia, nadei o mais rápido que eu podia e logo minha mão bateu na borda da piscina. Olhei para trás e ainda estava chegando, tudo o que eu consegui foi sorrir vitoriosa.
- Mesmo roubando você perdeu, qual é a sensação? – Eu perguntei quando ele chegou.
- Ótima. –ele respondeu com um sorriso bobo no rosto.
- Por que você está sorrindo tanto? – perguntei, estava achando tudo aquilo muito suspeito.
se aproximou e encostou todo o seu corpo em mim me fazendo ficar entre ele e a parede da piscina, suas mãos foram direto para a minha cintura.
- Por que eu ganhei. – respondeu enquanto se aproximava de mim.
- Não, você perdeu a nossa competição de natação, ! – eu respondi, ainda tentando entender o que aquele louco estava falando.
- Mas eu ganhei porque estou aqui sozinho com você. – Ele sorriu safado.
Então eu entendi todo o plano maléfico que havia preparado.
- Não era mais fácil ter me falado: vamos nos pegar na piscina aquecida? – eu perguntei fingindo uma bronca de mãe.
- Eu queria fazer uma coisa diferente...
Então ele me beijou, um beijo molhado e cheio de desejo, minhas mãos se perderam em seu cabelo molhado e as mãos dele passeavam pelo meu corpo, a temperatura da água não era mais alta do que a nossa.
- Não sabia que podia ser tão safado assim... - eu sussurrei, usando o pouco ar que ainda restava em mim.
sorriu de lado, aquele sorriso que fazia qualquer uma derreter, e subiu suas mãos para a parte de cima do meu biquíni, desfazendo o nó com uma calma que não existia entre nós. Quando a pele do seu peito tocava na minha, agora sem o biquíni, arrepios explodiam no meu corpo, como se borboletas tivessem saído do meu estômago e agora passeavam sobre meu corpo. Com o eu aprendi que qualquer sensação boa que eu havia sentido com qualquer outro homem antes de conhecê-lo deveriam ser desconsideradas, pois ele fazia com que toda a vez que a gente se beijasse parecesse o meu primeiro beijo, tudo novo, tudo mágico.
Joguei minha cabeça para trás, procurando ar e dando liberdade para ele descer seus beijos para os meus seios, enquanto suas mãos seguravam firme minha bunda contra seu quadril. Entrelacei minhas pernas no seu tronco e pude sentir, com mais evidencia, seu volume gritando em baixo do calção. Voltei a minha cabeça para a posição normal e encontrei um par de olhos lindos me olhando intensamente, não pude deixar de sorrir e depois morder meus lábios quando o senti tirando a parte de baixo do meu biquíni, me deixando totalmente nua.
- ... - eu disse com certa dificuldade tanto para raciocinar quanto para falar.
Ele me pediu calma e voltou a me beijar, mas eu o interrompi para gemer quando senti suas mãos entre as minhas pernas, mesmo eu estando tão apertada entre seu corpo. fazia movimentos circulares na minha intimidade, revezando a velocidade, e eu só derretia em seus braços, perdendo o oxigênio em cada toque de seus dedos. A água parecia tão inquieta quanto a gente, mas trazia uma sensação totalmente nova naquele momento.
- Er...!
Eu não sabia o que fazia naquele momento, se empurrava o ou se me cobria, mas nada do que eu fizesse iria convencer o de que estávamos simplesmente nadando. Meu rosto ficou quente de vergonha, parecia que as gotas de água iam evaporar dali. estava parado do outro lado da piscina,perto da porta de entrada para a piscina aquecida e parecia meio constrangido de nos interromper,me deixando curiosa para saber seus motivos, apesar das circunstâncias.
- Desculpe gente, mas tem uma família ali fora querendo entrar aqui, sorte que eles tem duas filhas que são nossas fãs e, por isso, estamos ganhando tempo para vocês. – Disse , meio afoito.
suspirou e, meio tímido, respondeu:
- Obrigado, dude. Já estamos indo.
sorriu por educação e acenou depois tratou de sair de lá rapidinho.
