Our Last Kiss
Autora: Chel
Status: Finalizada
Revisada por: Reh
Categoria: McFly Fics
Sub-Categoria: Medium Fic/Drama/Comedia Romantica
Comentários:
narrando:
Já faz quase um ano que isso aconteceu... Meu nome é para os interessados em saber, eu vou contar o que aconteceu naquela noite, em que demos o nosso ultimo beijo.
- Kirsten?
- OI . Tudo bem?
- Uhum! Eu só queria saber se já posso ir aí te buscar?
- Claro! Eu já estou Quase pronta.
- Certo então. Já estou saindo... Tchau! - Eu já ia desligar quando ainda a ouvi chamar meu nome - Fala...
- Eu te amo... - Pude ouvir uma risadinha tímida do outro lado da linha.
- Eu também te amo...
- Obrigado por me deixar saber! Tchau!
Ela desligou. Fui até a garagem, entrei no meu carro, ele não ligou então decidi voltar para casa e pegar a chave do carro do meu padrasto. Ele havia deixado lá faz uma semana, achei que ele não se importaria...
Entrei no carro dele e fui até a casa da Kirsten que ficava a umas três quadras após à minha casa. Pretendia levá-la a um restaurante muito elegante que tem aqui em Londres, afinal, eu queria comemorar em grande estilo o nosso aniversario de um ano de namoro.
Cheguei na casa dela, buzinei duas vezes e ela abriu a porta. Estava linda, seu cabelo castanho estava solto, ela usava uma maquiagem clara, que nem o vestido de cetim cor de párola. Assim que ela me viu, correu em direção ao carro e entrou. Eu dei um beijo nela e liguei o carro, não conseguia parar de olhar para ela, ela estava sempre sorrindo ao meu lado.
Não foi preciso dirigir muito para chegar à estrada que nos levaria para o restaurante, voltei a admirá-la por poucos segundos. Seus olhos se encontraram com os meus, sorri, e quando eu coloquei os meus olhos na estrada novamente... bem, à minha frente estava um carro enguiçado, eu tentei parar, eu juro, mas não consegui, fui obrigado a virar bruscamente para a direita... então...
Foi aí, neste exato momento que eu ouvi sons, sons os quais eu acho que nunca conseguirei esquecer, como do canto dos pneus na derrapagem, os vidros se quebrando e o grito de dor, que foi o último, e o pior de todos os sons que ouvi naquela noite...
Não sei exatamente quanto tempo se passou, mas quando eu acordei, a chuva estava caindo e tinha algumas pessoas paradas olhando ao nosso redor... Algo quente escorria nos meus olhos. Era o sangue que escorria de um pequeno ferimento em minha testa, mas eu não me importava mais comigo, eu virei e olhei para a Kirsten. Ela estava lá, seu vestido pérola estava completamente manchado de sangue, sua maquiagem borrada pelas lagrimas que, mesmo com ela meio desacordada e caída no meu colo, ela deixava cair. Eu levantei e coloquei a sua cabeça próxima ao meu corpo, ela então sorriu e falou serenamente para mim:
- , querido, me abrace, só mais um pouco...
Eu a segurei para bem mais perto de mim e a beijei. Esse foi o nosso ultimo beijo, e mesmo comigo lá, abraçando-a fortemente, ela se foi...
narrando:
Já faz quase um ano que isso aconteceu... Meu nome é ...
Desde criança eu sofro com uma enorme variedade de problemas cardiovasculares, até o dia em que eu precisei fazer um transplante de coração. Você não faz idéia de como é difícil encontrar um que seja compatível, depois de anos de espera...
Pode parecer egoísmo meu, mas o dia em que a pessoa doou esse coração que hoje bate em meu peito, foi o dia mais feliz de toda a minha vida... Serei eternamente grata a você kirsten...
- Que foi ?
- Nada! - Respondi para minha amiga .
- Sei... Será que ele não vem hoje? - Ela sorria maliciosamente para mim.
- Ele quem? - Me fiz de desentendida.
- Quem? Vai fingir que não sabe?!
- Eu não sei de nada!
- ! Para de tentar me enganar! Desde aquele dia em que aquele veio tomar o café da manhã aqui você fica assim: perdida, olhando para o nada, esperando ele chegar! Você nem sabe o nome dele!
- É .
- Uhmm... Vocês já conversaram então? - Ele fez cara de quem já pesou besteira.
- Não...
- Então como você sabe o nome dele?!
- Eu não sei, eu... - Eu realmente não sabia como eu sabia. - Sei lá, quando você não conhece alguém você inventa um nome pra essa pessoa... Eu acho!
- Falando nele, olha só o seu “namoradinho” chegando!
- Cala a boca !
Ta legal, uma parte dessa conversa é verdade, pouco tempo depois que eu pude voltar a trabalhar de garçonete aqui na lanchonete, esse garoto entrou aqui, eu não sei o porquê, eu nunca fui assim. Amor a primeira vista... Mas eu não sei, quando eu vi os olhos dele senti o meu coração batendo mais rápido. Esquisito!
Ele abriu a porta amarelada que dava acesso à lanchonete. Ele estava lindo, usava uma camiseta da Hurley, na qual eu não parava de imaginar quinhentas maneiras de arrancá-la daquele corpo, e um short. E sentou-se à mesa de costume, era uma mesa de dois, perto da janela, ele sempre parecia esperar a segunda pessoa. Seja lá quem for, ela nunca chegava. Coitado, tão lindo, levando bolo!
Mesmo sendo eu que corria para atendê-lo, ele nunca chegou a olhar para mim... literalmente, ele ficava quietinho no canto dele... Me aproximei ao poucos e disse:
- Em que posso serví-lo?
- Um pedaço de torta de carne.
- E para beber?
- Suco de uva.
- Já volto com o seu pedido! - Sorri inutilmente e fui levar o pedido.
Em menos de cinco minutos, a torta que estava no forno havia 20 minutos, ficou pronta. Peguei o copo de suco, coloquei tudo na bandeja e fui levar até ele...
- Prontinho!
Ele se virou para olhar para mim e respondeu:
_ Obrigado.
- De nada... - Suspirei enquanto ele voltava a atenção para a torta.
Voltei para o balcão. estava rindo da minha cara, ignorei e fiquei esperando, já que não havia outros clientes. Minutos depois ele pede a conta, paga e sai...
- , o que é aquilo lá na mesa dele?
- O quê? - Eu espremi os olhos para poder enxergar melhor - É um celular?!
- Parece, vai lá pegar!
- Por que eu?
- Ta bom, deixa que eu pego...
- Não! Eu vô! - Corri até a mesa que ele ficava e peguei o celular...
- Vai fuçar na agenda?
- Pra quê?
- Pra saber se ele tem namorada!
- Será que eu devo??
- Assim você fica sabendo se não é perda de tempo.
- Não...eu não posso!
- Eu posso! Me dá isso aqui! - mal havia acabado de falar quando arrancou o celular de minhas mãos. - hum... Ha, que bonitinho, o primeiro numero da agenda dele é o numero da mãe!
Sorri
- Hum.... na agenda não tem nada muito suspeito.
- Será que ele é gay? - Tremi com as minhas próprias palavras.
- Duvido... Olha só essa foto... - virou o celular em minha direção. Senti a circulação diminuir e o sangue fugir de meu rosto, a foto era dele beijando uma garota. Não deu para ver direito o rosto dela, apenas o cabelo castanho dela preso em um rabo de cavalo.
passou para a próxima foto, também era dessa garota, dava para ver o rosto nessa, ela tinha traços finos e delicados, parecia uma boneca de porcelana, graças ao vestuário de lã... Nessa, eu pedi para voltar para a foto anterior, tinha algo que eu havia deixado passar, ela voltou eu vi a legenda, Kirsten!
- Que mundo pequeno! - Pensei alto.
- O que foi? - quis saber.
- Lembra da cirurgia que eu fiz...(?)
- Claro..
- Então, o nome da minha doadora era Kirsten também, que estranho!
- Hum...pena que não é com essa Kirsten que ele está namorando, senão você podia tentar falar com ele, já teriam até um assunto!
- Ér, Kirsten é um nome comum? - Perguntei só por curiosidade.
- Acho que sim.
- Não importa! O que importa é que o meu conto de fadas da era digital vai começar! - Não parava de sorrir.
- Conto de fadas?
- É, o meu príncipe esquece o celular, cinderela esqueceu o sapato de cristal, mais não importa!
- Tá, mais o que você vai fazer com o celular dele? Ligar pra mãe dele ou pra namorada dele?
- Ele não tem namorada, eu espero, ér, eu vou descobrir!
- Como?
- Ah, daqui a pouco ele vai voltar aqui para buscar o celular, eu vou entregar para ele, ele vai me olhar nos olhos, me ver como a salvadora do celular e me amará para sempre!
- Por causa do celular?
- Eu posso sonhar, não posso? HÁ! - Gritei involuntariamente quando o celular começou a tocar.
- Quem é?
- "casa" É ele! - Griatava feito uma louca na lanchonete vazia.
- Huuu! Seu conto de fadas! - falava incrédula pela minha estupidez.
- Eu vou atender! - Respirei fundo, apertei a tecla verde e falei com a voz mais doce e sexy o possível um simples “OI”.
- Pilantra! Pode me devolver o celular!
- Hã? Não é isso, voc..
- Não vem tentando me surrupiar que eu não sou idiota!
- É sim! Eu não fiz nada pra você gritar, !
- Como você sabe o meu nome?
- Calma! Não grita! Ér, eu não sei, mais eu não roubei nada! Eu sou a garçonete da lanchonete, você que esqueceu o celular! - Estava tentando conter as lágrimas mas não consegui, ele foi tão grosso!
- Lanchonete? - Ele parou de gritar e começou a falar em voz normal. - Garota, você está chorando?
- Não! - menti.
- Está sim! Aí! Como eu sou idiota! Me desculpa! Não era a minha intenção!
- Sei.
- Não, é serio garota, me desculpe, achei que tinha sido uma trombadinha que pegou o meu celular!
- Tá bom. - Sequei as lágrimas.
- Ér, será que eu posso ir ai pega o meu celular?
- CLARO!
- Está bem, daqui a pouco eu passo aí.
- Eu vou te esperar!
- Está bem então. Ér, tchau.
- Tchau!
Ele desligou.
- Era ele! - Suspirei e me virei para a .
- Nossa, ele deve ter recitado um poema de Camões pra você chorar feito um bebê! - Ela fez a cara de sínica que tanto adora.
- Quase! - Não ligava pro que aconteceu, só ligava para o fato de que ele vai vim me ver!
- Ai, cadê ele? - Murmurava para mim mesma.
- Será que ele vem mesmo, eu só falou que vinha pra você parar de chorar?
- Não, ele vem, ele nunca descumpre com sua palavra!
- Como você sabe?
- Eu não sei, mas a voz dele não era voz de mentira, ele falava sério.
- Você me assusta garota, olha ele ali! - Ela apontou para a porta amarela da lanchonete. Ele entrou, havia trocado de roupa, estava com uma camisa listrada e uma calça jeans.
Ele me procurava pela lanchonete, aposto que não se lembrava da minha cara, ele olhava pros poucos clientes, tentando ver se a garçonete era eu ou .
- Oi! - Falei quando ele se aproximou sem notar que era eu.
- Oi? - Ele falou me medindo, ele estava totalmente lindo, e eu vestida de mostarda com um avental bege escrito em vermelho o nome da lanchonete.
- Desculpe pelo transtorno, o seu celular. - Entreguei e abaixei cabeça, fazendo um joginho.
- Hei, me desculpa, eu realmente não tinha a intenção...
- Não, tudo bem, eu tenho que trabalhar...
- Acabou o seu expediente ! - Gritava do balcão.
YES! Hora de sair desse muquifo!
- Ér, será que você não vai aceitar as minhas desculpas?
- Não se preocupe, já está desculpado! - Fiz pouco caso.
- Então ta! - Ele se virou para ir embora.
- Não! - Gritei.
- Eu não estou desculpado?
- Não! Acabou o meu expediente, então.. - Fala serio, eu realmente estava fazendo aquilo? - Quer sair comigo?
- Ér, eu não sei garota.
- .
- ?
- É, esse é o meu nome, .
- Tá, como você sabe o meu nome?
Ops!
- você me falou pelo celular! - Será que ele vai acreditar?
- Ah! É mesmo!
Como eu sabia?
- Então, você está afim de tomar um lanche aqui na lanchonete mesmo?
Ele hesitou por alguns segundos, mais resolveu aceitar, sentamos-nos à mesa que ele estava acostumado. , não acreditando na cena, veio anotar o nosso pedido.
- Omg! I mean, o que vão pedir?
- Eu vou querer um X-salada com um coca grande e a ...
- ... - Valeu pela ajuda .
- Eu vou querer um X- Tudo, e uma coca light, estou de dieta! - Sorri para ele.
- Já trago o seu pedido! - foi embora e quanto teve certeza de que estava fora do campo de visão do garoto, deu Joinha com as mãos. Segurei o riso.
- X- Tudo?
- É por quê?
- Nada não, é que...
- A maioria das garotas com que você sai pede água e salada. (?)
- É!
- Por isso que a garota da foto era tão magra... - Murmurei para mim mesma.
- O que você disse? - Sua expressão havia mudado, ele estava pálido e sério, ao invés de abismado.
- Nada! - Fiz merda!
- Foto! Você mexeu no meu celular?
- Não!
- Então de que foto você está falando?
- Eu não mexi! Juro! Foi a !
- Esse é o nome da sua consciência?
Às vezes sim, pensei, mais não tive coragem de soltar essa pérola.
- Não, é o nome da minha amiga!
- Aqui o pedido de vocês! - depositou as bandejas na mesa.
Ele tirou a carteira do bolso, tirou umas notas, jogou na mesa e saiu.
Aí, os clientes ficaram me olhando, tipo “tadinha, acabou de levar um pé!”
- , o que você fez?
- Merda! , eu fiz merda! Eu tinha essa única oportunidade pra fazer ele se apaixonar pela minha pessoa e estraguei tudo falando da tal Kirsten!
- Por quê?
- Porque a minha língua é maior que o meu cérebro! Mais é tudo culpa sua!
- Minha?
- É! Se você não tivesse mexido no celular dele, eu não saberia da foto, não teria falado merda, ele não me adiaria e aí eu ia conseguir fazer com que ele me amasse! DROGA!
- AH, minha culpa que nada!! Ah, não chora!
- Não dá! - Resmungava e secava os olhos simultaneamente.
É, ele não aparecia mais na lanchonete, mas o gerente fazia questão de aparecer de cinco em cinco minutos só para me encher o saco!
E isso aconteceu por quase um mês, será que ele nunca mais iria voltar? Ele iria passar fome na hora do café da manhã, graças a mim!
Durante todos esses dias, eu fiquei sem saber que roupa ele estava usando, se ele estava usando, com quem ele estava usando e é melhor eu parar por aqui porque isso está ficando estranho, e o pior é que está rimando!
( nota mental: nunca mais fazer rimas toscas, mesmo sem querer, pensar antes de escrever! ah, de novo não!)
Era sexta feira, o dia mais movimentado na lanchonete. Sete horas acabou o meu expediente e eu estava muito cansada, descidir ir para casa com o meu uniforme mesmo, era noite, andar com a roupa cor condimentos de hotdog por duas quadras não iria me matar.
Me despedi dos outros, teve que ficar pois hoje era o plantão dela e ela teria que ficar até as onze horas. Sábado, seria eu.
Saí da lanchonete e fui caminhando até a minha casa, não era muito longe dali, só uns quatro quarteirões e meio.
Quando saí de lá, já não me sentia bem. Em todos os momentos, minha cabeça doía, a cicatriz que eu tinha eu meu peito queimava muito, como se estivesse em chamas e eu tinha imagens de algum acidente, uma batida, eu não entendia direito pois não era muito nítido, será que eu estava tendo visões? Ninguém da minha família teve isso... bem, pelo menos que eu saiba.
A dor ficava mais intensa a cada minuto, a visão borrada foi se tornando escura, todos os sons ao meu redor estavam se distanciando e eu não sabia o porquê, escureceu...
- ? - gritei.
- Eu estou aqui... - uma voz masculina murmurou ao meu lado.
- Me abrace só mais um pouco. - Eu não sabia o que falava, as palavras saiam de minha boca sem consentimento, como se tivessem vida própria!
- O quê?
- Ah! - Eu não entendia. A visão embaçada se tornou vermelha. Eu via sangue, eu via sangue escorrendo do rosto dele! - você está bem? - perguntava freneticamente.
- Estou! Enfermeira! Eu acho que ela precisa de mais morfina!
- Não eu estou be... - Apaguei novamente.
Aos poucos, minha audição foi voltando ao normal e eu podia ouvir a voz dele e de mais um homem.
- ...acreditamos que o motivo da dor é de uma antiga cirurgia que ela fez.
- Cirurgia? - Ele perguntou.
- É.
- Alguém? - consegui falar após observar que eu estava de aventalzinho branco, num quarto branco. Era um hospital?
- Eu vou dar mais uma olhada nos resultados dos exames, você quer ficar com aqui com ela?
- Na verdade não, eu só a trouxe pra cá porque ela apagou no meio da rua, agora ela está ao cuidado de vocês!
- Não ! Espera! - Eu acho que gritei ou murmurei, não ouvia minha voz direito.
Ele bufou, o medico deixou a sala. Ele ficou imóvel até que começou a se aproximar. Ai, que vergonha. À medida que ele chegava mais perto aquela maldita máquina mostrava os meus batimentos cardíacos acelerando ridiculamente!
- Que cirurgia você fez?
- Nada de surreal, cirurgia simples. - Não podia dar motivos para ele falar que eu não tenho coração.
- Posso ir agora? - Ele perguntou fingindo impaciência. Ele queria esperar o medico falar que eu iria ficar bem, só que era muito orgulhoso para isso, eu acho.
- Me desculpa? Me desculpa por mexer no seu celular, eu não queria mais minha amiga quis e eu não fui forte o suficiente para impedir. - Ele ficou calado me fitando, então tive que continuar. - Me desculpa por ter olhado a foto da sua namorada, eu não devia ter feito aquilo e se eu fiz deveria ter ficado calada. Mas, sabe, ela é tão linda e eu sou apenas eu, a garota que ama jeans e acha que lã pinica a nuca!