Com aquela confusão toda eu só tive tempo de cobrir o meu peito com os braços e não tinha a mínima idéia de onde podiam estar as partes do meu biquíni. se virou para mim e suspirou, depois, compreendendo minha situação, olhou para todos os cantos da piscina na procura do meu biquíni.
- Vamos correndo para o vestiário, assim você se troca e eu... me recomponho. – disse ele depois de voltar com as duas partes ‘perdidas’ do meu biquíni.Claro que eu coloquei meu biquíni ali, na água mesmo, e só depois saí da piscina e fui para o vestiário, foi logo atrás de mim e entrou no masculino.
Depois de ter dado um jeito no meu rosto, que tinha sofrido certas transformações com o susto, eu saí para a parte da piscina descoberta, sem esperar pelo .
- Ah! A está aqui também! – disse uma menina loira de olhos azuis que parecia ter uns 14 anos.
Olhei em minha volta e vi um homem gordo e alto de calção, uma mulher de cabelos loiros curtíssimos enrolada em uma toalha, e tirando fotos com uma menina loira de mais ou menos 16 anos e ao lado da menina que me reconheceu.
- Oi! – eu exclamei, sorrindo e me aproximei do grupo.
Conversamos animadamente por uns cinco minutos, quando o casal resolveu que era hora de irem pois ainda queriam aproveitar a piscina aquecida.
- Bom, foi ótimo conhecer vocês, as meninas os amam tanto! – Disse o homem, sorrindo e apertando a mão de .
- AH MEU DEUS! – exclamou a filha mais velha enquanto olhava para a direção contrária de onde estávamos.
vinha com tanta calma que nem parecia o mesmo homem que passou pelos apuros de 10 minutos atrás. Ele sorriu e acenou, todo meninão.
- Olá! – ele disse quando chegou perto do nosso grupo e abraçou as meninas.
Depois de alguns minutos, finalmente a família seguiu seu rumo e nós resolvemos voltar para os nossos quartos para nos arrumarmos. No caminho, não pode deixar de fazer sua piadinha do dia:
- Espero que aquela família saiba nadar de boca fechada para não engolir aquela água da piscina, sabe?
Todos riram menos eu, que fiquei vermelha que nem tomate e dei um tapinha no ombro dele, saindo do elevador e indo em direção ao quarto do , que estava bem atrás de mim.
- Quanta energia, crianças. – disse , enquanto abria a porta do quarto dele.
mostrou o dedo do meio para ele e os dois riram, depois entrou no quarto dele e nós, no nosso. Sim, por que agora eu estava instalada no quarto do , não?
Agora a porta estava fechada atrás da gente e tudo que conseguíamos fazer era ficar olhando um para a cara do outro, como se os nossos olhos pudessem falar mais do que as nossas bocas. sorriu e me fez sorrir também, ele era muito lindo.
- Você é perfeito. – eu disse, quebrando todo aquele silêncio.
- Nem chego aos seus pés. – ele respondeu, agora com os braços nos meus ombros.
- Não fale bobagens. – retruquei. Eu perfeita? Ele havia se esquecido que era ?
- Você é perfeita. – ele disse e antes que eu pudesse rebater sua frase ridícula, ele me beijou com urgência.
Parti o beijo e o empurrei, podendo ver a confusão que se formava em seu rosto.
- Apressado? – perguntei em meio a um sorriso divertido.
riu e sentou na cama, depois jogou se corpo para trás e disse, fingindo indiferença:
- Não, na verdade estou cansado.
Eu cruzei os braços e minha boca abriu e fechou algumas vezes, depois eu resolvi ser, mais uma vez, o homem da nossa relação. Caminhei devagar até a beirada da cama, onde estavam as pernas jogadas do , e me sentei sobre ele. arqueou seu corpo na minha direção, se apoiando com os cotovelos nos lençóis, e colocou suas mãos na minha cintura, pressionando. Eu me curvei em sua direção e mordi seu lábio inferior para depois, beijá-lo com extremo desejo. subiu suas mãos para as minhas costas e depois tirou a parte de cima do meu biquíni, mas agora com muita rapidez.
-Você não estava cansado? – eu disse, assim que ele parou de me beijar por alguns segundos.
, como se estivesse me respondendo, me abraçou e me girou, de modo com que ele ficasse por cima, depois ele voltou a me beijar, envolvendo sua língua na minha com certo desespero, mas o gosto do seu beijo era delicioso.
Suas mãos agora estavam nos meus seios e eu podia sentir pelos seus toques de que ele estava se divertindo horrores enquanto, claro, me proporcionava muito prazer. Minhas pernas instintivamente abriram, dando espaço para que ele se encaixasse entre elas e me fizesse sentir o tamanho de sua excitação, e que excitação. Não querendo repetir o atraso de mais cedo na piscina, eu comecei a tirar o calção de , com uma dificuldade que o fez parar de me beijar para me ajudar naquela ‘difícil missão’.
- Melhor? – perguntou , fazendo uma cara de safado ao tirar completamente a peça de roupa.
Eu só sorri para ele e revirei os olhos, sorriu de volta e depois fixou seus olhos no meu rosto, em seguida ele abaixou suas mãos e desfez os dois laços que sustentavam a parte de baixo do meu biquíni no lugar. Juro que eu não pensei na facilidade de tirar um biquíni que era amarrado dos lados na hora de comprar.
- Merda. – disse , se afastando de mim.
- Que foi? – eu disse meio assustada.
- Camisinha. – respondeu ele se levantando e indo até a sua carteira que estava dentro de uma calça socada no armário.
Enquanto eu esperava ele se proteger, meu corpo tremia e se arrepiava todo só de pensar de depois disso ele estaria ali, em cima de mim. Me contorci um pouco e mordi meu lábio inferior, soltando um gemido que fez olhar para mim.
- Não comece sem mim. – Ele disse brincalhão enquanto se aproximava da cama.
deitou em cima de mim e eu envolvi sua cintura com as minhas pernas, mas não sei por que raios ele não fazia nada, só continuava me olhando.
- ... – eu supliquei meio irritada.
- Vamos tentar algo diferente. – Ele disse, por fim.
Eu entendi na hora o que ele quis dizer e nós mudamos de posição e eu, agora, estava por cima. Apoiei minhas mãos no seu peito e desci devagar, sentindo cada músculo do meu corpo se contrair no instante em que começamos a nos unir. jogou sua cabeça para trás e gemeu rouco, fechando os olhos na hora. Comecei a me movimentar mais rápido e os nossos gemidos pareciam acompanhar o nosso ritmo frenético, meu olhos fechavam mas eu forçava-os a se manterem abertos para poder olhar as reações de ,que me enchiam ainda mais de tesão. Suas mãos seguravam firme na minha cintura e me puxavam para baixo com força quando eu ia para cima, fazendo com que eu soltasse gemidos realmente altos e arranhasse o seu peito, como se eu precisasse de algo para me segurar.
Eu cheguei ao clímax antes de , que após mais algumas investidas e um longo gemido chegou ao ápice também. Caí em cima dele, ainda ofegante e passei a mão no meu cabelo que estava grudado pelo suor. abriu um sorriso enorme e soltou um ‘uau’ mudo, me fazendo sorrir também, enquanto tentava controlar novamente a minha respiração.
Levantei e fui caminhando até o banheiro,mas meu corpo ainda estava meio mole de tanto prazer que eu havia sentido minutos atrás.
- Ei. - chamou , ainda esparramado na cama e totalmente nu. Visão do paraíso, meu Deus.
Eu virei e o olhei com curiosidade, esperando que ele falasse alguma coisa. No começo não entendi muito bem o que ele havia dito, pois parecia que meu mundo havia parado rebobinado e depois voltasse em câmera lenta. Meu coração parou por alguns segundos, ou horas, e depois voltou a bater em um ritmo extremamente acelerado quando eu o ouvi dizer apenas três palavras:
- Eu te amo.




CONTINUA


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