- Ela era linda...- ele murmurou.
- Era? Ela não é mais? Hum, já ouvi falar disso, às vezes a mulher se encostam no homem e fica tão desleixada que...
- Cala a boca garota. Sabe, às vezes eu acho que você é meio maluquinha, no bom sentido, mais a verdade é que você é doente, por que você faz isso hein!?
Ele me olhou e foi embora, atropelando a enfermeira que entrava no meu quarto para tentar controlar os meus batimentos.
- Brigou com o namorado?
- Ele não é meu namorado...
- Ah, já entendi...- Ela sorriu maliciosamente para a direção que ele seguia e se calou.
- , o que aconteceu? - entrou desesperada no quarto de hospital que eu estava.
- Eu não sei, eu desmaiei e me trouxeram para cá.
- Não se preocupem, está tudo bem, logo mais o médico já te dará alta! - Exclamou a enfermeira, ela estava começando a ficar um tanto intrometida!
- Está bem então. , como você ficou sabendo que eu estava aqui e a quanto tempo eu estou aqui?
- Ér, o seu me ligou só que na hora eu não atendi, a lanchonete estava cheia. Aí eu fui ouvir os recados, ele disse "Ér, acho que a sua amiga apagou, eu vou levar ela pro hospital." Aí ele desligou. Quanto tempo? Espera, deixa eu lembrar, uns 40 minutos!
- Ele ficou comigo por quase uma hora?
- Ficou sim! - respondeu a enfermeira. - Por isso que eu achei que ele era o seu namorado, ele ficou do seu lado por todo esse tempo, deu um beijo na sua testa, ficava segurando a sua mão equanto te examinavam...
- Por quarenta minutos, e eu não lembro de nada? - Não pode ser!
- Uhum! Ah, olha só, acho que vão te dar alta! - Excalmou a enfermeira quando viu o médico entrar na sala.
- , eu não sei o que você teve, porque o seu quadro está completamente normal, você anda se alimentando direito?
- Mais ou menos. - Assumi.
- Então deve ser isso, eu vou te dar alta, mas você tem que me prometer que vai se alimentar direito.
- Prometo.
- Está bem.
Ele me deu alta e me levou até em casa. No caminho conversamos muito...
- , conte-me tudo, não poupe-me de nada!
- Contar o quê? Eu estava desmaiada!
- E antes de desmaiar!?
- Antes? ér, eu estava sentindo um aperto no caração sabe?
- Sei.
- Daí eu apaguei e acordei no hospital.
- E o ?
- O que tem ele?
- Por que ele estava lá?
- Sei lá, acho que ele deve morar por aqui, porque senão ele não viria tomar cafá da manhã na lanchonete quase sempre, e me levou até o hospital!
- Ou será que tem outro motivo?
- èr, ele não sabe fazer o café da manhã?
- Não, sua jumenta!
- Então por que? Desembucjha criatura!?
- Ele pode gostar de você!
- Será?
- Claro, o que mais você tem em mente?
- ...Que ele não sabe fazer o café da manhã..e....que, que gosta de mim?!
- Pode ser!
- Até que fim! Meu conto da era digital! - Suspirei ao encarar o portão de casa.
- Está bem, Cinderela, vai logo durmir que amanhã você tem um dia cheigo com a Madrastinha! (Leia-se: gerente)
Consegui dormir após ficar duas horas rolando na cama, pensando na possibilidade do meu conto de fadas da era digital, mas mesmo que eu tentasse eu não me via como "a nova cinderela".
Oito horas, o despertador se pois a tocar e me fez levantar, tomei um banho, coloquei o meu uniforme, prendi o cabelo e sai atrasada de casa, então eu corri até a lanchonete, tinha apenas cinco minutos de atraso.
Não tinha clientes ainda, e a madrasta, digo Brian não quis arrancar o meu fígado por ficar conversando com a e com a enquanto as almas não apareciam para serem servidas.
Como hoje era sexta feira os clientes não demoraram a chegar o pobre do John e da Minnie sofreram na cozinha, eram tortas, café e bolos que não acabavam mais!
Após umas duas horas o movimento acabou, mas logo vinha o horário de almoço e o movimento voltaria, aproveitei essa brecha e me sentei num banco que ficava no balcão, seguida por . ainda tinha que limpara as mesas de seus clientes.
- Ali... - eu ouvi disser num volume de voz bem baixo e me virei para ver o que era e me dei de cara com ele.
- Oi ...!?
- Oi ... Ér... Eu quero me desculpar pela forma que agi naquele dia no hospital... – enquanto eu falava eu vi levantando e indo “ajudar” a limpar as mesas restantes.
- Não, não tem problema, eu é que vim me desculpar, eu fui meio estúpido com você naquele dia e nem vim ver você para saber se você está melhor...
- Não que isso, eu é que falei besteira...
- Então estamos quites? – ele perguntou sorrindo, e que sorriso ele tinha.
- Claro! -Eu sorri também.
- Então, eu estava pensando, eu nunca te vi sem roupa... - O QUÊ?!
- NÃO! Não é o que você está pensando! – ele estava mais vermelho do que eu, ele estava cor de pimentão, se não mais vermelho ainda! – eu disse, eu quis disser que só te vi com a roupa do trabalho.
- E... - ?
- E, nossa, isso não foi como eu esperava – ele sorriu tímido, olhando para o chão - ér, eu gostaria de saber se por acaso, se você não tiver nada melhor para fazer, eu gostaria de saber se você gostaria de jantar sábado a noite comigo, pronto falei!
- AH! Eu adoraria, mas eu não posso...
- Me desculpa, eu já devia imaginar...
- NÃO! Eu trabalho sábado até as onze, mas hoje eu fico aqui até as sete!
- Então... Quer sair comigo hoje?
- Pode ser. – eu acho que bancar A difícil depois de ter implorado pra sair com ele na sexta nao iria ser muito útil e inteligente!
- Então... a gente se encontra às oito e meia?
- Sim! Ah! Já estava esquecendo, espera aí... Deixa eu anotar o meu endereço... – peguei a caneta que ficava na minha orelha para anotar os pedidos e o bloquinho e anotei o meu endereço e meu celular – Aqui, minha casa e meu celular! – disse ao entregar o papel para ele.
- O papo está bom? -ouvi me perguntarem enquanto entregava o papel para .
- Claro que sim, digo, fudeu. – disse ao me virar e ver que o dono da voz era o insuportável do Brian.
- Ér, me desculpe senhor, eu é que estava falando com ela, me desculpe... – ele se virou para mim e murmurou – te vejo às oito e meia.
- Claro. – murmurei e suspirei ao vê-lo indo embora.
- !
- Sim madrasta, digo chefe!?
- Vai atender aquele casal, e mais atenção ao seu trabalho, enquanto você tem um!
Eu fui até o casal, anotei os pedidos e fui levar até a cozinha quando passei pelas minhas amigas e ouvi-aselas cantarem “ Limpe o chão Cinderela, limpe a mesa Cinderela, limpe os vidros Cinderela”
- É, agora eu entendi a minha ligação com a Cindy. – murmurei após entregar o pedido para John e receber dois X-salada e pegar duas Cherry cola no balcão e pensei comigo mesma que agora, só faltava o ser o meu príncipe encantado...
Sentei-me no banco novamente após o casal ir embora, ainda estava atendendo uma senhorinha quando correu para me interrogar já que o insuportável do Brian havia saído para cortar o cabelo, não sei por que, ele pode ser o maior chato do universo, mas tem o cabelo mais lindo que eu já vi na minha vida!
- Então, amiga me conta tudo e não me poupe de nada!
- Contar o que? A gente nem saiu!
- AH! – nos duas gritamos feito loucas, ignorando os poucos fregueses que nos encaravam.
- O que ele disse? - perguntava freneticamente, até parecia que era ela que iria se encontrar com ele!
- Nada de mais, ele, ele não foi muito romântico, foi direto...
- Uhm, gostei disso – Ela sorriu maliciosamente me fazendo corar.
- Besta, não eu digo, ele se enrolou todo para falar, daí me pediu desculpa pelo jeito que ele tinha saído do hospital, e eu pedi desculpa por ter falado um monte de asneira.
- Novidade...
- Posso continuar?
- Claro!
- Ér, então ele disse que já que estávamos quites, e que gostaria de... sair comigo – sim, sair comigo soaria melhor para evitar constrangimentos por causa da mente maliciosa de .
- E o que você vai usar?
- Sei lá, ainda não pensei nisso!
- Ainda bem que hoje nós duas ficamos aqui só até as sete, ai a gente vai até a sua casa e escolhe algo muito lindo para você usar!
- Só que ele não me falou onde ele quer me levar! - comentei assim que notei
- Liga para ele e pergunta.
- Eu até ligaria, mas...
- Iria estragar a surpresa?
- Não, é que ele não deixou o telefone dele comigo!
- Ah...
- Isso é mau sinal ? - perguntei.
- Não amor, não liga não, ele quis manter um mistério e te garanto que vai fazer uma surpresa incrível!
- Está bem então. - Sorri, e tentei pensar positivo.
- Agora, e melhor a gente voltar a trabalhar antes que o Brian volte e nos demita.
- É verdade!
Nós saímos do balcão e fomos atender os fregueses que vieram almoçar. Hoje foi um dia cheio, nos só conseguimos almoçar depois das duas e trinta por que a Minnie deixou John sozinho na cozinha e veio atender os poucos fregueses que ainda estavam na lanchonete.
Depois disso a lanchonete ficou meio deserta, entraram uns cinco no máximo, mas para comprar refrigerante, mas não podemos ficar conversando muito por que o Brian já havia voltado do salão, sim, ele havia estragado o seu lindo cabelo.
O resto da tarde foi maçante, e longa, às quatro horas chegou uma turma, mas eles não deram muito trabalho, foi quem os atendeu e levou os lanches quentes que eles pediram.
Eu mal podia acreditar que o relógio passou a marcar sete horas da noite, eu e corremos para a minha casa, chegamos lá eram sete e quinze. Por algum milagre eu não demorei a encontrar a minha chave, subimos as escadas e entramos em casa.
- O QUE EU VOU VESTIR? – Perguntei para ao abrir o meu armário e não me deparar com nada especial para vestir.
- Nossa! – não conteve a exclamação ao visualizar a bagunça que era o meu armário.
- Me ajuda! – Gritei.
- Está bem, ér, vai para o banho tirar esse seu cheiro de torta de x-salada e quando você sair a sua roupa já vai estar separada. Pode Ser?
- Sim! Te adoro amiga!
Ela riu do meu momento sínico, mas sincero enquanto eu corria para pegar a minha toalha e entrava no banho.
Sim, um longo banho com água quente, faz mal para a pele, mas ajuda a relaxar e a esquentar o corpo após correr nesse frio londrino. Passei vinte minutos aproximadamente de baixo do chuveiro quando resolvi sair.
Embrulhei-me na toalha e fui para o quarto.
- Então o que eu... NOSSA! – Dessa vez fui eu quem não contive a exclamação ao ver a roupa que acho no meu armário, o mais impressionante é que eu não e me lembrava de ter comprado-as!
- Gostou?
- Você foi até a sua casa buscar isso?
- Claro que não, eu achei na sua gaveta!
- AH...
- Está esperando o que amiga?
- Ah claro!
Em menos que dez minutos eu já tinha vestido a roupa separada por , era um bata longa de cetim cor champagne, com pedrinhas contornando a costura do busto e a barra e uma calça skinny preta fazendo um contraste com os sapatos que eram um tom mais claro do que a blusa que eu usava.
- Nossa! Está linda agora o make up! – Gritava com uma super empolgação, ela estava adorando de brincar de boneca Barbie comigo!
Eu sentei na minha cama enquanto ela fazia a minha maquiagem, leve, como eu implorei.
- Prontinho, olha no espelho!
Eu me levantei e fui até o banheiro que era mais claro para ver bem o meu rosto.
- Nossa , está de parabéns! O que você ainda faz na lanchonete, vira maquiadora linda!
- Só falta o meu diploma que eu abro o meu salão, o Brian pode ser o modelo capilar se ele parar de estragar o cabelo! Mas voltando a você ficou linda!
Eu ainda me olhava no espelho, vendo o trabalho de , uma base da mesma cor que eu para esconder algumas imperfeições da pele, um pouco de lápis preto em meus olhos e rimel e uma sombra bege, mas maças do rosto, ela usou um tom de rosa, iria ser muito útil caso eu corasse,e nos lábios ela passou um brilho transparente só para iluminar o batom cor de boca que ela havia passado anteriormente.
- Obrigada !
- Disponha .
- Que horas será agora? - perguntei num estalo.
- Deixa eu ver... - pegou o celular e olhou. - Oito e quinze! daqui a pouco ele deve estar chegando!
- Será... espera um pouco... - Eu corri até a janela, e olhei, sim, não era só uma impressão, ele já tinha chegado!
- O que foi ?
- O chegou!
- Você já vai descer ou vai esperar dar o horário e ele buzinar para você descer?
- Eu não sei, acho que vou esperar... eu pegar a minha bolsa e ir! – agarrei a minha bolsa preta de dei um beijo na bochecha da e corri para fora.
Desci os poucos degrais que eu chamava de escada, tropeçando no último, mas não caí, abri o portão. olhou para mim do de dentro do carro, do outro lado da rua e sorriu, quando de repente ele olhou para baixo com uma expressão que eu fui incapaz de identificar e em seguida ele ligou o carro e se foi, me deixando lá, do outro lado da rua paralisada, sem saber se ria da brincadeira de mal gosto ou se eu chorava.
- OMG! ! O que aconteceu? – perguntava me tirando do meu estado de transe.
- Eu não sei! – comecei a falar e lutar para não deixar nem uma lágrima escorrer de meus olhos. – Eu não sei por que ele fez isso!
- Ah amiga, vamos entrar. - me segurou pelo braço e me levou para dentro de casa.
- Eu não entendo, ele parecia tão sincero ao me convidar pra sair, daí ele faz essa puta sacanagem comigo!? Quem ele pensa que é?
- Eu não sei , mas calma, vai pôr um pijama, eu vou ficar aqui com você essa noite.
- Tá bom. – sequei as lagrimas que teimavam em cair, peguei o meu pijama de moletom e o vesti. – Pronto! – exclamei para após voltar ao quarto com o pijama.
- Pronto, agora me conta o que aconteceu. – Ela me puxou até um dos lados da cama e me deu o meu ursinho de pelúcia para eu ficar abraçando.
Nesses momentos a me lembrava a minha mãe. Não, isso não é uma critica, é um elogio. A , mesmo sendo doidinha e tendo a mesma idade que eu, é tão materna comigo, tentando me proteger, me ajudar a entender as coisas. Pena que dessa vez ela não conseguiu.
Eu contei tudo o que aconteceu e, assim como eu, ela não entendeu o que havia acontecido para ele agir daquele jeito!
- Isso pareceu uma daquelas brincadeiras macabras que os caras mais gatos do colégio faziam no dia do baile sabe!? - Eu disse após alguns segundos em silencio.
- AH?
- Aquela brincadeira de mau gosto, na qual o carinha mais lindo do mundo convida a patinha feia do colégio para ir ao baile, ela fica encantada por ter o seu sonho se tonar realidade, ele e os amigos aparecem no dia do baile e tacam ovos na sua cara!
- , de onde você tirou isso?
- De um filme com a Drew Barrymore!
- Tá, mas qual seria o propósito do fazer isso! Ele não está no colegial, ele não te convidou para o baile. É isso que eu não estou entendendo , ele saiu, ele apenas fugiu.
- Mas por quê?
- Isso só ele poderá te responder ...
- Mas eu não quero nunca mais ver/falar/encontrar/saber dele!
- Mesmo?
- Eu não sei, eu... – daí eu comecei a chorar, não consegui segurar mais, eu tinha que por tudo isso para fora.
Não notei quando eu dormi, apenas quando eu acordei deitada na cama, coberta com em grosso edredom e vi jogada na grande poltrona estofada coberta com uma manta.
Levantei-me, olhei para o relógio, eram sete e quarenta, achei inútil tentar dormir por vinte minutos até o meu despertador tocar, resolvi pegar a minha toalha e entrar em um longo banho, para tentar lavar de minha alma os infelizes acontecimentos de ontem à noite.
Após terminar o banho, eu já coloquei o uniforme da lanchonete na qual teria que ficar até as onze da noite, bem, isso não me deixa feliz, mas vai ser um jeito de manter os meus pensamentos ocupados e tentar não pensar nele.
Já eram oito e meia quando eu acordei a , ela levantou do sofá e eu emprestei toalhas limpas para ela poder tomar um banho para ir trabalhar também.
Saímos de casa eram oito e cinquenta, e fomos todo o caminho conversando sobre um dos nossos assuntos favoritos, The Beatles! O tema: quem havia morrido? Era o George ou o Ringo? Eu tinha toda a certeza do mundo que Ringo estava vivo, e que se duvidar ainda tocando bateria como ninguém, mas ela insistia em matar o coitado, afirmando que George era quem estava vivo.
Para ser franca, eu não sei se ela realmente pensava assim, eu estava fazendo isso para a conversa ser prolongada ao máximo para eu manter a minha cabeça ocupada e evitar fleches do desgraçado indo embora.
Eu só sei que a conversa durou até o momento em que chegamos ao trabalho e às vezes murmurávamos uma para a outra qual Beatles a gente acreditava ainda estar vivo.
Como ainda não tinha muito movimento e o Brian iria chegar depois da dez e meia, pois tinha que esperar a perfumaria abrir para comprar mouse para o cabelo, o assunto se espalhou e o John também entrou na conversa, eu estava pronta para xingar a sua amada mãe e dar um belo soco em seu nariz após ele ter dito que foi o Paul que morreu quando o meu celular deu um simples toque, sinal de que havia chegado mensagem.
Fiz aquela cara, a operadora quer que eu coloque credito no meu celular, e tirei o meu bebezinho (leia-se: celular) do bolso e selecionei a mensagem, o número não era da operadora, estranhei, e abri a mensagem. Naquele momento, eu senti o meu sangue ir e voltar várias vezes após eu ler as poucas palavras que continham na mensagem de texto. Estava escrito “Eu tenho que tentar me explicar. ”. Fim da mensagem. Nada mais escrito, e o que ele queria dizer com tentar? Ele vai tentar inventar uma desculpa esfarrapada e acha que eu vou engolir e correr para os braços lindos e perfeitos dele que faziam encaixe perfeito com aquele corpo e é eu melhor eu parar por aí!
- É gente, terminem de matar os Beatles enquanto eu trabalho! – fingi humor e cinismo após notar que a minha circulação voltara ao normal e me afastei deles indo em direção à mesa de dois rapazes.
Eles fizeram um grande esforço para lembrar algumas cantadinhas baratas encontradas em revistinhas, mas logo desistiram ao ver que “O seu pai é um pirata?” não tinha nem um efeito sobre mim, e se desculparam e pediram dois milkshakes de chocolate.
Levei o pedido até a Minnie, e aproveitei que estava sozinha e a puxei, mostrei a mensagem e olhei para ela com desespero, ela me lançou um dos seus olhares falantes “Eu disse que ele teria que se explicar, mas aí é com você saber se você vai querer ouvir o que ele tem a dizer” e assim que eu terminei a leitura do olhar. Minnie me entregou os shakes e eu levei pedido para eles. Depositei os mesmos na mesa quando ouvi a porta se abrir e um dos rapazes que estavam na mesa gritou “Hey dude! O que você está fazendo aqui?”
- Eu? Eu vim falar com uma pessoa. – senti um arrepio correr várias vezes na minha espinha, ao ouvir a voz baixa e rouca que ele usou na resposta.
- Uhm... Olha o ! Mas diz aí, quer espera a pessoa aqui com a gente?
- Na verdade essa pessoa já está aqui, . – Eu não me virei para olhar para ele, mas podia jurar que ele me olhava. Apresei-me para fugir dali perguntando rapidamente se eles iriam querer alguma coisa a mais.
- Ér... Não, por enquanto a gente vai ficar só com o milkeshake. Obrigado.
- Imagina. - eu me virei para me retirar dali quando dei de cara com ele.
- É com você que eu tenho que falar... – ele murmurou próximo ao meu ouvido, senti o arrepio percorrer todo o meu corpo, mas me recompus assim que eu tive uma vontade súbita de dar um soco naquele lindo rosto que ele tinha.
- Eu estou trabalhando. E eu acho melhor você pedir alguma coisa ou eu vou ter que pedir para você se retirar. – falei firme e indiferente. Pude notar que os amigos dele estavam gostando do espetáculo quando ouvi eles apostarem algo: se a gente ia se beijar ou se eu iria matar o .
- Está bem, é... Eu vou querer.
- Beija ela cara, eu vou ganhar quinze libras!
- Eu vou querer que você cale essa boca, . Um expresso. – ele falava vermelho fuzilando o amigo.
- Está bem, só um minuto. – Continuei indiferente segurando a minha vontade de chorar e bater nele, bater nele até ele chorar, e busquei o café.
Virei-me novamente, ele estava na mesa junto com os amigos e foi para lá que eu me direcionei.
- Seu café...
- Obrigado. – ele sorriu torto.
- Toma, eu quero ver. Eu te desafio. – Serrei os meus olhos, fazendo aquela típica “não discuta com quem faz sua comida”.
Os amigos deles caíram na risada, é claro que eu não cuspi no café dele, mas foi bom para alívio da minha raiva o fazer pensar que sim. E me retirei e sentei no balcão.
- E aí?
- E aí nada, ... – falava com ela, olhando Para baixo, pois tinha medo de meus olhos se encontrassem com os dele.
- O que ele falou?
- Que ele tem que me explicar o que aconteceu.
- E você...?
- Eu não sabia se queria ouvir, daí eu mandei ele pedir algo senão ele teria que ir embora.
- Claro, eu já esperava por isso.
- E o que eu faço?
- Me responde uma coisa... Você realmente gosta dele, ou é só atração?
- Amor é uma palavra muito forte, .
- Mas ninguém aqui disse amor, !
- Não?
- OMG! , você o ama!!!
- Eu nunca disse isso!
- Mas também não negou! – ela sorriu vitoriosa.
- Você fala muitas asneiras, minha querida, está andando muito com a !
- Claro, afinal, é a a romântica incurável do grupo.
- Ô querida irônica, para com isso e vai trabalhar que você ganha mais, olha ali aquele casal que acabou de entrar, vai atender eles!
Ela foi e eu fiquei sentada lá até o memento em que me chamaram na mesa de . Eu fui até lá.
- Pois não?
- A gente já pode conversar? – ele falava hesitante.
- Eu ainda estou trabalhando, não vê!? – falei seca.
- , se quiser poder fazer agora o seu horário de almoço! – Falou Brian ao entrar na lanchonete.
- E então? – deu um sorriso, ainda tímido, mas triunfante.
- Eu tenho uma hora de almoço, não me faça me arrepender!
Ele me perguntou se eu preferia conversar na lanchonete ou em outro lugar.
Após notar os olhares curiosos de e dos garotos, eu resolvi conversar em outro lugar.
Ele se levantou, e me guiou até a saída.
- É, , vamos andar um pouco?
- Eu só tenho uma hora de almoço , não me enrole! - O lembrei de uma forma não muito delicada.
- Claro, então, vamos até o parque, daí a gente pode ter mais calma.
- Claro.
E nós dois seguimos em uma caminhada, trocando poucas palavras durante o trajeto de aproximadamente oito minutos, que vai de Old Pye Street, até o St. James’ Park, onde nos sentamos em um banco seco.
O lugar era realmente bonito. Mas pouco me interessava a beleza desse lugar, o que me interessava era a explicação que ele iria me dar.
Então me virei para ele, e ele ficou me fitando com cara de paisagem até que resolveu abrir a sua boca.
- Eu tenho que falar, não é mesmo ? eu... – ele tomou fôlego e continuou – Eu... Eu não faço a mínima idéia de como eu posso te explicar o que aconteceu, eu sei que faz tempo, mas eu ainda sinto, sabe!? Não, acho que você não sabe você pode tentar imaginar como é, mas não deve saber. E por falar em saber, acho que é muito cedo para você saber exatamente o que aconteceu, eu quero te contar, mas eu não estou pronto, e a gente mal se conhece, e eu não sei por que eu insisti em você vir aqui perder o seu tempo, eu sei que você não vai me desculpar, o que eu fiz foi ridículo, mas você tem que entender. Não foi para te magoar nem nada.
As palavras saíram rapidamente, e para mim, elas não tinham muito sentido, mas olhei em seus olhos no exato momento em que ele terminou de falar. Ele não estava me enrolando; tinha sinceridade em seu olhar, mas ela estava coberta com uma dor, parecia uma cicatriz em seu olhar, seca, mas que dói quando cutucada.
E eu não soube o porquê, mas senti do fundo de minha alma que a melhor coisa a se fazer era perdoá-lo, mesmo não entendendo os motivos reais de sua “fuga” eu imaginei que fosse algo sério, e não quis entrar em detalhes, seria o mais coerente esperar a hora certa em que ele me contará o que realmente aconteceu.
- ...
- Fala... – ele respondeu baixo e tirou seus olhos da grama para me encarar.
- Qual dos Beatles morreu? – Perguntei sorrindo, fazendo-o notar que eu não estava muito convencida, mas que eu havia perdoa do a sua atitude infantil e até agora sem explicação.
Ele sorriu sereno. Foi esse sorriso que me fez perder toda a minha vontade de bater nele, sim, eu ainda tinha essa vontade, mas ela foi embora, junto com o olhar triste daquele garoto que estava sentado ao meu lado, no banco do parque de St. James, me pedindo desculpa por algo que ainda não podia me contar.
Então, ele fez uma cara pensativa e me respondeu que foi o John e George.
- Sabia. – disse para mim mesma num murmuro.
- Bem, você deve estar com fome, eu fiquei aqui te alugando por - ele olhou no celular já que não carregava em seu pulso um relógio - vinte e cinco minutos. Você quer almoçar comigo? – ele perguntou meio hesitante.
- Pode ser, afinal, você me deve a refeição de ontem à noite.
Nos saímos do parque e andamos poucas quadras até chegarmos em um pequeno restaurante com aparência diurna, o qual eu não reparei o nome.
Eu tinha apenas vinte minutos antes de ter que voltar pra lanchonete, espero não fazer nada de estúpido para estragar esse pouco tempo, mas se eu fizer, será obrigação dele me desculpar, de novo, por algo idiota, já que a atitude da noite anterior dele não foi o que muitos chamam de madura.
Sentamos-nos na mesa mais próxima da porta, pois mesmo com o frio de Londres, o clima não estava cinza, e não tinha outras mesas vagas.
Pedimos o prato do dia, era arroz, lentilha e uma carne eu não identifiquei. Mas estava bom, só que o silencio me incomodava um pouco. Resolvi falar então.
- Então... Você realmente vai algum dia, me contar o que aconteceu com você?
- Vou, eu... – ele hesitava um pouco, mas continuou - eu acho que não vou demorar muito pra te contar, eu só quero me preparar antes, para eu não me perder nas palavras, nas memórias.
- Claro, eu imagino.
- Mas eu fico feliz que você acreditou que eu tenho motivos reais. Eu só queria saber o porquê?
- Por quê? Eu não sei por exato, mas eu confio em você... Mas, como eu disse antes, espero não me arrepender...
- E você não vai, eu espero, vai depender de como você vai entender os fatos, eu acho...
Acabamos de comer, não conversamos muito, estávamos muito tensos para conversar naturalmente, então, deixamos quieto, apenas trocamos comentários sobre a comida.
Eu finalmente olhei no relógio, eram meio dia e quarenta e cinco, teria que ir embora em cinco minutos no máximo, não comentei nada, mas acho que notou minha pequena apreensão e pediu a conta, ele não me deixou dividir, machista, pagou, deixou a gorjeta para o jovem garçom que havia nos atendido e segurou na minha mão e fez menção de sair, eu me levantei e ele fez o mesmo, e logo em seguida largou a minha mão.
Ele parecia ter ficado um pouco desconfortável, ou com medo de que eu não tivesse apreciado o seu gesto, coitado, ele estava errado. Não disse nada, apenas sorri para ele, e ele sorriu de volta e disse que iria me acompanhar até a lanchonete.
Como eu tinha três minutos de vantagem, nós caminhamos bem devagar e uma quadra antes da lanchonete, nós encontramos um rapaz com a idade bem aproximada da de , eu tinha uma leve impressão de que eu já tinha o visto em algum pub por aqui, mas não comentei nada, apenas olhei para ele quando o mesmo deu uma espécie de grito “Fala !”
- Salve ! – ele falou após dar um rápido abraço no amigo.
Ele finalmente olhou para mim, parecia um pouco surpreso, ele olhou para , tinha um toque meio paterno em seu olhar.
- Não vai me apresentar a sua nova amiga, ? – ele falava calmamente.
- Ah claro! – disse num salto - Bem, , essa é a minha amiga – ele disse a palavra amiga com uma espécie de interrogação, o que me fez sorrir maliciosamente e involuntariamente.
- do quê? – deu um pequeno “pedala” na cabeça do amigo, o fazendo ficar sem graça por notar que nós nunca havíamos nos apresentados formalmente.
- – sorri e estendi a minha mão.
- Certo , posso te chamar assim certo? – falou levando uma fuzilada do amigo por tanta intimidade, mas eu não liguei e fiz que sim com a cabeça e ele continuou – Olha, esse meu amigo já passou por poucas e boas, então cuida bem do meu tá!? – ele falava sério, mas sorriu ao terminar a frase.
- Claro... – disse num murmuro alto o suficiente para ele ouvir.
- Eu tenho que ir agora, até mais , .
Nós nos despedimos de e no minuto seguinte já estávamos na porta da lanchonete, eu fiz menção de entrar quando ele segurou na minha mão, fazendo todos os meus músculos travarem, aquele maldito arrepio voltou a correr por mim e assim que consegui controlá-lo me virei para encará-lo.
- Será que eu posso te ver outro dia? – ele perguntou olhando para o seu tênis, que parecia ser tão interessante.
- Se você quiser...
- Claro que eu quero... – parecia que o sapato havia perdido a graça pois ele passou a focar os seus olhos nos meus.
- Que bom...
- Quando?
- Amanhã eu não trabalho... mas eu tenho medo de levar outro bolo.. – falei sorrindo, mas ele não levou a brincadeira na esportiva... Então me apressei a continuar – me encontre amanhã às... Dez da manhã, no St. James Park, no mesmo banco que a gente ficou hoje.
Ele apenas fez um sim com a cabeça e soltou a minha mão. Me disse até, e se foi, fiquei olhando por alguns momentos até perdê-lo de vista e entrei na lanchonete...
- Está dois minutos atrasada. – Estava pronta para dar uma indicação de lugar ( se é que você me endente!? Hehe) para Brian, mas resolvi apenas me desculpar.
Ele me olhou surpreso e sorriu se achando o tal.
Direcionei-me até o balcão para esperar alguém precisar de mim, mas me deparei com .
- E então? – ela perguntou seriamente.
- Eu tinha razão, foi o George que morreu.
- Garota... Oh! – ela colocou as mãos nos lábios tampando o espaço vago que ficou após o seu queixo cair e logo depois se recompôs e continuou – Me conta o que ele disse, qual foi o motivo?!
- Então, ele não me disse...
- COMO NÃO? – gritou fazendo alguns olharem assustadamente para nós.
- Bem, ele disse que vai me contar logo, eu só tenho que ter um pouco de paciência...
- Hum, isso não vai prestar...
- O que você quer disser com isso? – perguntei arqueando minha sobrancelha direita.
- Você não acha... Não... Deixa quieto. – ela falou saindo de perto do balcão.
- Nana nina não! – falei puxando ela pelo braço – o que você acha disso?
- Um pouco estranho, não muito esclarecedor e que ele pode estar com você e com a Kristen ao mesmo tempo...
- Não... Ele não está mais com ela. – Falei após meio minuto em silencio.
- Como você sabe ? – Ela falou naquele tom maternal que ela usava quando queria me proteger.
- Eu acho que não, essa tal de Kristen não está com mais com ele, ela deve ter dado o pé nele sabe, tipo, lembra que eu falei dela na lanchonete, no hospital, e ele teve vontade de me matar, então, ele não está com ela, mas ele ainda gosta dela.
- Se é o que você diz...
- Não, não sou a única que diz isso, agora pouco, antes de chegarmos a lanchonete, encontramos um amigo dele, e ele me disse que ele já sofreu muito e que era pra eu cuidar bem dele!
- Eu acredito, mas... – ela falava hesitante, até que desistiu.
- Mas o quê, ? – encorajei
- Nada, eu só queria saber o que tem por trás disso, eu estou meio confusa, eu queria poder achar uma ligação nisso tudo. Só isso. – ela sorriu torto e se retirou.
Ela não era a única a estar confusa e atrás de uma conexão, eu também estava não entendia o porquê de tudo isso, mas não sabia ao certo se queria saber. Como dizem: temos medo do desconhecido...
Fui obrigada a encerrar a minha reflexão ao ser chamada na mesa cinco, era uma mesa que tinha três adolescentes, duas garotas e um garoto, pela semelhança que eles tinham, deviam ser irmãos.
Foi um dia/noite movimentado, foi bom. Quando o relógio deu a sua vigésima primeira badalada eu estava pronta para ir. Fui até a sala dos funcionários, tirei a meia fina, e o vestido, coloquei em seu lugar um jeans desbotado e uma blusa e uma jaqueta. À noite não estava muito fria, eu iria suportar muito bem a caminhada até a minha casa.
Alguns minutos depois eu já me encontrava em meu quarto, estava cansada, tirei apenas o jeans e deitei. Por algum motivo não estava conseguindo dormir. Minha cabeça parecia uma bateria de lembranças, não eram flashes da infância, eram pequenas coisas que haviam me ocorrido, e em todas elas, havia a imagem de .
E quando eu consegui dormir, eu tive um sonho semelhante ao que havia me ocorrido na noite em que me deu o bolo.
Por um minuto, era como se eu estivesse lá, como se eu fosse a garota do sonho, mas não, os cabelos dela eram diferentes do meu, sua pele era um tom mais claro e sua roupa parecia ter saído da Vougue. Mas não era isso o que me fez notar que não era eu, pois poderia ser, afinal, era um sonho... E nesse sonho, estava lá, era ele esperando do outro lado da rua, em seu carro prata, sorrindo, como naquele dia, mas diferente daquele dia, não tinha tristeza naqueles olhos .
E então eu acordei.
Olhei para o relógio, ainda marcava cinco da manhã, levantei, e fui fazer um chá. Camomila.
Após tomar esse chá, fui para a sala, liguei a TV e coloquei em um canal qualquer. Estava passando um filme de suspense. Deixei lá. Se a minha memória não estiver falhando, o filme se chamava visões, parecia interessante. O enredo do filme era sobre uma mulher que havia ficado cega num acidente de carro e consegue fazer um transplante de córneas, mas isso causa nela uns efeitos colaterais, ele tem “visões” do momento da morte de sua doadora. Isso é chamado de, ah, sim reflexo. Acontece, segundo a ficção, quando a pessoa sofre uma morte violenta ou tem algum assunto inacabado...
Esse filme me incomodou um pouco, mas continuei a assistir, até o momento que as coisas escureceram, era o sono. Entreguei-me a ele e consegui dormir por mais um pouco.
Eram oito e quarenta quando o meu despertador se pôs a despertar. Saí da sala e fui em direção ao quarto desligá-lo. Peguei a minha toalha e corri para o banho, eu tinha que ficar diva hoje.
Após vinte minutos debaixo do chuveiro resolvi parar de gastar água e sai embrulhada na minha toalha. Abri o meu portal para Narnia (leia-se: guarda roupas) e procurei algo bonito para vestir. Achei uma skine azul escura e coloquei uma blusinha de manga longa lilás. E fui abrir as janelas para ventilar a casa e me perguntei aonde foi parar aquele tempo bom dessa semana, pois no lugar de um tempo azulado, estava cinza, carregado de nuvens que eram sopradas pelo vento forte. Essa blusinha não seria suficiente. Abri o armário e procurei um agasalho, peguei um casaco bem grosso, cor de chumbo. Iria ficar bonitinho com o restante da roupa. Vesti e olhei para o relógio, nove e vinte cinco. Não estava atrasada, então fiz outro chá e comi com umas bolachas de sal, e após escovar os dentes, prender o meu cabelo em um rabo de cavalo, deixando apenas a franja solta e passar um pouco de pó e um gloss, estava pronta.
Saí no frio londrino e caminhei por treze minutos, acompanhada por The killers, Blink e os meus Bruce’s favoritos, o Springsteen e Dickinson. Assim que cheguei ao parque consegui avistar , ele estava com uma calça jeans preta, um tênis all star, limpo, e um moletom. Não sei se eu tinha relatado antes, mas ele tinha uma pequena barba por fazer, que hoje havia sumido de sua face, deixando com uma aparência menos relaxada.
- Hey... – Disse num murmuro ao me aproximar dele.
- ... Nossa.
- O que]ê? – perguntei sem saber se o “nossa” era bom ou ruim.
- Nada, eu... – notei o seu rosto enrubescer um pouco, mas ele enfrentou a súbita timidez e prosseguiu - Eu ia disser que você está linda, só isso.
Okay... Dessa vez fui eu quem ficou rubra! Mas agradeci e disse que ele também, controlando os meus instintos para disser a palavra bonito no lugar das outras oito palavras que chegaram de imediato em minha mente.
Ele apenas sorriu e pegou na minha mão, minhas pernas ficaram bambas por um instante, a sorte é que ele me levou até o banco e sentou ao meu lado. Sabe aquela historia de borboletas no estômago? é falsa! eu sentia morcegos dentro de mim, era uma terrível sensação, que ia e voltava assim como o sorriso encantador e convidativo de .
- Bem, hoje não é exatamente o que eu esperava... - murmurei
- como assim? - ele quis saber
- Bem, eu imaginava um passeio ao ar livre com o sol brilhando, mas o dia decidiu ficar contra mim e olha só para o céu! CINZA!
- Isso não importa...
- Não? - Olha os morcegos voltando!
- O que importa é que você me desculpou e merece saber o estúpido motivo que eu te dei o bolo aquele dia. - ele não olhava nos meus olhos, olhava para o nada perdido...
- Quando quiser... mas por hora, vamos aproveitar essa manhã... Vamos caminhar um pouco!? - sugeri e ele aceitou com um sorriso e se levantou dando a mão para me ajudar, novamente os morcegos.
E fomos caminhando bem devagar, observando a folhagem das árvores balançarem com o forte vendo, algumas crianças correndo, outras andando de bicicleta, até o memento que um forte trovão me assustou, me fazendo segurar forte a mão de . Não senti nada em meu estômago, me senti em segurança, confortável, bem... Senti-me bem, era essa a palavra, nunca havia me sentido tão bem com uma pessoa na qual eu mal conhecia. Até que o estrondo teve um fim, dando origem a uma forte garoa.
- Olha a chuva!!! - gritavam as crianças enquanto elas corriam para fora do parque.
- Acho melhor a gente correr por que a chuva vai ficar forte! - Falou após analisar a chuva que caia com mais violência e velocidade sobre nossas cabeças.
- Para onde? - perguntava tentando proteger o meu cabelo com as mãos.
- A minha casa fica mais perto, se você não se importar!?
- Não, de modo algum!
- Vem cá então! - ele tirou as minhas mãos de minha cabeça e me guiou na forte chuva até a saída do Stº James Park, assim que passamos dos limites corremos gargalhando pelas ruas de Londres. Sinto não poder informar o caminho que percorremos, pois eu não consegui prestar atenção, estava hipnotizada pelos risos, eu nunca tinha o visto sorrir tanto, apenas me lembro que não era muito longe, mas não adiantou, estávamos completamente encharcados quando ele parou em frete a uma casa, semelhante às encontradas em Chelsea, e procurou pelos bolsos a chave, quando finalmente a encontrou abriu a casa e me deu passagem.
Eu entrei, mas não passei do tapetinho, sequei o meu sapato e deu espaço para ele fazer o mesmo.
- Está com frio? - ele perguntou assim que secou a sola do sapato e olhou para mim, eu estava tremendo um pouco e sentia os meus lábios arroxeando.
- Um pouco - seria burrice mentir.
- Certo, é... Ah! já sei... vamos até o meu quarto e eu separo pra você uma roupa minha e então a gente põe a sua roupa na secadora. Pode ser?
- Claro.
- É por aqui - ele foi na frente para me mostrar o caminho, passando a sala subimos uma escada até o andar de cima, onde ficava o quarto e o banheiro. - Pode entrar. - ele falou sorrindo ao notar que eu havia hesitado entrar em seu quarto.
- Sua casa é bem bonita.
- Obrigado... É... Aqui, isso vai te manter aquecida. - Ele me entregou uma calça, uma camiseta e um moletom.
- Obrigada .
- Imagina ... - , por que ninguém conseguia fazer o meu apelio soar tão bem quanto ele fazia? - Eu me troco no banheiro, fica a vontade aqui. - ele deu um beijo na minha testa, senti as minhas pernas vacilando e ele saiu.
Tirei as minhas roupas molhadas e me sequei com uma toalha, que não tinha notado antes que estava justo com o moletom, e me vesti com as roupas dele... não pude deixar de notar o seu cheiro nas roupas, era bom. Ridículo isso, não? Mas era a verdade.
Estava "pronta" e as roupas ficaram grandes, mas estava bom.
Estava saindo do quarto quando bati a perna na gaveta aberta de uma mesinha de cabeceira, após resmungar de dor olhei por cima, era um jornal, estava quase abrindo a gaveta para ver as noticias quando...
- !? Você ainda está aí?
- Já estou pronta! - fechei rapidamente a pequena gaveta e abri a porta sorrindo.
- Me dá isso aqui... Vamos levar para secar... - ele pegou as roupas molhadas da minha mão.
Dessa vez eu que fui na frente, já sabia o caminho. Descemos as escadas, passamos pela sala, cozinha e finalmente chegamos na lavanderia.
- Você se importaria se eu colocasse as minhas roupas junto com as suas? - Ele perguntou após depositar suas roupas na maquina.
- Claro que não! - ele sorriu e colocou as roupas, programou para lavar e enxugar.
- Ér... quer um chocolate quente?
- Adoraria!
Nós seguimos até a cozinha, eu sentei em uma cadeira e me apoiei no balcão de mármore para observá-lo. Em cinco minutos estava pronto, ele sentou em um banco na minha frente, separados pelo balcão ele deslizou uma caneca farta e eu bebia o líquido quente enquanto olhava em seus olhos, seus lindos olhos ... Me perdi por um momento, coloquei a caneca de lado após beber e abaixei a cabeça... Tentando me achar, tive certeza que havia me encontrado, me perdi novamente... Um arrepio percorreu por minha espinha várias vezes e os morcegos começaram a brigar dentro de mim, senti novamente as minhas pernas moles... sim, tudo isso após sentir seu hálito fresco com aroma de canela em meu pescoço.. e aos poucos seus lábios foram subindo, passaram pelo meu pescoço e pela minha face até encontrar a minha boca.
Ele começou meio que acariciando os meus lábios, até que passou a beijá-los e a tocá-los devagar e delicadamente com a língua, pedindo permissão. Idiota, parecia até que ele não sabia que isso era tudo o que eu mais queria, obviamente consenti o beijo... Nos beijamos por um longo momento, podia sentir em minhas veias o sangue correndo mais rápido, no exato momento em que ele me puxou, me fazendo pular o balcão e me sentar, levando um choque térmico, do balcão gelado em relação a minha pela que estava quente.
Estava fora de mim, estava em êxtase, ali, sendo beijada por ele... Até o momento em que senti que não pararíamos no beijo.
Pude sentir suas mãos abandonando a minha face e indo para as minhas costas, elas corriam sobre mim, e me puxavam para mais perto, finalmente senti os meus lábios sendo abandonados, me fazendo puxar fôlego enquanto ele passava a beijar a minha nuca... Não havia notado o momento em que as suas mãos haviam deixado as minhas costas e retirado o meu moletom e passaram a correr pela minha cintura. Não pensava... Era como se toda a minha função cerebral estive apenas me fazendo me lembrar de como respirar. Eu o puxei pelo cós de sua calça, o aproximando mais ainda, iria ser agora...
*TAN Tin TAN*
Era a maquina de lavar que havia apitado,e que me fazer sair do estado em que eu me encontrava, me fazendo voltar raciocinar, por mais que eu quisesse e amasse ele, eu não podia... não agora...
havia ignorado o apito e estava me puxando de volta.
- Não...eu sinto muito ... - disse ao virar o rosto
- Não... eu é que me desculpo, , se forcei a barra... me desculpe - ele começou a bater na testa como se estivesse dissendo "BURRO! BURRO!!"
- Não... não se desculpe, você não fez nada de errado. - dei um selinho em seus lábios e corri para a lavanderia, peguei as minhas roupas e voltei. perguntei se tudo bem para ele se eu me trocasse em seu quarto, ele disse que sim.
Subi as escadas, devagar, pois a minha respiração ainda não tinha voltado ao normal, e entrei no quarto, fechei a porta e sentei na cama para descançar, respirar e tentar organizar a minha mente.
Bem, na verdade não foi o que eu realmente esperava que aconteceu... Minha respiração voltou ao normal, mas a minha mente estava a mil! Eu não conseguia parar de pensar naquele beijo, nos seus lábios, no seu corpo tão próximo ao meu... Na felicidade que senti ao estar lá e ele me fazendo sentir viva.
Viva, essa palavra é tão estranha para mim. Desde criança eu sofro com uma enorme variedade de problemas cardiovasculares, até o dia em que eu precisei fazer um transplante de coração. Você não faz idéia de como é difícil encontrar um que seja compatível, depois de anos de espera...
Pode parecer egoísmo meu, mas o dia em que a pessoa doou esse coração que hoje bate em meu peito, foi o dia mais feliz de toda a minha vida... Serei eternamente grata a você kristen...
Kristen, senti um mal estar ao pensar na outra Kristen, na Kristen ex do , aquela que deu um pé nele e aquela que o deixou infeliz!
Não era justo! Por que o nome da minha doadora tinha que ser o mesmo nome da ex dele!? Não era certo! Parecia que o nosso mundo, o meu e o de , giravam ao redor dela. Era ridículo, e eu tinha que fazer isso parar! Eu tinha que fazê-lo esquecer dela e ser feliz!
Pulei da cama e me troquei.
E é isso que eu vou fazer! Dane-se o resto!
- Ai! - gritei involuntariamente ao bater a minha canela na mesma mesinha que havia batido antes.
- Hum... Acho que ele não vai se importar com isso! - sentei na cama e abri a gavetinha, tinha aquele jornal, que eu havia mencionado antes, e eu o retirei da gaveta, mas, tinha algo que eu não tinha visto antes... Um scrapbook!?
- Me deixa ver... - Falei sozinha e peguei o livro de fotos.
Senti ciúmes ao ver as cinco primeiras fotos, sim, ele e a Kristen, se abraçando, se beijando, tomando sorvete, num pub... E as legendas me enjoaram, eram coisas como "para sempre" "te amo mais que tudo" meu, para de ser gay!
Ah, tudo bem, não era gay, era lindo, era romântico... Era perfeito, mas não era comigo... Era com ela... Sempre ela, eu não aguento mais isso!
- Finalmente! - Falei ao ver as outras fotos, era ele com os amigos, os mesmos garotos que eu tinha visto na porta e dentro da lanchonete. Não posso negar, os garotos eram lindos, e olha, eles tinha uma banda, McFLY... Hum... Mais fotos, agora com a família... E outros amigos que não conhecia...
- Que isso? - olhei para umas folhas soltas que caíram no chão, peguei... - Hum... Parece uma carta... Acho melhor não... - Após falar comigo mesma coloquei as folhas dentro do scrapbook e coloquei o mesmo de lado. Pronto curiosa, já viu tudo o que tinha que ver ao não? Não... - perguntei e respondi mentalmente e corri minhas mãos até o jornal. Abri para ler...
- Estranho... - murmurei ao observar algo... Estranho... No jornal... Não era bem um jornal, eram paginas de jornais diferentes guardadas juntas.
Percorri os meus olhos nas headlines, "acidente de carro mata jovem" "Jovem morre após violenta batida de carro" e assim ia...
Mas quando foi esse acidente que eu não fiquei sabendo!? Passei a olhar as datas, a maioria dos jornais eram matutinos, então, marcavam o dia 15 de abril, ou seja o acidente foi na madrugada do dia 14... Dia catorze, foi na madrugada desse dia em que me ligaram do hospital falando que eu consegui um doador.
Dane-se! Eu tinha que ler aquelas cartas, elas iriam explicar melhor o que está acontecendo, espero...
Abri o scrap e peguei as folhas avulsas...Sim, eu sei que isso estava errado, mas eu tinha que entender melhor as coisas, de um jeito ou de outro.
Vamos ver...
Peguei a primeira, era uma letra de musica... Um rascunho, estrofes espalhadas por uma folha para descrever melhor... Era... Linda, era triste, tinha sentimentos... Tinha dor.
Did the best
(Fiz o melhor)
That I could
(que pude)
Said I'd die for you
(Disse que eu morreria por você)
and I would
(E eu poderia)
But I've drowned
(Mas eu afoguei)
All those feelings in the flood
(todos esses sentimentos numa inundação)
Need to know
(Preciso saber)
If you're there
(se você está aqui)
If you're listening to my prayers
(Se você está ouvindo minhas preces)
How was I to know
(Como eu iria saber)
That a year ago
(Que há um ano atrás)
I'd need to read between the lines
(Eu teria de ler as entrelinhas)
Living fast
(Vivendo rápido)
Dying young
(Morrendo jovem)
But I'm living with what you've done
(Mas eu estou vivendo com o que você fez)
And I face accusations
(Agora eu encaro acusações)
I won't run, no
(Eu não irei fugir)
I'm starting to remember things that you said
(Eu estou começando a relembrar as coisas que você disse)
I'm unravelling what they meant
(E estou entendendo o que elas significavam)
But the world moves on
(Mas o mundo dá voltas)
You're just another one
(E você é apenas mais uma)
Segurei as lagrimas que teimavam em cair e passei para uma outra folha, eu sei que estava errada em fazer isso, mas eu teria que ir até o fim agora.
Era uma carta, e seguia assim:
Eu não entendo. Será que ela acha que eu já não sofri o suficiente? Ou será que ela gosta de cutucar nas feridas dos outros?
Maldita psicóloga, mas se é isso que você quer, que eu ponha por escrito a minha dor, para tira-lá do meu peito... Como se um pedaço de papel fosse fazer isso. Iria apenas piorar, não que eu não queira esquecer, mas eu simplesmente não vou.
A minha alma é corroída aos poucos ao fechar os olhos e ser assombrando por aquela cena. Esquecer, nunca poderei esquecer a dor, os gritos e tudo o que eu não pude fazer para salvá-la.
Mas você gosta de ver a dor por escrito, não, sua peste? Então não ligue para a dor e tristeza que aparecer em minhas memórias durante a escrita, afinal, somos apenas mais um, certo, e você não está nem aí!
Eu nem sei como começar... Mas deve ser assim:
Já faz quase um ano que isso aconteceu... Meu nome é para os interessados em saber, eu vou contar o que aconteceu naquela noite, em que demos o nosso ultimo beijo .
- Kristen?
- OI . Tudo bem?
- Uhum! Eu só queria saber se já posso ir aí te buscar?
- Claro! Eu já estou Quase pronta.
- Certo então. Já estou saindo... Tchau! - Eu já ia desligar quando ainda a ouvi chamar meu nome - Fala...
- Eu te amo... - Pude ouvir uma risadinha tímida do outro lado da linha.
- Eu também te amo...
- Obrigada por me deixar saber! Tchau!
Ela desligou. Fui até a garagem, entrei no meu carro, ele não ligou então decidi voltar para casa e pegar a chave do carro do meu padrasto. Ele havia deixado lá faz uma semana, achei que ele não se importaria...
Entrei no carro dele e fui até a casa da Kirsten que ficava a umas três quadras após à minha casa. Pretendia levá-la a um restaurante muito elegante que tem aqui em Londres, afinal, eu queria comemorar em grande estilo o nosso aniversario de um ano de namoro.
Cheguei na casa dela, buzinei duas vezes e ela abriu a porta. Estava linda, seu cabelo castanho estava solto, ela usava uma maquiagem clara, que nem o vestido de cetim cor de perola. Assim que ela me viu, correu em direção ao carro e entrou. Eu dei um beijo nela e liguei o carro, não conseguia parar de olhar para ela, ela estava sempre sorrindo ao meu lado.
Não foi preciso dirigir muito para chegar à estrada que nos levaria para o restaurante, voltei a admirá-la por poucos segundos. Seus olhos se encontraram com os meus, sorri, e quando eu coloquei os meus olhos na estrada novamente... bem, à minha frente estava um carro enguiçado, eu tentei parar, eu juro, mas não consegui, fui obrigado a virar bruscamente para a direita... Então...
Foi aí, neste exato momento que eu ouvi sons, sons os quais eu acho que nunca conseguirei esquecer, como do canto dos pneus na derrapagem, os vidros se quebrando e o grito de dor, que foi o último, e o pior de todos os sons que ouvi naquela noite...
Não sei exatamente quanto tempo se passou, mas quando eu acordei, a chuva estava caindo e tinha algumas pessoas paradas olhando ao nosso redor... Algo quente escorria nos meus olhos. Era o sangue que escorria de um pequeno ferimento em minha testa, mas eu não me importava mais comigo, eu virei e olhei para a Kristen. Ela estava lá, seu vestido perola estava completamente manchado de sangue, sua maquiagem borrada pelas lágrimas que, mesmo com ela meio desacordada e caída no meu colo, ela deixava cair. Eu levantei e coloquei a sua cabeça próxima ao meu corpo, ela então sorriu e falou serenamente para mim:
- , querido, me abrace, só mais um pouco...
Eu a segurei para bem mais perto de mim e a beijei. Esse foi o nosso ultimo beijo , e mesmo comigo lá, abraçando-a fortemente, ela se foi...
Sinto muitíssimo se não consegui escrever com mais detalhes, mas para mim basta ser assombrado na memória.
Mas, não, é tudo coinscidência, não tem chances da Kristen Malcomwood ser a outra certo?!
Quais eram as probabilidades? Droga! por que eu cabulei as aulas de matemática! Não, não... Eu tenho que saber...
Agarrei os jornais após limpar com a manga de minha blusa as lágrimas que caíam com velocidade de meus olhos.
- Cadê? cadê!? Vamos, um nome completo! - Gritava procurando o nome da "jovem" que havia falecido. - ACHEI!!! - gritei mentalmente e passei a ler a matéria. "Violenta batida de carro mata jovem" era o titulo... e a matéria seguia abaixo "Mais uma jovem morre vítima de acidente de carro. A jovem estudante a jornalismo, Kristen Malcomwood faleceu na madrugada de ontem após violenta batida de carro..." não precisava de mais nada...
Senti o meu corpo todo valicilar... por quê?! Ele iria me odiar agora? Eu tenho um vida... às custas da dela? De tantas pessoas no mundo, justo ela?!
E como eu posso contar isso a ele? Oh Deus... o que eu faço?!
Bem, eu não posso mais ficar aqui, eu... eu eu tenho que arrumar isso!
Sequei novamente os meus olhos e guardei tudo do jeito que estava, deixei as roupas dele que eu usava anteriormente em cima da cama e corri. Assim que estava no terceiro degrau superior da escada eu me choquei com ele, e tentei correr, ele segurou em meus braços, me fazendo ficar parada no alto da escada.
- Hey, o que foi? Olha me desculpe ... Eu sinto muito...
- Não sinta, não aconteceu nada, mas mesmo se tivesse, não sinta, pois eu queria, mas eu só não podia, eu é quem sinto muito, por tudo... me desculpa, mas eu realmente tenho que ir!
- Está bem então, mas por favor, não chora.
- Está bom. - sequei os meus olhos e deu um beijo nele, senti uma dor ao pensar que esse poderia ser o último e fui obrigada a correr para a porta e sair.
Se eu não tivesse ficado hipnotizada pelo seu sorriso anteriormente, teria encontrado o caminho de volta mais rápido, demorei aproximadamente quinze minutos até me encontrar no parque e mais doze até chegar em minha casa.
Subi os degraus, entrei em casa, estava um pouco molhada, pois ainda estava garoando, olhei para o relógio e era uma e meia. Resolvi tomar outro banho, esse não foi demorado, foi apenas para tirar a friagem e evitar uma gripe, que acredite, seria um dos meus menores problemas, mas todas as preocupações que eu pudesse evitar seriam relevantes.
Assim que saí do banho, coloquei o meu pijama de moletom e procurei algo na geladeira que me serviria de almoço, encontrei uma caixa de pizza, ainda tinha uns dois pedaços, seria o suficiente, levei a caixa até o meu quarto, me sentei na cama, liguei o rádio e passei a comer a pizza fria mesmo.
Já estava caindo no sono quando ouvi a campainha, relutei em ir abrir a porta, mas o barulho insistente permanecia, levantei da cama e abri a porta...
- Me conta tudo garota!!! – Berrava ao entrar antes mesmo de ser convidada e indo até o meu quarto.
- Contar o quê, ? – falei enquanto a seguia e me sentava na beira da cama.
- É... Ainda vai dar três da tarde, e você está aqui, mofando no sofá, de pijama... é, não deve ter acontecido nada mesmo...
- Você que pensa... – pensei alto.
- Como assim, !? Oh meu... Não acredito!!! Vocês transaram?!
- !!
- Tá, desculpa a indelicadeza... vocês “fizeram amor”?
- !!
- Que foi!?
- Arg... se eu não te contar você vai me infernizar certo!?
- Exato!
- Droga... ok... ér, você se lembra daquelas dores e coisas que eu tinha/tenho?
- Sei... mas eu não estou nem aí pra isso, eu quero saber do que rolou lá!?
- Até hoje cedo eu não sabia... mas...
- Mas o quê, ... conta-me logo... você está me deixando nervosa!
- Se você está nervosa, imagine só como eu estou!
- Então me conta e pare de se torturar amiga!
- Eu estou tentando, mas você não sabe o quanto é difícil contar para alguém que eu descobri que a garota das fotos no celular do é a mesma garota que morreu e agora tem o seu coração no meu peito!
- ... eu não estou te acompanhando...como... quando...
- Hoje eu encontrei uns papeis...
- Não resuma, não vai ajudar em nada... conta-me o máximo que você puder... por favor... - eu via nos olhos dela que ela não estava a fim de saber os acontecimentos... mas sim o que aconteceu... ela queria ter os fatos para tentar me dar uma luz... iluminar a minha mente que estava escura... cega...
Respirei fundo e passei a contar os fatos ocorridos anteriormente... ela prestava atenção... era como se ela estivesse lendo um livro ou vendo o filme... eu pude notar que ela estava tensa ao ver a minha desolação...
Mas ela foi firme e não interrompeu a minha narrativa. Ela deixou que eu tirasse esse peso, esse elefante de minhas costas...
Assim que eu terminei de falar, eu voltei a olhar para ela. A minha amiga havia ficado perplexa, mas saiu de seu transe e começou a me questionar.
- ... e agora?
- Eu não sei!
- O que você vai dizer a ele quando ele abrir o jogo sobre a falecida Kristen?
- Eu vou dar os pêsames... ele não precisa saber de nada certo!?
- ! Você tem que contar... e se um dia ele descobrir, será pior!
- Ele só descobrirá se você contar!
- Para com isso garota! Você quer viver em uma mentira!?
- Mas e... e se ele me odiar por causa disso? - era tarde para me conter, nesse momento sentia meu rosto sendo umedecido pelas lágrimas que deixava cair.
- Se ele te odiar por isso, é por que ele não te merece, se ele realmente gosta de você, não vai ser um órgão que vai mudar o que ele sente!
- Você realmente acha isso?
- Eu tenho certeza, agora você tem que contar para ele, amiga.
- Está bem... mas não agora, assim que eu ver ele eu conto... não pode ser hoje... eu... não estou preparada para contar agora...
- Tudo bem... deixe o final de semana passar, mas você tem que contar durante a semana que está por vir.
- Eu sei, pode confiar em mim, eu contarei.
O final de semana passou lentamente, lento como a deslocação dos continentes (leia-se: Pangeia).
Recebi umas três mensagens de texto de , ele queria saber se estava tudo bem. Apenas respondia que sim, e perguntava se ele também estava como resposta.
A segunda feira chegou, liguei para o meu chefe e disse que estava com uma gripe muito forte e não podia trabalhar. Após reclamar e questionar sobre o meu estado de saúde, Brian aceitou e desejou as melhoras.
Sim, eu estava fugindo dele, eu não podia encará-lo agora, eu ainda temia o que poderia acontecer...
Mas a minha fuga não durou muito tempo, quando o fraco sol estava se pondo, ouvi o barulho de uma campainha, da campainha de minha casa, peguei um casaquinho e a chave, desci e dei de cara com ele.
- Eu fui até a lanchonete e me falaram que você não foi trabalhar, estava gripada, então eu vim te ver aqui... se você não se importar claro...
- Não, não me importo - Abri a portão e dei passagem, ele entrou e me deu um selinho.
- Então, está melhor da gripe?
- Estou sim.
- Ótimo!
Subimos e em menos de um minuto nos encontrávamos na sala.
- Pode se sentar.
- Obrigado. - ficamos um momento em silêncio até que ele se pois a falar. - , eu tenho que te contar uma coisa, eu sei que não tem mais importância, bem, eu acho que não, mas eu ainda não apresentei uma "desculpa" para aquele dia em que eu te deixei plantado do outro lado da rua, eu sei que depois que eu contar você vai ver que é uma razão estúpida, mas você merece saber... se vamos seguir com isso, eu não posso esconder o meu passado não é mesmo?!
- Não, a gente pode esquecer o passado, fingir que ele nunca existiu e viver no presente! Não é uma boa idéia?!
- Seria, mas não é como um diário, que você pode apagar com uma borracha, ...
- Você está certo, droga, eu odeio isso.
Ele soltou uma risada tímida e me faz sorrir também, estava começando achar que ele era que nem o Jasper de Crepúsculo, ele conseguia mexer com as minhas emoções... acalmar-me... fazer-me sentir em paz.
- Aquele dia, quando eu vi você, você não sabe o quando estava linda, delicada, você estava perfeita... foi aí que eu me senti estranho. por que há aproximadamente um ano, existiu uma garota perfeita em minha vida... e você me fez lembrá-la , por isso que eu não pude ir em frente, eu não podia sair com você tento a imagem da garota que eu mais amei na minha vida. Eu sinto muito por isso... só que agora, tem você, e você é especial para mim...
Pude ver os olhos dele ficarem úmidos e vermelhos, mas ele era forte, não deixou as lagrimas caírem... diferente de mim...
- , eu sinto muito, não era para você chorar, ficar triste, era só para você saber...
- , me faz um favor?
- Claro, o que você pedir...
- Promete não ficar bravo comigo e nem me odiar?
- Como eu já fiz antes doidinha?! - ele tentou aliviar a pressão, mas eu estava tão focada que era como se ele não tivesse lá, eu tinha que falar... pois se não falasse agora, não falaria nunca.
- Eu não sei se existem coincidências, ou se é o destino que nos pregou uma maldosa peça... mas, seja lá o que for, você prometeu não me odiar, então vamos lá... Ah quase um ano eu fiz uma cirurgia cardiovascular...
- Ah, era isso que o médico disse... mas você disse que foi uma cirurgia simples...
- Eu disse, mas agora eu estou te contando a verdade.... e eu fiz um transplante de órgão, coração, para ser mais exata, e aquele dia na sua casa, eu encontrei uns papeis... e descobri que a pessoa que faleceu e me doou o órgão... foi a sua Kristen.
- Espera aí, , eu não estou entendendo... Eu não ouvi muito bem o que você disse... Então...
- , o que você entendeu, me diga então...
- Bem, eu entendi que o mundo se rachou... Foi isso...
- Ah, , eu, eu...
- O quê? Você o quê, ?
- Eu não queria que fosse assim, está bem? Se eu soubesse, se eu pudesse imaginar algo semelhante a isso, eu não teria aceitado, acho que eu conseguiria viver mais uns anos sem esse coração... Mas...
- Mas ela estaria morta de qualquer jeito?
Eu já tinha lágrimas em meus olhos, e notava que os olhos deles estavam ficando vermelhos, perdendo o choro, mas a voz estava trêmula.
- Sim, mas pelo menos nós não estaríamos passando por isso!
- Nós?! Como você diz isso, é ela que está aí, não em mim, ela me deixou... Mas agora ela está em você... E isso não faz sentido.
- Eu sei...
- Eu não, eu não sei mais de nada a essa altura... Eu preciso de um tempo, para entender, é só isso...
- Está bem, eu já imaginava isso... Você pode ter o tempo que quiser, quando tomar uma decisão, não importa qual, eu só peço para você me comunicar...
- Claro, eu vou te procurar sim...
- Certo então...
- Eu, eu já estou indo então...
- Até mais, .
- Até ...
Ele seguiu sozinho até a porta e lançou um último olhar antes de ir embora. Senti o meu estômago revirar várias vezes e minhas lágrimas pingarem no chão, mas não havia nada que eu poderia fazer a não ser esperar, e se fosse como a disse, se ele realmente me amar, não será isso que nós separará...
Resolvi então ocupar a minha mente com inutilidades para tentar aliviar a pressão em meu cérebro, que não estava funcionando perfeitamente nessa última semana, aposto que é a sobrecarga.
Separei alguns DVDs para passar o resto da tarde, pois estava frio lá fora, um passeio ao ar livre não seria muito agradável...Após pegar a pipoca no microondas dei play no primeiro filme e assisti, consegui até rir em algumas cenas, realmente me senti animada, mas todo o meu progresso foi por água abaixo após assistir Lua Nova. Eu já tinha lido o livro e agora, vendo o filme notei que eu estava pior que a Bella, sim, eu detestava como ela ficava quando o Edward partia, era como se a vida dela não pudesse continuar, era como se o mundo dela existisse para ele, e eu realmente detestava isso, eu sempre achei isso ridículo na Bella, mas eu acho que era porque eu não entendia, nunca tinha amado ninguém como a Bella amava o Edward...Mas agora eu amo e assim como eles, o meu mundo, a minha vida não faz mais sentido sem ele...
Ele tem que entender que a Kristen se foi, mas eu estou aqui, eu estou aqui para ele, com ele... e que eu não estaria aqui se não fosse por ela...
Achei que tinha cochilado por alguns minutos, mas quando eu olhei para o relógio vi que já eram dez para as oito. Ainda não estava atrasada... Apenas surpreendida por ter dormindo tanto no sofá.
Olhei para a TV, ela estava em stand by, levantei do sofá, desliguei o aparelho corretamente e saí da sala e fui até o meu quarto, peguei a minha toalha e roupa e foi até o banheiro tomar um banho quente. Após quinze minutos desliguei o chuveiro e depois de me secar, me troquei para ir ao trabalho. Passei uma maquiagem leve e fui tomar o café da manhã. Fiz ovos mexidos e tomei um suco de laranja de caixinha, escovei os dentes e sai de casa.
Enquanto caminhava rumo ao trabalho, notei que desde o exato momento em que descobri tudo sobre a ligação entre eu, e Kristen, eu não senti aquele tipo de dor, e até agora não tive nenhum pesadelo envolvendo acidentes e nada semelhante... eu sei que o tempo que eu fiz essa ligação não é muito... mas eu acho que eu tinha isso para saber das coisas agora, antes de me envolver mais ainda com ele.
Mesmo que eu não quisesse saber disso... Que tudo ficaria bem sem esse segredo sendo revelado... eu imagino como não seria pior a descoberta disso quando eu estivesse eu um relacionamento estável com ... Iria ser uma tragédia que abalaria muito nossas vidas... Então... Se foi ruim agora... Pior seria depois.
Esse tipo de pensamento me animou um pouco até eu chegar na lanchonete. Hoje não trabalharia, era dia de folga dela, seria bom porque não sabe nada desse rolo todo e não me faria perguntas sobre tal assunto.
O lado ruim é que eu não teria ninguém para desabafar e me dar conselhos.
Finalmente cheguei, já estava colocando o seu avental e Brian não havia chegado. Entrei e fiz o mesmo que minha amiga, encostei-me ao balcão. Os outros funcionários, também meus amigos, me deram um oi e apenas depois que souberam que eu estava melhor da minha gripe falsa me deram um abraço.
Alguns minutos passados das nove horas começou a aparecer gente na lanchonete, eu e atendemos a todos, eles não demoraram muito para ir embora, mas ajudou a distrair a minha mente.
Pouco tempo depois disso, Brian resolveu dar as caras e logo após ele se certificar que eu não contaminaria os clientes com a minha gripe ele foi ajudar na cozinha. Estava rindo sozinha com isso quando o meu celular apitou, eu acabara de receber uma mesagem de texto... gelei ao pensar que seria tão frio ao me dar um pé por SMS e demorei a tirar o aparelho de meu bolso.
Nova mensagem de texto, apertei o botão para ler.
Oi, é o , a gente pode conversar amanhã? Fim da mensagem.
- Droga! Se a estivesse aqui ela me daria um conselho, é isso... Mas que horas será? - Falava sozinha enquanto procurava por um relógio, até que lembrei que o meu celular marcava as horas, olhei então para o visor, 9:37, ainda faltava muito tempo para o horário de almoço, não iria dar pra eu ficar no telefone por uns vinte minutos... Resolvi responder a mensagem o mais depressa possível e acabar logo com isso.
Tudo bem então. Onde e que horas? Enviei e antes mesmo de guardar o aparelho no bolso recebi a resposta:
Pode ser amanha à noite, lá pelas oito... Seria melhor um lugar mais quieto... Pode ser na minha casa ou na sua?
Pensei por alguns segundos antes de escrever, olhei ao redor para ver se não tinha cliente esperando ser atendido ou o Brian se preparando pra me demitir e respondi:
Claro, amanhã às oito, estarei na sua casa. Xoxo
Esperei antes de guardar o aparelho, caso recebesse mais uma mensagem, nada, guardei o celular no bolso e dei de cara com me encarando infantilmente como se falasse com os olhos "Tá namorando! tá namorando!".
Apenas sorri e disse "é amiga, não é fácil, os créditos do celular acabam rapidinho!
Hoje não havia muitos clientes, Brian disse que eu poderia sair da lanchonete às onze, contanto que eu estivesse de volta antes da uma da tarde. Concordei, mandei um SMS pra pedindo para ela fazer alguma coisa para o almoço porque eu estava indo pra casa dela.
Fui caminhando até lá, eu sei que eu tenho que comprar um carro, ou uma bicicleta ou um skate, ou qualquer coisa sobre rodas para facilitar o meu trajeto. Mas segui o meu caminho bravamente e cheguei até a casa de . Apertei a campainha e esperei por alguns segundos minha amiga aparecer na porta.
- Que foi, ? - ela perguntou estendendo o braço, me convidando para entrar, após o fazer comecei a resmungar os meus problemas para ela.
Comecei a história do começo, bem, não do começo, pois eu ainda não sei onde essa história começa no acidente, ou na primeira vez que eu o vi na lanchonete, ou se foi na primeira vez que eu tomei coragem pra falar com ele e acabei chorando... Mas não foi por nenhum desses começos que eu optei, pois ela já estava ciente dos acontecimentos e de sua ordem cronológica, comecei então a atualizá-la contando pra ela a reação de ao descobrir sobre nós (leia-se: eu, ele, e a Kristen)
Eu contava tudo em detalhes, mas a reação dela era pacifica, como se ela já esperasse por isso... Que infeliz... Se ela sabia que seria assim, por que não me contou logo e não me deixou sofrer... Por que ela foi quem me fez contar para ele!
Certo, finalizei a história, e aguardei por alguma reação, e a única coisa que ela disse foi “Amiga, vamos almoçar, pois com barriga vazia o cérebro não funciona”. Fiquei pasma, mas obedeci, estava com fome e o cheiro estava muito agradável. Tirei um prato farto de arroz, lentilha e bisteca, me sentei de frente com ela na mesinha da copa e quando estava quase acabando de comer, começou a falar...
- O que você acha que ele quer com você amanhã?
- Eu não sei, por isso eu vim te ver amiga, queria saber se você desconfia de alguma coisa, por que sempre quem está “do lado de fora” sabe mais do que quem está dentro...
- Quem dera, ... Me empresta o celular?
- Claro... – peguei o aparelho e entreguei a ela.
- Hum... Sem emoticons ou nada que indique que é algo mais suave...
- Você anda lendo muito romance, , mas você acha que ele vai terminar comigo... Sendo que a gente nem começou??!
- Você acha isso?
- Você não?
- Eu acho que ele vai pedir um tempo, se afastar de você e pôr a cabeça pra funcionar sabe...
- Isso será um infeliz ato do destino... – murmurei essa frase que eu não tenho certeza que já ouvi em um livro ou filme, ou se eu acabara de inventar...
- Destino... Você acredita nisso?
- Um pouco, eu acho...
- Você acha?
- É, mas isso não tem propósito... E eu já tenho que ir... posso ir tranquila sabendo que ele não vai querer me matar ou terminar o nosso romance que não teve a oportunidade de começar? - Acho que sim...
- Você acha?
sorriu, eu sorri de volta após notar o joguinho que ela fez, levantei e dei um abraço nela, disse "tchau" e sai de lá, deixando a louça para ser lavada, e fui caminhando até chegar ao meu local de trabalho.
Quando entrei na lanchonete Brain tinha saido... perguntei á John o que havia acontecido, era um problema familiar e que depois das duas da tarde teriamos que fechar a lanchonete.
Não reclamei, afinal, mais umas horinhas, estaria chegando em casa!
atendia algumas mesas até que eu tomei o lugar dela para que ela podesse ir almoçar... em uma das mesas estava aqueles amigos do . Eles sorriram educadamente quando me viram indo atende-los e eu retribui.
- Hey , tudo bem com você? - perguntou - Tudo sim, muito obrigada. - E as coisas com o , vão indo bem? - , se eu não me engano, me perguntou com profunda afetuosidade e eu apenas sorri.
- Er, vamos parar de pertuba-lá, a gente já sabe que o quer falar com ela hoje, e pelo visto ela não quer detalhar o motivo... - falou o outro rapaz,
- Ele não contou para vocês o que aconteceu?
- Não. - eles responderam em coro
- Estranho, mas bem, se ele não contou não será eu que contarei meninos, agora, o que vão pedir?
- Ah, droga! Sabia que ela não iria contar! - resmungou
- Chata, vocês se merecem! - resmungou me fazendo rir.
- Tudo bem, chega de criancice por que pelo visto não vai adintar, então eu vou querer uma coca-cola e um pedaço de torta de frango. - falou fazendo bico.
- Eu quero o mesmo que ele! - Exclamou .
- Er, eu vou querer um suco de uva, um x-burger e o telefone da sua amiga que foi almoçar - falou e abriu um sorriso malicioso e obviamente apanhou dos amigos.
Anotados os pedidos, fui até a cozinha leva-los até John que em poucos minutos me entregou os pedidos, que eu coloquei em uma bandeja e e levei até os garotos. Eles comeram, brincaram, pagaram a conta e saíram. Brinquei com por causa da brincadeira de , ajudei um pouco na cozinha, limpei as mesas e logo deu a hora de voltar para casa.
Em quinze minutos eu cheguei... tomei um banho quente mas não muito demorado, me sequei e coloquei um roupão. Nisso que lembrei que eu não sabia como ir até a casa dele! Sim, eu fui lá uma unica vez, mas eu não olhava para o caminha, eu olhava para ele e aquele lindo sorriso que ele colocava em seus labios e na volta eu estava tão atordoada que eu realmente não sei como conseguir chegar...
Peguei o celular e mandei uma mensagem para ele perguntando o endereço dele. Em alguns minutos a mensagem chegou, coloquei o endereço no google, não era longe. Começei então a procurar uma roupa para usar... eu não sabia o que por! Qual era a ocasião?! o fim de algo que não começou realmente!? Que tipo de roupa deve usar "nessa ocasião"?
- Já sei! Vou ligar para a ! - falei sozinha enquanto procurava o celular que estava embaixo de algumas roupas que eu havia arrancado do armario...
- Alô?
- Oi, é a !
- Desenbucha...
- ... que roupa eu uso para ir lá na casa do hoje?
- Aguenta firme colega, estou indo aí.
- Ahhhhh obrigada! - berrei e ela desligou na minha cara, não a culpo.
Coloquei um pijama para não ficar de roupão até o momento que eu encontrasse uma roupa e momentos depois já estava batendo na porta. Desci, abri a porta e ele entrou.
- Sua besta! Como você não tem roupa?!
- Não é que eu não tenho, é que eu não sei o que pôr!
- Mesmo assim... vai vamos procurar algo bem legal para você usar...
Fomos em direção ao meu quarto, metade das minhas roupas estavam em cima da minha cama e a outra metade entre o chão e o armario.
- Nossa que furação! - murmurou quando se deparou com a bagunça.
- Que horas que você vai sair daqui?
- Lá pelas sete e trinta, eu acho... será que não fica tarde?
- Saia lá pelas sete e vinte então... dai a gente chama um taxi pra você ir. - Taxi?
- Sim, afinal, você não vai querer ficar andando a pé com salto alto vai?!
- Salto? eu estava pensando em usar um converse....
- , você me chamou para ajudar, então vai me obedecer tá bom!? A gente não sabe o que pode acontecer lá, se ele vai pedir um tempo, terminar ou dizer que está tudo bem... então você tem que usar algo decente né?!
- Claro você é quem manda... - fiquei um pouco apreensiva, novamente o medo do desconhecido ataca. Os morcegos começaram a se mecher dentro de meu estômago, mas respirei fundo, tentando acalma-los.
- Achei! - gritou .
- O que?
- Um pedaço de pizza! Pensa , o que a gente, eu, estavamos procurando!?
- Ah, deixa eu ver!
Dito isso, mostrou a roupa que ela achou, era discreta, simples e muito bonita. Colocada a roupa separada nos fomos até a cozinha comer alguma coisa pois meu estômago já rocava de fome.
Comemos, conversamos sobre o que poderia acontecer e combinamos de dormir em casa caso tudo desse errado eu teria algum para poder me amparar.
Minha amiga chamou um taxi e mandou eu me trocar. Coloquei a roupa que ela havia separado, uma ankle boot preta, uma calça skine azul escura, uma regata de algodão branca e um casaco preto, e logo em seguida ela fez uma maquiagem nude em meu rosto.
O taxi chegou. E eu estava pronta.
- Oh my God! Eu não estou pronta!!! - Gritei em meus pensamentos quando o taxi acabara de estacionar em frente a casa dele.
- São £19,98.
- Ah?! Ah tá...- procurei o dinheiro na minha bolsa - aqui moço, obrigada. - Disse sorrindo falsamente e saindo do caro. Antes mesmo deu poder pensar em voltar o taxi já estava longe.
Respire e acredite repeti essa frase várias vezes. Tomei fôlego e toquei a campainha.
- Boa noite... - Ouvi uma voz, até então tímida vindo de dentro da casa. Olhei, era ele. E em mim, os morcegos.
- Boa noite.
- Entre.
- Obrigada.
Entrei na casa, ele pediu para eu sentar no sofá e esperá-lo, pois ele que estava fazendo o jantar.
- , está pronta! Pode vir! - ele gritou da cozinha, e eu obedeci.
- Owhoon! - Foi a única coisa que eu consegui dizer. Aquela mesma cozinha que antes quase nos levara a um ato impensado, agora parecia um cenário de um filme de romance.
A iluminação não estava tão clara quanto antes, sobre o balcão estavam os pratos, talheres e copos todos reluzentes e no centro havia algumas velas acessas cercadas de pétalas de rosas vermelhas.
Era como se eu estivesse sonhando... Mas eu não estava, eu me certifiquei disso me beliscando várias vezes enquanto olhava para aquilo.
- Gostou?
- Uhum... - A voz de me libertou daquele transe.
- Sente- se. - Ele disse sorrindo e eu o fiz – Você toma vinho ou prefere um refrigerante ou suco?
- Suco! – ele abriu a geladeira e colocou um suco de abacaxi fresco em meu copo e no dele. – , só por que eu não vou beber, não significa que você não pode.
- Não, eu quero estar totalmente sóbrio esta noite.
Dito isso, pegou a travessa de comida e me serviu com arroz, lentilha, carne assada, salada de alface com tomate e brócolis e depois se serviu. Eu podia sentir uma espécie de choque quando nossos olhares se encontravam, então, tentava evitar olhar para ele. Eu disse que tentava, pena que era em vão.
Quando estava quase acabando de jantar resolvi quebrar o silencio e comecei a falar.
- Então...
- Então... - ele repetiu o que eu disse e tomou fôlego para continuar - Você não tem idéia sobre o motivo que eu te chamei aqui?
Fiz que não com a cabeça. E ele continuou.
- Nossa, eu... É que... Digo... - ele estava perdido em suas palavras - Você não sabe mesmo?
- Não! Se eu soubesse pararia de nos torturar e te falaria, ou nem teria perdido o meu tempo vindo aqui para brincar de adivinha!
- Perder tempo? Como se você nem sabe o que eu vou dizer?
- E vou continuar sem saber se você não me falar!
- Tudo bem, você venceu! É que... Eu achoqueteamo.
- Ahm?! - ahm!?
- Eu disse que eu acho que te amo...
- Você não tem certeza?
- Você tem?
- Bem eu...
- Eu só sei que desde aquele dia, na lanchonete, antes... e depois... o lance do celular... do hospital.... Sei lá... Isso é difícil para mim. Desde o dia em que eu perdi a Kristen eu achei que nunca conseguiria gostar de ninguém. Na verdade eu jurei isso para mim mesmo... Mas... Você é especial para mim, e eu não sei o porquê, mas eu quero poder ficar com você...
- Nossa. - Eu tinha programado todo um discurso para o dia em que eu ouvisse isso, mas o "Nossa" foi a única coisa que saiu de minha boca. Belisquei-me novamente, de forma discreta, mas com força. E não acordei. Isso era real.
Meus pensamentos foram interrompidos quando notei que os lábios de estavam próximos aos meus. Muito próximos. Acabei por aproximar os 3 milímetros restantes.
Esse beijo não foi tão intenso quanto o anterior... mas tinha ternura e carinho... Dessa vez eu não senti impluso. Senti certeza.
Acordei sonolenta. Demorei até abrir meus olhos de forma discreta. Aquele não era o meu quarto. Pisquei e olhei novamente. Continuava naquele quarto... Depois de alguns segundos, meus olhos entreabertos se arregalaram. Aquele quarto era o dele!
Eu não sabia se eu estava em pânico ou em êxtase... Era uma sensação estranha. Era uma sensação boa e estranha.
Tomei fôlego e coragem para olhar para os lados. Ele continuava lá. Não deve ter notado que eu acordei, pois ele continuava imóvel, respirando suavemente... E minha cabeça estava apoiada em seu peito nu. Perdi o fôlego, senti meu coração acelerar. Respirei novamente, não tive coragem de olhar para baixo das cobertas. Apenas puxei o lençol azul claro que estava próximo de mim para mais perto.
- Bom dia. - disse uma voz tímida vindo do alto de minha cabeça.
- Bom dia... - respondi também tímida, mas feliz.
- Então... - ele não conseguiu terminar.
Eu passei então a olhar para seu rosto. Era lindo, como cada pedaço de seu ser e de sua alma. Para ser honesta, eu poderia me acostumar rapidamente a acordar assim todos os dias.
- Então... - repeti o que ele havia dito, para encoraja-ló a terminar.
Ele sorriu levemente e olhou em meus olhos, como se quisesse ler a minha mente.
Puxei novamente o lençol azul e sentei na cama, me cobrindo, deixando a coberta branca sobre .
- Eu... Eu acho que a gente não devia ter feito isso. - dessa vez seus olhos não me encaravam.
- Como assim? Você se arrependeu?
- Não! De forma alguma. - agora sim, seus olhos me encaravam como se pedissem para eu acreditar no que ele falava.
- Então... o que foi?
- Por acaso você lembra que eu havia dito ontem a noite que você era especial?
- Claro. - Claro que sim! Mas que pergunta, francamente.
- E é por isso que nós deveríamos ter esperado um pouco mais. Ter nos conhecido melhor. Ter certeza de que você realmente queria isso. E...
- ! - Interrompi. - CHEGA! Você não entende não é? Você realmente acha que você pode me ferir?
- Não...
- Você não disse que acha que me ama?
- Agora eu tenho certeza...
- Então isso não foi um erro! ESPERA! Volta a fita. Acho que eu perdi alguma coisa!
- Eu disse que agora eu tenho certeza...
Travei.
Meu maxilar caiu, e eu não sabia como fechar. Eu nem sabia como eu me lembrava de respirar. Era como se eu estivesse em stand by ou algo parecido. Não me movia. Não pensava. Apenas sentia a mão dele em meu queixo e sua mão nas minhas costas, me puxando para perto de seu corpo nu. Ou semi-nu. Como eu disse, não olhei para baixo das cobertas para ter certeza.
- Não vai dizer nada? - ele perguntou incrédulo, olhando para meus olhos.
Fiz que não com a cabeça de forma subconsciente. Ele sorriu de forma marota e me beijou.
- Eu vou preparar o café...
- Hum... - eu estava começando a me liberar do transe causado pelas suas palavras mágicas. Ele me ama! - Será que você tem uma toalha sobrando?
- Claro, primeira gaveta lá na pia do banheiro, pode ir.
- Ok.
Após isso peguei o lençol, me embrulhei arrancando algumas gargalhadas dele (afinal, nós... você sabe, não faz sentido se cobrir após o que aconteceu. Mas eu sou tímida), e corri para o banheiro no final do corredor.
Entrei no banho e deixei a água quente que parecia fria cair sobre o meu corpo. Não conseguia pensar. Apenas relembrava aquele momento. E que momento, cara!
Sorri para eu mesma, mas aos poucos o sorriso foi saindo do meu rosto. Aos poucos vinha a imagem da garota de porcelana da foto. Kirsten.
Esse nosso momento especial... quantas vezes eles tiveram? Muitas, eu aposto. E se ela não tivesse ido... aposto que nós nunca existiríamos.
Mas se o destino quis que isso acontecesse, eu não tenho culpa! - gritei na minha mente e fechei o chuveiro com uma força desnecessária. Me sequei com uma toalha verde encontrada na pia e coloquei as mesmas roupas da véspera.
Voltei para o corredor e desci as escadas até a cozinha que cheirava a ovos, café, panquecas e queimado.
- Hey... - murmurei para enquanto ele derrubava calda de chocolate em uma pilha de panquecas queimadas.
- Hey! - Ele disse sorrindo de volta e largando a panela no fogão. - Pode se sentar! - Ele apontou para a cadeira do lado oposto do balcão e eu me sentei.
- Deu muito trabalho preparar tudo isso chef?
- Muito, você não faz ideia!
- Claro, a atendente da buck's deve ter achado muito trabalhoso. - Sorri encarando duas embalagens de latte e uma caixa de brownies.
- E o trabalho que eu tive em ir lá e queimar essas panquecas de massa pronta?!
Soltei uma gargalhada abafada e ele sentou a minha frente novamente.
- Posso te contar uma coisa?
- Claro. - Ele sorriu.
- Bem, isso é muito constrangedor mas eu senti algo muito forte por você desde a primeira vez em que te vi. Pode perguntar a , ela sabe, ela teve que aguentar tudo.
- Mesmo? - ele perguntou em um tom divertido.
- Mesmo. E o lance do celular... bem, por mais ridículo que isso pareça foi algo que eu imaginei como o meu conto de fadas da era digital, sabe, que nem a Rachel e a Phebee quando elas encontram um celular no Central Perk, só que sem o velho no final...
- Claro que sei. Mas não se preocupe. Isso não é constrangedor.
- Não mesmo?
- Não. Muito pelo contrário, essa foi uma das coisas mais fofas que eu já ouvi. E saiba que isso soou muito gay. - ele gargalhou.
Tomamos o melhor café da manhã de todos os tempos e após ajudá-lo a limpar a cozinha seguimos até a sala. Ele ligou a TV. Quando vi Hugh Grant tocando Killing Me Softly em About a Boy perguntei sobre a banda dele...
- Não sei, faz um tempo que eu não toco com os caras.
- Você não pensa em voltar?
- Talvez um dia... bem, eu havia perdido o amor por tudo, até pela música... que sabe eu consigo me apaixonar por ela novamente. - ele disse em meio a um suspiro.
- Sei...
- ...
- Oi...
- Obrigado.
- Hum? Por quê?
- Por ter me salvado.
- BOM DIA!
- AH! , que susto! - gritei quando me deparei com a minha amiga atrás de mim quando fechava a porta de casa.
- Sabia que eu fiquei muito preocupada com você? - Mesmo?
- Claro que não. Eu podia imaginar o que vocês dois estavam aprontando. Danadinhos!
- ! - exclamei
- Brincadeira. Mas vem cá. - ela agarrou a minha mão e me puxou pra o sofá da sala. - Agora, me conte tudo e não me poupe dos detalhes!
- Não obrigada.
- Conta agora.
- Você é muito chata sabia.
- Claro que sim. Agora me conta, anda.
- Se eu não te contar você não vai me deixar em paz, certo?
- Claro que não. Eu irei te infernizar até você me contar como foi a noite.
Droga. Ela venceu.
Sob tortura, comecei a contar a noite, de forma não tão detalhada. Contei sobre o jantar e sobre a manhã. E como tudo tinha sido maravilhoso naquela noite.
- Mas, vocês se preveniram, certo?
- Claro que sim. Ele deve ter encontrado aquelas camisinhas que você colocou na minha bolsa antes.
- Por nada. - ela falou sorrindo e soltou uma piscadela como se ela tivesse salvo o dia. Ou a noite.
- Mudando de assunto, você não tem que trabalhar, não?
- Não. Hoje eu recebi uma proposta de emprego e esta manha eu pedi as minhas contas.
- Você vai me deixar?
- Claro que não. Eu vou te levar para lá logo. Eu fui chamada para ser gerente no Roxxy Mood Pub. Yep!
- Ótimo. Isso significa que eu vou ter que trabalhar mais até arrumarem a escola! Mas eu não ligo, porque a minha amiga vai ser a melhor gerente do melhor pub de Londres!
Rimos feito idiotas e nos abraçamos.
Fazia tempo que eu não me sentia assim.
E isso era muito bom.
Quando as coisas começam a se encaixar é como se o Universo finalmente tivesse descoberto que o melhor é conspirar a nosso favor.
As coisas fluem muito melhor assim.
A escola, após duas semanas foi arrumada. Agora, eu trabalhava segunda, terça e quinta. E minhas folgas eram na quarta, sexta e sábado. O domingo era um sim e outro não. Finalmente!
Mas essas coisas não eram importantes. Eu tinha um trabalho, passava no pub para beber um Dry Martine e perturbar a minha melhor amiga quando eu não conseguia me encontrar com .
Ele e os amigos estavam planejando voltarem com a banda. Incrível. Como eu disse, as coisas passaram a ser como deveriam ser. E eu não queria que isso acabasse nunca.
- Pronto amorzinho, eu não quero chegar atrasada na minha própria festa! - gritava da sala enquanto eu terminava de me arrumar.
Hoje era o seu aniversário e o pessoal do pub onde ela trabalha deu a ela o dia de folga, contanto que ela fosse no mesmo a noite para uma festinha que eles dariam a ela.
- Estou indo, criatura divina! - gritava enquanto corria até a sala.
Entramos em seu carro e ela foi dirigindo até o Roxxy. O lugar tinha uma ótima iluminação. Sua decoração era uma mistura do clássico com o alternativo. Mas não foi para a decoração que eu olhei quando eu os vi no palco.
McFly.
Eu não acreditava. Eles conseguiram. Ele conseguiu!
- Boa noite! - Gritou ao microfone.
- Nós somos o McFly e estamos aqui para parabenizar a ! - Gritou .
- Um, Dois, Três...! - Todos os garotos gritaram.
- HEY! I am looking at my stargirl...
Após tocarem varias músicas e emocionarem a minha melhor amiga, os garotos foram aplaudidos por todos que estavam presentes naquele pub.
Eles já estavam prestes a saírem do pequeno palco quando girou sobre os seus calcanhares e alcançou o microfone.
- , feliz aniversário. Você é uma pessoa muito especial e todos nós gostamos muito de você. Tanto é que eu já perdi a conta de quantas vezes eu vi o e o brigando por sua causa. Menos o , porque ele é gay. Mas isso não vem ao caso. O que eu quero dizer é que cada um é especial do seu modo. E bem, é o que as pessoas fazem que as tornam assim, e está música vai para uma pessoa muito especial para mim.
Em um movimento rápido ele agarrou a guitarra que estava no chão e os garotos se juntaram a ele. Após as cinco primeiras notas o restante do grupo conseguiu entrar no ritmo e ele começou a cantar...
The world would be a lonely place...
(O mundo seria um lugar solitário)
Without the one that puts a smile on your face.
(Sem aquela que põe um sorriso em seu rosto)
So hold me 'til the sun burns out. I won't be lonely when I am down...
(Então me abrace até o sol se apagar. Eu não vou estar sozinho quando estiver para baixo)
agarou o microfone e gritou; "Cause I've got you!"
E continuava a cantar olhando nos meus olhos, como se apenas nós dois estivéssemos lá. Como se nada fosse mais importasse.
...never doubted you at all
(Eu nunca duvidei de você de forma alguma)
The stars collide, will you stand by and watch them fall?
(As estrelas colidem, você estará presente e assistirá elas caírem? )
So hold me 'til the sky is clear
(Então me abrace até o céu ficar limpo)
And whisper words of love right into my ear
(E sussurre palavras de amor no meu ouvido)
'Cause I've got youto make me feel stronger
(Porque eu tenho você para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah when I got you
(Yeah, quando eu tiver você)
Oh to make me feel better
(Oh para me fazer sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Quando as noites são longas elas serão mais fáceis juntos)
Looking in your eyes
(Quando as noites são longas elas serão mais fáceis juntos)
Hopping they won't cry
(Quando as noites são longas elas serão mais fáceis juntos)
And even if you doI'll be in bed so close to you
(E mesmo se você chorar eu vou estar na cama bem perto de você)
Hold you through the night
(Para te abraçar pela noite)
And you'll be unaware
(E você vai estar inconsciente)
That if you need me I'll be thereeeeee!
(E se precisar de mim eu estarei lá)
Yeah I've got you!
(Yeah eu tenho você!)
Oh to make me feel stronger
(Para me fazer me sentir mais forte)
When the days are rough and an hour seems much longer
(Quando os dias são duros e uma hora parece muito mais longa)
Yeah when I got you to make me feel better
(Yeah, quando eu tiver você para me fazer me sentir melhor)
When the nights are long they'll be easier together
(Yeah, quando eu tiver você. Para me fazer me sentir melhor)
Oooh and I've got y... - Não o deixei terminar a música.
Com os olhos cheios de lágrimas eu corri até o palco. Ele me olhou e eu fui até ele.
- Com certeza você me tem . Eu te amo muito e nunca irei te deixar. Nunca.
E foi com essas palavras que ele jogou a sua guitarra, carinhosamente, no chão e me abraçou.
(***)
- Para onde é que você está me levando? - Perguntei para que havia ido a minha casa esta manha e me convidou para um passeio misterioso.
- Calma. Você já deve ter passado por aqui, várias vezes. Mas nunca comigo.
E assim nos continuamos andando, eu na maior parte do caminho, com os olhos vendados pelas mãos de .
- A gente já chegou?
- Já.
Quando ele retirou as mãos de meus olhos consegui me localizar.
Estávamos no Picadilli Circus, bem em frente à estátua de Eros, o cupido.
- Sente-se. - ele apontou para um banquinho. - Eu já volto.
- Tudo bem. - eu fiz o que ele me pediu e em poucos minutos ele sentou ao meu lado e me entregou uma doce e caramelada maçã do amor. Cara, há quanto tempo eu não comia uma dessas!
O dia foi mais doce e divertido do que eu poderia descrever. Nós comemos pipoca, mais maçãs e até mesmo algodão doce!
Do lado oposto da praça um senhor tocava uma música familiar no violão, Bob Dylan, eu acho. Só sei que seguimos a música e ficamos observando o senhor tocar.
Já estávamos nos afastando das pessoas que continuaram lá a observar quando senti alguém agarrar a minha mão com força e me virei.
Era uma senhora baixinha e robusta. Seus cabelos laranjas e ondulados me faziam lembrar da Sra. Weasley...
- Com licença, a mão é minha. A senhora poderia soltar?
- Claro, minha amiga. Eu só fiz isso por que queria lhe contar algo....
- O que? - eu e minha mania de curiosidade me fazendo falar com senhoras estranhas no meio da rua.
- A felicidade é mais duradoura quando sabemos perdoar. O passado pode te assombrar, mas a chance de transformá-lo em uma lembrança é sua.
- Algum problema? - perguntou .
- Não... - disse em um sussurro.
- Eu estava apenas perguntando qual era a manicure dela. Achei as unhas de sua mão encantadoras. - A velha sorriu e com um breve "adeus", foi até a estação do metrô e desapareceu.
Estranho. Perdoar... o que ela quis dizer com isso?
Será que o me levou até aqui hoje porque ele me traiu?
Não, não pode ser...não é. Mas então...
- Você está bem? - a doce voz de ecoou em minha cabeça.
- Hã? Ah claro. Estou bem sim... e agora o que a gente vai fazer? - perguntei forçando um sorriso.
- Bem, já que estamos até aqui vamos pegar o metrô.
- Para onde?
- Não precisamos de direção. Vamos aonde o vento nos levar. Mas nos temos que estar de volta antes das 21h; hoje é a final de X Factor.
- Ah claro! Keyo tem que ganhar! - disse sem muita emoção.
- Sem chances! Hernesee irá vencer.
- Eu não acho!
- Não?
- Não mesmo!
- E disso... o que você acha?
- Disso oq... - Não consegui terminar a frase, foi algo tão filme norte-americano que eu fiquei boba. Ele segurou meu rosto e minha cintura com delicadeza e firmeza e bem no meio da rua ele me beijou, e todos os perdestes que lá estavam aplaudiam, outros agitavam e assoviavam, e outros, mais jovens, gritavam "get a room!" o que me fez interromper o beijo para gargalhar.
Ele também sorriu.
Agarrou a minha mão e em poucos minutos estávamos passeando no metrô como dois adolescentes em uma tarde entediante que fora destruída pelo amor.
Já deu pra imaginar que o mundo parecia um lugar melhor para se viver não é mesmo?
Pena que as vezes ele gira muito rápido, e perde o seu eixo...
e eu já estávamos ficando já fazia um tempo, estava contente em seu novo emprego, e eu no meu antigo.
então achou que a hora de darmos um passo maior em nosso relacionamento havia chegado...
-E então, o que você acha?
-Eu... Eu...
-Você acha que o passo é muito grande?
-Eu não sei ...
-Eu estou pronto.
-Mesmo?
-Mesmo. - Ele havia me garantido.
-Então... a minha resposta é sim . Eu aceito ir morar com você. - Falei firme e decidida a esconder a explosão que ocorria dentro de mim.
-Mesmo?
-Mesmo. - Agora, esta tinha sido a minha vez de garantir.
Depois disso, nós saímos de minha casa, onde havíamos passado a noite juntos e ele me acompanhou até a lanchonete.
Lá, ele pediu um suco de uva e uma torta e após Minnie ter preparado, eu levei até ele.
Este foi o maior dejavú da minha vida. Não consegui conter o riso e nem ele.
(***)
O dia foi longo. Antes mesmo de sair do trabalho eu liguei para a e pedi para que ela fosse até a minha casa. E como minha melhor amiga, ela foi.
-Então, quem é que você quer seqüestrar para ter tanta pressa e entusiasmo em seu timbre? - ela perguntou aos risos.
-Ninguém. Ainda. - brinquei.
-Então, o que foi? - A esta altura ela já estava espatifada no sofá comendo doritos.
-.
-O que foi desta vez?
-Ele... Elepediuparaeuirmorarjuntocomele! - A frase foi torta,escandalosa, histérica, aguda, rápida e decidida ao mesmo tempo. Achei que não conseguiria decifrar o que havia sido dito. Mas ela me surpreendeu quando começou a gritar e pular, e pular e gritar e pular, de novo.
-Ai meu Deus! Vocês? Juntos mesmo, tipo, mesmo!? Isso é incrível. Mas vem cá. Quando o casamento rolar de verdade, eu serei a madrinha.
-Combinado.
Melhores amigas são para isto. Marcar o casamento sem o noivo saber.
-Bom dia!
Abri meus olhos, e o vi. Cara é tão surreal acordar e se deparar com aquele rosto perfeito a centímetros de você.
- O café já está pronto. Vamos?
-Claro.
Arrumei o meu pijama, coloquei minhas pantufas e desci as escadas.
Tomamos café, ele me levou de carro até a lanchonete e foi até a casa de ensaiar um pouco.
A mesma senhora ruiva apareceu na lanchonete à tarde.
Ele pediu um latte para Minnie, sorriu a me ver e saiu.
Aquilo me deixou com os cabelos em pé.
As palavras daquele dia... Ainda não fui capaz de decifrá-las. Afinal, tudo havia sido deixado para traz. Não havia mais fantasmas.
e eu estávamos começando uma vida nova. Recomeçando. Juntos. E era isto que importava.
Afinal, a gente se amava...
Minhas economias estavam melhorando após a venda de minha antiga moradia. Foi triste ter que vendê-la, mas eu não precisava mais dela. Tinha a casa de agora. E o dinheiro da venda, eu iria usar uma parte para ajudar na casa, pois eu não serei dependente dele, e o restante, irei guardar para um dia visitar Dublin, Sidney, NY ou São Paulo...
Não precisamos comprar muitos móveis novos, tinha moveis de gente grande e um ótimo gosto para decoração, na qual eu poderia apostar todas as minhas economias que foi totalmente manipulado pela vendedora.
Varias vezes eu esquecia de que eu estava com ele e ia para minha antiga casa, e via pessoas novas morando nela. Isto é, se um casal idoso pode ser considerado "novo".
Mesmo assim dava uma sensação boa quando eu via aquele casal no andar de cima, segurando as mãos e os olhos sempre brilhando. Isto também me lembrava algo engraçado, uma vez dito por uma amiga minha, mas prefiro entrar neste assunto outra hora, quem sabe...
(***)
-É tão bom acordar e ver o seu rosto. - Foi estranhamente divino ouvir de as palavras que eram reproduzidas todo santo dia em minha mente.
-Eu também acho. - Comentei sorrindo, ao lado dele, na cama.
-Nunca pensei que as coisas dariam certo entre a gente.
-Nem eu. Mas acho que a culpa é do destino. Era para ser assim. Mesmo que nos dois não acreditemos, após tudo de certo, estranho e errado. Agora nós estamos juntos.
Ele apenas sorriu concordando.
-, eu te amo. Eu nunca irei te abandonar.
-Eu também te amo, Kristen.
- Kristen? - joguei o nome da mesma forma em que o meu estomago desejava, com todas as forças arremessar para bem longe toda a comida ingerida no ultimo mês.
Senti-me fria, com náuseas e tontura. E o meu peito, doía, como se meus pulmões estivessem dando uma surra em meu coração, por ele ter sido tão idiota.
-Não. Eu disse . Eu quis dizer J. É você que eu amo.
-Não... - A esta altura lagrimas quentes escorriam pelo meu rosto, queimando minha pela.
-Não. Eu não sei como disse isso. Eu amo você. Você.
-Você está tentando se convencer disto? Você não me ama. Se me amasse, nunca teria dito essas palavras.
Sentia como se a frase dita por ele fosse um punhal enferrujado sendo fincado sobre o meu peito, reabrindo minha cicatriz com força, agilidade e habilidade. Fazendo-me desejar morrer de tétano.
-Se eu não te amasse você acha que isto estaria acontecendo? - ele perguntou.
Eu me senti suja na mesma hora. Ali, sentada envolta dos lençóis dele. Na mesma cama que eles já dormiram várias vezes. No mesmo quarto, envolto das mesmas paredes que guardavam os segredos sussurrados durante as noites estreladas.
-Acho.
-Eu não estou acreditando nisto... - Ele segurou a cabeça com força, tentando visualizar a merda que havia sido feita.
-Se alguém tem o direito de não acreditar em algo. Sou eu. Eu tenho o direito de acreditar que você não me ama.
Imagens e palavras não paravam de vir a minha mente e eu despejava todas elas em lagrimas de dor, tristeza e ódio.
-Sabe, eu devia ter visto isto antes. Você não me amava. Como eu fui ser tão estúpida!? Você sempre amou ela. Você apenas me usou.
-Eu nunca se usei, e você sabe disso! - Ele foi severo em suas palavras.
-NÃO! PARA COM ISTO. EU JÁ TE PEDI PARA PARAR! - não conseguia me controlar mais.
Eu chorava e gritava como uma criança que descobre que os pais irão se divorciar.
-EU FUI TÃO IDIOTA! - Agora eu gritava comigo e com ele ao mesmo tempo. - Como eu não notei que eu era apenas a substituta?
-Você nunca fo..
-CALA A BOCA! EU JÁ DISSE. CALA A BOCA! Ah Deus que nojo! Você me usou por causa disto? - cuspi as palavras e apontei para o meu peito.
-Não... eu nunca... - Eu via desespero nos olhos dele. Como se ele realmente sentisse pelo que tinha tido.
Mas era tarde. Ele havia aberto as portas para o além e invocou o fantasma que a muito havia ido embora para nossa felicidade..
-Você sim. Você ficou comigo porque tinha a esperança... Por que sabia que dentro de mim tinha uma parte ,dela que não havia morrido naquele maldito acidente!
-Não...
-MENTIROSO!
-Eu... eu sinto muito....
-VOCÊ SENTE MUITO?
-Sinto tá legal. No começo... Mas agora não é mais assim. Eu realmente amo você. É você que eu quero.
Ele tentou olhar em meus olhos e me puxar para perto delo. Tentou me abraçar, me beijar. Mas eu não permiti que ele me tocasse. Sentia nojo dele, dela, de mim, e de tudo que estava ao nosso redor.
-Me desculpe...
Ele tentou me beijar mais uma vez. Deixei seus lábios subirem de meu ombro até a minha nuca. Por fim, ainda chorando deixei-o me beijar, um beijo longo, quente, triste com fome, medo e angústia. Não fiz nada. Apenas deixei que ele me beijasse da forma que ele queria. Afinal, aquele era o nosso último beijo.
Quando finalmente seus lábios abandonaram os meus, seus olhos procuraram os meus, em busca de alguma resposta. Algum perdão... alguma coisa além do vazio em que me encontrava.
-Sabe ... Às vezes, se desculpar não é o suficiente.
narrando
- SEU CRETINO!
- COMO VOCÊ DEIXOU ISSO ACONTECER?
- JUSTO AGORA QUE AS COISAS ESTAVAM DANDO REALMENTE CERTO ENTRE VOCÊS?
- EU SEI! - gritava em resposta para , e , que me crucificavam após serem noticiados do ocorrido. - Mas não foi de propósito. Escapou. E vocês sabem como ninguém o quanto eu amo aquela garota e como estou sofrendo por isso!
- A gente sabe, mas cara, olha só a merda que você fez.
- Você desenterrou a Kristen...
- E ninguém sabe mais do que eu o quanto eu sinto muito por isso. Eu achei que já tinha superado. Afinal, eu amo a . Ela é tudo pra mim. E agora, eu a fiz ir embora...
- E.... e se você for atrás dela?
- De que adiantaria ? Ela já disse que nunca mais quer me vez. Ela me odeia agora.
- Mesmo?
- Não, eu estou brincando. É lógico que é serio seu jumento! Ela me amava tanto. Todas as coisas doces que ela me dizia. E agora eu a fiz me odiar.
- Cara, peça desculpas. Diz que você sente muito.
- E você acha que eu ainda não fiz isso !? - meus olhos queimavam. - Eu... eu só não sei o que farei sem ela.
E eu realmente não sabia. Minha cabeça girava. Meus olhos ardiam e o odio que eu sentia por mim se multiplicava a cada segundo.
Na manhã seguinte eu fui atrás dela na lanchonete. Ela não estava lá, ou talvez estava, mas não disposta a me ver.
Eu também não estaria.
O problema é que sempre que eu ia até lá, ela dava um jeito de escapar, como se ela quisesse voltar no tempo e nunca ter me encontrado, ou encontrado meu maldito celular.
Nossas vidas medíocres continuariam sendo miseráveis. Eu nunca teria descoberto que poderia viver, amar e sofrer por alguém novamente.
E nem ferir alguém de tal forma.
Mas como ela disse minhas desculpas não são suficientes para que ela consiga parar de sentir repulso e me perdoar pelo que eu havia dito.
Eu tinha que fazer alguma coisa.
- Eu vou continuar lutando por ela .
- Cara, já faz mais de um mês que vocês terminaram...
- E mesmo assim, eu não consigo parar de amá-la.
- E você sabe se ela ainda te ama?
- Não sei. Provavelmente não, mas ela tem que acreditar em mim. E me perdoar. Eu não consigo mais suportar viver assim. Era para as coisas serem boas. Era para sermos felizes. Era para estarmos juntos aqui. Agora. Sempre.
- Então diga isso a ela, cara.
- Ela não quer me ver. A amiga dela, do pub, e a da lanchonete já deixaram isto bem claro quando "derrubaram" um copo de latte pelando em minha calça, duas vezes.
- Isso porque elas acham que você é um cretino.
- Valeu, cara.
- Não, não. Eu quis dizer que, se você falar essas coisas para as amigas dela elas vão te dar uma força, eu acho.
- Você acha mesmo?
- É. Talvez....
- Eu, acho que tive uma idéia....
- Mesmo, e o que é...
- Depois eu te conto. Tenho que ir agora. Valeu pela força.
- Disponha.
Deixei a casa de e corri até a minha. Minha mente fervia em ideias e eu tinha que saber utilizá-las.
Talvez estivesse certo. Talvez e me ajudem. Ou não tentem me impedir.
Cheguei em casa, fechei a porta e subi até o meu quarto.
Abri as gavetas da escrivaninha, arranquei algumas folhas de lá e comecei a escrever, rasgar as folhas e escrever novamente.
E quando finalmente terminei acabei apagando. Meus olhos só se abriram na manha seguinte.
Peguei meu violão, liguei para os garotos. Meia hora depois estávamos todos na casa de .
- Foda! -Exclamou após ler duas vezes o que eu tinha escrito.
- Mesmo? - perguntei e ele apenas fez que sim com a cabeça.
- Agora, o que você acha da gente pegar essa parte e colocarmos assim... - arrancou as folhas da mão de e começou a riscar um pouco e fazer novas anotações.
, observando tudo em silêncio resolveu se manifestar e perguntou se ainda mantinha o piano dentro de casa?
- Para quê?
- Estava pensando, a introdução, no lugar do violão, poderia ser feita com o piano.
- Boa ideia! Vamos!
correu para o andar de cima enquanto e subiam com a bateria, e eu carregava o violão e o baixo.
- , pega o violão e faz a introdução: mi, lá, ré, sol, si e mi novamente. - E eu o fiz.
- Tá, , vai você pro piano e faz o mesmo. - o fez.
- Realmente cara, ficou melhor assim. - Falei assim que terminou.
- Também gostei. - Ele admitiu. - Mas e se no lugar do violão a gente usar o baixo e a guitarra? O som vai ficar mais pessado. Vai dar mais emoção...
- É verdade. - concordou.
- Por mim todo bem. Eu só espero que isso dê certo....
- E vai dar cara. Você vai ver.
- Valeu pelo apoio. Vocês são incriveis. Eu amo vocês...
- É melhor isso dá certo mesmo, o tá carente!
-Vai se foder, .
- Oi linda.
- Eu não vou ajudar o seu amigo.- Qual é ! O está sofrendo. Olha só para ele! - falava com e apontava para mim, que estava sentado do outro lado do pub.
- Não. Ele machucou ela.
- E ele se arrependeu. , o ama a sua melhor amiga. E você sabe que ela ainda o ama.
- Não. Ela não o ama.
- Você está blefando. - entrou em ação.
- Não estou não. E mesmo que não estivesse eu não vou pedir para ela aceitá-lo de volta.
- A gente não está pedindo para pedir a ela fazer isto.
- Então, o que vocês querem?
- A sua outra amiga, a , ele vem almoçar com você hoje não vem?
- Vem. É ela que está ali na porta.
foi receber . e seguraram pelos braços e a levaram para onde eu estava sentado.
- O que esse cretino quer com a gente? - perguntou a doce , sem olhar na minha cara.
- Esse cretino quer a ajuda de vocês. - esclareceu.
- Nunca. Sem chances.
- Tudo bem. Eu sei o que vocês pensam de mim. Mas vocês sabem que eu ainda amo a . Ou vocês realmente acham que esse mês que eu fiquei indo atrás dela na lanchonete, no pub, no inferno ou em qualquer outro lugar que ela pudesse estar só por que eu sou apenas um babaca? Não foi uma pergunta retórica! O que eu quero disser é que eu a amo. Ela me ensinou a viver novamente. Ela me ensinou que apenas um sorriso faz o mundo girar. Ela me ensinou que a loucura é boa. E eu sou louco por ela. Eu não queria me permitir a ser feliz e mesmo assim ela me fez. E... esquece. Eu não a mereço. Não. Eu não a mereço. Ela é boa demais para mim.
A esse ponto eu já nem sentia minhas lágrimas em meu rosto. Elas apenas fluiam.
- , que historia é essa!??! – Ela, , que foi atrás de mim assim que eu me levantei.
- É a verdade que eu não queria enxergar. Eu não a mereço. Eu sou mesmo um idiota. Ela estava sempre atrás de mim e eu nunca quis que ela estivesse. Não queria admitir que ela era incrível. E quando eu finalmente resolvo encarar a realidade e aceitar que ela era perfeita, eu a faço ir.
- , mas o que você sente, o que você escreveu!??!
- Podem usar para a banda. - Joguei as folhas na mesa.
Só notei depois de alguns minutos que e haviam pego e leram.
- Mudamos de ideia. - começou.
- O que? - perguntei sem entender.
- Você é um babaca. Sempre soube que ela era perfeita para você, mas preferiu continuar a sofrer. Mas depois você resolveu dar uma chance a você mesmo. Uma chance para aquela maluquinha que sempre me pentelhava quando te via. Cara, só Deus sabe o quanto ela estava feliz.
- E então eu fudi com a felicidade dela.
- Pode ser. Mas se, como você disse e escreveu aqui, se você realmente a ama, ela merece saber.
- E a gente vai ajudar. Na medida do possivel claro. - dessa vez olhava em meus olhos, sem desprezo.
- Então garoto, qual é o seu plano, colocar essa musica na rádio?
- Quase...
narrando:
- Pronto, ? - Minhas amigas gritaram.
- Sim. - Respondi, sem ânimo, enquanto me encarava no espelho.
Saí do meu quarto com aquele vestido vermelho lindo que havia ganhado de aniversario há um ano e meio e nunca havia usado.
- Está linda. - disse.
- Obrigada. - Minha resposta foi mórbida.
- Hey Hey! Para com isso! Está na hora de seguir em frente, gata, e é por isso que você vai sair com a gente. Para se divertir! - falava freneticamente. Estava me assustando e me fazendo rir.
- Se você diz. - Fingi que concordava com o que elas estavam tramando, peguei minha bolsa que estava encostada no sofá e sai na frente. Elas me seguiram divinas com seus vestidos em cores escuras e tecidos leves.
Pegamos um taxi e quando eu notei estava parado em frente ao Roxxy Mood Pub.
Achei estranho. trabalhava lá e o pub era sempre movimentado, acolhedor e barulhento, diferente de como ele estava agora. Tinha alguma coisa errada.
No entanto não tive tempo de encontrar pistas e investigar. Com uma amiga pendurada em cada braço entrei no pub.
Eu tinha razão.
Não havia ninguém lá. Estava escuro e silencioso. Bem, pelo menos era o que eu achava.
sentou em uma mesa e me fez com que eu a imitasse. foi até o quadro de luz, apertou um ou dois botões e o local se iluminou. Foi então que eu o vi.
- Como vocês tiveram coragem de fazer isso comigo? - Perguntei para e .
- , fica calma e escuta o que ele tem a dizer.
- ELE? Ele não tem nada a dizer. Tudo que era para ser dito já foi. E não sobrou nada. Nada além de dor. E eu me recuso a passar mais um segundo em frente a ele.
- espera... - as meninas tentaram-me impedir, mas eu ignorei. Já estava alcançando a maçaneta quando alguma coisa tocou o meu ombro. A mão dele.
- Por favor, fica.
- Pra que? Você já não acha que eu fui humilhada o bastante naquela manhã? O que faltou a ser dito, ? Que você me usou e sente muito? Espera você já disse isso.
Voltei meu corpo para a porta e senti um puxão. Por causa do maldito salto alto que me fez usar eu girei meu corpo para não cair no chão. O problema foi que eu cai em outro lugar. Nos braços dele.
Ele ficou parado, apenas me olhando. Seus olhos pareciam transmitir a mesma dor que os meus. Mas não deveria ser sincero, então levantei os meus braços e comecei a bater nele. Com meus punhos fechados e lágrimas escorrendo pela minha face, eu batia no peito de com toda a raiva e rancor que tinha. Era como se cada soco que eu acertava fosse uma dose de dor que saia da cicatriz que eu carregava em meu peito. Só que não era bem assim, pois eu tinha a impressão de que os socos que ele levava sem reagir era como um tapa na minha cara. Daqueles bem fortes. E a essa altura ele também estava chorando. Chorando junto a mim. O que nos tornamos? Eu me perguntava.
- , venha cá... - Minhas amigas vieram até nos e me levaram de volta a mesa e os meninos que eu não havia notado a presença fizeram o mesmo com ele.
- Fica calma. Respira....
foi até a frente do palco.
- Boa noite, garotas. Sinto que a noite não começou tão bem quanto esperávamos, mas nada está perdido. , a gente sabe o que aconteceu entre vocês. Nós conhecemos a sua versão e a versão do . Mas a versão que eu, os caras da banda e as suas melhores amigas também conhecem, e a que mais temos fé, é na verdade. E a verdade é que aquele idiota ainda te ama, e mesmo que você não o ame mais, coisa que a gente duvida, dê uma chance dele te dizer o que ele está sentido. Depois, você pode dar um chute no saco dele e você não gostar do que ele falou. Combinado? - Ele sorriu e me fez sorrir e concordar com a cabeça.
- Ainda bem que você concorda senão suas amigas teriam que te amarar na cadeira para você não fugir. - Declarou .
Virei em direção as garotas e elas fizeram que sim com a cabeça.
- Tudo bem gente vamos começar logo com isso antes que o amarele. - Anunciou .
- Vem garoto, o microfone é seu. - sorriu e se afastou da frente do palco, deixando o local para ficar em frente a mim.
- Boa noite... ér... todo mundo sabe que... Dane-se. , eu sei que você ama os Beatles e eu ainda amo você e essa musica tem uma letra incrivel, se bem que no momento a versão do Pearl Jam é mais intensa do que a deles... então... - então o baterista começou a tocar a fim de calar que começou a se enrolar com as palavras.
Lay down your arms and surrender to me - começou para dar impulso e se calou nos versos seguintes.
(Abaixe suas armas e renda-se a mim.)
Oh, lay down your arms and love me peacefully, yeah
(Abaixe suas armas e me ame pacificamente, sim.)
Use your arms for squeezin' and please.
(Use seus braços para abraçar e afagar)
I'm the one that loves you so...
(Aquele que te ama tanto...)
Oh there ain't no reason for you to declare
(Não existe motivo para você declarar guerra)
War on the one who loves you so
(Àquele que te ama tanto)
So forget the other boys 'cause my love is real
(Então esqueça dos outros rapazes pois meu amor é real)
Come off your battlefield
(Saia do seu campo de batalha.)
Lay down your arms and surrender to me
(Abaixe suas armas e renda-se a mim.)
Yeah, lay down your arms and love me peacefully, yeah
(Abaixe suas armas e me ame pacificamente, sim.)
Use your arms for squeezin' and please
(Use seus braços para abraçar e afagar)
'Cause that's the way it's gotta be
(Use seus braços para abraçar e afagar)
The weapons you're using are hurting me bad
(As armas que você está usando estão me machucando seriamente)
But someday you're going to retreat (Mas algum dia você vai recuar.)
'Cause my love baby is the truest you've ever had
(Porque o meu amor, baby, é o mais sincero que você já encontrou.)
I'm a soldier of love that's hard to beat
(Eu sou um soldado do amor, que é difícil de derrotar)
Lay down your arms and surrender to me
(Abaixe suas armas e renda-se a mim.)
Lay down your arms and love me peacefully, yeah
(Abaixe suas armas e me ame pacificamente, sim)
Use your arms to hold me tight
(Use seus braços para me abraçar bem apertado)
Baby I don't wanna fight no more
(Baby, eu não quero lutar mais.)
Oh baby, lay down your arms
(Oh baby, abaixe suas armas)
Please baby lay down your arms
(Por favor, baby abaixe suas armas)
Enquanto eu ainda me recuperava do choque da letra, que parecia ter sido feita para nos, secou seu rosto, que estava coberto de lagrimas e começou a falar...
narrando: - A próxima música foi eu quem escrevi. Eu sei que a merda que eu fiz não tem reparo, mas eu só preciso que você me entenda e quem sabe um dia você possa me perdoar, caso contrario eu nunca irei.
e começaram a balbucear a musica.
Good, good, good, good enough
(Bom, bom, bom, bom o bastante)
Good, good, good, good enough
(Bom, bom, bom, bom o bastante)
Good, good, good, good enough
(Bom, bom, bom, bom o bastante)
Então eu entrei...
I can't stop, I can't stop loving you
(Eu nao consigo, eu não consigo parar de te amar)
You're a dreamer and dreaming's what you do
(Você é uma sonhadora e sonhar é o que você faz)
I won't stop believing that this is the end, there must be another way.
(Eu não irei parar de acreditar que esse é o fim, deve haver outra maneira.)
'Cause I couldn't handle the thought of you going away
(Porque eu não poderia agüentar o pensamento de você ir embora)
Woah yeah
Sorry's not good enough, why are we breaking up?
(Desculpa não é bom o bastante, por que nós estamos terminando?)
'Cause I didn't treat you rough, so please don't go changing
(Porque eu não te tratei mal, então por favor não mude)
What was I thinking of?
(No que eu estava pensando?)
You said you're out of love
(Você disse que estava sem amor)
Baby don't call this off because sorry's not good enough
(Baby não termine isso porque desculpa não é bom o bastante)
Don't stop, all those things you do
(Não pare todas essas coisas que você faz)
I'm a believer and that's what gets you through
(Eu tenho fé e isso é o que te faz continuar)
I can't fight this feeling that this is the end
(Eu não consigo lutar com esse sentimento de que esse é o fim)
We're in the thick of it, when will this ever end?
(Nós estamos no limite disto, quando isso vai acabar?)
Woah, woah
Sorry's not good enough, why are we breaking up?
(Desculpa não é bom o bastante, por que nós estamos terminando?)
'Cause I didn't treat you rough, so please don't go changing
(Porque eu não te tratei mal, então por favor não mude)
What was I thinking of?
(No que eu estava pensando?)
You said you're out of love
(Você disse que estava sem amor)
Baby don't call this off because sorry's not good enough (Baby não termine isso porque desculpa não é bom o bastante)
For you, said you'd never leave me
(Para você, disse que nunca iria me deixar)
Be there to hold and please me
(Esteja lá para me segurar e agradar)
Sorry's just not good enough for you
(Desculpa apenas não é bom o bastante para você)
But everybody makes mistakes and that's just what we do
(Mas todos cometem erros e isso é o que nós fazemos)
Good, good, good, good enough
(Bom bom bom bom o bastante)
Good, good, good enough
(Bom bom bom bom o bastante)
Good, good, good enough
(Bom bom bom bom o bastante)
Good, good
(Bom bom bom bom o bastante)
Don't go changing
(Não mude)
Don't go changing (sorry's not good enough)
(Não mude (desculpa não é bom o bastante)
Don't go changing (sorry's not good enough)
(Não mude (desculpa não é bom o bastante)
Don't go changing (sorry's not good enough)
(Não mude (desculpa não é bom o bastante)
Don't go changing
(Não mude)
Sorry's not good enough, why are we breaking up?
(Desculpa não é bom o bastante, por que nós estamos terminando?)
'Cause I didn't treat you rough, so please don't go changing
(Porque eu não te tratei mal, então por favor não vá mudando)
What was I thinking of?(woah)
(No que eu estava pensando?)
You said you're out of love(woah)
(Você disse que estava sem amor)
Baby don't call this off because sorry's not good enough(whoa)
(Baby não termine isso porque desculpa não é bom o bastante)
Sorry's not good enough
(Desculpa não é bom o bastante)
Sorry's not good enough
(Desculpa não é bom o bastante)
Terminei a música.
Coloquei tudo aquilo que estava sentido pra fora. Me senti mais leve, até o momento em que eu a vi. Parada em frente ao palco. Me olhando.
Seus olhos estavam molhados, vermelhos e trêmulos. Imaginei que os meus também estariam.
E pelo canto dos lábios eu notei um sorriso. Bem, se não foi um sorriso, eu prefiri imaginar que era, caso contrário não teria coragem de fazer o que fiz.
Desci do palco. Segurei as mãos de . Olhei ao redor e pude ver que as amigas dela estavam emocionadas pelo show e os meus amigos estavam tensos em cima do palco.
Quando dei por mim, já estava com um joelho ao chão. Levantei os meus olhos para ver os dela, respirei fundo. Não sabia direito o que estava fazendo. Mas eu não ligava, afinal, quando se ama, não precisa de um porquê.
Então sem medo da resposta positiva ou negativa perguntei:
- , casa comigo?

